quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Catequese de Bento XVI - Oração na Sagrada Família


Queridos irmãos e irmãs,

este nosso encontro desenvolve-se em um clima de Natal, inundado de íntima alegria devido ao nascimento do Salvador. Celebramos há pouco este mistério, cujo eco se expande na liturgia de todos estes dias. É um mistério de luz que os homens de todas as épocas podem reviver na fé e na oração. Exatamente através da oração nós nos tornamos capazes de aproximarmo-nos de Deus com intimidade e profundidade. Por isso, tendo presente o tema da oração, que estou desenvolvendo neste período nas Catequeses, hoje gostaria de convidar-vos a refletir sobre como a oração faz parte da vida da Sagrada Família de Nazaré. A Casa de Nazaré, de fato, é uma Escola de Oração, onde se aprende a escutar, a meditar, a penetrar o significado profundo da manifestação do Filho de Deus, através do exemplo de Maria, José e Jesus.

Permanece inesquecível o discurso do Servo de Deus Paulo VI por ocasião de sua visita a Nazaré. O Papa disse que, na Escola da Sagrada Família, nós "compreendemos porque devemos ter uma disciplina espiritual, se queremos chegar a ser alunos do Evangelho e discípulos de Cristo". E acrescenta: "Em primeiro lugar, a lição do silêncio. Renasça em nós a valorização do silêncio, desta estupenda e indispensável condição do espírito; em nós, aturdidos por tantos ruídos, tantos rumores, tantas vozes de nossa ruidosa e hipersensibilizada vida moderna. O Silêncio de Nazaré ensina-nos o recolhimento, a interioridade, a atitude de prestar ouvidos às boas inspirações e palavras dos verdadeiros mestres" (Discurso em Nazaré, 5 de janeiro de 1964).

Podemos elencar alguns pontos sobre a oração, sobre a relação com Deus, da Sagrada Família, conforme as narrações evangélicas da infância de Jesus. Podemos partir do episódio da Apresentação de Jesus no templo. São Lucas narra que Maria e José, "concluídos os dias da sua purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor" (2,22). Como toda a família hebraica observante da Lei, os pais de Jesus dirigem-se ao templo para consagrar a Deus o primogênito e para oferecer o sacrifício. Movidos pela fidelidade à prescrição, partem de Belém e chegam a Jerusalém com Jesus, que tem, então, apenas quarenta dias; ao invés de um cordeiro de um ano, apresentam a oferta das famílias simples, isto é, duas pombas. Aquela da Sagrada Família é a peregrinação da fé, da oferta dos dons, símbolo da oração e do encontro com o Senhor, que Maria e José já veem no filho Jesus.

A contemplação de Cristo tem em Maria o seu modelo insuperável.  O rosto do Filho lhe pertence a título especial, porque é no seu ventre que se formou, tomando dela também uma semelhança humana. À contemplação de Jesus, ninguém se dedicou com tanta assiduidade quanto Maria. O olhar do seu coração concentra-se sobre Ele já no momento da Anunciação, quando O concebe por obra do Espírito Santo. Nos meses sucessivos, adverte, pouco a pouco, a Sua presença, até o dia do nascimento, quando os seus olhos podem fixar, com ternura materna, o rosto do filho, enquanto o envolve em faixas e o coloca na manjedoura. As lembranças de Jesus, fixadas na sua mente e no seu coração, marcaram cada instante da existência de Maria. Ela vive com os olhos sobre Cristo e valoriza cada uma de Suas palavras. São Lucas diz: "Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração" (2,19), e assim descreve a atitude de Maria diante do Mistério da Encarnação, atitude que se prolongará em toda a sua existência: conservar todas as coisas, meditando-as no seu coração.

Lucas é o Evangelista que nos faz conhecer o coração de Maria, sua fé (cf. 1,45), sua esperança e obediência (cf. 1,38), sobretudo sua interioridade e oração (cf. 1,46-56), a sua livre adesão a Cristo (cf. 1,35). E tudo isso procede do dom do Espírito Santo que desce sobre Ela (cf. 1,35), e que descerá sobre os Apóstolos, segundo a promessa de Cristo (cf. At 1,8). Essa imagem de Maria, que nos dá São Lucas, apresenta Nossa Senhora como modelo de cada fiel que conserva e se coloca frente às palavras e ações de Jesus, atitude que é sempre um progredir no conhecimento de Jesus.

Nos passos do Beato Papa João Paulo II (cf. Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae), podemos dizer que a oração do Rosário tem seu modelo exatamente em Maria, porque consiste no contemplar os mistérios de Cristo em união espiritual com a Mãe do Senhor. A capacidade de Maria de viver do olhar de Deus é, por assim dizer, contagiante. O primeiro a fazer tal experiência é São José. O seu amor humilde e sincero pela sua prometida esposa e a decisão de unir sua vida à de Maria atraiu e introduziu também a ele, que já era um "homem justo" (Mt 1,19), em uma singular intimidade com Deus. De fato, com Maria e depois, sobretudo, com Jesus, ele começa um novo modo de relacionar-se com Deus, de acolhê-lo na própria vida, de entrar no seu projeto de salvação, cumprindo sua vontade. Após ter seguido com confiança a indicação do anjo – "não temas receber Maria por esposa" (Mt 1,20) –, ele tomou consigo a Maria e partilhou sua vida com ela. Verdadeiramente, doou totalmente a si mesmo a Maria e a Jesus, e isso o conduziu rumo à perfeição da resposta à vocação recebida. O Evangelho, como sabemos, não conservou nenhuma palavra de José: a sua é uma presença silenciosa, mas fiel, constante, operosa. Podemos imaginar que também ele, bem como sua esposa e em íntima comunhão com ela, viveu os anos da infância e adolescência de Jesus desfrutando, por assim dizer, da sua presença na família. José cumpriu plenamente sua missão paterna, em todos os aspectos. Seguramente educou Jesus à oração, juntamente com Maria. Ele, em particular, O terá levado consigo à sinagoga, nos ritos do sábado, bem como a Jerusalém, para as grandes festas do Povo de Israel. José, segundo a tradição hebraica, terá presidido à oração doméstica, tanto a cotidiana – pela manhã, à noite, nas refeições –, quanto a dos principais acontecimentos religiosos. Assim, no ritmo das jornadas transcorridas em Nazaré, entre a simples casa e a oficina de José, Jesus aprendeu a alternar oração e trabalho, e a oferecer a Deus também o cansaço para ganhar o pão necessário à família.

E, enfim, outro episódio que vê a Sagrada Família de Nazaré reunida em um evento de oração. Jesus, conforme escutamos, aos doze anos, dirige-se com os seus ao Templo de Jerusalém. Esse episódio coloca-se no contexto da peregrinação, como sublinha São Lucas: "Seus pais iam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa. Tendo ele atingido doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa" (2,41-42). A peregrinação é uma expressão religiosa que se nutre de oração e, ao mesmo tempo, alimenta-a. Aqui se trata daquela peregrinação pascal, e o Evangelista faz-nos observar que a família de Jesus a vive a cada ano, para participar dos ritos na Cidade Santa. A família hebraica, bem como aquela cristã, reza na intimidade doméstica, mas reza também junto com a comunidade, reconhecendo-se parte do Povo de Deus em caminho, e a peregrinação expressa justamente esse "estar em caminho" do Povo de Deus. A Páscoa é centro e o cume de tudo isso, e envolve a dimensão familiar e aquela do culto litúrgico e público.

No episódio de Jesus aos doze anos, são registradas também as primeiras palavras do Senhor: "Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?" (Lc 2,49). Após três dias de busca, os seus pais encontram-No no Templo, sentado entre os Mestres, que o escutavam e interrogavam (cf. 2,46). À pergunta sobre o porquê fez isso com seu pai e sua mãe, Ele responde que fez somente aquilo que deve fazer o Filho, isto é, estar junto ao Pai. Assim, Ele indica quem é o verdadeiro Pai, qual é a verdadeira casa, que Ele não fez nada de estranho, de desobediente. Permaneceu onde deve estar o Filho, isto é, junto ao Pai, e sublinhou quem é o seu Pai. A palavra "Pai" destaca, portanto, o acento dessa resposta, aparecendo todo o mistério cristológico. Essa palavra abre, portanto, o mistério, é a chave do mistério de Cristo, que é o Filho, e abre também a chave do mistério nosso como cristãos, que somos filhos no Filho. Ao mesmo tempo, Jesus ensina-nos como ser filhos, exatamente no estar com o Pai em oração. O mistério cristológico, o mistério da existência cristã está intimamente ligado, fundado na oração. Jesus ensinará, um dia, seus discípulos a rezar, dizendo a eles: quando rezardes, dizei "Pai". E, naturalmente, não o dizei somente com uma palavra, mas dizei-o com a vossa existência, aprendei sempre mais a dizer com a vossa existência: "Pai"; e, assim, sereis verdadeiros filhos no Filho, verdadeiros cristãos.

Aqui, quando Jesus está ainda plenamente inserido na vida da família de Nazaré, é importante notar a ressonância que pode ter tido nos corações de Maria e José ouvir da boca de Jesus aquela palavra "Pai", revelando, sublinhando quem é o Pai, e ouvir da sua boca essa palavra com a consciência do Filho Unigênito, que exatamente por isso desejou permanecer três dias no templo, que é a "casa do Pai". Desde então, podemos imaginar, a vida na Sagrada Família foi então mais plena de oração, porque, do coração de Jesus menino – e depois adolescente e jovem –, não cessará mais de se difundir e refletir nos corações de Maria e José este senso profundo da relação com Deus Pai. Esse episódio mostra-nos verdadeira situação, a atmosfera do ser com o Pai. Assim, a Família de Nazaré é o primeiro modelo da Igreja em que, em torno da presença de Jesus e graças à sua mediação, vivem todos a relação filial com Deus Pai, que transforma também as relações interpessoais, humanas.

Queridos amigos, é por esses diversos aspectos que, à luz do Evangelho, brevemente traçados, a Sagrada Família é ícone da Igreja doméstica, chamada a rezar em união. A família é Igreja doméstica e deve ser primeira escola de oração. Na família, as crianças, desde a mais tenra idade, podem aprender a perceber o senso de Deus, graças ao ensino e ao exemplo dos pais: viver em uma atmosfera marcada pela presença de Deus. Uma educação autenticamente cristã não pode prescindir da experiência de oração. Se não se aprende a rezar em família, será depois difícil preencher esse vazio. E, portanto, gostaria de dirigir a vós o convite a redescobrir a beleza de rezar juntos como família, na escola da Sagrada Família de Nazaré. E, assim, tornar-vos realmente um só coração e uma só alma, uma verdadeira família.

 Obrigado!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Adoração na Paróquia Santíssimo Sacramento


De hoje para amanhã, de 03h às 06h, estaremos em vigília na Paróquia Santíssimo Sacramento, que fica na 606 sul.

Aproveite suas férias e venha agradecer e adorar o Senhor pelo ano de 2011.

Esperamos por você!

Porque devemos agradecer a Deus?



Tudo o que somos e temos provém de Deus. São Paulo diz? "Que tens tu que não tenhas recebido?" (I Cor 4, 7). Ser grato a Deus, o criador de tudo o que é bom, dá felicidade. (2637-2638, 2648)

A maior oração de ação de graças é a Eucaristia (eucharistia = ação de graças) de Jesus, em que Ele toma o pão e o vinho para aí apresentar a Deus toda a Criação transformada. Todo o agradecimento do cristão está em harmonia com a grande ação de graças de Jesus. De fato, também nós somos transformados e redimidos por Jesus; assim, podemos ser gratos do mais profundo do coração, dizendo-o a Deus das mais variadas formas.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Intimidade com o Senhor


Uma vez ouvi “Deus tem pressa de intimidade”. Essa frase junto com tantas outras parece que ligou dentro de mim vários sentimentos e me fez olhar para Maria.

A gratidão de Maria foi de intimidade, porque reconheceu que Deus fez nela maravilhas, às vezes vejo tanta gente que agradece a Deus fora de si e aí vem Nossa Senhora e dá um show de gratidão porque agradece a Deus dentro de si e reconhecendo nela, na carne dela os benefícios de Deus em seu favor.

Não sei se faz sentido aí, para mim faz! Deus tem pressa de intimidade porque deseja que vivamos a Gratidão em nós, como Maria, por isso é preciso estar aberto a mudanças tão intensas, por isso é preciso deixar Deus romper dentro de nós o que é preciso para conseguir, por graça e desejo Dele, conte-Lo inteiro em nós, mesmo Ele sendo incontenível.

A intimidade que vai além de Jesus melhor amigo que ouve tudo e a quem desejamos tudo contar; é intimidade que tem Jesus em si e que por isso faz a gente perceber com tanta clareza que não pertencemos a este mundo.

É intimidade que tem Jesus protegido no nosso corpo e assim fazemos de tudo para não machucá-Lo e lutamos com vigor contra as nossas más tendências.

É intimidade de amor que sendo homem ou mulher tem Jesus como belíssimo esposo, que desejamos O pegar pelo pescoço para enchê-Lo de beijos e abraços.

É intimidade de meninos e meninas que correm num campo de flores em busca da mais bonita para dar a Ele de presente.

É intimidade de homens e mulheres apressados na vontade de serem íntimos cada dia mais.
 
Jesus Amado, aumenta em nós o desejo de nos dar a Ti e querermos o Senhor em nós para assim crescer na intimidade que nosso coração anseia e necessita. Amém. 



Tuani Sampaio
Comunidade Católica Gratidão

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Música da Semana!

Bom dia!
Nesta semana em que comemoramos a oitava de natal desejamos que você estenda a celebração do nascimento do Menino Jesus aí dentro do teu coração!
Que não deixe que a alegria desta festa passe como se nada tivesse acontecido! Nasceu para nós o Salvador, um menino nos foi dado! E, este menino que nos foi dado pode ser adorado hoje Sacramentado! Ele se fez carne e habitou entre nós! Se fez homem e abraçou nossa humanidade, experimentando de tudo desta condição, menos o pecado. E, de presente a nós homens, o Verbo de Deus se fez pão, para permanecer conosco para sempre!
Portanto, a alegria do Natal não pode ser passageira! Que o mistério da encarnação penetre teu coração e te faça adorar a Jesus com ainda mais fervor! 
Ele nasceu em nosso coração e por isso rendamos a ele nossos louvores e gratidão!
Que Nossa Senhora e São José o levem a permanecer neste mistério esta semana!
A paz!  


domingo, 25 de dezembro de 2011

Feliz Natal!




Transcorridos muitos séculos desde que Deus criou o mundo e fez o homem à sua imagem;
 – séculos depois de haver cessado o dilúvio, quando o Altíssimo fez resplandecer o arco-íris, sinal de aliança e de paz;
– vinte e um séculos depois do nascimento de Abraão, nosso pai;
– treze séculos depois da saída de Israel do Egito sob a guia de Moisés;
– cerca de mil anos depois da unção de Davi como rei de Israel;
– na septuagésima quinta semana da profecia de Daniel;
- na nonagésima quarta Olimpíada de Atenas;
– no ano 752 da fundação de Roma;
– no ano 538 do edito de Ciro autorizando a volta do exílio e a reconstrução de Jerusalém;
– no quadragésimo segundo ano do império de César Otaviano Augusto, enquanto reinava a paz sobre a terra, na sexta idade de mundo.  JESUS CRISTO DEUS ETERNO E FILHO DO ETERNO PAI, querendo santificar o mundo com a sua vinda, foi concebido por obra do Espírito Santo e se fez homem; transcorridos nove meses nasceu da Virgem Maria em Belém de Judá.
 Eis o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo a natureza humana.
 Venham, adoremos o Salvador.
 Ele é Emanuel, Deus Conosco.

Onde está a manjedoura?



Bem que eu queria ter o coração em ordem para receber Jesus! Nada de manjedoura, mas um coração limpo, arrumado, coisa perfeita e pronta para receber o menino Deus! Entretanto, não é assim que me encontro! Bem ao contrário, dentro de mim está tudo evidente, principalmente minhas misérias. Então, eu entendo que Jesus escolheu ou deixou-se nascer numa manjedoura para que entendamos que Ele não tem medo de nascer em nós; escolheu uma manjedoura para dizer que vai nascer na minha também, na minha "manjedoura" pessoal, no lugar da minha pobreza, com sujeira e miséria. Agora, já não tenho medo! Vem Jesus, pode nascer em mim! Um feliz e santo Natal a todos.

Ricardo Sá
Comunidade Canção Nova

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Catequese do Papa Bento XVI sobre a celebração do Natal


Queridos irmãos e irmãs,
 
Tenho o prazer de acolhê-los nessa Audiência Geral a poucos dias da celebração do Natal do Senhor. A saudação frequente de todos nesses dias é "Feliz Natal! Boas festas!" Façamos isso de modo que, mesmo na sociedade atual, a troca de saudações não perca seu profundo valor religioso e a festa não seja absorvida por aspectos exteriores, que essas toquem mesmo o coração. Certamente, os sinais externos são lindos e importantes, desde que não nos desviem, mas devem nos ajudar a ver o Natal no seu sentido verdadeiro, aquele sagrado e cristão, de modo que também a nossa alegria não seja superficial, mas profunda.

Com a Liturgia Natalina, a Igreja nos apresenta o grande Mistério da Encarnação. O Natal, de fato, não é simplesmente o aniversário do nascimento de Jesus, é isso também, mas é mais que isso, é a celebração de um Mistério que marcou e continua a marcar a história do homem: o próprio Deus veio habitar em meio a nós (cfr Jo 1,14), se fez um de nós; um Mistério que afeta nossa fé e nossa existência; um Mistério que vivemos concretamente na Celebração Litúrgica, especialmente na Santa Missa.

Qualquer um poderia se perguntar: como é possível que eu viva agora este evento passado há tanto tempo? Como posso participar ativamente do nascimento do Filho de Deus que aconteceu mais de 2000 anos atrás?

Na Santa Missa da Noite de Natal repetimos, no Salmo Responsorial, estas palavras: “Hoje nasceu para nós o Salvador”. Esse advérbio de tempo “hoje” aparece mais vezes nas celebrações natalinas e se refere ao evento do nascimento de Jesus e à salvação que a Encarnação do Filho de Deus traz.

Na Liturgia, tal acontecimento ultrapassa os limites do espaço e do tempo e se torna atual, presente, o seu efeito é contínuo, mesmo com o passar dos dias, dos anos e dos séculos. Indicando que Jesus nasce “hoje”, a Liturgia não usa uma frase sem sentido, mas destaca que este Nascimento investe e permeia toda a história, permanece uma realidade, na qual, também hoje, podemos alcançar justamente na Liturgia. A nós que acreditamos, a celebração do Natal renova a certeza de que Deus está realmente presente em meio a nós, se fez carne e não está distante, é o próprio Pai que está junto a nós naquele Menino nascido em Belém, se aproximando do homem. Nós podemos encontrá-lo agora, num “hoje” que não acabou.

Gostaria de insistir neste ponto, porque o homem contemporâneo, aquele que é sensível, que experimenta empiricamente, faz sempre dificuldade para abrir o horizonte e entrar no mundo de Deus.

A redenção da humanidade vem num momento preciso e identificado na história: no evento de Jesus de Nazaré, mas Jesus é o Filho de Deus, é o próprio Deus que não somente falou ao homem, lhe mostrou sinais admiráveis e o guiou ao longo da história de salvação, mas se fez homem e permaneceu como homem. O Eterno entrou nos limites do tempo e do espaço, para tornar possível “hoje” o encontro com Ele.

Os textos litúrgicos natalinos nos ajudam a entender que os eventos da salvação operados por Cristo são sempre atuais, interessam a cada homem e a todos os homens.

Quando escutamos ou pronunciamos, na celebração litúrgica, que “hoje nasceu para nós o Salvador” não estamos usando um vaga expressão convencional, mas entendemos que Deus nos oferece “hoje”, agora, a mim, a cada um de nós, a possibilidade de reconhecê-lo e acolhê-lo, como fizeram os pastores em Belém, porque Ele nasceu também na nossa vida e a renova, a ilumina com a Sua graça, com a Sua presença.

O Natal, portanto, comemora o nascimento de Jesus em carne, a partir da Virgem Maria – e inúmeros textos litúrgicos fazem reviver aos nossos olhos este ou aquele episódio – é um evento de sucesso para nós.

O Papa São Leão Magno, falando sobre o sentido profundo da Festa de Natal, disse aos seus fiéis: “Alegremo-nos no Senhor, meus queridos, e abramos nossos corações para a mais pura alegria, porque o dia raiou para nós e isso significa a nova redenção, a antiga promessa, a felicidade eterna. Se renova para nós, realmente, o ciclo anual do alto mistério de nossa salvação, que, prometido no início e no final dos tempos, está destinado a não ter fim” (Sermo 22, In Nativitate Domini, 2,1: PL 54,193).

E São Leão Magno, em outra homilia natalina, afirmou: “Hoje, o autor do mundo foi gerado do ventre de uma virgem: aquele que fez todas as coisas se fez filho de uma mulher que ele mesmo criou. Hoje o Verbo de Deus apareceu revestido de carne e, enquanto jamais foi visível aos olhos humanos, se torna, além de visível, palpável. Hoje os pastores escutaram da voz dos anjos que nasceu o Salvador, na substância do nosso corpo e nossa alma” (Sermo 26, In Nativitate Domini, 6,1: PL 54,213).

Existe um segundo aspecto ao qual gostaria de sublinhar brevemente: o evento de Belém deve ser considerado à luz do Mistério Pascal: um e outro são parte de uma única obra de redenção de Cristo.

A Encarnação e o nascimento de Jesus nos convidam já a voltar o olhar em direção a Sua morte e a Sua ressurreição: o Natal e a Páscoa são do mesmo modo festa de redenção.

A Páscoa é celebrada como vitória sobre o pecado e sobre a morte: marca o momento final quando a glória do Homem Deus resplandece como luz do dia. O Natal celebra a entrada de Deus na história, fazendo-se homem para levar novamente o homem a Deus: marca, por assim dizer, o momento inicial, quando se pode ver a luz da aurora.

Assim como a aurora antecede a luz do dia, o Natal anuncia já a Cruz e a glória da Ressurreição. Também como os dois períodos do ano nos quais acontecem as duas grandes festas, ao menos em algumas partes do mundo, podem ajudar a compreender este aspecto.

De fato, enquanto a Páscoa acontece no início da primavera [no hemisfério norte], quando o sol vence as nuvens e densos nevoeiros e renova a face da terra, o Natal cai justamente no início do inverno, quando a luz e o calor do sol não conseguem acordar a natureza; às vezes faz muito frio e é preciso ficar em baixo das cobertas, mas a vida pulsa e começa de novo a vitória do sol e do calor.

Os Padres da Igreja ligavam sempre o nascimento de Cristo à luz de toda obra de redenção, que encontra seu ápice no Mistério Pascal. A Encarnação do Filho de Deus aparece não só como início e condição da salvação, mas como a própria presença do Mistério da nossa salvação: Deus se faz homem, nasce menino como nós, pega da nossa carne para vencer a morte e o pecado.

Dois textos significativos de São Basílio ilustram isso bem. São Basílio dizia aos fiéis: “Deus assume a carne justamente para destruir a morte escondida nela. Como os antídotos dos venenos uma vez ingeridos anulam seus efeitos, como a escuridão de uma casa se desfaz à luz do sol, assim a morte que dominava a natureza humana foi destruída pela presença de Deus. E como o gelo permanece sólido durante a noite, mas logo derrete ao calor do sol, assim a morte que reinou até a vinda de Cristo, graças ao aparecimento de Deus Salvador, o sol da justiça surgiu, “Tragada a morte na vitória” (1 Cor 15,54), não podendo coexistir com a Vida” (Homilia sobre o nascimento de Cristo 2: PG 31,1461).

E ainda, São Basílio, em outro texto, faz este convite: “Celebremos a salvação do mundo, o natal do gênero humano. Hoje foi apagada a culpa de Adão. Portanto, não podemos mais dizer “és pó e em pó te tornarás” (Gen 3,19), mas unido a Ele que veio do Céu, serás admitido no Céu” (Homilia sobre o nascimento de Cristo, 6: PG 31,1473).

No Natal nós encontramos a ternura e o amor de Deus que está acima de nossos limites, nossas fraquezas, nossos pecados e que se abaixa até nós. São Paulo afirma que Jesus Cristo “sendo ele de condição divina (...) esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo, fazendo-se semelhante aos homens" (Fl 2,6-7).

Olhamos a gruta de Belém: Deus se abaixa até o ponto de se deitar numa manjedoura, o que já é um prelúdio da hora da paixão. O cume da história de amor entre Deus e o homem acontece entre a manjedoura de Belém e o sepulcro de Jerusalém.

Queridos irmãos e irmãs, vivamos com alegria o Natal que se aproxima. Vivamos este evento maravilhoso: o Filho de Deus nasce ainda "hoje", Deus está realmente próximo a cada um de nós e quer nos encontrar, quer nos levar a Ele. Ele é a verdadeira luz que remove e dissolve as trevas que envolvem nossa vida e a vida da humanidade. Vivamos o Natal do Senhor contemplando o caminho do amor imenso de Deus que nos eleva a Ele por meio do Mistério da Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição de Seu Filho, pois – como afirma Santo Agostinho – “em [Cristo] a divindade do Unigênito participa da nossa mortalidade, a fim que nós possamos participar de Sua imortalidade” (Epistola 187,6,20: PL 33,839-840).

Sobretudo, contemplemos e vivamos este Mistério na celebração da Eucaristia, centro do Santo Natal; ali está presente de maneira real Jesus, verdadeiro Pão que desceu do Céu, verdadeiro Cordeiro sacrificado para nossa salvação.

Desejo a todos vocês e as vossas famílias uma celebração de Natal realmente cristã, de modo que também todas as felicitações deste dia sejam expressões da alegria por saber que Deus está próximo a nós e quer percorrer conosco o caminho da vida. Obrigado.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O que é a caridade?



O amor é a força com que nos entregamos a Deus, que nos amou primeiro, para nos unirmos a Ele e assim acolhermos os outros como a nós mesmos, por amor a Deus, sem reservas e com o coração (1822-1829, 1844)

Jesus coloca o amor acima de todos os mandamentos, sem contudo os abolir. Santo Agostinho afirmava neste sentido: "Ama e faz o que quiseres!", o que não é tão fácil como parece... O amor é, portanto, a maior de todas as energias, aquela que anima e aperfeiçoa todas as outras forças com a vida divina.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A Novidade do Natal


O itinerário da Igreja anualmente se repete não como os ponteiros do relógio, que passam sempre pelos mesmos números, mas como o trem que atravessa lugares diferentes, numa sucessão de novidades e surpresas. Assim é o Ano Litúrgico, que se inicia no primeiro domingo do Advento, com o ciclo do Natal. É deus que se manifesta a nós na pequenez de uma criança, mora algum tempo conosco e não nos abandona nunca, não obstante o seu retorno para a casa de seu Pai.




Apesar de celebrarmos o Natal todos os anos, em cada um a Criança de Belém chega com novos presentes pendurados na árvore da fé e da amizade. São de cores, formas e tamanhos diversos. Não há repetição nem rotina, porque o mistério da encarnação não se esgota em nenhuma realidade ou manifestação humana. Há sempre uma mensagem nova na liturgia natalina, um sorriso diferente de Jesus, que nos aguarda de braços abertos na noite santa.



Entretanto de nada adianta admirarmos a criatividade divina se não a reproduzimos em nossa convivência com Deus e em nossos relacionamentos com o irmão. A singularidade de cada Natal é motivação para que não façamos de nossa vida páginas digitadas com o mesmo tipo e o mesmo formato. Uma caminhada verdadeiramente cristã se faz notar pela sua constante renovação. Ela também deve ser notada pela criatividade de nossa fé, que não se manifesta como rotina nem como frustrações. Quem convive com a Bíblia e se alimenta com a Eucaristia jamais perde o sabor da novidade presente em qualquer gesto de acolhimento, de solidariedade e de justiça. Por isso o autêntico cristão mantém a jovialidade do coração, mesmo que a vida não lhe tenha sorrido sempre e muito lhe pese nas costas.




Que o Natal/2011 traga a cada um de nós a graça da renovação, que dá maior brilho ao nosso testemunho. Que a estrela de Belém nos guie sempre para a gruta onde nos encontramos com “a beleza sempre nova e sempre eterna”. Feliz Natal!




Dom Geraldo Majella Agnelo

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Música da semana!

Bom dia!
Nesta semana que antecede o natal desejamos à você que se prepare para o nascimento do Senhor sabendo que é em teu coração e não em outro lugar que ele deseja nascer! É você que ele deseja, mesmo que não se considere merecedor de tamanha graça! Onde Jesus está até um estábulo vira palácio, porque é lugar de presença do Rei!
No natal, celebramos a festa onde Deus transbordando de amor por nós se torna homem, para assim abraçar e redimir nossa humanidade! E é nela, em nossa humanidade, o lugar da morada de Deus, onde ele pode se tornar presente e nascer todos os dias em meio a nós!
Saiba que para ele nascer em teu coração, a única condição é o teu desejo! É a vontade de amar e de receber o amor, que tem um nome e é Jesus!
Boa semana! 
Que Maria, que soube amar e receber o amor, seja para ti modelo e auxílio nesta semana!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Natal Especial

Neste ano, mais uma vez vamos viver um natal diferente com aqueles que mais necessitam da nossa atenção e carinho! Vamos fazer o natal especial com os irmãos de rua! 

Já conseguimos muitas doações, mais ainda precisamos da sua ajuda!

Precisamos de brinquedos, roupas (criança e adulto), sapatos, cestas básicas, doação em dinheiro, batata palha, pão, presunto, queijo, refrigerante, suco, achocolatado, sorvete, biscoito, creme de leite, bala, chiclete, pirulito, chocolate.

Caso queira ajudar é só curtir, comentar, compartilhar ou ligar em nossa casa, que fica na Qsd 15 casa 07 - tel: 30424130

Que o Senhor te abençoe!



O que é a esperança?



A esperança é a força com que queremos realizar forte e duradouramente o objetivo por que estamos na terra: Louvar a Deus e servi-Lo. Ela consiste na nossa verdadeira felicidade: encontrar em Deus a nossa realização. Por ela sabemos que a nossa morada definitiva está em Deus. (1817-1821, 1843).

A esperança significa confiar naquilo que Deus nos prometeu pela Criação, pelos Profetas e em especial por Jesus Cristo, mesmo que ainda o não consigamos ver. Para que possamos esperar pacientemente no que é verdadeiro, foi-nos dado o Espírito Santo de Deus.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Catequese sobre Jesus e a oração, parte 3


 Queridos irmãos e irmãs,

hoje gostaria de refletir convosco sobre a oração de Jesus ligada à sua prodigiosa ação curadora. Nos Evangelhos, são apresentadas várias situações em que Jesus frente à obra benéfica e curadora de Deus Pai, que age através d'Ele. Trata-se de uma oração que, mais uma vez, manifesta a relação única de conhecimento e comunhão com o Pai, enquanto Jesus deixa-se envolver, com grande participação humana, nos desalentos de seus amigos, como, por exemplo, nos de Lázaro e sua família, ou de tantos pobres e doentes que Ele quis ajudar concretamente.

Um episódio significativo é o da cura do surdo-mudo (cf. Mc 7,32-37). A narração do Evangelista Marcos – que escutamos há pouco – mostra que a ação curadora de Jesus está conectada com a sua intensa relação, tanto com o próximo – o doente – quanto com o Pai. A cena do milagre é descrita cuidadosamente assim: "Levando-o à parte, longe da multidão, Jesus pôs os dedos nos seus ouvidos, cuspiu, e com a saliva tocou-lhe a língua. Olhando para o céu, suspirou e disse: 'Efatá!' (que quer dizer: 'Abre-te')" (Mc 7,33-34). Jesus quis que a cura acontecesse em um lugar distante da multidão. Isso não parece acontecer devido, sobretudo, ao fato de que o milagre tivesse que acontecer longe do alcance da visão das pessoas, para evitar que se formem interpretações limitativas ou distorcidas da pessoa de Jesus. A escolha de levar o doente para um lugar à parte faz com que, no momento da cura, Jesus e o surdo-mudo encontrem-se a sós, aproximados em uma singular relação. Com um gesto, o Senhor toca as orelhas e a língua do doente, ou seja, os locais específicos da sua enfermidade. A intensidade da atenção de Jesus manifesta-se ainda nos traços peculiares da cura: Ele usa os próprios dedos e, até mesmo, a própria saliva. Também o fato de que o Evangelista reporte a palavra original utilizada pelo Senhor – "Éfata", ou seja, "Abre-te" – evidencia o caráter singular da cena.

Mas o ponto central desse episódio é o fato de que Jesus, no momento de operar a cura, busca diretamente sua relação com o Pai. A narração diz, de fato, que Ele, "olhando para o céu, suspirou" (v. 34). A atenção ao doente, a cura operada por Jesus, estão ligadas por uma profunda atitude de oração dirigida a Deus. E a emissão do suspiro é descrita com um verbo que, no Novo Testamento, indica a aspiração de algo bom que ainda falta (cf. Rm 8,23). O conjunto da narração, portanto, mostra que o envolvimento humano com o doente leva Jesus à oração. Mais uma vez ressurge a sua relação única com o Pai, a sua identidade de Filho Unigênito. N'Ele, através de Sua Pessoa, torna-se presente o agir curador e benéfico de Deus. Não é um acaso que o comentário conclusivo das pessoas após o milagre recorde a avaliação da Criação ao início do Gênesis: "Fez bem a todas as coisas" (Mc 7,37). Na ação curadora de Jesus entra de modo claro a oração, com o seu olhar em direção ao Céu. A força que curou o surdo-mudo foi, certamente, provocada pela compaixão por ele, mas provém do recurso ao Pai. Encontram estas duas relações: a humana, de compaixão pelo homem, que entra na relação com Deus, e fica assim curado.

Na narração joanina da ressurreição de Lázaro, essa mesma dinâmica é testemunhada com uma evidência ainda maior (cf. Jo 11,1-44). Também aqui se entrelaçam, de um lado, o vínculo de Jesus com um amigo e com o seu sofrimento e, de outro, a relação filial que Ele tem com o Pai. A participação humana de Jesus no acontecimento de Lázaro tem traços particulares. Ao longo de toda a narração é repetidamente recordada a amizade com Lázaro, bem como com as irmãs Marta e Maria. Jesus mesmo afirma: "Lázaro, nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo" (Jo 11,1). O afeto sincero pelo amigo é evidenciado também pelas irmãs de Lázaro, bem como pelos Judeus (cf. Jo 11,3; 11,36), e manifesta-se na comoção profunda de Jesus frente à dor de Marta e Maria e de todos os amigos de Lázaro, ao ponto de romper em prantos – tão profundamente humano – ao aproximar-se da sepultura: "Ao vê-la chorar assim, como também todos os judeus que a acompanhavam, Jesus ficou intensamente comovido em espírito. E, sob o impulso de profunda emoção, perguntou: 'Onde o pusestes?'. Responderam-lhe: 'Senhor,vinde ver'. Jesus pôs-se a chorar" (Jo 11,33-35).

Esse laço de amizade, a participação e comoção de Jesus frente à dor dos parentes e conhecidos de Lázaro, liga-se, em toda a narração, com uma contínua e intensa relação com o Pai. Desde o início, o acontecimento é lido por Jesus em relação com a própria identidade e missão e com a glorificação que Lhe espera. À notícia da doença de Lázaro, de fato, Ele comenta: "Esta enfermidade não causará a morte, mas tem por finalidade a glória de Deus. Por ela será glorificado o Filho de Deus" (Jo 11,4). Também o anúncio da morte do amigo é acolhido por Jesus com profunda dor humana, mas sempre em clara referência à relação com Deus à missão que lhe foi confiada. Diz: "Lázaro morreu. Alegro-me por vossa causa, por não ter estado lá, para que creiais" (Jo 11,14-15). O momento da oração explícita de Jesus ao Pai em frente à sepultura é o começo natural de todo o acontecimento, estendido ao longo desse duplo registro da amizade com Lázaro e da relação filial com Deus. Também aqui as duas relações andam juntas. "Levantando Jesus os olhos ao alto, disse: 'Pai, rendo-te graças, porque me ouviste'" (Jo 11,41): é uma Eucaristia. A frase revela que Jesus não deixou nem sequer por um instante a oração de súplica pela vida de Lázaro. Essa oração contínua, mais ainda, reforçou os laços com o amigo e, ao mesmo tempo, confirmou a decisão de Jesus de permanecer em comunhão com a vontade do Pai, com o seu plano de amor, no qual a doença e a morte de Lázaro são consideradas como um lugar em que se manifesta a glória de Deus.

Queridos irmãos e irmãs, lendo essa narração, cada um de nós é chamado a compreender que, na oração de súplica ao Senhor, não devemos esperar um cumprimento imediato daquilo que nós pedimos, da nossa vontade, mas confiar-nos antes de mais nada à vontade do Pai, lendo cada evento na perspectiva da sua glória, do seu plano de amor, muitas vezes misterioso aos nossos olhos. Por isso, na nossa oração, súplica, louvor e agradecimento deveriam fundir-se, também quando nos parece que Deus não responde às nossas expectativas concretas. O abandonar-se ao amor de Deus, que nos precede e acompanha sempre, é uma das atitudes de fundo do nosso diálogo com Ele. O Catecismo da Igreja Católica (CIC) comenta assim a oração de Jesus na narração da ressurreição de Lázaro: "Apoiada na ação de graças, a oração de Jesus revela-nos como devemos pedir: Antes de Lhe ser dado o que pede, Jesus adere Aquele que dá e Se dá nos seus dons. O Doador é mais precioso do que dom concedido, é o 'tesouro', e é n'Ele que está o coração do Filho; o dom é dado 'por acréscimo'" (2604). Isto me parece muito importante: antes que o dom seja concedido, aderir Àquele que dá; o doador é mais precioso que o dom. Também para nós, portanto, muito além daquilo que Deus nos dá quando O invocamos, o maior dom que pode nos dar é a Sua amizade, a Sua presença, o Seu amor. Ele é o tesouro precioso a se pedir e proteger sempre.

A oração que Jesus pronuncia enquanto é retirada a pedra da entrada sepultura de Lázaro apresenta um desenvolvimento singular e inesperado. Ele, de fato, após ter agradecido a Deus Pai, complementa: "Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviaste" (Jo 11,42). Com a sua oração, Jesus quer conduzir à fé, à confiança total em Deus e na Sua vontade, e quer mostrar que este Deus que tanto amou o homem e o mundo a ponto de mandar Seu Filho unigênito (cf. Jo 3,16) é o Deus da vida, que leva esperança e é capaz de derrubar as situações humanamente impossíveis. A oração confiante de um crente, portanto, é um testemunho vivo dessa presença de Deus no mundo, do seu interessar-se pelo homem, do seu agir para realizar o seu plano de salvação.

As duas orações de Jesus meditadas agora, que acompanham a cura do surdo-mudo e a ressurreição de Lázaro, revelam que o profundo laço entre o amor a Deus e o amor ao próximo deve entrar também na nossa oração. Em Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, a atenção pelo outro, especialmente se necessitado e sofredor, o comover-se frente à dor de uma família amiga, levam-nO a dirigir-se ao Pai, naquela relação fundamental que guia toda a sua vida. Mas também vice-versa: a comunhão com o Pai, o diálogo constante com Ele, impele Jesus a estar atento de modo único às situações concretas do homem, para levar a ele a consolação e o amor de Deus. A relação com o homem guia-nos rumo à relação com Deus, e a relação com Deus guia-nos novamente à relação com o próximo.

Queridos irmãos e irmãs, nossa oração abre a porta a Deus, que nos ensina a sair constantemente de nós mesmos para sermos capazes de nos fazer próximos dos outros, especialmente nos momentos de provação, para levar a eles consolação, esperança e luz. O Senhor nos conceda sermos capazes de uma oração sempre mais intensa, para reforçar nossa relação pessoal com Deus Pai, alargar nosso coração à necessidade dos que nos são próximos e sentirmos a beleza de ser "filhos no Filho", unidos com tantos irmãos.

Obrigado!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Dia de São João da Cruz!



Hoje é dia de São João da Cruz, um santo espanhol, conhecido como doutor místico da Igreja. Ele foi responsável, juntamente com Santa Teresa de Ávila, pela reforma do Carmelo. Escreveu muitas obras, dentre elas, a Subida ao Monte Carmelo, a qual destacamos um trecho abaixo:

Modo para chegar ao Tudo
Para chegares ao que não sabes,
Hás de ir por onde não sabes.
Para chegares ao que não gozas,
Hás de ir por onde não gozas.
Para vires ao que não possuis,
Hás de ir por onde não possuis.
Para vires a ser o que não és,
Hás de ir por onde não és.

Modo de possuir tudo
Para vires a saber tudo,
Não queiras saber coisa alguma.
Para vires a gozar tudo,
Não queiras gozar coisa alguma.
Para vires a possuir tudo,
Não queiras possuir coisa alguma.
Para vires a ser tudo,
Não queiras ser coisa alguma.

Modo para não impedir o tudo
Quando reparas em alguma coisa,
Deixas de arrojar-te ao tudo.
Porque para vires de todo ao tudo,
Hás de deixar de todo ao tudo.
E quando vieres a tudo ter,
Hás de tê-lo sem nada querer.
Porque se queres ter algo em tudo,
Não tens puro em Deus teu tesouro.

Indício de que se tem tudo
Nesta desnudez acha o espírito
sua quietação e descanso,
porque, nada cobiçando, nada
o impele para cima e nada
o oprime para baixo, porque
está no centro de sua humildade;
pois quando cobiça alguma coisa
nisto mesmo se fatiga.

"A Subida ao Monte Carmelo apresenta o itinerário espiritual do ponto de vista da purificação progressiva da alma, necessária para escalar o cume da perfeição cristã, simbolizada pelo cume do Monte Carmelo. Tal purificação é proposta como um caminho que o homem empreende, colaborando com a ação divina, para libertar a alma de todo apego ou afeto contrário à vontade de Deus. A purificação, que para chegar à união com Deus deve ser total, inicia a partir da vida dos sentidos e prossegue naquela que se obtém por meio das três virtudes teologais: fé, esperança e caridade, que purificam a intenção, a memória e a vontade".
Papa Bento XVI




terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Alegria do advento, uma experiência de amor


A noite de Natal se aproxima e cresce em nosso coração a vigilante expectativa de receber o Menino Deus, pois neste rico tempo do advento, a Igreja nos toma pela mão e, à imagem de Maria Santíssima, exprime a sua maternidade levando-nos a experimentar a esperança jubilosa da vinda do Senhor, que a todos abraça no seu amor que salva e consola (Bento XVI, homilia de abertura do Advento 2010).

Estampados em fachadas de lojas, nos pára-brisas de ônibus, nos cartões e nos discursos de confraternização, os tradicionais desejos de “Boas Festas” marcam este período do ano. Mas, se de fato queremos tornar uma festa boa, precisamos tomar algumas atitudes importantes para não deixar de colher as graças próprias daquele dia. Precisamos pensá-la, decorá-la e prepará-la dignamente, precisamos nos comunicar e nos envolver com os convidados e investir nosso tempo para bem realizá-la. Em meio a todos os preparativos de uma boa festa, uma virtude chama a atenção de quem a organiza: a alegria da espera animada pela certeza do encontro.

A alegria é uma virtude marcante na vida dos que se abandonam nas mãos de Deus! Por isso, ao nos preparar a grandiosa festa do Natal, Deus anuncia uma grande alegria para todo povo (cf. Lc 2, 8), a alegria do encontro com o Amado (Mt 25,6). Alegria esta que não é uma mera opção reservada a poucos, mas é um mandato de Deus, uma exigência do amor que nos ordena: Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos! (Fil 4,4).

Se queremos anunciar que Deus amou tanto o mundo que entregou seu Filho Único para que todos tenham vida eterna (Jo 3, 16), nada convence mais do que a alegria que trazemos no anúncio. Nada é mais eficaz na transmissão de uma mensagem que a alegria daqueles nos quais a mensagem já se transformou em vida e a esperança se tornou certeza! Amor e alegria não podem caminhar separados diante do maravilhoso anúncio que Nasceu-vos hoje um Salvador, que é Cristo Senhor (Lc 2, 11).

Foi a alegria dos Anjos a cantar Gloria a Deus no mais alto dos céus, que moveu o coração dos pastores e os fez caminhar apressados em direção a Belém, pois queriam ver o que de tão maravilhoso Deus havia realizado (cf. Lc 2, 14-16).

Portanto, há uma ordem dada por Deus aos que O amam e desejam colher as graças do Natal de Nosso Senhor: Alegrai-vos! Eu devolvo a alegria da tua salvação (Sl 50); Alegrai-vos porque este é o mais notável efeito do Amor; Alegrai-vos para que todos vejam em quem está vossa confiança; Alegrai-vos para mostrar ao mundo Aquele que senta-se à mesa com os pobres e pecadores e transforma toda refeição em Boas Festas; Alegrai-vos porque o pecado da tristeza não tem lugar na Noite Feliz; Alegrai-vos noite e dia, pois ao olhar para o Centro do Presépio vereis a bondade de nosso Senhor Jesus Cristo, que sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer por sua pobreza (II Cor 8, 9).

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Música da Semana!

Comecemos mais uma semana do Advento ansiosos pelo natal que se aproxima! Aguardar o Natal é alimentar a esperança de que o Senhor vem até nós e, por isso, é também motivo de grande alegria!
Advento: tempo de esperança, alegria, conversão, confiança! Tempo de dar graças à Deus por tudo o que acontece em nossa vida, tempo de não deixar que o Espírito se apague! Tempo de renovar a vontade do Pai para nós filhos tão amados e queridos .
Coloquemos nele nossa esperança! Coloquemos nele a nossa alegria! Esperemos ansiosamente pelo Senhor que é por nós e para nós! Ele é o motivo de estarmos sempre alegres! Ele é nossa confiança!
Exultemos pelo Senhor que nos ama e vem até nós! 
Bom dia!

Faze de mim uma tilma!


Oh, Senhor Santíssimo, Tu que podes fazer todas as coisas,
Faze de mim uma Tilma!
Para transparecer Teu amor a todos os povos do Novo Mundo.
Tu fizeste a imagem de Tua Mãe misericordiosa
aparecer na túnica de Juan Diego tantos anos atrás.
Se aquele tecido tão rude pode atrair
a Tua atenção e ser útil ao Teu plano,
Certamente uma alma desejosa como a minha
pode também servir aos teus propósitos.
Faze de mim uma Tilma!
Tira de mim tudo o que possa estragar ou distorcer
o trabalho da Tua mão.
Que o Teu Espírito Santo me faça limpa e pronta
para receber tão grande dom.
Imprime em mim a imagem de Tua Mãe,
pura e santa.
Que seu jeito de ser, sua presença, seu amor
sejam estampados em mim indelevelmente.
Faze de mim uma Tilma!
Neste tempo em que a cultura pagã
ameaça iludir mais uma vez o teu povo
e destruir a vida humana,
faze com que haja um novo milagre de graça.
Envia a Tua Mãe para uma nova evangelização.
Sobre o tecido tão áspero de minha vida,
desenha este retrato que tanto Te agrada...
a imagem de Maria...
Aquela que abriga e traz Jesus.
Que esta mulher tão bela,
vestida de sol,
viva seu triunfo em mim,
esmagando a Serpente, irradiando a Tua misericórdia
e levando à fé todos os que a contemplam.
Sim, Senhor,
Faze de mim uma Tilma!

Patti Mansfield


*Hoje comemoramos o dia de Nossa Senhora de Guadalupe que, em 1531, no México, apareceu ao índio Juan Diego. Uma das coisas que ela disse a ele foi: "Ouve e entende, ó menor dos meus filhos, que é nada o que te assusta e aflige; não se turbe teu coração. não temas essa doença, e nenhuma outra doença ou angústia.
Não estou eu aqui, que sou tua Mãe? Não estás sob a minha sombra? Não sou eu a fonte de tua vida? Não estás porventura nas pregas de meu manto e em meu regaço? De que outra coisa precisas?"
E assim, o que ela disse a ele também diz a cada um de nós. Que confiemos em nossa Mãe, que nos tem na dobra de seu braço.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O que é a fé?



A fé é a força pela qual concordamos com Deus, reconhecemos a Sua Verdade e nos ligamos a Ele pessoalmente.

A fé é o caminho aberto por Deus para a Verdade, que é o próprio Deus. Porque Jesus é o "Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14, 6), esta fé não pode ser uma simples atitude, uma "crença" em algo. Por um lado, a fé tem conteúdos claros, que a Igreja confessa no Credo (Símbolo da Fé) e que tem como missão proteger; quem acolhe o dom da fé, isto é, quem quer crer, confessa esta fé, preservada fielmente através dos tempos e das culturas. Por outro lado, a fé consiste numa relação de confiança com Deus, com o coração e com a inteligência, com todas as forças emocionais; de fato, a fé só se torna "ativa no amor" (Gl 5, 6). Crer realmente no Deus do amor não se manifesta nas afirmações, mas nas ações de amor.

Parábolas - Retiro da Comunidade Fidelidade da Cruz


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Maria é a Imaculada Conceição!


A Solenidade da Imaculada recorda-nos a singular adesão de Maria ao projeto salvífico de Deus. Preservada de toda a sombra de pecado para ser morada toda santa do Verbo encarnado, Ela sempre confiou-se plenamente ao Senhor. 

Queridos jovens, esforçai-vos para imitá-La com o coração puro e límpido, deixando-vos plasmar por Deus que, também em vós, quer "fazer grandes coisas" (cf. Lc 1,49). 

Queridos doentes, com o auxílio de Maria, confiai-vos sempre ao Senhor, que conhece os vossos sofrimentos e, unindo-os aos Seus, ofereçam-lhes pela salvação do mundo. 

E vós, queridos recém-casados, que desejais edificar a vossa casa sobre a graça de Deus, tornai a vossa casa, à imitação daquela de nazaré, uma chama de amor e piedade

Papa Bento XVI

"A beatíssima Virgem Maria, ao primeiro instante de sua concepção, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha do pecado original"

Catequese do Papa sobre Jesus e a oração, parte 2


Queridos irmãos e irmãs, 

os Evangelistas Mateus e Lucas (cf. Mt 11,25-30 e Lc 10, 21-22) deram-nos como herança uma "relíquia" da oração de Jesus, que frequentemente é chamada de Hino de júbilo ou Hino de júbilo messiânico. Trata-se de uma oração de reconhecimento e louvor, como escutamos. No original grego dos Evangelhos, o verbo com que se inicia esse hino, e que exprime a atitude de Jesus ao dirigir-se ao Pai, é exomologoumai, traduzido frequentemente como "dar graças" (Mt 11,25 e Lc 10,21). Mas, nos escritos do Novo Testamento, esse verbo indica principalmente duas coisas: a primeira é "reconhecer profundamente" – por exemplo, João Batista pedia que se reconhecessem profundamente os próprios pecados a quem se dirigia até ele para ser batizado (cf. Mt 3,6) –; a segunda é "estar de acordo". Portanto, a expressão com que Jesus começa a sua oração contém o seu reconhecer profundo, plenamente, o agir de Deus Pai, e, ao mesmo tempo, o seu estar em total, consciente e alegre acordo com esse modo de agir, com o projeto do Pai. O Hino de júbilo é o ápice de um caminho de oração em que emerge claramente a profunda e íntima comunhão de Jesus com a vida do Pai no Espírito Santo e manifesta-se a sua filiação divina.

Jesus dirige-se a Deus chamando-O de "Pai". Esse termo expressa a consciência e a certeza de Jesus de ser "o Filho", em íntima e constante comunhão com Ele, e esse é o ponto central e a fonte de toda a oração de Jesus. Vemo-lo claramente na última parte do Hino, que ilumina a todo o texto. Jesus diz: "Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar" (Lc 10,22). Jesus, portanto, afirma que somente "o Filho" conhece verdadeiramente o Pai. Todo conhecimento entre as pessoas – o experimentamos todos em nossas relações humanas – comporta um envolvimento, algum laço interior entre quem conhece e quem é conhecido, a um nível mais ou menos profundo: não se pode conhecer sem a comunhão do ser. No Hino de júbilo, como em toda a sua oração, Jesus mostra que o verdadeiro conhecimento de Deus pressupõe a comunhão com Ele. Somente estando em comunhão com o outro começo a conhecer. Assim também acontece na relação com Deus: somente se tenho um contato verdadeiro, se estou em comunhão, posso também conhecê-Lo. Portanto, o verdadeiro conhecimento é reservado ao "Filho", o Unigênito que, desde sempre, está no seio do Pai (cf. Jo 1,18), em perfeita unidade com Ele. Somente o Filho conhece verdadeiramente a Deus, estando em comunhão íntima do ser; somente o Filho pode revelar verdadeiramente quem é Deus.             

O nome "Pai" é seguido de um segundo título: "Senhor do Céu e da terra". Jesus, com essa expressão, recapitula a fé na criação e faz ressoar as primeiras palavras da Sagrada Escritura: "No princípio, Deus criou os céus e a terra" (Gen 1,1). Rezando, Ele recorda a grande narração bíblica da história do amor de Deus pelo homem, que inicia com o ato da criação. Jesus insere-se nessa história de amor, é o seu ápice e cumprimento. Na sua experiência de oração, a Sagrada Escritura é iluminada e revivida na sua mais completa amplitude: anúncio do mistério de Deus e resposta do homem transformado. Mas, através da expressão "Senhor do Céu e da terra", podemos também reconhecer como em Jesus, o Revelador do Pai, é reaberta ao homem a possibilidade de chegar até Deus.

Ponhamo-nos agora a pergunta: A quem o Filho deseja revelar os mistérios de Deus? No início do Hino, Jesus expressa a sua alegria porque a vontade do Pai é aquela de manter escondidas essas coisas aos doutos e sábios e revelá-la aos pequenos (cf. Lc 10,21). Nessa expressão da sua oração, Jesus manifesta a sua comunhão com a decisão do Pai, que abre os seus mistérios a quem tem o coração simples: a vontade do Filho é uma só com aquela do Pai. A revelação divina não acontece segundo a lógica terrena, segundo a qual são os homens cultos e poderosos que possuem os conhecimentos importantes e os transmitem às pessoas mais simples, aos pequenos. Deus utilizou um estilo completamente diferente: os destinatários da sua comunicação foram exatamente os "pequenos". Essa é a vontade do Pai, e o Filho dela compartilha com alegria. Diz o Catecismo da Igreja Católica: "O seu estremecimento – 'Sim Pai!' – revela o íntimo do seu coração, a sua adesão ao «beneplácito» do Pai, como um eco do 'Fiat' da sua Mãe quando da sua concepção e como prelúdio do que Ele próprio dirá ao Pai na sua agonia. Toda a oração de Jesus está nesta adesão amorosa do seu coração de homem ao 'mistério da vontade' do Pai" (2603). Daqui deriva a invocação que fazemos a Deus na oração do Pai Nosso: "Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu". Juntamente com Cristo e em Cristo, também nós pedimos para entrar em sintonia com a vontade do Pai, tornando-nos assim, também nós, seus filhos. Jesus, portanto, neste Hino de júbilo, expressa a sua vontade de envolver em sua consciência filial de Deus a todos aqueles que o Pai quis dela tornar participantes; e aqueles que acolhem esse dom são os "pequenos".      

Mas, o que significa ser "pequenos", "simples"? Qual é a "pequenez" que abre o homem à intimidade filial com Deus e a acolher a sua vontade? Qual deve ser a atitude de fundo da nossa oração? Olhemos para o Sermão da Montanha, em que Jesus afirma: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!" (Mt 5,8). É a pureza do coração que permite reconhecer o rosto de Deus em Jesus Cristo; é ter o coração simples como aquele das crianças, sem a presunção de quem se fecha em si mesmo, pensando que não tem necessidade de ninguém, nem mesmo de Deus.  

É interessante também notar a ocasião em que Jesus prorrompe este Hino ao Pai. Na narração evangélica de Mateus há a alegria, porque, apesar da oposição e das recusas, há os "pequenos" que acolhem a sua palavra e se abrem ao dom da fé n'Ele. O Hino de júbilo, de fato, é precedido pelo contraste entre o elogio de João Batista, um dos "pequenos" que reconheceram o agir de Deus em Cristo Jesus (cf. Mt 11,2-19), e a reprovação pela incredulidade das cidades do lago, "nas quais aconteceu a maior parte dos seus prodígios" (cf. Mt 11,20-24). O júbilo, portanto, é visto por Mateus em relação às palavras com que Jesus constata a eficácia da sua Palavra e da sua ação: "Ide e contai a João o que ouvistes e o que vistes: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, o Evangelho é anunciado aos pobres... Bem-aventurado aquele para quem eu não for ocasião de queda!" (Mt 11,4-6).          

Também São Lucas apresenta o Hino de júbilo em conexão com um momento de desenvolvimento do anúncio do Evangelho. Jesus enviou os "setenta e dois discípulos" (Lc 10,1) e esses partiram com um sentimento de medo, devido ao possível insucesso de sua missão. Também Lucas salienta a recusa encontrada nas cidades em que o Senhor pregou e realizou sinais prodigiosos. Mas os setenta e dois discípulos retornam cheios de alegria, porque a sua missão teve sucesso; constataram que, com o poder da Palavra de Jesus, os males dos homens são vencidos. E Jesus compartilha da satisfação deles: "naquela mesma hora", naquele momento, Ele exultou de alegria.            

Há ainda dois elementos que gostaria de sublinhar. O Evangelista Lucas introduz a oração com o comentário: "Jesus exultou de alegria no Espírito Santo" (Lc 10,21). Jesus alegra-se partindo do íntimo de si mesmo, daquilo que tem de mais profundo: a comunhão única de conhecimento e amor com o Pai, a plenitude do Espírito Santo. Envolvendo-nos em sua filiação, Jesus convida também a nós a abrir-nos às luzes do Espírito Santo, porque – como afirma o Apóstolo Paulo – "[nós] não sabemos ... como orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis... segundo os planos de Deus" (Rom 8,26-27) e revela-nos o amor do Pai. No Evangelho de Mateus, após o Hino de júbilo, encontramos um dos apelos mais acurados de Jesus. "Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei" (Mt 11,28). Jesus pede para andar rumo a Ele, que é a verdadeira sabedoria, a Ele que é "manso e humilde de coração"; propõe "o seu jugo", a estrada da sabedoria do Evangelho, que não é uma doutrina a se aprender ou uma proposta ética, mas uma Pessoa a se seguir: Ele mesmo, o Filho Unigênito em perfeita comunhão com o Pai.   

Queridos irmãos e irmãs, provamos por um momento a riqueza dessa oração de Jesus. Também nós, com o dom do seu Espírito, podemos dirigir-nos a Deus, na oração, com confiança de filhos, invocando-O com o nome de Pai, "Abbà". Mas devemos ter o coração dos pequenos, dos "pobres em espírito" (Mt 5,3), para reconhecer que não somos autossuficientes, que não podemos construir a nossa vida sozinhos, mas temos necessidade de Deus, temos necessidade de encontrá-Lo, de falar com Ele. A oração abre-nos para receber o dom de Deus, a sua sabedoria, que é Jesus mesmo, para cumprir a vontade do Pai em nossa vida e encontrar, assim, repouso para os cansaços no nosso caminho. Obrigado!