sábado, 5 de março de 2011

O Boneco de sal


O BONECO DE SAL, por Grecco
“Era uma vez um boneco de sal que após peregrinar por terras candentes e áridas, chegou a descobrir o mar que jamais conhecera e por isso, não podia compreender. Perguntou: “Quem és tu?”. “Eu sou o mar!”. “Mas que é o mar?”. O mar respondeu: “Sou eu!”. Disse o boneco: “Como poderia compreender-te?”. O mar: “Toca-me!”. Então o boneco, timidamente, tocou o mar com a ponta dos dedos dos pés. Percebeu que o mar começou a ser compreensível. Mas logo deu-se conta: “Vê só: desapareceram as pontas dos meus pés! Que me fizeste?”. O mar respondeu: “Tu deste alguma coisa para que me pudesse compreender”. E o boneco de sal começou a entrar lentamente no mar. Na medida que entrava, ia-se diluindo. E nesta mesma medida, tinha a impressão de conhecer mais e mais o que é o mar. O boneco ia repetindo de si para consigo: “Que é o Mar?”. Até que uma onda o tragou completamente. E ele pôde ainda dizer, no momento de ser diluído pelo mar: “O mar sou Eu!”

Já faz muito tempo que eu ouvi essa estória e nunca mais esqueci. Dizer, por fim, “o mar sou eu” é nada mais que o cumprimento da promessa de vir um dia a contemplar Deus face a face, tal qual a carta dos Coríntios. Antes disso, há a vida, há o receio, há o tempo a nos dissolver os corpos e, aos poucos, as dúvidas. “Sal da terra”, este adjetivo que Jesus nos deu, antes de missão, para mim é condição, tradução da humanidade. Significa não só fazer, mas “ser” a diferença ao longo da dádiva de ter uma existência… …ou optar por perder-se ao vento – ainda que sempre haja um resto de misericórdia pra soprar essa poeira de sal de volta pro mar.


Um comentário: