sábado, 30 de abril de 2011

Falta 1 dia para a beatificação de JPII!

"Canta forte a humanidade, aos ouvidos de Deus chega a sua voz dando graças por ti, João Paulo, pela paz semeada entre nós!"

sexta-feira, 29 de abril de 2011

João Paulo II: um papa que soube ser amigo!

Olá, queridos irmãos! Boa tarde!
Faltam apenas 2 dias para a beatificação do Papa João Paulo II e, nesses dias que antecedem a festa, estão sendo publicados muito relatos que tratam sobre as amizades do Papa. Reunimos alguns trechos para você: 

Papa Bento XVI

"Desde o início senti uma grande simpatia, e graças a Deus, sem eu merecer, o então cardeal me doou desde o início a sua amizade. Sou grato pela confiança que depositou em mim mesmo sem eu merecer. Sobretudo, vendo-o rezar, vi e não só compreendi, que era uma homem de Deus. Impressionou-me a cordialidade com a qual encontrou-se comigo. Sem muitas palavras nasceu assim uma amizade que vinha propriamente do coração e logo depois de sua eleição, o Papa me chamou diversas vezes em Roma para conversas e, por fim, me nomeou Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé”, contou o Papa Bento XVI em entrevista a uma TV polonesa em 2005, relembrando como nasceu a amizade com o então Cardeal Karol Józef Wojtyla, no conclave de 1978.

Chiara Lubich

Eli Folonari conta que Chiara foi convidada pelo menos 10 vezes para almoçar com o Papa João Paulo II e ele telefonava a Chiara todos os anos no dia de Santa Clara. Nos últimos anos, Chiara sempre esperava pela ligação do Santo Padre, pois tinha certeza que ele ligaria. “Eu estive com Chiara em praticamente todos os encontros com João Paulo II, inclusive nos almoços, e eu posso dizer que existia um relacionamento em Cristo, quase fraternal, simples, espontâneo. O Santo Padre via em Chiara uma expressão da Igreja carismática, um dom de Deus para a Igreja de hoje”, destaca Eli.

Madre Teresa de Calcutá

Em 1979, mesmo ano que Madre Teresa de Calcutá é agraciada com o Prêmio Nobel da Paz, João Paulo II recebe-a em audiência privada e intitula-a "embaixadora" do Papa em todas as nações, fóruns e assembleias. “Você pode ir aonde eu não posso. Vá e fale em meu nome”, disse o Papa à religiosa
"Estou pessoalmente agradecido por esta valorosa mulher, a quem sempre senti próxima de mim. Imagem do Bom Samaritano, ela se acercava a qualquer lugar para servir a Cristo nos mais pobres entre os pobres. Nem os conflitos nem as guerras conseguiram detê-la", disse João Paulo II durante sua homilia na Missa de beatificação de Madre Teresa.


Padre Pio


Ainda quando era sacerdote, Karol Wojtyla viajou até San Giovanni Rotondo, Itália, para conhecer Padre Pio de Pietrelcina. Os dois passaram a noite em oração e ao longo de suas vidas mantiveram uma profunda amizade edificada na fé. 
Em 1962, a amiga pessoal de Wojtyla, Wanda Póltawska, sofria com um tumor e corria risco de vida. O então jovem Bispo Wojtyla, ao saber da doença, escreveu imediatamente uma carta a Padre Pio, pedindo-lhe que rezasse por sua amiga. Ao ler a carta, o padre logo disse que “a isso não se pode dizer que não”. 
Onze dias depois, no dia 28 de novembro, chega uma nova carta de Wojtyla a Padre Pio dizendo que “a senhora de Cracóvia, Polônia, mãe de quatro filhas, no dia 21 de novembro, antes mesmo do procedimento cirúrgico, inesperadamente recobrou a saúde. Demos graças a Deus. De coração agradeço também a ti, Reverendíssimo Padre, em nome dela, do seu marido e de toda a sua família”.
Depois de se despedirem em uma dessas visitas, Padre Pio disse: “Ainda serás Papa” e continuou: “Também vejo sangue e martírio em sua vida”.

Wanda Póltawska

Wanda Póltawska conheceu Karol Wojtyla em 1950, em Cracóvia.  Ela tinha 29 anos e ele, 30. Wojtyla era sacerdote há quatro anos, assistente espiritual dos jovens estudantes universitários, e Wanda já havia concluído seu curso de medicina e frequentava sua especialização em psicologia e psiquiatria.
Nascida em Liblino, em 1921, em uma família muito católica, Wanda teve uma infância muito serena e tranquila. Em 1939, com 18 anos, ela entrou no grupo Resistência partidária, como fizeram vários jovens do país, para defender a pátria da invasão nazista à Polônia. No entanto, ela foi descoberta, presa e enviada ao famoso campo de concentração nazista de Ravensbrück, onde passou quatro anos de verdadeiro martírio.
Além das humilhações, fome, trabalho pesado, violências físicas e morais, Wanda e outras companheiras de calvário foram escolhidas, em determinado momento, como cobaias para       uma série de experimentos científicos. Transferidas para uma espécie de enfermaria, eram submetidas a intervenções cirúrgicas, mutilações, retirada de pedaços de ossos, injeções de bactérias nas feridas para provocar infecções e gangrenas, que eram posteriormente tratadas com outros produtos químicos. Quase todas morriam uma após outra e Wanda sobreviveu quase que por milagre.
Ao se ver livre do campo de concentração, voltou a estudar, concluiu medicina, mas dentro de si continuava rodeada e atormentada por uma série de pesadelos. Sentia-se uma mulher finita, que lutava desesperadamente com os fantasmas do passado, sem conseguir derrotá-los. Tinha medo de si mesma, dos outros, da vida. Nesse contexto, os princípios cristãos que tinha recebido desde criança colidiam espantosamente com a crueldade que havia sofrido no campo.
Wanda busca auxílio, sobretudo junto a sacerdotes, mas não encontrava nenhum disposto a escutá-la e compreender seus problemas. Em 1950, encontrou Karol Wojtyla e ficou tocada pelo fato de que era uma pessoa que a "escutava". Ele torna-se seu confessor e diretor espiritual. Wojtyla desempenhou papel crucial no processo de cura da alma de Wanda, de auxiliá-la a reencontrar a si mesma e a confiança em seus semelhantes. À medida que a conhecia melhor, Wojtyla compreendeu que aquele encontro não era casual.
Habituado a ver as coisas de um ponto de vista místico, convenceu-se de que os terríveis sofrimentos que aquela jovem sofreu e suportou não eram coisas que diziam respeito somente a ela própria. Pelo mistério do "Corpo místico de Cristo", diziam respeito a todos, em especial, talvez, a ele mesmo, que havia sido poupado da guerra. Durante os anos em que Wanda "morria" em campo, ele havia descoberto sua vocação ao sacerdócio. E, então, cabia a ele, sacerdote, a missão de "curar" as feridas que o campo havia deixado na alma daquela pessoa.
Não eram coincidências casuais, havia uma ligação, um vínculo, e essa sua convicção tornou-se, pouco a pouco, consciência. Revelou-o ele mesmo à doutora Wanda em um dos momentos mais importantes de sua existência, em 20 de outubro de 1978, quatro dias após ser eleito Pontífice da Igreja. Em uma longa e belíssima carta a Wanda, a primeira que escreveu já como Papa, quis afrontar abertamente a questão da sua amizade. Amizade que agora poderia ser mal interpretada por estranhos. Mas era uma amizade "arraigada e alicerçada em Deus, em Sua graça", como ele escreveu, e, portanto, devia continuar.
Aqui o trecho daquela carta que fala explicitamente sobre isso:

"O Senhor Jesus quis que aquilo que diversas vezes era dito, aquilo que tu mesma tinhas dito do dia após a morte de Paulo VI, tornasse-se realidade. Agradeço a Deus por ter-me dado, desta vez, tamanha paz interior – aquela paz que me faltava de modo evidente ainda em agosto – que pude viver tudo isso sem tensões. Com a confiança de que Ele e sua Mãe dirigirão tudo, também nessas relações, preocupações e responsabilidades mais pessoais. Com a convicção de que – se não seguir o chamado – também nesses relacionamentos posso estragar tudo. Compreenda que, em tudo isso, penso em ti. Há mais de vinte anos, desde quando Andrzej disse-me pela primeira vez: 'Duska esteve em Ravensbrück”, nascia na minha consciência a convicção de que Deus me dava a ti a fim de que, em um certo sentido, eu 'compensasse' aquilo que tinhas sofrido lá. E pensei: ela sofreu em meu lugar. A mim, Deus poupou-me daquela prova porque ela esteve lá. Pode-se dizer que essa convicção fosse 'irrazionale', todavia sempre esteve em mim – e permanece. Sobre essa convicção desenvolveu-se gradualmente toda a consciência da 'irmã'. E também essa pertence à dimensão de toda a vida. Também essa continua a permanecer. Minha querida Dusia! Toda aquela dimensão permanece em mim e deve permanecer em ti. Sempre esteve arraigada e alicerçada em Deus, em Sua graça – agora deve ser arraigada ainda mais".

Fonte: CN
  

quinta-feira, 28 de abril de 2011

João Paulo II: um sinal de esperança!

João Paulo II é particularmente recordado em Portugal pela sua ligação a Fátima, reforçada pela intercessão a Nossa Senhora na recuperação do atentado de 1981 e pela beatificação dos pastorinhos Francisco e Jacinta, em 2000.
A Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) sobre a beatificação de Karol Wojtyla (1920-2005), divulgada em março , sublinhava essa ligação.

“É considerado o Papa de Fátima, que um ano depois do atentado na Praça de São Pedro, em Roma, a 13 de Maio de 1981,veio à Cova da Iria agradecer à Rainha da Paz o ter providencialmente sobrevivido”, assinalavam os bispos, a respeito de Wojtyla, eleito Papa em Outubro de 1978.

João Paulo II esteve no Santuário de Fátima em 1982, 1991 e, pela última vez, em 2000, altura em que beatificou os videntes Francisco e Jacinta Marto.

Nessas três visitas, sempre no mês de Maio , passou ainda por Braga, Coimbra, Lisboa, Porto, Vila Viçosa, Açores e Madeira, somando-se uma escala técnica no aeroporto de Lisboa (2 de març de 1983), a caminho da América Central

A vinda a Roma, em Outubro 2000, da imagem original de Nossa Senhora de Fátima da Capelinha das Aparições, no Jubileu dos Bispos, consagrando-lhe o terceiro milénio, confirma a particular ligação do Papa polaco com o santuário da Cova da Iria.

Simbolicamente, a bala que lhe atravessou o abdómen num dia 13 de Maio repousa hoje na mesma imagem da Virgem.

João Paulo II sempre se mostrou seguro de que “uma mão maternal” guiou a trajectória da bala naquela tarde de 1981, no Vaticano.

Um ano depois, Karol Wojtyla chegava a Fátima para “agradecer à Divina Providência neste lugar que a mãe de Deus parece ter escolhido de modo tão particular”

Em 2005, passados apenas 42 dias sobre a sua morte, o 13 de Maio foi a data escolhida para que Bento XVI anunciasse o início imediato do processo de beatificação – dispensando o período de espera de cinco anos -, agora marcada para o próximo domingo, 1 de Maio, no Vaticano.

Qualificando a vida do Papa polaco como um “sinal de esperança”, o documento da CEP, em cinco pontos, afirma que esta beatificação é “um chamamento e uma oferta que a Igreja faz a todos os homens e mulheres de boa vontade”.

A nota episcopal explica que “a beatificação de alguém é a celebração agradecida pela vida e testemunho cristãos de um homem ou de uma mulher, proclamando a sua virtude e oficializando o seu culto público”.

A CEP elenca “grandes traços da personalidade e da missão do Papa João Paulo II”, apresentado como um “homem de intensa vida interior” com uma “invulgar capacidade de comunicação pessoal, tanto diante das multidões, como em particular, atraindo magneticamente tantos jovens, entre os quais muitos que se afirmavam estar distantes da Igreja”.

A este respeito, cita-se um episódio acontecido a 15 de Maio de 1982, em Coimbra, quando o Papa Wojtyla “não hesitou em pôr aos ombros a capa preta que um estudante lhe ofereceu e, no pátio da Universidade, gritou à multidão: «Olá, malta! O Papa conta convosco! Melhor, Cristo conta convosco!»”

Jovens realizarão tríduo de oração antes da beatificação de JPII

Vamos nos unir aos jovens do mundo inteiro? Fica a proposta!

"Na expectativa da beatificação de João Paulo II, em 1° de maio, o Centro São Lourenço, em Roma, convida os jovens a participarem de três dias de oração pelo Papa Wojtyla. A data de início é nesta quinta-feira, 28, e vai até sábado, 30, quando haverá celebração das Santas Missas, Adoração ao Santíssimo, confissões e a exibição, em seis idiomas, do documentário "A força da Cruz".
Além disso, está prevista a participação de peregrinos de várias partes do mundo, com uma forte presença de jovens da Polônia.
Fundado por João Paulo II, o centro hospeda a cruz original das Jornadas Mundiais da Juventude, além de ser um lugar de interesse para os cidadãos da capital italiana e peregrinos." (Rádio Vaticana)

Cobertura da beatificação de JPII

A Comunidade Canção Nova estará fazendo a cobertura completa da Beatificação de João Paulo II. Para você que deseja acompanhar, vão alguns horários:

No sábado, 30, às 18h, você acompanha a vigília em preparação pela beatificação. E na madrugada de domingo, 01, às 5h, a Santa Missa de Beatificação.


No sábado, você acompanha 3 programas especiais: às 7h, um especial sobre a vida de João Paulo II produzido pelo Jornalismo CN, com reprise no domingo, às 19h.

Às 13h10, documentário "Um Santo entre nós", sobre João Paulo II no Brasil, com reprise no domingo às 22h30. 


E às 20h, um programa especial, produzido pela equipe da TVCN em Roma, com reprise no domingo às 20h.

Adoração na Paróquia Santíssimo Sacramento

Olá, amados!


Gostaria de convidá-los para adorar Jesus conosco na Paróquia Santíssimo Sacramento, na 906 sul.

Nosso horário é de 03h00 às 06h00, do dia 29 (de quinta para sexta).

Aguardamos sua presença!

Que Deus abençoe!

"Que mais poderia Jesus ter feito por nós? Verdadeiramente, na Eucaristia demonstra-nos um amor levado até ao « extremo » (cf. Jo 13, 1), um amor sem medida". (João Paulo II)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Contagem regressiva para a beatificação do Papa João Paulo II

Hoje nosso blog começa a contagem regressiva para a beatificação do Papa João Paulo II, nosso baluarte!
Dia 1° de Maio será um dia de grande festa para nós, geração João Paulo II. Abaixo, um texto que explica um pouco sobre essa geração:


Somos a geração João Paulo II

Nos últimos tempos, muito se fala sobre conflitos de gerações e de como nascer em um período histórico específico influencia a vida de qualquer pessoa. Uma geração é influenciada por fatos e acontecimentos, mas, principalmente, por pessoas. Uma grande figura, cheia de carisma e popularidade, pode levar uma multidão de pessoas a uma nova forma de pensar, de agir, de ver o mundo. Nós que nascemos após os anos 70 somos exemplo disso, pois fomos marcados pela vida de um grande homem, por isso, nossa geração tem um nome: "geração João Paulo II". E ele, o Papa que conquistou o coração de católicos e não católicos em todo o mundo, será beatificado no próximo dia 1º de maio.

Diante dessa afirmação, poderíamos nos questionar o que o Papa João Paulo II fez para marcar uma geração. Como um homem idoso e com uma saúde tão debilitada influenciou uma geração inteira de homens e mulheres? Talvez as nossas perguntas estejam mal formuladas. Não adianta pensar no que ele fez ou como ele fez, mas é preciso observar o que ele foi.

João Paulo II foi um defensor incansável da Verdade. Não de uma verdade para um grupo religioso, mas da grande Verdade, buscada por toda a humanidade, mesmo que de formas diferentes e até mesmo preocupantes. Foi firme, defendendo a Verdade com a vida, para assim defender o homem dele mesmo. Por isso foi acusado e tachado de tantos rótulos, mas, ao mesmo tempo, suas palavras eram aguardadas e ouvidas atentamente por todo o mundo, como que expressando o desejo oculto e presente em todos da Verdade.

Da mesma forma foi um homem de unidade. Karol Wojtyla foi capaz de reunir amigos, inimigos, credos, raças, nações. Ele era uma “ponte viva”, incansável em ligar distâncias humanas, mas, acima de tudo, em ligar corações. Para isso não teve medo de reconhecer os erros dos filhos da Igreja e de pedir perdão publicamente. Uniu cristãos e não cristãos em torno dos mesmos ideais, para demonstrar em fatos que os laços que nos unem são muito maiores que os que nos separam.

Foi um homem jovem, cheio de alegria, motivado pela certeza de que um mundo melhor é possível, mas antes de tudo pela esperança de um mundo novo que virá. Por esse motivo atraiu uma multidão de jovens em todos os lugares por que passou, dando a eles a certeza de que há uma Verdade para ser vivida e seguida. João Paulo II, mesmo com o corpo curvado e os cabelos brancos, devolveu a esperança a tantos jovens de que vale a pena viver se essa vida for vivida em vista do que virá.

Mas João Paulo II foi antes de qualquer coisa um homem de verdade. Não teve medo de demonstrar sua fragilidade, sua dor, seu sofrimento ao mundo inteiro. Tampouco teve medo de se alegrar, de chorar, de demonstrar que o papado não tirou a sua humanidade; pelo contrário, o tornou ainda mais homem. Mostrou ao mundo seu amor pelas artes, pelos esportes, pelas nações, pelos povos, pela humanidade. Por isso lutou pela paz, pela liberdade, pela dignidade do homem; lutou para que a humanidade conhecesse a Verdade, para que conhecesse a Jesus Cristo, porque sabia que só dessa forma o homem poderia encontrar a verdadeira felicidade.

Por fim, por ser um homem de verdade, João Paulo II foi um grande santo do nosso tempo. A santidade que ele pregou como vocação de toda a humanidade não parou nas suas palavras aos outros, mas foi se traduzindo em sua vida, contagiando multidões, levando muitos de volta a uma vida nova, cheia da presença de Deus. Seu testemunho de santidade rompeu os “muros” da Igreja Católica e atingiu o mundo, que representado na Praça de São Pedro, nos dias de seu funeral, gritava: “Santo já!”. Nele a santidade se mostrou acessível a todos os que se abrissem à graça de Deus e por ela lutassem.

Poderíamos escrever muito mais sobre o Papa mais popular da história, mas o que está aqui já é o suficiente para entendermos por que ele marcou uma geração inteira. Foi por esse motivo que o fundador da Canção Nova, monsenhor Jonan Abib, deu o nome de "Fundação João Paulo II" à mantenedora do Sistema Canção Nova de Comunicação. O exemplo foi deixado por ele para nós como uma herança sem tamanho. Sua vida encarnou não somente o que ele acreditava, mas Quem ele seguia. A Verdade pela qual ele tanto lutou tinha um Nome, um Rosto, era uma Pessoa: Jesus Cristo. Por isso, não nos basta ter o nome de "geração João Paulo II", mas precisamos seguir o seu exemplo e também testemunhar com a vida, com santidade, que seguimos Aquele que é a Verdade.

Renan Félix
Seminarista da Comunidade Canção Nova

Cantinho de Maria


Maria: modelo de louvor
A mulher e homem de louvor têm total adesão ao Senhor. Deus, de toda a eternidade, chamou o homem para o Seu louvor; essa é a nossa vocação, o nosso chamado. Infelizmente, o homem se afastou da glória por conta do pecado; mas Deus, como é fidelidade, quer salvá-lo desse mal [pecado]. A nossa vida precisa se tornar um eterno louvor. Aquela pessoa, que é chamada por Deus para o louvor, deve escolher a melhor parte. Qual é parte que você tem escolhido? Qual é o centro da sua opção? Isso toca na base da nossa história, muitas escolhas são feitas para a superficialidade.
Só pode amar quem realmente faz uma experiência com Deus. Peça ao Altíssimo a graça de uma visão sadia da vida. Esse louvor que nos alcança nos abre para o relacionamento, no qual nós vivenciamos a sinceridade, a verdade e a gratuidade; daí a comunidade se torna uma expressão de louvor.
Só o "homem novo" conhece o "canto novo" de louvor. Quem está preso canta um "canto velho", mas o "homem novo" canta com sua vida um "canto novo", em toda e qualquer circunstância.
Você foi criado para o louvor da glória de Deus, por isso não jogue o dom da sua vida fora! Seja você casado, consagrado, solteiro, seja em qual realidade de vida estiver, que você busque um coração unido a Deus, pois é próprio da alma que ama estar com o Amado.
O místico é aquele que, na intimidade, vai eleger o absoluto de Deus em Jesus Cristo. O místico é alguém aberto ao Espírito Santo. O místico, pela ação do Espírito Santo, faz do fiel que fala com Deus um orante, um homem de oração; do que fala a respeito de Deus, um teólogo; do que fala no lugar de Deus o Espírito Santo torna essa pessoa um profeta; daquele que fala em Deus o Espírito Santo o torna um místico, aquele que faz todas as coisas em Deus. Essa é a obra do louvor.
Como viver tudo isso? Precisamos de um modelo e a Virgem Maria é o nosso modelo. Mergulhemos na vida de Nossa Senhora para entender como se manifesta esse louvor. A Santíssima Virgem é modelo porque ela é toda transparente a Deus; aquele que quer viver o louvor da glória de Deus precisa ser uma pessoa transparente. Maria é modelo do anúncio profético da Igreja e para a Igreja. O "Magnificat", cantado por ela, expressa tudo isso. O "Magnificat" é o verdadeiro kairós, um tempo novo instaurado na história.
"E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem. Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre" (Lc 1,46-56)
Para onde está voltado o olhar da Virgem Maria? Totalmente fixado em Deus. Aquela, que acreditou, está com o olhar totalmente voltado para o Todo-poderoso. Você cantou o "Magnificat" com sua alma elevada ao Senhor? Se seu olhar está perdido é preciso colocá-lo sob o olhar d'Aquele que é o Absoluto, o Senhor; Ele recolhe sua alma e a lança no infinito, que é Ele.
Maria se volta para o Senhor, que é três vezes santo. É uma manifestação tão profunda que tudo silencia, por isso, para ser louvor, é preciso fazer a experiência do silêncio que nos cala. Maria é modelo de louvor porque está toda voltada para Deus Pai.
Diante do Altíssimo a criatura se conhece na verdade. Ela tem um coração que vivencia o autoconhecimento. É dessa forma que Nossa Senhora se sente no "Magnificat", olhada por Deus e ao mesmo tempo pequena. Permita hoje que o Senhor o olhe com amor. Maria se sente olhada e alcançada pelo amor de Deus, essa é a experiência do autêntico louvor. O conhecimento de si sem o conhecimento de Deus geraria o desespero. Quantas pessoas desesperadas há, porque experimentam a incapacidade diante da vida e por não conhecerem a Deus se desesperam.
A Santíssima Virgem Maria é a exaltação mais pura do conhecimento de Deus e de si. É a alegria, o júbilo da criatura amada pelo Criador. O "Magnificat" é um falar no Espírito, que não se pode compreender a não ser n'Ele mesmo [Espírito Santo de Deus].
O "Magnificat" não é apenas para ser recitado, mas vivido, é um cântico que nos faz viver cheios do Santo Espírito, cheios da graça de Deus! O caminho está vazio de si. Sem pequenez não existe o mais belo louvor de Deus. O belo louvor brota dessa experiência.
Seja livre e dócil. As palavras do Cântico de Maria ["Magnificat"] mostram o verdadeiro louvor e é decisivo porque o Messias chegou. O coração orante de Virgem Santíssima entoa tudo isso. Vamos orar como Nossa Senhora. Se o seu olhar hoje não está voltado para Deus é tempo de voltá-lo para o Senhor.
Padre Eliano
Fraternidade Jesus Salvador

terça-feira, 26 de abril de 2011

O Ressuscitado e as Mulheres

     A mulher era uma figura esquecida na cultura judaica e excluída pelo patriarcalismo dominante na sociedade daquela época. Entretanto, Jesus inseriu em sua agenda de profeta e de libertador o resgate da força feminina, indispensável à dinâmica do Reino cujos alicerces ele veio lançar. Durante sua vida pública, não perdeu oportunidade de defendê-la e de abrir-lhe as portas que lhe foram fechadas por preconceitos culturais.

     Mas é sobretudo depois de sua ressurreição que ele demonstra confiar no valor da mulher, escolhendo-a como primeira anunciadora do maior acontecimento da história. Os quatro evangelistas são unânimes em apontar mulheres incumbidas de dizer aos apóstolos que ele ressuscitara como prometera. Podemos ver nessa escolha de Jesus o fundamento teológico e argumento para o processo da libertação feminina ao qual, muitos séculos depois, o mundo assistiu como um sinal dos tempos, conforme destacou o papa João XXIII.

     Com tal preferência, Jesus não liberou os apóstolos da missão de anunciar a novidade da ressurreição. Apenas quis enfatizar que as mulheres, consideradas incapazes de participar ativamente na sociedade, são também protagonistas da história da salvação, ao lado de sua mãe, Maria. Por isso, de mãos dadas, homens e mulheres de todas as raças e condições sociais precisam cumprir o mandado da evangelização, comunicando à humanidade de hoje que, ressuscitando, Jesus venceu a morte.

     Apesar de todos os desafios da hora presente, é urgente que a ordem seja cumprida para que os frutos da ressurreição não permaneçam armazenados nos celeiros dos egoístas e dos acomodados, mas sejam aproveitados como sementes de uma civilização cristã renovada.

D. Geraldo Majella Agnelo

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Música da Semana!

Bom dia!

Desejamos que nessa semana você possa transbordar de alegria pascal!
Façamos como nos ensina São Paulo: "O nosso cordeiro pascal, Jesus Cristo, já foi imolado. Celebremos, assim, esta festa na sinceridade e na verdade (I Cor 5, 7s)"!

Que seus dias possam ser repletos de festa da nossa maior celebração: Ele Vive! E a alegria é verdadeira, não passa! Celebre conosco, Ele ressuscitou!
Ótima semana!


domingo, 24 de abril de 2011

A Páscoa e o coelhinho

  “Pois eis agora a Páscoa, nossa Festa,
    em que o real Cordeiro se imolou:
    marcando nossas portas, nossas almas,
    com seu divino sangue nos salvou!”
 

Assim a Igreja canta na Santa Vigília Pascal, bêbada de alegria e pasmo pela Ressurreição do Cristo Jesus! A Páscoa, a Festa por excelência! De agora em diante serão cinqüenta dias de festa, de Aleluia ininterrupto, adorando, aclamando e proclamando Aquele que venceu, que triunfou sobre todas as mortes e sobre a morte eterna!
Nossas igrejas, desde o Domingo de Páscoa, devem estar ornamentadas, mais que para o dia do padroeiro, mais que para qualquer outra festa: é a Páscoa, nossa Festa, a Festa cristã! Em nossas missas o Aleluia deve ser cantado à exaustão. Aleluia: louvai o Senhor! Sim, louvai-o: ele fez maravilhas, ele não ficou calado, quieto, acovardado, insensível; ele ressuscitou o seu Filho Jesus dentre os mortos na potência do Espírito Santo! Ele é, portanto, um Deus fiel, um Deus confiável, um Deus mais forte que a morte e o inferno! Por isso, a Igreja insiste: Aleluia - louvai o Senhor, o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Durante cinqüenta dias nós nos vamos cumprimentar uns aos outros com os votos de feliz Páscoa!
No Domingo da Ressurreição também era páscoa no programa do Faustão, no da Xuxa e em tantos outros na TV... Havia coelhos por toda parte; havia a Xuxa pulando com o Padre Marcelo Rossi; havia as mulheres da aeróbica do Faustão, semi-nuas, vestidas de coelhinhas, desejava-se, aqui e acolá, “feliz páscoa!”- era a páscoa da televisão... uma páscoa sem Cristo, sem Ressurreição, sem esperança... sem cruz! Uma páscoa de araque, de mentirinha, vazia como uma bolha! Uma páscoa que não tem o que celebrar! A páscoa dos pagãos, que pegam carona na Festa dos cristãos, mas não sabem o que estão fazendo nem por que estão alegres. Quantos, ali, naqueles programas de TV, foram à Missa dos Ramos e da Paixão? Quantos à Missa da Ceia, à Celebração da Paixão? Quantos jejuaram? Quantos compareceram à Santíssima Vigília pascal - àquela que, de tão grávida de vida divina e significado, é a mãe de todas as vigílias?
Para o mundão, a Páscoa, como o Natal, tornou-se uma brincadeira banal e vulgar e, assim, perdeu sua força de anúncio, de novidade, de Boa Nova que deveria deixar o mundo surpreso, admirado, feliz!
A Páscoa é a Festa! Na Páscoa a alegria e a comemoração inundam o nosso coração! Mas, só os cristãos podem celebrá-la; só aqueles que levaram a sério que o Cristo padeceu o tormento da cruz e mergulhou nas trevas da morte! Somente aqueles que, na cruz de Cristo, enxergaram a cruz do mundo - cruz da fome, da injustiça, do desemprego, da solidão, das guerras, do desespero, da morte - podem, com os olhos rasos de lágrimas, rejubilar com a Vitória do Cristo, porque somente estes sabem que existem mal e pecado e morte no mundo... e que este mal, este pecado e esta morte podem ser destruídos em Cristo! Não pode celebrar a Páscoa quem não celebrou a Paixão; não pode rejubilar com o Ressuscitado quem não ficou com ele aos pés da cruz; não pode cantar o Aleluia quem não sentiu um nó na garganta ao ouvi-lo dizer: “Meu Deus, por que me abandonaste?”
Mas, se o mundo banalizou e paganizou a Páscoa, não será porque nós, cristãos, perdemos a consciência do seu real sentido e profundidade? Vamos! Que retomemos o sentido, a profundidade e a verdadeira alegria pascal! Surrexit Dominus vere! Alleluia! - O Senhor ressuscitou verdadeiramente! Aleluia!

Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Titular de Acúfica e Auxiliar de Aracaju

sábado, 23 de abril de 2011

Festival Música e Cia

Palavras do Papa

Na noite do Sábado Santo, celebraremos a solene Vigília Pascal, na qual nos é anunciada a ressurreição de Cristo, a sua vitória definitiva sobre a morte que nos interpela a ser n'Ele homens novos. Participando neste Santa Vigília, a Noite central de todo o Ano Litúrgico, faremos memória do nosso Batismo, no qual também nós fomos sepultados com Cristo, para poder com Ele ressurgir e participar do banquete do céu (cf.Ap 19,7-9).

Queridos amigos, buscamos compreender o estado de ânimo com que Jesus viveu o momento da prova extrema, para colher aquilo que orientava o seu agir. O critério que guiou cada escolha de Jesus durante toda a sua vida foi a firme vontade de amar o Pai, de ser um com o Pai, e ser-Lhe fiel. Essa decisão de corresponder ao seu amor o levou a abraçar, em cada circunstância, o projeto do Pai, a fazer próprio o plano de amor confiado-Lhe de recapitular todas as coisas n'Ele, para reconduzir a Ele todas as coisas. No reviver o santo Tríduo, disponhamo-nos a acolher também nós na nossa vida a vontade de Deus, conscientes de que na vontade de Deus, também se parece dura, em contraste com as nossas intenções, encontra-se o nosso verdadeiro bem, o caminho da vida. A Virgem Mãe guie-nos nesse itinerário, e nos obtenha do seu Filho divino a graça de poder gastar a nossa vida por amor a Jesus, no serviço dos irmãos. Obrigado.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Foi por você!

Quantas vezes já escutamos essa frase: Foi por você! E se isso é dito tantas vezes é porque é verdade!
Jesus, ele que é A Verdade, quer nos ensinar a verdade! Que Ele se entregou por amor a nós, a cada um em particular! E que faria tudo de novo, pela salvação dos seus! Daqueles que Ele não chama de servos e sim de amigos. Por mim e por você, simplesmente porque Ele é amor! 
Que a nossa resposta seja também amor! Por Ele e pelos que Ele morreu, tudo como forma de gratidão!


Agonia de Jesus segundo São Pio

Hoje, nesse dia tão especial para nós, trazemos para você um texto de São Pio de Pietrelcina! Esperamos que cada palavra lida penetre tua alma e te faça amar ainda mais Jesus, que se entregou por nós!

Espírito Divino iluminai a minha inteligência, inflamai o meu coração, enquanto medito na Paixão de Jesus. Ajudai-me a penetrar nesse mistério de amor e sofrimento do meu Deus, que, feito homem sofre, agoniza, morre por mim. Ó Eterno, ó Imortal, descei até nós para sofrer um martírio inaudito, a morte infame sobre a cruz no meio dos insultos, de impropérios e ignomínias, a fim de salvar a criatura que o ultrajou e continua a atolar-se na lama do pecado. O homem saboreia o pecado e, por causa do pecado, Deus está mortalmente triste; os tormentos duma agonia cruel fazem-no suar sangue!

Não, não posso penetrar neste oceano de amor e de dor sem a ajuda da vossa graça, ó meu Deus. Abri-me o acesso a mais íntima profundidade do coração de Jesus, para que eu possa participar da amargura que o conduziu ao Jardim das Oliveiras, até às portas da morte — para que me seja dado consolá-lo no seu extremo abandono. Ah! Pudesse eu unir-me a Cristo, abandonado pelo Pai e por Si próprio, a fim de expirar com Ele! Maria, Mãe das Dores, permiti que eu siga Jesus e participe intimamente da sua Paixão e do seu sofrimento! Meu Anjo da guarda, velai para que as minhas faculdades se concentrem todas na agonia de Jesus e nunca mais se desprendam.

No termo da sua vida terrestre, depois de se nos ter inteiramente entregue no Sacramento do seu amor, o Senhor dirige-se ao Jardim das Oliveiras, conhecido dos discípulos, mas de Judas também. Pelo caminho ensina-os e prepara-os para a sua Paixão iminente convida-os, por Seu amor, a sofrer calúnias, perseguições até à morte, para os transfigurar à semelhança dele, modelo divino. No momento de começar a sua Paixão amaríssima, não é nele que pensa; pensa em ti. Que abismos de amor não contém o seu Coração!
A sua Santa Face é toda tristeza, toda ternura. As suas palavras jorram da profundidade mais íntima do seu coração, e são todas palpitação de amor. — Ó Jesus, o meu coração perturba-se quando penso no amor que vos obriga a correr ao encontro da vossa Paixão.

Ensinastes-nos que não há amor maior que dar a vida por aqueles a quem se ama. Eis que estais prestes a selar estas palavras com o vosso exemplo. No Jardim da Oliveiras, o Mestre afasta-se dos discípulos e só leva três testemunhas da sua Agonia: Pedro, Tiago e João. Eles, que o viram transfigurado sobre o Tabor, terão força para reconhecer o Homem-Deus neste ser, esmagado pela angústia da morte?
Ao entrar no Jardim disse-lhes: “Ficai aqui! Velai e rezai para não cairdes em tentação. Acautelai-vos, porque o inimigo não dorme. Armai-vos antecipadamente com as armas da oração para não serdes surpreendidos e arrastados para o pecado. É a hora das trevas”.

Tendo-os exortado, afastou-se à distância de uma pedrada e prostrou-se com a face em terra. A sua alma está mergulhada num mar de amargura e extrema aflição. É tarde. Na lividez da noite agitam-se sombras sinistras. A Lua parece injetada de sangue. O vento agita as árvores e penetra até aos ossos. Toda a natureza como que estremece de secreto pavor! Ó noite, como nunca houve outra semelhante.Eis o lugar onde Jesus vem orar.
Ele despoja a sua santa Humanidade da força à qual tem direito pela sua união com a Divina Pessoa, e mergulha-a num abismo de tristeza, de angústia, de abjeção. O seu espírito parece submergir-se. Via antecipadamente toda a sua Paixão. Vê Judas, seu apóstolo tão amado, que o vende por alguns dinheiros.Ei-lo a caminho de Getsêmani, para o trair e entregar! Todavia, ainda há pouco não o alimentou com a sua carne, não lhe deu a beber o seu sangue? Prostrado diante dele, lavou-lhe os pés, apertou-os contra o coração, beijou-os com os seus lábios. Que não fez ele para o reter à beira do sacrilégio, ou pelo menos para o levar a arrepender-se! Não! Ei-lo que corre para a perdição. 

Jesus chora. Vê-se arrastado pelas ruas de Jerusalém onde ainda há alguns dias o aclamavam como Messias. Vê-se esbofeteado diante do sumo-sacerdote. Ouve os gritos: À morte! Ele, o autor da vida, é arrastado como um farrapo de um para outro tribunal. O povo, o seu povo tão amado, tão cumulado de bênçãos, vocifera contra Ele, insulta-o, reclama aos gritos a sua morte, e que morte, a morte sobre a cruz. Ouve as suas falsas acusações. Vê-se flagelado, coroado de espinhos, escarnecido, apupado como falso rei. Vê-se condenado à cruz, subindo ao Calvário, sucumbindo ao peso do madeiro, trêmulo, exausto. Ei-lo chegado ao Calvário, despojado das roupas, estendido sobre a cruz, impiedosamente trespassado pelos pregos, ofegante entre indizíveis torturas.

Meu Deus! Que longa agonia de três horas, até sucumbir no meio dos apupos da gentalha, ébria de cólera! Ei-lo com a garganta e as entranhas, devoradas por sede ardente. Para estancar essa sede, dão-lhe vinagre e fel. Vê o Pai que o abandona, e a Mãe, aniquilada pela dor. Para acabar, a morte ignominiosa no meio de dois ladrões. Um reconhece-o, e pôde salvar-se; o outro blasfema e morre réprobo. Vê Longuinhos, que se aproxima para lhe trespassar o coração. Ei-la, consumada, a extrema humilhação do corpo e da alma, que separam. Tudo isto, cena após cena, passa diante dos seus olhos, apavora-o, acabrunha-o. Desde o primeiro instante tudo avaliou, tudo aceitou.

Porque, pois, este terror extremo? É que expôs a sua santa humanidade como escudo, captando os ataques da Justiça, ultrajada pelo pecado. Sente vivamente no espírito, mergulhado na maior solidão, tudo o que vai sofrer. Para tal pecado, tal pena Está aniquilado, porque se entregou, ele próprio, ao pavor, à fraqueza, à angústia. Parece ter chegado ao auge da dor. Está de rastos, com a face em terra, diante da Majestade do Pai. Jaz no pó, irreconhecível, a santa Face do Homem-Deus, que goza da visão beatífica. Meu Jesus! Não sois Deus? Não sois o Senhor do Céu e da Terra, igual ao Pai? Para que haveis de abaixar-vos até perder todo o aspecto humano? Ah, sim Compreendo! Quereis ensinar-me, a mim, orgulhoso, que para entender o Céu devo abismar-me até ao fundo da Terra. É para expiar a minha arrogância que vos deixais afundar no mar da agonia. É para reconciliar o Céu com a Terra que vos abaixais até à terra como se quisesseis dar-lhe o beijo da paz Jesus ergue-se, volve para o céu um olhar suplicante, ergue os braços, reza. Cobre-lhe o rosto mortal palidez! Implora o Pai que se desviou dele. Reza com confiança filial, mas sabe bem qual o lugar que lhe foi marcado. Sabe-se vítima a favor de toda a raça humana, exposta à cólera de Deus ultrajado. Sabe que só ele pode satisfazer a Justiça infinita e conciliar o Criador com a criatura. 

Quer, reclama que seja assim. A sua natureza, porém, está literalmente esmagada. Insurge-se contra tal sacrifício. Todavia, o seu espírito está pronto à imolação e o duro combate continua. Jesus, como podemos pedir-vos para sermos fortes, quando vos vemos tão fraco e acabrunhado? Sim, compreendo! Tomastes sobre vós a nossa fraqueza. Para nos dardes a vossa força, vos tornastes a vítima expiatória. Quereis ensinar-nos como só em vós devemos depositar confiança, até quando o céu nos parece de bronze. Na sua Agonia, Jesus clama ao Pai: “Se é possível, afasta de mim este cálice”. É o grito da natureza que, prostrada, recorre cheia de confiança ao Céu. Embora saiba que não será atendido, porque não deseja sê-lo, contudo ora. Meu Jesus, por que pedis o que não podeis obter? Que mistério vertiginoso! . 

A mágoa que vos dilacera vos faz mendigar a ajuda e conforto, mas o vosso amor por nós e o desejo de nos levar a Deus vos faz dizer: “Não se faça a minha vontade, mas a tua”. O seu coração desolado tem sede de ser confortado, tem sede de consolação. Docemente, Ele levanta-se, dá alguns passos vacilantes; aproxima-se dos discípulos; eles, pelo menos, os amigos de confiança, hão de compreender e partilhar da sua mágoa. Encontra-os mergulhados no sono. De súbito sente-se só, abandonado! “Simão, dormes?” pergunta docemente a Pedro. Tu, que há pouco me dizias que querias seguir-me até à morte!. Vira-se para os outros “Não podeis velar uma hora comigo?”. Uma vez mais, esquece os sofrimentos, não pensa senão nos discípulos: “Velai e orai para não cairdes em tentação!”. Parece dizer “Se me esquecestes tão depressa, a mim, que luto e sofro, pelo menos no vosso próprio interesse, velai e orai!”. Mas eles, tontos de sono, mal o ouvem.

Ó meu Jesus, quantas almas generosas, tocadas pelos vossos lamentos, vos fazem companhia no Jardim da Oliveiras, compartilhando da vossa amargura e da vossa angústia moral. Quantos corações têm respondido generosamente ao vosso apelo através dos séculos! Possam eles vos consolar e, comparticipando do vosso sofrimento, possam eles cooperar na obra da salvação! Possa eu próprio ser desse número e vos consolar um pouco, ó meu Jesus!.


Jesus volta ao local da oração e apresenta-se-lhe diante dos olhos um outro quadro bem mais terrível. Desfilam diante dele todos os nossos pecados, nos seus mais ínfimos pormenores. Vê a extrema vulgaridade dos que os cometem. Sabe a que ponto ultrajam a divina Majestade. Vê todas as infâmias, todas as obscenidades, todas as blasfêmias que mancham os corações e os lábios, criados para cantar a glória de Deus. Vê os sacrilégios que desonram Pais e fiéis. Vê o abuso monstruoso dos sacramentos, instituídos por Ele para nossa salvação, e que facilmente podem ser causa de nos perdermos. Tem de cobrir-se com toda a lama fétida da corrupção humana.
Tem de expiar cada pecado à parte, e restituir ao Pai toda a glória roubada. Para salvar o pecador, tem de descer a este buraco. 

Mas, isto não o detém. Vaga monstruosa, essa lama rodeia-o, submerge-o, oprime-o. Ei-lo em frente do Pai, Deus da Justiça, Ele, Santo dos Santos, vergado ao peso dos nossos pecados, tornando-se igual aos pecadores. Quem poderá sondar o seu horror e a sua extrema repugnância? Quem compreenderá a extensão da horrível náusea, do soluço de desgosto? Tendo tomado todo o peso sobre ele, sem exceção alguma sente-se esmagado por monstruoso fardo, e geme sob o peso da Justiça divina, em face do Pai que permitiu ao Seu filho se oferecesse como vítima pelos pecados do mundo, e se transformasse numa espécie de maldito.

A sua pureza estremece diante desta massa infame mas ao mesmo tempo vê a Justiça ultrajada, o pecador condenado. No seu coração defrontam-se duas forças, dois amores. Vence a Justiça ultrajada. Mas, que espetáculo infinitamente lamentável! Este homem, carregado com todos os nossos crimes. Ele, essencialmente Santidade, confundido, embora exteriormente, com os criminosos Treme como um folha. Para poder afrontar esta terrível agonia abisma-se na oração. Prostrado diante da Majestade do Pai, diz: “Pai, afasta de mim este cálice”. É como se dissesse: “Pai, quero a tua glória! Quero o cumprimento da tua justiça. Quero a reconciliação do gênero humano. Mas não por este preço! Que eu, santidade essencial, seja assim salpicado pelo pecado, ah! não isso não! Ó pai, a quem tudo é possível, afasta de mim este cálice e encontra outro meio de salvação nos tesouros insondáveis da tua sabedoria. Porém, se não quiseres, que a tua vontade, e não a minha, se faça!. Desta vez ainda, fica sem efeito a prece do Salvador. Sente a angústia mortal, ergue-se a custo em busca de consolação. Sente como as forças o abandonam. Arrasta-se penosamente até junto dos discípulos. Uma vez mais, encontra-os a dormir. A sua tristeza torna-se mais profunda. E contenta-se simplesmente em os acordar. 

Sentiram-se confusos? Sobre isto nada sabemos. Só vemos Jesus indizivelmente triste. Guarda para ele toda a amargura deste abandono. Mas Jesus, como é grande a dor que leio no teu coração, transbordante de tristeza. Vos vejo afastando-vos dos vossos discípulos, ferido, todo magoado! Pudesse eu dar-vos algum reconforto, consolar-vos um pouco mas, incapaz de mais nada, choro aos vossos pés. Unem-se às vossas as lágrimas do meu amor e da minha compunção. E elevam-se até ao trono do Pai, suplicando que tenha piedade de nós, que tenha piedade de tantas almas, mergulhadas no sono do pecado e da morte. Jesus volta ao lugar onde rezara, extenuado e em extrema aflição. Cai, sim, mas não se prostra. Cai sobre a terra. Sente-se despedaçado por angústia mortal e a sua prece torna-se mais intensa. O Pai desvia o olhar, como se Ele fosse o mais abjeto dos homens. Parece-me ouvir os lamentos do Salvador. Se, ao menos as criaturas por causa de quem eu tanto sofro quisessem aproveitar-se das graças obtidas através de tantas dores! Se, ao menos reconhecessem pelo seu justo valor, o preço pago por mim para resgatar e dar-lhes a vida de filhos de Deus!

Ah! este amor despedaça-me o coração, bem mais cruelmente do que os carrascos que irão, em breve, despedaçar-me a carne. Vê o homem que não sabe, porque não quer saber; e blasfema do Sangue Divino e, o que é bem mais irreparável, serve-se desse Sangue para sua condenação. Quão poucos o hão de aproveitar, quantos outros correrão ao encontro do próprio extermínio! Na grande amargura do Seu coração, continua a repetir: “Quæ utilitas im sanguine meo? Quão poucos aproveitaram o meu Sangue! O pensamento, porém, deste pequeno número basta para afrontar a Paixão e morte. Nada existe, não há ninguém que possa dar-lhe sombra de consolação. O Céu fechou-se para Ele. O homem, embora esmagado ao peso dos pecados, é ingrato e ignora o seu amor.

Sente-se submerso num mar de dor e grita no estertor da agonia: “A minha alma está triste até a morte”. Sangue Divino, que jorras, irresistivelmente do Coração de Jesus, corres por todos os seus poros para lavar a pobre Terra ingrata. Permite-me que eu te recolha, Sangue tão precioso, sobretudo estas primeiras gotas. Quero guardar-te no cálice do meu coração. És prova irrefutável deste Amor, única causa de teres sido vertido. Quero purificar-me através de ti, Sangue preciosíssimo! Quero com ele purificar todas as almas, manchadas pelo pecado. Quero oferecer-te ao Pai. É o sangue do seu Filho Bem-Amado que caiu sobre a Terra para a purificar. É o Sangue do seu Filho que ascende ao Seu trono para reconciliar a Justiça ultrajada. A alegria é na verdade muito mais veemente do que a dor.

Jesus chegou então ao fim do caminho doloroso? Não. Ele não quer limitar a torrente do seu amor!. É preciso que o homem saiba quanto ama o Homem-Deus. É preciso que o homem saiba até que abismos de abjeção pode levar amor tão completo. Embora a Justiça do Pai esteja satisfeita com o suor do Sangue preciosíssimo, o homem carece de provas palpáveis deste amor. Jesus seguirá pois até ao fim: até à morte ignominiosa sobre a cruz. O contemplativo conseguirá talvez intuir um reflexo desse amor que o reduz aos tormentos da santa agonia no Jardim das Oliveiras. Aquele, porém, que vive, entorpecido pelos negócios materiais, procurando muito mais o mundo do que o Céu, deve vê-lo também pelo aspecto externo, pregado à cruz, para que, ao menos, o comova a visão do seu Sangue e a Sua cruel agonia.

Não, o Seu coração, transbordante de amor, não está ainda contente! Domina-o a aflição, e ora de novo: “Pai, se este cálice não pode ser afastado, sem que eu bebe, faça-se a Tua vontade”. A partir deste instante, Jesus responde do fundo do seu coração abrasado de amor, ao grito da humanidade que reclama a sua morte como preço da Redenção. À sentença de morte que seu Pai pronuncia no Céu, responde a Terra reclamando a sua morte. Jesus inclina a sua adorável cabeça: “Pai, se este cálice não pode ser afastado, sem que eu o beba, faça-se a Tua vontade”. E eis que o Pai lhe envia um anjo de consolação. Que alívio pode um anjo oferecer ao Deus da força, ao Deus invencível, ao Deus Todo-Poderoso? Mas este Deus quis tornar-se inerme. Tomou sobre os ombros toda a nossa fraqueza. É o Homem das Dores, em luta com a agonia. Ora ao Pai por Si e por nós. O Pai recusa atendê-lo, pois deve morrer por nós. Penso que o anjo se prostra profundamente diante da Beleza eterna, manchada de pó e sangue, e com indizível respeito suplica a Jesus que beba o cálice, pela glória do Pai e pelo resgate dos pecadores.

Rezou assim, para nos ensinar a recorrer ao Céu, unicamente quando as nossas almas estão desoladas como a Sua. Ele, a nossa força, virá ajudar-nos, pois que consentiu em tomar sobre os ombros todas as nossas angústias.Sim, meu Jesus, é preciso que bebais o cálice até ao fundo! Estais votado à morte mais cruel. Jesus, que nada possa separar-me de vós, nem a vida nem a morte!. Se, ao longo da vida, só desejo unir-me ao vosso sofrimento, com infinito amor, ser-me-á dado morrer convosco no Calvário e convosco subir à Glória. Se vos sigo nos tormentos e nas perseguições tornar-me-eis digno de vos amar um dia, no Céu, face a face, convosco, cantando eternamente o vosso louvor em ação de graças pela cruel Paixão. Vede! Forte, invencível, Jesus ergue-se do pó! Não desejou Ele o banquete de sangue com o mais forte desejo?. Sacode a perturbação que o invadira, enxuga o suor sangrento da face, e, em passo firme dirige-se para a entrada do Jardim.

Onde ides, Jesus? Ainda há instantes, não estavas empolgado pela angústia e pela dor? .Não vos vi eu, trêmulo, e como que esmagado sob o peso cruel das provações que vão tombar sobre vós? Aonde ides nesse passo intrépido e ousado? A quem vais entregar-vos? — Escuta, meu filho. As armas da oração ajudaram-me a vencer; o espírito dominou a fraqueza da carne. A força foi-me transmitida, enquanto orava, e agora eis-me pronto a tudo desafiar. Segue o meu exemplo e arranja-te com o Céu, como eu fiz.

Jesus aproxima-se dos apóstolos. Continuam a dormir! A emoção, a hora tardia, o pressentimento de alguma coisa horrível e irreparável, a fadiga — e ei-los mergulhados em sono de chumbo. Jesus tem piedade de tanta fraqueza. “O espírito está pronto, mas a carne é fraca”. Jesus exclama “Dormi agora e repousai”.
Detém-se por instante. Ouvem que Jesus se vai aproximando, e entreabrem os olhos. Jesus continua a falar: “Basta” É chegada a hora; eis que o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos, vamos; eis que se aproxima o que me há de entregar”.

Jesus vê todas as coisas com os seus olhos divinos. Parece dizer: Meus amigos e discípulos, vós dormis, enquanto que os meus inimigos velam e se aproximam para virem prender-me! Tu, Pedro, que há pouco te julgavas bastante forte para me seguir até na morte, também tu dormes agora! Desde o princípio tens-me dado provas da tua fraqueza! 

Está, porém, tranqüilo. Aceitei sobre mim a tua fraqueza e rezei por ti. Depois de confessares a tua falta, serei a tua força e apascentará os meus rebanhos. E tu, João, também tu dormes? Tu, que acabavas de sentir as pulsações do meu coração, não pudeste velar uma hora comigo!. Levantai-vos, vamos partir, já não há tempo para dormir. O inimigo está à porta! É a hora do poder das trevas! Partamos. De livre vontade, vou ao encontro da morte. Judas acorre para trair-me, e eu vou ao seu encontro. Não impedirei que se cumpram à risca as profecias. Chegou a minha hora: a hora da misericórdia infinita.

Ressoam os passos; archotes acesos enchem o jardim de sombras e púrpura. Intrépido e calmo, Jesus avança seguido pelos discípulos. — Ó meu Jesus, dai-me a vossa força quando a minha pobre natureza se revolta diante dos males que a ameaçam, para que possa aceitar com amor as penas e aflições desta vida de exílio. 

Uno-me com toda a veemência aos vossos méritos, às vossas dores, à vossa expiação, às vossas lágrimas, para poder trabalhar convosco na obra da salvação. Possa eu ter a força de fugir ao pecado, causa única da vossa agonia, do vosso suor de sangue, e da vossa morte. Afasteis de mim o que vos desagrada, e imprimi no meu coração com o fogo do vosso santo amor todos os vossos sofrimentos. Abraçai-me tão intimamente, em abraço tão forte e tão doce, que nunca eu possa deixar-vos sozinho no meio dos vossos cruéis sofrimentos. Só desejo um único alívio: repousar sobre o vosso coração. Só desejo uma única coisa: partilhar da vossa Santa Agonia. Possa a minha alma inebriar-se com o vosso Sangue e alimentar-se com o pão da vossa dor! Amém.