terça-feira, 31 de maio de 2011

Quem é esse Deus?


Para a maioria das pessoas é tão difícil imaginar Deus! É talvez ainda mais complicado tentar entender suas atitudes em relação a cada um de nós, tão miseráveis e nada merecedores do tanto que Ele nos faz.
Primeiro Ele cria o mundo e todas as coisas boas, depois nos cria também a sua imagem e semelhança num gesto concreto de amor e nos concede a graça de agirmos como governadores deste mundo. Aí nós, em nossa liberdade, também criada e dada por Deus, mas que muitas vezes não sabemos utilizar destruímos o mundo e deturpamos o que é bom.
Quem é esse Deus? Essa pergunta pode ressoar no coração de quem já viveu uma experiência de amor com Ele.
O Pai em sua infinita bondade e na incondicionalidade de seu amor por cada um de nós, ao nos ver em nossa miséria, mortos pelo pecado, mais uma vez age em nosso favor e envia Jesus, seu Filho Amado, para se encarnar e assumir a nossa condição, exceto a de pecado, para nos redimir e nos garantir a Salvação.
Quem é esse Deus? Quem é esse Deus que manda seu próprio Filho, seu Único Filho à Morte e Morte de Cruz por Amor a mim e a você que na maior parte das vezes somos ingratos diante do tudo que Ele nos faz.
Jesus, apaixonado por mim e por você, sofreu para que eu e você não sofrêssemos, levou mais chibatadas do que eu e você suportaríamos para que fôssemos libertos da escravidão, foi coroado com espinhos para que nos fosse possível receber a coroa da eternidade na Glória do Céu, morreu crucificado para que com sua morte tivéssemos vida e vida em abundância.
Todos os dias, eu e você temos oportunidades de participar do santo sacrifício do Senhor onde Ele novamente se entrega por mim e por você e se dá como alimento a mim e a você, seu Santíssimo Corpo como comida e seu Preciosíssimo Sangue como bebida, garantindo-nos a vida eterna. Um Deus imenso, de infinita Misericórdia e poder que se diminui às espécies do pão e do vinho por Amor, só por Amor. Um Deus que se entrega em nossas mãos para ser comungado e adorado e que ao adentrar em nosso coração nos faz um com Ele num belo mistério de amor.
Quem é esse Deus? Que é Todo Poderoso e se faz tão pequeno e humilde? Um Deus que não te invade se você não permitir e assim não o quiser, mas que ao ouvir o seu primeiro grito de socorro abre o céu e derrama uma chuva de graças na sua vida.
Um Deus que de perto, bem perto, chora sua dor e te carrega nos braços, que se alegra com suas vitórias e te permite alçar altos vôos apoiado em seu braço forte.  Um Deus que sabe o que é melhor para você, mas que não impõe sua Vontade, pois te fez livre e te espera o tempo que for preciso, pois quer a sua salvação.
Quem é esse Deus? Um Deus que te chama de filho e te ama como Pai e como Mãe e não te abandona e não deixa nunca de te amar, mesmo que as montanhas mudem de lugar.
E se me permite perguntar agora, quem é você, meu irmão, que não se deixa ser amado, curado e liberto por esse Deus maravilhoso que é muito mais do que as minhas palavras podem expressar?
Pois eu creio que eu e você por mais que tenhamos muitos e muitos planos, sonhos e desejos em nossas vidas o maior e o mais importante deles e talvez o único que seja comum a mim e a você é o desejo de ser amado! Portanto, eu não sei quem é você e não sei a sua história e não sei o que te impede de se entregar a esse Deus que ao mesmo tempo é um Deus próximo, um Deus conosco é um Deus que é desconhecido na imensidão de sua misericórdia e capacidade de nos amar.
Por isso, abre o seu coração ao Senhor, a esse Deus que é maravilhoso e pede com verdade e com vontade:


Jesus, eu quero conhecê-Lo e ser intimo de Ti! Quero viver a minha experiência pessoal de amor com o Senhor! Não quero te conhecer por palavras ou pregações, nem por sentimentalismo, quero te conhecer na profundidade do meu ser e me encontrar contigo dentro de mim e me encontrar comigo dentro de Ti. Permita-me, Amado Deus, ser inundado por Tua doce presença e por Ti ser amado para poder então te amar mais perfeitamente e não me afastar mais de Ti, que é o meu próprio viver.
Eu quero te conhecer, Jesus. Fica comigo, Senhor e em meu coração para que eu possa encontrar a verdadeira Paz e andar pelos teus caminhos junto de Ti. Amém.





Tuani Sampaio
Membro da Comunidade Gratidão



Texto inspirado pela música Quem é esse Deus, do Missionário Shalom:

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Música da semana!

Bom dia, amados irmãos em Cristo!
Nessa semana, em que o Senhor nos faz a promessa do Espírito Santo, afirmando que não nos deixará órfãos, desejamos que você suplique pela ação do Defensor em sua vida!
Que Ele venha até você revelar a verdade sobre Deus e a verdade sobre você mesmo para que assim você encontre a vida que vem do Senhor!
Desejamos, ainda, que tudo isso aconteça pela intercessão do Imaculado Coração de Maria, ela, a esposa do Espírito, sabe do que necessita seus filhos!
A paz!

domingo, 29 de maio de 2011

A vida religiosa é um patrimônio da Igreja, disse Dom João Braz

O arcebispo emérito de Brasília, Dom João Braz de Aviz, que deste este ano foi nomeado pelo Papa prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, encontrou-se com um grupo de cerca de 80 religiosos brasileiros durante um evento recente em Roma.
O encontro ocorreu na sede do Colégio Pio Brasileiro. Segundo informa a Rádio Vaticana, o grupo, Religiosos Brasileiros em Roma (RBR), convidou Dom João para discutir sobre os desafios e a importância da vida religiosa para a Igreja no mundo atual.
“Nota-se na vida consagrada vários movimentos e sinais de superação das dificuldades enfrentadas nas últimas décadas”, destacou na ocasião o prelado. “A vida religiosa é um patrimônio da Igreja. Vocês são mais de um milhão de consagradas e consagrados no mundo em mais de 2 mil congregações”, disse, ressaltando ver com bons olhos o fortalecimento dos organismos de coordenação e articulação da vida consagrada e o fortalecimento da comunhão entre esses organismos e a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.
Com informações da Rádio Vaticana.

sábado, 28 de maio de 2011

Adoração na Paróquia Santíssimo Sacramento


Bom dia, amados do Pai!

Amanhã, dia 29 (de sábado para domingo), é nosso dia de adoração na Paróquia Santíssimo Sacramento, na 606 sul!

Nosso horário é de 03h00 às 06h00! 

Venha participar desse momento tão especial conosco, para juntos encerrarmos este lindo mês de maio!

Que Deus os abençoe! 

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Totus Tuus!

Hoje iniciamos o Totus Tuus! Uma série com formações de nosso querido João Paulo II! Publicaremos uma formação, uma oração, homilia ou qualquer outro ensinamento que nosso beato deixou para nós: sua herança para a Igreja! E porque Totus Tuus? Porque esse era seu Lema Episcopal, tudo ele entregava à Mãe, como, por exemplo, o início de seu testamento: "Desejo confiar-me mais uma vez totalmente à graça do Senhor. Ele mesmo decidirá quando e como devo terminar a minha vida terrena e o ministério pastoral. Na vida e na morte Totus Tuus mediante a Imaculada". Assim, diz o Papa Bento XVI sobre seu antecessor: "Poderíamos definir João Paulo II como um Papa totalmente consagrado a Jesus, por meio de Maria, como era bem evidenciado no seu lema: Totus tuus. Foi eleito no coração do mês do Rosário, e a coroa que ele tinha frequentemente nas mãos tornou-se um dos símbolos do seu pontificado, sobre o qual a Virgem Imaculada velou com desvelo materno". Assim, desejamos também consagrar essa nova coluna do nosso blog à nossa Mãe Santíssima, para que todos aqueles que a lerem tenham um encontro íntimo com o Senhor, através da intercessão de João Paulo II! 

Hoje, ele nos fala sobre o rosário:


A espiritualidade cristã tem como seu caráter qualificador o empenho do discípulo em configurar-se sempre mais com o seu Mestre (cf. Rom 8, 29; Fil 3, 10.21). A efusão do Espírito no Batismo introduz o crente como ramo na videira que é Cristo (cf. Jo 15, 5), constitui-o membro do seu Corpo místico (cf. 1 Cor 12, 12; Rom 12, 5). Mas a esta unidade inicial, deve corresponder um caminho de assimilação progressiva a Ele que oriente sempre mais o comportamento do discípulo conforme a “lógica” de Cristo: «Tende entre vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus» (Fil 2, 5). É necessário, segundo as palavras do Apóstolo, «revestir-se de Cristo» (Rom13, 14; Gal 3, 27).
No itinerário espiritual do Rosário, fundado na incessante contemplação – em companhia de Maria – do rosto de Cristo, este ideal exigente de configuração com Ele alcança-se através do trato, podemos dizer, “amistoso”. Este introduz-nos de modo natural na vida de Cristo e como que faz-nos “respirar” os seus sentimentos. A este respeito diz o Beato Bártolo Longo: «Tal como dois amigos, que se encontram constantemente, costumam configurar-se até mesmo nos hábitos, assim também nós, conversando familiarmente com Jesus e a Virgem, ao meditar os mistérios do Rosário, vivendo unidos uma mesma vida pela Comunhão, podemos vir a ser, por quanto possível à nossa pequenez, semelhantes a Eles, e aprender destes supremos modelos a vida humilde, pobre, escondida, paciente e perfeita».
Neste processo de configuração a Cristo no Rosário, confiamo-nos, de modo particular, à ação maternal da Virgem Santa. Aquela que é Mãe de Cristo, pertence Ela mesma à Igreja como seu «membro eminente e inteiramente singular» sendo, ao mesmo tempo, a “Mãe da Igreja”. Como tal, “gera” continuamente filhos para o Corpo místico do Filho. Fá-lo mediante a intercessão, implorando para eles a efusão inesgotável do Espírito. Ela é o perfeito ícone da maternidade da Igreja.
O Rosário transporta-nos misticamente para junto de Maria dedicada a acompanhar o crescimento humano de Cristo na casa de Nazaré. Isto permite-lhe educar-nos e plasmar-nos, com a mesma solicitude, até que Cristo esteja formado em nós plenamente (cf. Gal 4, 19). Esta ação de Maria, totalmente fundada sobre a de Cristo e a esta radicalmente subordinada, «não impede minimamente a união imediata dos crentes com Cristo, antes a facilita». É o princípio luminoso expresso pelo Concílio Vaticano II, que provei com tanta força na minha vida, colocando-o na base do meu lema episcopal: Totus tuus. Um lema, como é sabido, inspirado na doutrina de S. Luís Maria Grignion de Montfort, que assim explica o papel de Maria no processo de configuração a Cristo de cada um de nós: “Toda a nossa perfeição consiste em sermos configurados, unidos e consagrados a Jesus Cristo. Portanto, a mais perfeita de todas as devoções é incontestavelmente aquela que nos configura, une e consagra mais perfeitamente a Jesus Cristo. Ora, sendo Maria entre todas as criaturas a mais configurada a Jesus Cristo, daí se conclui que de todas as devoções, a que melhor consagra e configura uma alma a Nosso Senhor é a devoção a Maria, sua santa Mãe; e quanto mais uma alma for consagrada a Maria, tanto mais será a Jesus Cristo”. Nunca como no Rosário o caminho de Cristo e o de Maria aparecem unidos tão profundamente. Maria só vive em Cristo e em função de Cristo!  (Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae)

Perfumes de São Pio



“Reze, reze! Quem muito reza se salva e salva os outros. E qual oração pode ser mais bela e mais aceita a Nossa Senhora do que o Rosário?”

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Foi suspenso o Kit Homofobia!

Quarta Catequese do Papa Bento XVI Sobre Oração!

Queridos irmãos e irmãs!   

Hoje, gostaria de refletir convosco sobre um texto do Livro dos Gênesis que narra um episódio bastante particular da história do Patriarca Jacó. É um trecho de não fácil interpretação, mas importante para a nossa vida de fé e de oração; trata-se da narração da luta com Deus durante a transposição do Yabboq [corrente que deságua no Rio Jordão], da qual ouvimos um trecho. 

Como vos lembrais, Jacó havia roubado de seu gêmeo Esaú a primogenitura em troca de um prato de lentilhas, e havia recebido de modo fraudulento a bênção do pai Isaac, então muito velho, aproveitando-se da sua cegueira. Após escapar da ira de Esaú, refugiou-se junto a um parente, Laban; casou-se, enriqueceu e agora estava retornando à terra natal, pronto para afrontar o irmão após ter colocado em ação algumas prudentes precauções. Mas quando está tudo pronto para esse encontro, após ter feito atravessar aqueles que estavam com ele a transposição que delimitava o território de Esaú, Jacó, que permaneceu sozinho, é agredido de repente por um desconhecido, com o qual luta por toda uma noite. Exatamente esse combate corpo a corpo – que encontramos no capítulo 32 do Livro do Gênesis – torna-se para ele uma singular experiência de Deus.                       

A noite é o tempo favorável para agir às escondidas, o tempo, portanto, melhor para Jacó, para entrar no território do irmão sem ser visto e talvez com a ilusão de pegar Esaú de surpresa. Mas, ao contrário, é ele o surpreendido pelo ataque imprevisto, para o qual não estava preparado. Tinha usado a sua astúcia para tentar escapar de uma situação perigosa, pensava ser capaz de ter tudo sob o seu controle, mas, ao contrário, encontra-se agora a enfrentar uma luta misteriosa que o encontra na solidão e sem dar-lhe a possibilidade de organizar uma defesa adequada. Sem meios de se defender, na noite, o Patriarca Jacó combate com alguém. O texto não especifica a identidade do agressor; usa um termo hebraico que indica "um homem" de modo genérico, "um, alguém"; trata-se, portanto, de uma definição vaga, indeterminada, que propositalmente mantém o assaltante no mistério. É escuro, Jacó não chega a ver distintamente o seu adversário e também para o leitor, para nós, isso permanece desconhecido; alguém está opondo-se ao Patriarca, é esse o único dado seguro fornecido pelo narrador. Somente ao final, quando a luta estiver praticamente concluída e aquele "alguém" aparecer, somente então Jacó o nomeará e poderá dizer que lutou com Deus.                  

O episódio desenrola-se, portanto, na obscuridade e é difícil perceber não somente a identidade do agressor de Jacó, mas também qual seja o andamento da luta. Lendo o trecho, é difícil estabelecer qual dos dois adversários chega a levar a melhor; os verbos utilizados estão frequentemente sem sujeito explícito, e as ações se desenvolvem de modo quase contraditório, tanto que quando se pensa que seja um dos dois a prevalecer, a ação sucessiva vem a desmentir e apresenta o outro como vencedor. No início, de fato, Jacó parece ser o mais forte, e o adversário – diz o texto – "não chega a vencê-lo" (v. 25); no entanto, golpeia Jacó na articulação do fêmur, provocando uma luxação. Se deveria, então, pensar que Jacó devesse sucumbir, mas, ao invés disso, é o outro que pede para que o deixe ir; e o Patriarca refuta, pondo uma condição: "Não te deixarei partir antes que me tenhas abençoado" (v. 26). Aquele que, através do engano, havia defraudado o irmão da bênção de primogênito, agora pretende alcançá-la do desconhecido, do qual talvez começa a entrever as conotações divinas, mas sem poder ainda verdadeiramente reconhecê-lo.   

O rival, que parece retido e portanto derrotado por Jacó, ao invés de curvar-se ao pedido do Patriarca, pergunta seu nome: "Como te chamas?". E o Patriarca respondeu: "Jacó" (v. 28). Aqui, a luta sofre um importante ponto de viragem. Conhecer o nome de alguém, de fato, implica uma espécie de poder sobre a pessoa, porque o nome, na mentalidade bíblica, contém a realidade mais profunda do indivíduo, revelando o secreto e seu destino. Conhecer o nome quer dizer então conhecer a verdade do outro e isso implica poder dominá-lo. Quando, então, a pedido do desconhecido, Jacó revela o próprio nome, se está colocando nas mãos de seu oponente, é uma forma de rendição, de entrega total de si mesmo ao outro.                    

Mas nesse gesto de entregar-se, também Jacó paradoxalmente resulta vencedor, porque recebe um nome novo, juntamente ao reconhecimento da vitória por parte do adversário, que lhe diz: " Teu nome não será mais Jacó, tornou ele, mas Israel, porque lutaste com Deus e com os homens, e venceste" (v. 29). "Jacó" era um nome que reportava à origem problemática do Patriarca; em hebraico, de fato, recorda o termo "calcanhar", e reporta o leitor ao momento do nascimento de Jacó, quando, saindo do ventre materno, segurava com a mão o calcanhar do irmão gêmeo (cf.Gen 25,26), quase prefigurando a ação em dano do irmão que teria consumado em idade adulta; mas o nome Jacó reclama também o verbo "enganar, suplantar". Eis que, agora, na luta, o Patriarca revela ao seu opositor, em um gesto de entrega e rendição, a própria realidade de enganador, de suplantador; mas o outro, que é Deus, transforma essa realidade negativa em positiva: Jacó o enganador torna-se Israel, lhe é dado um nome novo que assinala uma nova identidade. Mas também aqui a narração mantém a sua desejada duplicidade, porque o significado mais provável do nome Israel é "Deus é forte, Deus vence".    

Portanto, Jacó prevaleceu, venceu – é o adversário próprio a afirmá-lo –, mas a sua nova identidade, recebida do mesmo adversário, afirma e testemunha a vitória de Deus. E quando Jacó solicitar, por sua vez, o nome de seu adversário, esse recusará dizê-lo, mas se revelará em um gesto inequívoco, dando a bênção. Aquela bênção que o Patriarca havia pedido no início da luta lhe é agora concedida. E não é a bênção recebida através do engano, mas aquela gratuitamente dada por Deus, que Jacó pode receber porque está sozinho, sem proteção, sem astúcias e enganos, encontra-se inerme, aceita entregar-se e confessa a verdade sobre si mesmo. Assim, ao final da luta, recebida a bênção, o Patriarca pode finalmente reconhecer o outro, o Deus da bênção: "Verdadeiramente – disse –vi a Deus face a face, e conservei a vida" (v. 31), e pode agora transpor a corrente, portador de um nome novo, mas "vencido" por Deus e assinalado para sempre, manco devido ao ferimento.                  

As explicações que a exegese bíblica pode dar com relação a esse trecho são múltiplas; em particular, os estudiosos reconhecem intenções e componentes literários de diversos gêneros, bem como referências a algumas narrações populares. Mas quando esses elementos são assumidos pelos autores sagrados e englobados no relato bíblico, mudam de significado e o texto abre-se a dimensões mais amplas. O episódio da luta no Yabboq oferece-se assim ao crente como texto paradigmático em que o povo de Israel fala da própria origem e delineia os traços de uma particular relação entre Deus e o homem. Por isso, como afirmado também no Catecismo da Igreja Católica, "a tradição espiritual da Igreja divisou nesta narrativa o símbolo da oração como combate da fé e vitória da perseverança" (n. 2573). O texto bíblico fala-nos da longa noite da busca de Deus, da luta por conhecer seu nome e ver seu rosto; é a noite da oração que com persistência e perseverança pede a Deus a bênção e um nome novo, uma nova realidade fruto de conversão e de perdão.         

A noite de Jacó ao transpor o Yabboq torna-se assim, para o crente, um ponto de referência para compreender a relação com Deus que, na oração, encontra a sua máxima expressão. A oração requer confiança, proximidade, quase em um corpo a corpo simbólico não com um Deus inimigo, adversário, mas com um Senhor que abençoa e permanece sempre misterioso, que parece inalcançável. Por isso, o autor sacro utiliza o símbolo da luta, que implica força de ânimo, perseverança, tenacidade para alcançar aquilo que se deseja. E se o objeto do desejo é a relação com Deus, a sua bênção e o seu amor, então a luta não poderá senão culminar no dom de si mesmo a Deus, no reconhecer a própria debilidade, que vence exatamente quando chega a entregar-se nas mãos misericordiosas de Deus.              

Queridos irmãos e irmãs, toda a nossa vida é como essa longa noite de luta e de oração, a se consumar no desejo e no pedido de uma bênção de Deus que não pode ser recebida à força ou vencida contando somente com as nossas forças, mas deve ser recebida com humildade, como dom gratuito que permite, enfim, reconhecer o rosto do Senhor. E quando isso acontece, toda a nossa realidade muda, recebemos um nome novo e a bênção de Deus. E ainda mais: Jacó, que recebe um nome novo, torna-se Israel, dá um nome novo também no lugar em que lutou com Deus, em que rezou; renomeia-o como Penuel, que significa "Rosto de Deus". Com esse nome, reconhece aquele lugar pleno da presença do Senhor, torna sagrada aquela terra, imprimindo quase a memória daquele misterioso encontro com Deus. Aquele que se deixa abençoar por Deus, abandona-se a Ele, deixa-se transformar por Ele, torna abençoado o mundo. Que o Senhor ajude-nos a combater o bom combate da fé (cf. 1Tm 6,12; 2Tm 4,7) e a pedir, na nossa oração, a sua bênção, para que nos renove na expectativa de ver o seu Rosto. Obrigado.               

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Cantinho de Maria

A Vocação de Maria e a Nossa Vocação

Uma única palavra resume as relações de Deus com a humanidade: Aliança. No centro do plano divino está a vontade de selar um pacto de amor com as criaturas. O Deus absoluto e todo poderoso, o único, o Ser necessário e totalmente transcendente quer comunicar-se, deseja estabelecer um diálogo com o ser humano. Deus nos criou para nos transmitir seus bens. Não permanece longe, mas vem até nós para doar-se. A criação inteira é fruto dessa vontade de amor. Deus cria por amor e para amar. É o único motivo. Por isso cria o homem à sua imagem e semelhança, capaz de dialogar, de responder a seu convite para amar, para doar-se.                 

Toda a história da Bíblia é a história dessa aliança de amor. E essa história, para ser construída, requer sempre, a iniciativa de Deus e a resposta do homem. A Bíblia nos mostra a aliança de Deus com Adão e Eva, com Noé, com Abraão, com Moisés, com todo o povo de Israel. Deus chama o homem com um amor gratuito, mas convoca-o a experimentar este amor e ser instrumento dele para que outros o experimentem também. A história da Salvação é toda tecida desta cooperação constante entre Deus e os homens.              

O que assombra o ser humano é o fato de, ao mesmo tempo que experimentam a grandeza infinita de Deus, percebem que o Deus infinito quis necessitar de sua cooperação para a realização de seus planos de amor. Quis ser um com ele, e realizar uma obra de amor com a sua cooperação. Foi assim que Moisés se assombrou. Veja êxodo 3,1-12. E Moisés teve medo. Veja êxodo 4,1-18. Deus quer que o homem capte as suas demonstrações de amor e que assuma um compromisso com Ele. À sua ação deve se seguir uma reação do homem. Ele quer ser ouvido e seguido.       

Desde que Deus criou o homem, este é convidado a viver esta aliança de amor, e ser cooperador dele. Se voltarmos ao Gn 1,28 veremos este convite feito ao primeiro homem e à primeira mulher. Mas se formos ao Gn 3,1-19 veremos que desde o princípio a história da humanidade está marcada pela infidelidade à esta aliança de amor. Veremos também que há um ser pervertido e perversor, um anjo decaído, o demônio, que vive a tentar o homem para que este quebre sua aliança com Deus.             

Nossa Senhora jamais quebrou esta aliança, ao contrário, foi fiel ao convite de Deus desde o princípio. A sua resposta ao convite para ser a Mãe do filho de Deus foi: "Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38). E este sim foi repetido durante toda a sua vida, nos momentos mais difíceis: quando teve de dar à luz num estábulo, quando teve que fugir para o Egito para que o menino não fosse morto pelo rei Herodes, e principalmente quando teve de vê-lo morrer numa Cruz, incompreendido por aqueles a quem amava, e por quem entregara toda a sua vida. 

Um grande segredo de amor envolvia esta fidelidade de Maria na sua aliança com Deus, a sua cooperação incondicional com a Graça divina: Humildade e Confiança. Maria se fez sempre pequena serva. Não se arrogou de direitos, não desejou fazer valer uma pretensa justiça humana. Orgulhosos que somos, basta-nos muito pouco para nos julgarmos justos e merecedores de grandes favores de Deus e dos irmãos. Basta-nos um pouco de autoconfiança, muito pouco mesmo, para nos compararmos e considerarmos os que estão ao nosso lado como irresponsáveis, incompetentes e infiéis. Basta-nos que Deus nos peça um pouco de sacrifício ou de sofrimento, para lançarmos o mais rápido possível do nosso fardo jogando-os nas costas dos outros. Basta-nos a nossa vida, os nossos problemas, as nossas feridas, para não enxergarmos os problemas nem as feridas dos irmãos, e nos tornarmos terríveis carrascos deles. Maria foi o anti-orgulho. Não se arvorou de muita coisa por que Deus lhe chamou para ser mãe do Seu Filho. Se tivesse sentido orgulho, provavelmente teria chamado Isabel para serví-la, e não teria atravessado o deserto para servir sua prima. Teria se achado o centro, a digna de ser ajudada, e nem teria percebido que neste exato momento era a sua prima que necessitava de sua ajuda. Maria não era centrada em si, mas em Deus e na sua vontade.            

Maria não vivia em torno de si mesma, e dos seus pequenos sonhos e planos, mas em torno de Deus e da sua vontade. Maria não tentava misturar o que era sua vontade, com a vontade de Deus, mas abandonava inteiramente sua vontade em prol de fazer a vontade de Deus. Por isto era capaz de captar as necessidades dos irmãos, e ao contrário de colocar fardos nos ombros dos outros, os tirava. Maria não se fez Rainha, por isto Deus a fez Rainha. 

Maria confiou em Deus. Não colocou sua confiança em pessoas, em coisas, em títulos, em elogios, em confirmações que viessem dos outros. Maria simplesmente deu o seu ser para que nela se cumprisse a vontade de Deus: "Faça-se em mim", ela disse. Maria buscava veementemente a vontade de Deus para si, e sabia que esta vontade sempre exigiria dela abandonar seus próprios planos. Ela sabia que Deus tem a última palavra em tudo, e via em tudo a vontade de Deus, e não a dos homens. Tudo vinha de Deus. Nós somos idólatras de nós mesmos e dos nossos irmãos. Não confiamos suficientemente em Deus, e por isso sempre esperamos nas criaturas. E nos decepcionamos, porque elas não são deuses. Nós fabricamos ídolos, para que estejam ao redor de nós, a fim de nos servir quando precisamos. E nos decepcionamos. Não vamos para Deus, porque no fundo sabemos que ele não fará a nossa vontade, não nos fará de crianças, mas quer formar pessoas maduras, que escolham unicamente ele e a sua vontade. Quer que estejamos sós diante dele para dizer o nosso sim sem contar que seja outro e não nós a levar o momento sacrificado do nosso sim. Por isso nos tira as pessoas. Por isso muitas vezes nos faltou, nos falta, e nos faltarão a compreensão dos pais, dos amigos, dos irmãos mais queridos. Tudo para que esperemos só em Deus, e nos dirijamos aos irmãos sem interesse próprio algum, mas unicamente para serví-los, para amá-los gratuitamente. Assim fez Maria visitando Isabel.                         

E foi porque se desprendeu das criaturas, e disse seu sim com total humildade e confiança, que Maria recebeu de Deus a confirmação que lhe veio pelos lábios de Isabel: "Bendita és Tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre" (Lc 1,42). Se escutássemos hoje de Deus estas palavras: "Bendito ou bendita és tu, benditas são os frutos das tuas obras, do teu sim a Deus", seríamos curados num instante de toda auto-imagem negativa. Porém, para escutar estas palavras, é preciso antes escutar e dizer sim à vontade de Deus para nós. Somente no centro da vontade de Deus está a nossa cura, a nossa libertação. Somente clamando antes a Deus a graça de esquecermos de nós mesmos, das exigências e queixas que por tantos anos guardamos em relação aos nossos pais e irmãos, somente se estivermos dispostos a nos despojar da criança mimada e egoísta que há dentro de nós, é que poderemos experimentar a cura da nossa auto-imagem negativa, e enfim poderemos cantar como Maria: "Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu salvador, porque olhou para seu pobre servo, ou sua pobre serva (Maria representa todas as criaturas na sua fragilidade humana). Por isto desde agora me proclamarão bem aventurado ou bem aventurada, todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração sobre os que o temem"(Lc 1,46-50). 

Maria sempre experimentou, em todas as situações, a gratuidade do Seu amor por ela. E ela também era gratuita no seu amor a Deus. Fazer a vontade de Deus, ser fiel a Deus nunca foi para ela motivo de exigir que Deus a recompensasse com mimos. Não demos a vida a nós mesmos. Nada temos por nós mesmos. Tudo na nossa vida é um presente de Deus. A nossa vida é um grande presente de Deus. As alegrias, as tristezas, são um presente de Deus, às vezes misteriosos, mas que um dia compreenderemos. não é necessário compreender, mas aceitar com humildade e confiança que tudo é um presente de amor de Deus. Deus está por trás de todos os acontecimentos de nossa vida. Há coisas que nos sucederam que ele não gostaria que fosse assim, mas permitiu. A nossa liberdade, ou a de nossos irmãos foi mal usada, mas Ele é Deus, capaz de transformar todas as coisas porque nos ama. Isto não é desculpa para permanecermos crianças mimadas e insistentes em nossos planos egoístas, porque quando nos afastamos da vontade de Deus, embora ele continue nos amando, não conseguimos perceber isto, e podemos jogar fora a nossa união definitiva com Ele. Isso é muito sério. Podemos optar pelo inferno, e isto Ele não vai impedir. Embora Ele esteja trabalhando sempre pela nossa salvação, esta é uma opção nossa, que Ele não vai impedir.        

Precisamos pedir a Deus a cura para nossas feridas, mas precisamos pedir a Deus acima de tudo a Sua Graça, que é o maior presente. Foi pela Graça de Deus que Maria realizou a vontade de Deus para sua vida, e todos nós somos hoje beneficiados. Precisamos louvar a Deus porque Maria o amou antes de si mesma e antes de todas as criaturas. Ela sempre escolheu Deus e a sua vontade. Maria não se sentia uma pessoa nula, péssima, mal amada. Ela não sofria de auto imagem negativa. os olhos dela nunca estiveram nela mesma ou em seus traumas, mas estavam postos na grande bondade de Deus. estava sempre a recordar suas maravilhas, e aquilo que de doloroso lhe sucedia era recebido no silêncio e na humildade, mas especialmente na confiança de que Deus é sempre amor. Peçamos hoje a Maria a Graça de sermos tirados do centro de nós mesmos, e assim curados na nossa auto imagem. peçamos a Maria, que ela "arranque" do coração de Deus a Graça de termos unicamente Deus como centro de nossas vidas. Que todas as dores, as mágoas, as feridas, os sentimentos de incapacidade, de ser desprezado, não amado, tudo isto seja colocado no coração de Maria, que está sempre unido ao coração de Jesus e do Pai. E que hoje, o fogo do Espírito Santo possa queimar tudo isto e nos dar um auto imagem nova, límpida, resplandecente, e possamos dizer com ela: "Realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo" (Lc 1,49)

Eles não estão sozinhos!

Neste mês, postamos nas quarta-feiras uma série de vídeos intitulada May Feelings, onde jovens espanhóis fazem alguma homenagem à Nossa Senhora. No último vídeo do mês, deixamos uma homenagem aos sacerdotes, os filhos prediletos de Maria! Que possamos nos unir em oração por aqueles que dedicam sua vida por nós!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Hoje é dia de Nossa Senhora Auxiliadora!

Em 1865, Dom Bosco encarregou o pintor Tomás Lorenzone de pintar o quadro, que causou grande admiração a todos os que o escutavam, pela grandiosidade do projeto, como se falasse de uma cena já vista: "Ao alto, Maria SS., entre os coros dos Anjos. Depois os coros dos profetas, das Virgens, dos Confessores. No chão, os emblemas das grandes vitórias de Maria e os povos do mundo levantando as mãos para ela pedindo ajuda".
O pintor notou-lhe que para pintar um quadro do gênero, seria preciso uma praça e para o guardar, uma igreja grande como Piazza Castello. Dom Bosco resignou-se a ver o seu projeto reduzido. Lorenzone alugou um espaço no Palazzo Madama e pôs-se ao trabalho.
Dom Bosco compreendeu que o pintor tinha razão; e ficou decidido que o quadro teria Nossa Senhora, os Apóstolos, os Evangelistas, e um grupo de anjinhos. Em baixo, devia aparecer o Oratório de Turim, e, ao fundo, a Basílica de Superga. Terminada a pintura, o pintor disse a um sacerdote salesiano que foi visitá-lo: "Contemple como é belo! Porém, não é obra minha. Não fui eu que o pintei. Foi outra mão que guiou a minha. Diga a Dom Bosco que o quadro sairá como ele o deseja."
Depois de três anos de trabalho, o grande quadro ficou pronto e foi levado e pendurado na Basílica de Maria Auxiliadora, em Turim. Lorenzone, ao ver o quadro no lugar, ficou comovido. Caiu de joelhos e começou a soluçar!

Dom Bosco descreve-o assim:
"A Virgem domina num mar de luz e majestade. Está rodeada de uma multidão de Anjos que a homenageiam como rainha. Na mão direita segura o cetro, que é símbolo do seu poder; Na mão esquerda segura o Menino que tem os braços abertos, oferecendo assim as suas graças e a sua misericórdia a quem recorre à sua augusta Mãe. À volta e em baixo estão os santos Apóstolos e os Evangelistas. Eles, transportados por um doce êxtase, quase exclamam: Regina Apostolorum, ora pro nobis. Olham atônitos a Virgem Maria. No fundo da pintura está a cidade de Turim, com o santuário de Valdocco em primeiro plano e com o de Superga ao fundo. Aquilo que tem maior valor no quadro é a idéia religiosa, que gera uma devota impressão em quem o olha".

Segundo a descrição feita por Dom Bosco, o quadro é uma eficaz representação do título "Maria, Mãe da Igreja". E uma grande página de catequese mariana. Maria, enquanto Mãe do Filho de Deus, é a Rainha do céu e da terra: toda a Igreja, representada pelos apóstolos e pelos Santos, a aclama como Mãe e Auxiliadora poderosa. Nossa Senhora é representada no alto, entre as nuvens, como Rainha do Céu, com o cetro na mão, símbolo de seu poder. A pomba estende as suas asas sobre a cabeça; e, mais em cima, o olho de Deus Pai, que ilumina tudo de vivíssima luz. Fazem coroa à Virgem diversos grupos de engraçados anjinhos. Maria Auxiliadora é rodeada, portanto, de Anjos que lhe fazem coroa e lhe prestam homenagem como a sua Rainha.
Com a mão direita, Nossa Senhora segura o cetro, símbolo do poder; com a esquerda, segura o Menino Jesus, que tem os braços abertos, oferecendo assim suas graças e sua misericórdia a quem recorre à sua querida Mãe. Na cabeça tem uma coroa de doze estrelas, com a qual é proclamada Rainha do céu e da terra.
Os Apóstolos Pedro (com as chaves) e Paulo (com a espada) ocupam no quadro o lugar principal, depois da Virgem Mãe. Os dois estendem os braços para Nossa Senhora, como para impetrar sua proteção. Atrás deles, estão os quatro Evangelistas, com os respectivos símbolos. À direita, São Lucas, sentado sobre o touro, leva-nos a pensar no lugar do sacrifício, próprio do Antigo Testamento. Com efeito, o Evangelho de São Lucas começa com o sacrifício do sacerdote Zacarias. Acima de Lucas, está São Mateus, coberto com um manto branco, tendo nos braços o menino em forma de anjo, porque ele começa o seu Evangelho, enumerando os antepassados humanos de Jesus. À esquerda, São Marcos, sentado sobre o leão, para lembrar o grito que o Evangelista brada, no começo do seu Evangelho, quando diz: "Voz que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor!" Mais acima, é representado São João Evangelista. Das nuvens que estão na frente dele, aparece uma águia, para significar que ele, escrevendo o Evangelho, levantou o vôo como águia, como Aquele pelo qual foram feitas todas as coisas. Os Apóstolos, em diversas atitudes, aos pés de Nossa Senhora, levando os instrumentos de seu martírio. Em baixo, entre os Apóstolos Pedro e Paulo, aparece a Basílica de Maria Auxiliadora e, no horizonte, a colina de Superga, com o templo dedicado à Virgem Mãe de Deus, Maria Santíssima.
O Papa Leão XIII, por ocasião do 25º ano de seu pontificado, decretou a solene coroação da imagem de Maria Auxiliadora. Para a solene cerimônia, foi delegado o Cardeal A. Richelmy, Arcebispo de Turim. A cerimônia deu-se no dia 17 de maio de 1903, dia que ficará eternamente glorioso na história da devoção a Nossa Senhora Auxiliadora.
No dia nove de junho de 1918, o Cardeal Salesiano João Cagliero, por decreto do Papa Bento XV, coroou a imagem de Maria Auxiliadora e colocou um cetro de ouro, dons da Princesa Isabel Czartoryski. Era o primeiro cinqüentenário da consagração do Santuário e Jubileu de Ouro do P. Paulo Álbera, segundo Reitor-Mor dos Salesianos.
O pintor do quadro, Tomás Lorenzone, que nasceu em 1824 e faleceu em 1902, pintou exclusivamente objetos religiosos. Pintor humano e religioso. Trabalhou nas igrejas de Turim e do Piemonte.

Ama, Espera e Confia!

O amor tem me revelado muito de si mesmo em Bethânia. Das muitas facetas que dele aprendo a que tem mais me ensinado é a do amor feito espera. Aquele jeito de amar onde o amante é impotente diante das escolhas e decisões do amado. Sim! O verdadeiro amor é feito de espera silenciosa macerada na dor de quem é chamado a respeitar a liberdade do amado.

Explico-me. Quantas são as situações onde você, por mais que veja adiante, nada pode fazer? Quantas são as situações onde, se dependesse de você, tudo seria feito para evitar que o amado se machucasse ou se perdesse no caminho? Mas, eu e você sabemos por força do próprio amor, que situações existem em que você nada pode fazer. Resta-nos esperar. Espera silenciosa, dura, difícil como a do pai misericordioso que diante da decisão do filho que vai, se contenta em esperar na janela a hora do retorno. E o mais aterrador: Deus nos ama assim, pois sabe das tantas vezes em que contra sua vontade lhe dizemos não. Não há escapatória, compreender o amor feito espera é sinal de maturidade de quem ama.

Certa vez, me contaram da dor de um pai, médico, pediatra dos mais renomados. O doutor já ajudara inúmeras crianças. Perdeu a conta dos pequenos que tiveram seus males e enfermidades curados na boa medicina por ele exercida. Com o tempo passou a achar-se capaz de atender a qualquer caso e a qualquer criança. Até que chegou o dia em que seu próprio filho, de cinco anos, caiu enfermo. O pai pediatra por mais que fizesse, por mais tentasse, por mais que estudasse, não conseguia encontrar a cura para o filho. Restou-lhe amar, esperar, confiar. Com pesar, entregou o filho nas mãos de outro especialista. E ele? Ah! Ele rezou. Esperou. Confiou. Amou. Graças a Deus o especialista era bom. Depois de meses de angústia e luta interior o pai viu o resultado. O colega especialista conseguira. A sua felicidade foi imensa, agradeceu o companheiro, tomou o filho nos braços e louvou a Deus. Colheu os frutos do amor feito espera.

Às vezes, muitas e muitas vezes nos sentimos exatamente assim. Somos médicos, mas não será o nosso remédio que curará. Temos aqui o dinamismo do verdadeiro amor. Daquele amor do tema paulino de 1Cor 13. Amor que tudo crê. Tudo espera. Tudo suporta. Amor que jamais acabará. Amor que nos impele, na fé, a pedir ao Senhor que ascenda uma vela para iluminar a sombra inconsciente que não permite ver a luz de Deus, nessa hora de escuridão.

O amor que amadurece está em aceitar a impotência de quem ama diante do amado que escolhe. O amor que cresce e floresce está em aceitar nossa suposta fraqueza. Sim! Pois é como nos sentimos: fracos. É como fracos, que ao amar visando o bem do amado, nos curvamos diante da liberdade de quem fez suas escolhas boas ou ruins. Fracos? Não! Fortes! Fortes porque nos tornamos capazes de esperar na janela da fé e da confiança. Isso também é escolha. Somos nossas escolhas e o resultado será de acordo com o que fizermos com as escolhas feitas.
Desejo a você um amor feito de escolhas. Desejo a você um amor feito de espera. Ame. Espere. Confie.

Fiquem na Paz de Deus!




segunda-feira, 23 de maio de 2011

Música da Semana!

Boa tarde, queridos irmãos!
Nessa semana em que o Senhor nos exorta para que não perturbemos o nosso coração, desejamos à você que o siga de forma decidida. Que a fé em Deus e a obediência a seus mandamentos seja uma opção de vida! Que o Espírito Santo te dê forças para manter essa opção e te ensine a amar, pois a marca de quem se decide pelo Senhor é o amor"Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele" (Jo 14, 21).
Desejamos, ainda, que nessa semana você sinta o amor transbordante do Senhor por você! Que Nossa Senhora, a mãe do amor, te leve a viver essa experiência!

domingo, 22 de maio de 2011

Olhar simples, um olhar que cura!

Boa tarde!
Deixamos para você neste domingo uma parte da pregação do Padre Paulo Ricardo, em um acampamento da Canção Nova que está acontecendo nesse final de semana!
Que Deus os abençoe!

sábado, 21 de maio de 2011

Irmã Dulce será beatificada amanhã!

Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes nasceu em Salvador em 1914 e faleceu, na mesma cidade, em 1992. Mais conhecida como Irmã Dulce, e chamada de “Anjo bom da Bahia”, destacou-se por suas obras de caridade aos pobres e necessitados. No próximo domingo, dia 22, ela será beatificada em cerimönia presidida pelo cardeal Dom Geral Majella Agnelo, nomeado legado papal por Bento XVI. A cerimônia de beatificação ocorrerá em Salvador a partir das 16h.

A solenidade terá início com a leitura da biografia resumida da religiosa, leitura da proclamação de beatificação e descerramento da imagem oficial de Irmã Dulce como “Bem Aventurada Dulce dos Pobres”. Este será o auge do evento, que espera receber cerca de 60 mil fiéis no Parque de Exposições da capital baiana.

A TV Canção Nova, em parceria com a TVE/Bahia, será responsável pelo pool de emissoras que transmitirá a beatificação de Irmã Dulce para canais de todo o Brasil. A emissora também transmitirá dois documentários sobre a vida de irmã Dulce. O primeiro vai ao ar no domingo, às 16h; o segundo será veiculado após a missa e conta a história do milagre que a elevou aos altares.

Irmã Dulce atendia os doentes no lugar que atualmente é um dos maiores hospitais de Salvador, com atendimentos de emergência gratuitos. O processo de beatificação tramitou durante 10 anos no Vaticano.
A graça obtida pela intercessão de Irmã Dulce, em 2003, foi examinada primeiramente no Brasil e reconhecida pelos peritos médicos como um caso que não pôde ser explicado pelos meios da ciência.
Os peritos e os cardeais da Congregação para as Causas dos Santos foram unânimes no reconhecimento deste milagre, constando que se tratava de um caso extraordinário de cura – o estancamento instantâneo de uma hemorragia.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Perfumes de São Pio


“Nossa Senhora, minha Mãe, coberto de misérias, admiro em vós a vossa Imaculada Conceição e ardentemente desejo que, por esse mistério, purifique meu coração para que eu possa melhor amar a Deus.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Catequese do Papa Bento XVI sobre a oração, parte 3

Queridos irmãos e irmãs,   

nas duas catequeses passadas, refletimos sobre a oração como fenômeno universal, que – ainda que de formas diversas – está presente nas culturas de todos os tempos. Hoje, ao contrário, gostaria de iniciar um percurso bíblico sobre esse tema, que nos guiará para aprofundar o diálogo de aliança entre Deus e o homem que anima a história da salvação, até o cume, à Palavra definitiva que é Jesus Cristo. Esse caminho nos levará a nos determos em alguns importantes textos e figuras paradigmáticas do Antigo e do Novo Testamento. Será Abraão, o grande Patriarca, pai de todos os crentes (cf. Rm 4,11-12.16-17), a oferecer-nos um primeiro exemplo de oração, no episódio de intercessão pelas cidades de Sodoma e Gomorra. E gostaria também de convidar-vos a aproveitar do percurso que faremos nas próximas catequeses para aprender a conhecer mais a Bíblia, que espero que tenhais nas vossas casas, e, durante a semana, dedicar-se a lê-la e meditá-la na oração, para conhecer a maravilhosa história do relacionamento entre Deus e o homem, entre Deus que se comunica a nós e o homem que responde, que reza.        

O primeiro texto sobre o qual desejamos refletir encontra-se no capítulo 18 do Livro do Gênesis; narra-se que a malvadeza dos habitantes de Sodoma e Gomorra havia chegado ao seu ápice, tanto que se tornou necessário uma intervenção de Deus para realizar um ato de justiça e parar o mal, destruindo aquelas cidades. É aqui que se insere Abraão com a sua oração de intercessão. Deus decide revelar-lhe aquilo que está para acontecer e lhe faz conhecer a gravidade do mal e as suas terríveis consequências, porque Abraão é o seu eleito, escolhido para se tornar um grande povo e para fazer chegar a bênção divina a todo o mundo. A sua missão 
é de salvação, que deve responder ao pecado que invadiu a realidade do homem; através dele, o Senhor, quis reportar a humanidade à fé, à obediência, à justiça. E agora, esse amigo de Deus abre-se à realidade e à necessidade do mundo, reza por aqueles que estão para ser punidos e pede que sejam salvos.     

Abraão compreende imediatamente o problema em toda a sua gravidade, e diz ao Senhor: "Fareis o justo perecer com o ímpio? Talvez haja cinquenta justos na cidade: fá-los-eis perecer? Não perdoaríeis antes a cidade, em atenção aos cinquenta justos que nela se poderiam encontrar? Não, vós não poderíeis agir assim, matando o justo com o ímpio, e tratando o justo como ímpio! Longe de vós tal pensamento! Não exerceria o juiz de toda a terra a justiça?" (vv. 23-25). Com essas palavras, com grande coragem, Abraão coloca diante de Deus a necessidade de evitar uma justiça sumária: se a cidade é culpável, é justo condenar o seu crime e infligir a pena, mas – afirma o grande Patriarca – seria injusto punir de modo indiscriminado todos os habitantes. Se na cidade há alguns inocentes, esses não podem ser tratados como os culpáveis. Deus, que é um juiz justo, não pode agir assim, diz Abraão justamente a Deus.

Se lemos, no entanto, mais atentamente o texto, damo-nos conta de que o pedido de Abraão é ainda mais sério e profundo, porque não se limita a demandar a salvação para os inocentes. Abraão pede o perdão para toda a cidade e o faz apelando à justiça de Deus; diz, de fato, ao Senhor: "Não perdoaríeis antes a cidade, em atenção aos cinquenta justos que nela se poderiam encontrar?" (v. 24b). Assim fazendo, coloca em jogo uma nova ideia de justiça: não aquela que se limita a punir os culpáveis, como fazem os homens, mas uma justiça diferente, divina, que busca o bem e o cria través do perdão que transforma o pecador, converte-o e salva-o. Com a sua oração, portanto, Abraão não invoca uma justiça meramente retributiva, mas uma intervenção de salvação que, tendo em conta os inocentes, liberte da culpa também os ímpios, perdoando-os. O pensamento de Abraão, que parece quase paradoxal, poderia ser sintetizado assim: obviamente não se podem tratar os inocentes como os culpáveis, isso seria injusto, é necessário, ao contrário, tratar os culpáveis como inocentes, colocando em ação uma justiça "superior", oferecendo a eles uma possibilidade de salvação, porque se os malfeitores aceitam o perdão de Deus e confessam as culpas deixando-se salvar, não continuarão mais a fazer o mal, tornar-se-ão também esses justos, sem mais necessidade de serem punidos.                

É esse o pedido de justiça que Abraão expressa na sua intercessão, um pedido que se baseia sobre a certeza de que o Senhor é misericordioso. Abraão não pede a Deus algo contrário à sua essência, bate à porta do coração de Deus conhecendo a sua verdadeira vontade. Certamente Sodoma é uma grande cidade, cinquenta justos parecem pouca coisa, mas a justiça de Deus e o seu perdão não são talvez a manifestação da força do bem, também se parece menor e mais débil que o mal? A destruição de Sodoma devia parar o mal presente na cidade, mas Abraão sabe que Deus tem outros modos e outros meios para colocar obstáculos à difusão do mal. É o perdão que interrompe a espiral do pecado, e Abraão, no seu diálogo com Deus, apela exatamente a isso. E quando o Senhor aceita perdoar a cidade se ali encontrar cinquenta justos, a sua oração de intercessão começa a subir às profundezas da misericórdia divina. Abraão – como recordamos – faz diminuir progressivamente o número dos inocentes necessários para a salvação: se não fossem cinquenta, poderiam bastar quarenta e cinco, e depois sempre mais para baixo até dez, continuando com a sua súplica, que se faz quase ardente na insistência: "talvez lá se encontrem quarenta… trinta… vinte… dez" (cf. vv. 29.30.31.32). E quanto menor torna-se o número, maior revela-se e manifesta-se a misericórdia de Deus, que escuta com paciência a oração, acolhe-a e repete a cada súplica: "perdoarei, ...não destruirei, ...não o farei" (cf. vv. 26.28.29.30.31.32).

Assim, pela intercessão de Abraão, Sodoma poderá ser salva, se nessa se encontrarem também somente dez inocentes. É esse o poder da oração. Porque através da intercessão, a oração a Deus pela salvação dos outros, manifesta-se e expressa-se o desejo de salvação que Deus nutre sempre pelo homem pecador. O mal, de fato, não pode ser aceito, deve ser assinalado e destruído através da punição: a destruição de Sodoma tinha exatamente essa função. Mas o Senhor não quer a morte do malvado, mas que se converta e viva (cf. Ez 18,23; 33,11); o seu desejo é sempre aquele de perdoar, salvar, dar a vida, transformar o mal em bem. Bem, é exatamente esse o desejo divino que, na oração, torna-se desejo do homem e expressa através de palavras de intercessão. Com a sua súplica, Abraão está emprestando a própria voz, mas também o próprio coração, à vontade divina: o desejo de Deus é misericórdia, amor e vontade de salvação, e esse desejo de Deus encontrou em Abraão e na sua oração a possibilidade de manifestar-se de modo concreto no interior da história dos homens, para estar presente onde há necessidade de graça. Com a voz da sua oração, Abraão está dando voz ao desejo de Deus, que não é aquele de destruir, mas de salvar Sodoma, de dar vida ao pecador convertido.  

É isso que o Senhor deseja, e o seu diálogo com Abraão é uma prolongada e inequívoca manifestação do seu amor misericordioso. A necessidade de encontrar homens justos no interior da cidade torna-se sempre menos exigente e, ao final, bastarão dez para salvar a totalidade da população. Por qual motivo Abraão para em dez não é dito no texto. Talvez seja um número que indica um núcleo comunitário mínimo (ainda hoje, dez pessoas são oquórum necessário para a oração pública hebraica). No entanto, trata-se de um número exíguo, uma pequena parcela do bem da qual partir para salvar um grande mal. Mas nem mesmo dez justos se encontravam em Sodoma e Gomorra, e as cidades foram destruídas. Uma destruição paradoxalmente testemunhada como necessária exatamente pela oração de intercessão de Abraão. Porque exatamente aquela oração revelou a vontade salvífica de Deus: o Senhor estava disposto a perdoar, desejava fazê-lo, mas as cidades estavam fechadas em um mal totalizante e paralisante, sem sequer poucos inocentes dos quais partir para transformar o mal em bem. Por que é exatamente esse o caminho da salvação que também Abraão pedia: ser salvos não quer dizer simplesmente escapar da punição, mas ser libertos do mal que em nós habita. Não é o castigo que deve ser eliminado, mas o pecado, aquela recusa de Deus e do amor que traz já em si o castigo. Dirá o profeta Jeremias ao povo rebelde: "Valeu-te este castigo tua malícia, e tuas infidelidades atraíram sobre ti a punição. Sabe, portanto, e vê quanto te foi funesto e amargo abandonar o Senhor teu Deus" (Jer 2,19). É dessa tristeza e amargura que o Senhor quis salvar o homem libertando-o do pecado. Mas essa é uma transformação do interior, uma inclinação para o bem, um início do qual partir para transmutar o mal em bem, o ódio em amor, a vingança em perdão. Por isso os justos devem estar dentro da cidade, e Abraão continuamente repete: "talvez lá se encontrem...". "Lá": é dentro da realidade doente que deve estar aquela semente do bem que pode curar e restituir a vida. É uma palavra também a nós: que nas nossas cidades se encontre a semente do bem; que façamos de tudo para que sejam não somente dez os justos, para fazer viver e sobreviver as nossas cidades e para salvar-nos dessa amargura interior que é a ausência de Deus. E na realidade doente de Sodoma e Gomorra aquela semente do bem germe não se encontrava.       

Mas a misericórdia de Deus na história do seu povo alarga-se ulteriormente. Se, para salvar Sodoma, serviam dez justos, o profeta Jeremias dirá, em nome do Onipotente, que basta um só justo para salvar Jerusalém: "Percorrei as ruas de Jerusalém, olhai, perguntai; procurai nas praças, vede se nelas encontrais um homem, um só homem que pratique a justiça e que seja leal; então eu perdoarei a cidade" (5,1). O número caiu novamente, a vontade de Deus se mostra ainda maior. No entanto, isso ainda não basta, a superabundante misericórdia de Deus não encontra a resposta de bem que busca, e Jerusalém cai sob o assédio do inimigo. Será preciso que Deus mesmo torne-se aquele justo. E esse é o mistério da Encarnação: para garantir um justo, Ele mesmo de faz homem. O justo sempre estará presente porque é Ele: é preciso, portanto, que Deus mesmo torne-se aquele justo. O infinito e surpreendente amor divino será plenamente manifestado quando o Filho de Deus se fizer homem, o Justo definitivo, o perfeito Inocente, que levará a salvação ao mundo inteiro morrendo na cruz, perdoando e intercedendo por aqueles que "não sabem o que fazem" (Lc 23,34). Então a oração de cada homem encontrará a sua resposta, então toda a nossa intercessão será plenamente atendida.                      

Queridos irmãos e irmãs, a súplica de Abraão, nosso pai na fé, ensine-nos a abrir sempre mais o coração à misericórdia superabundante de Deus, para que na oração cotidiana saibamos desejar a salvação da humanidade e pedi-la com perseverança e com confiança ao Senhor que é grande no amor. Obrigado. 

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Cantinho de Maria

A contemplação do mistério do nascimento do Salvador tem levado o povo cristão não só a dirigir-se à Virgem Santa como à Mãe de Jesus, mas também a reconhecê-la como Mãe de Deus. Essa verdade foi aprofundada e compreendida como pertencente ao patrimônio da fé da Igreja, já desde os primeiros séculos da era cristã, até ser solenemente proclamada pelo Concílio de Éfeso no ano 431.

Na primeira comunidade cristã, enquanto cresce entre os discípulos a consciência de que Jesus é o filho de Deus, resulta bem mais claro que Maria é a Theotokos, a Mãe de Deus. Trata-se de um título que não aparece explicitamente nos textos evangélicos, embora eles recordem “a Mãe de Jesus” e afirmem que ele é Deus (Jo 20,28; cf. 5,18; 10,30.33). Em todo o caso, Maria é apresentada como Mãe do Emanuel, que significa Deus conosco (cf. Mt 1,22-23).

Já no século III, como se deduz de um antigo testemunho escrito, os cristãos do Egito dirigiam-se a Maria com esta oração: “Sob a vossa proteção procuramos refúgio, santa Mãe de Deus: não desprezeis as súplicas de nós, que estamos na prova, e livrai-nos de todo perigo, ó Virgem gloriosa e bendita” (Da Liturgia das Horas). Neste antigo testemunho a expressão Theotokos, “Mãe de Deus”, aparece pela primeira vez de forma explícita.

Na mitologia pagã, acontecia com frequência que alguma deusa fosse apresentada como Mãe de um deus. Zeus, por exemplo, deus supremo, tinha por Mãe a deusa Reia. Esse contexto facilitou talvez, entre os cristãos, o uso do título “Theotokos”, “Mãe de Deus”, para a Mãe de Jesus. Contudo, é preciso notar que este título não existia, mas foi criado pelos cristãos, para exprimir uma fé que não tinha nada a ver com a mitologia pagã, a fé na concepção virginal, no seio de Maria, d’Aquele que desde sempre era o Verbo eterno de Deus.

No século IV, o termo Theotokos é já de uso frequente no Oriente e no Ocidente. A piedade e a teologia fazem referência, de modo cada vez mais frequente, a esse termo, já entrado no patrimônio de fé da Igreja.

Compreende-se, por isso, o grande movimento de protesto, que se manifestou no século V, quando Nestório pôs em dúvida a legitimidade do título “Mãe de Deus”. Ele de fato, propenso a considerar Maria somente como Mãe do homem Jesus, afirmava que só era doutrinalmente correta a expressão “Mãe de Cristo”. Nestório era induzido a este erro pela sua dificuldade de admitir a unidade da pessoa de Cristo, e pela interpretação errônea da distinção entre as duas naturezas – divina e humana – presentes n’Ele.

O Concílio de Éfeso, no ano 431, condenou as suas teses e, afirmando a subsistência da natureza divina e da natureza humana na única pessoa do Filho, proclamou Maria Mãe de Deus.

As dificuldades e as objeções apresentadas por Nestório oferecem-nos agora a ocasião para algumas reflexões úteis, a fim de compreendermos e interpretarmos de modo correto esse título. A expressão Theotokos, que literalmente significa “aquela que gerou Deus”, à primeira vista pode resultar surpreendente; suscita, com efeito, a questão sobre como é possível que uma criatura humana gere Deus. A resposta da fé da Igreja é clara: a maternidade divina de Maria refere-se só a geração humana do Filho de Deus e não, ao contrário, à sua geração divina. O Filho de Deus foi desde sempre gerado por Deus Pai e é-Lhe consubstancial. Nesta geração eterna Maria não desempenha, evidentemente, nenhum papel. O Filho de Deus, porém, há dois mil anos, assumiu a nossa natureza humana e foi então concebido e dado à luz por Maria.

Proclamando Maria “Mãe de Deus”, a Igreja quer, portanto, afirmar que Ela é a “Mãe do Verbo encarnado, que é Deus”. Por isso, a sua maternidade não se refere a toda a Trindade, mas unicamente à segunda Pessoa, ao Filho que, ao encarnar-se, assumiu dela a natureza humana.

A maternidade é relação entre pessoa e pessoa: uma mãe não é Mãe apenas do corpo ou da criatura física saída do seu seio, mas da pessoa que ela gera. Maria, portanto, tendo gerado segundo a natureza humana a pessoa de Jesus, que é a pessoa divina, é Mãe de Deus.

Ao proclamar Maria “Mãe de Deus”, a Igreja professa com uma única expressão a sua fé acerca do Filho e da Mãe. Esta união emerge já no Concílio de Éfeso; com a definição da maternidade divina de Maria, os Padres queriam evidenciar a sua fé a divindade de Cristo. Não obstante as objeções, antigas e recentes, acerca da oportunidade de atribuir este título a Maria, os cristãos de todos os tempos, interpretando corretamente o significado dessa maternidade, tornaram-no uma expressão privilegiada da sua fé na divindade de Cristo e do seu amor para com a Virgem.

Na Theotokos a Igreja, por um lado reconhece a garantia da realidade da Encarnação, porque – como afirma Santo Agostinho – “se a Mãe fosse fictícia seria fictícia também a carne... fictícia seriam as cicatrizes da ressurreição” (Tract. in Ev. loannis, 8,6-7). E, por outro, ela contempla com admiração e celebra com veneração a imensa grandeza conferida a Maria por Aquele que quis ser seu filho. A expressão “Mãe de Deus” remete ao Verbo de Deus que, na Encarnação, assumiu a humildade da condição humana, para elevar o homem à filiação divina. Mas esse título, à luz da dignidade sublime conferida à Virgem de Nazaré, proclama, também, a nobreza da mulher e sua altíssima vocação. Com efeito, Deus trata Maria como pessoa livre e responsável, e não realiza a Encarnação de seu Filho senão depois de ter obtido o seu consentimento.

Seguindo o exemplo dos antigos cristãos do Egito, os fiéis entregam-se Àquela que, sendo Mãe de Deus, pode obter do divino Filho as graças da libertação dos perigos e da salvação eterna. 




Beato João Paulo II
texto retirado do livro A Virgem Maria