quinta-feira, 30 de junho de 2011

As visitas ao Santíssimo Sacramento

A divina Eucaristia não dá proveito só aos que a recebem. Para colherem-se alguns dos frutos de vida que encerra, basta visitar Jesus Cristo nesse adorável Sacramento, basta desejá-lo, basta pensar nele, e voltar-se em espírito para alguma Igreja onde Ele descansa.

Esse dulcíssimo Coração está no Sacramento, qual perene fonte que, correndo dia e noite sem interrupção, anelando derramar-se nos corações para purificá-los e fertilizá-los, convida todos os homens a virem beber nele, e parece chamar do fundo de Seu Santuário, como outrora o fez no meio da multidão dos judeus que acudiam para as suntuosas festividades: "Se alguém tiver sede, venha a Mim e beba. Si quis sitit, veniat ad me et bibat" (Jo 7,37).

A solidão de Seus templos nos anuncia que Jesus não é agora mais atendido do que era antes. Também parece que consola-se da insensibilidade de uns, junto ao pequeno número de almas fiéis que à sua voz acodem; porque é normalmente nessas visitas que Jesus se compraz em prodigalizar-lhes copiosas graças; e de todas as que então concede, a mais comum é, podemos dizer, a graça de Seu amor; porque se entre os homens a amizade se alimenta e cresce com visitas e conversações freqüentes, assim é que também por este meio se amará com maior veemência a Jesus Cristo.

Fala-Lhe, alma fiel, nessas visitas, como o filho ao seu pai, como a esposa ao mais amável dos esposos. Ora expondo-Lhe tuas necessidades espirituais, ora agradecendo-Lhe Seus benefícios, ora louvando Sua bondade, ora Sua Misericórdia, ora o Seu Amor. Aniquila-te diante dEle. Entra, enfim, até o tabernáculo, e nele estabelece morada. Aí lança-te aos pés de Jesus, a exemplo de Madalena, banha-os com tuas lágrimas, beija-lhe as mãos traspassadas de cravos por teu amor, reclina-te sobre Seu Coração, com o discípulo amado, e declara-Lhe que aí queres descansar para sempre nesta e na outra vida, sem buscar mais, em parte alguma, alegria e consolação.

Não podeis desculpar-vos de vossa pouca assiduidade em visitar Nosso Senhor com a falta de tempo. Acha-se tanto para desperdiçar em conversações inúteis! Só a Jesus não se poderá sacrificar cinco minutos? Sim, cinco minutos, ao menos, todos os dias, de colóquio com Ele, em Seu Sacramento, já satisfazem Seu Coração.


Fonte: http://devocoes.leiame.net/junho/junho30.htm

7ª Catequese sobre oração: o Papa nos ensina a rezar com os salmos!

Queridos irmãos e irmãs,

nas precedentes Catequeses, detivemo-nos em algumas figuras do Antigo Testamento particularmente significativas para a nossa reflexão sobre a oração. Falei sobre Abraão, que intercede pelas cidades estrangeiras, sobre Jacó, que na luta noturna recebe a bênção, sobre Moisés, que invoca o perdão para o seu povo, e sobre Elias, que reza pela conversão de Israel. Com a catequese de hoje, gostaria de iniciar um novo trecho do percurso: ao invés de comentar particulares episódios de personagens em oração, entraremos no "livro de oração" por excelência, o livro dos Salmos. Nas próximas catequeses, leremos e meditaremos alguns dos Salmos mais belos e mais queridos à tradição orante da Igreja. Hoje, gostaria de introduzi-los falando sobre o livro dos Salmos no seu conjunto.

O Saltério apresenta-se como um "formulário" de orações, uma coleção de cento e cinquenta Salmos que a tradição bíblica dá ao povo de fiéis para que se torne a sua, a nossa oração, o nosso modo de dirigir-se a Deus e de relacionar-se com Ele. Nesse livro, encontra expressão toda a experiência humana com as suas múltiplas faces, e toda a gama dos sentimentos que acompanham a existência do homem. Nos Salmos, entrelaçam-se e expressam-se alegria e sofrimento, desejo de Deus e percepção da própria indignidade, felicidade e sentido de abandono, confiança em Deus e dolorosa solidão, plenitude de vida e medo de morrer. Toda a realidade do crente conflui naquelas orações, que o povo de Israel primeiro e a Igreja depois assumiram como mediação privilegiada da relação com o único Deus e resposta adequada ao seu revelar-se na história. Enquanto orações, os Salmos são manifestações da alma e da fé, em que todos se podem reconhecer e nas quais se comunica aquela experiência de particular proximidade com Deus à qual cada homem é chamado. E é toda a complexidade do existir humano que se concentra na complexidade das diversas formas literárias dos vários salmos: hinos, lamentações, súplicas individuais e coletivas, cantos de agradecimento, salmos penitenciais, salmos sapienciais, e outros gêneros que se podem encontrar nessas composições poéticas.

Não obstante essa multiplicidade expressiva, podem ser identificados dois grandes âmbitos que sintetizam a oração do Saltério: a súplica, unida ao lamento, e o louvor, duas dimensões correlatas e quase inseparáveis. Porque a súplica é animada pela certeza de que Deus responderá, e isso abre ao louvor e à ação de graças; e o louvor e o agradecimento brotam da experiência de uma salvação recebida, que supõe a necessidade de auxílio que a súplica expressa. Na súplica, o orante se lamenta e descreve a sua situação de angústia, de perigo, de desolação, ou, como nos Salmos penitenciais, confessa a culpa, o pecado, pedindo para ser perdoado. Ele expõe ao Senhor o seu estado de necessidade na confiança de ser escutado, e isso implica um reconhecimento de Deus como bom, desejoso do bem e "amante da vida" (cfr Sl 11,26), pronto a ajudar, salvar, perdoar. Assim, por exemplo, reza o Salmista no Salmo 31: "Junto de vós, Senhor, me refugio. Não seja eu confundido […] Vós me livrareis das ciladas que me armaram, porque sois minha defesa" (vv. 2.5). Já no lamento, portanto, pode emergir algo do louvor, que se prenuncia na esperança da intervenção divina e se faz, depois, explícita quando a salvação divina torna-se realidade. De modo análogo, nos Salmos de agradecimento e de louvor, fazendo memória do dom recebido ou contemplando a grandeza da misericórdia de Deus, reconhece-se também a própria pequenez e a necessidade de ser salvos, que está na base da súplica. Confessa-se assim a Deus a própria condição de criatura inevitavelmente marcada pela morte, ainda que portadora de um desejo radical de vida. Por isso o Salmista exclama, no Salmo 86: "De todo o coração eu vos louvarei, ó Senhor, meu Deus, e glorificarei o vosso nome eternamente. Porque vossa misericórdia foi grande para comigo, arrancastes minha alma das profundezas da região dos mortos" (vv. 12-13). Desse modo, na oração dos Salmos, súplica e louvor entrelaçam-se e fundem-se em um único canto que celebra a graça eterna do Senhor que se inclina sobre a nossa fragilidade.

Exatamente para permitir ao povo de fiéis unir-se a esse canto que o livro do Saltério foi dado a Israel e à igreja. Os Salmos, de fato, ensinam a rezar. Nesses, a Palavra de Deus torna-se palavra de oração – e são palavras do Salmista inspirado –, que se torna também palavra do orante que reza os Salmos. É essa a beleza e a particularidade desse livro bíblico: as orações nele contidas, diferentemente de outras orações que encontramos na Sagrada Escritura, não estão inseridas em uma trama narrativa que especifica o sentido e a função. Os Salmos são dados ao fiel propriamente como texto de oração, que tem como único fim aquele de se tornar a oração de quem os assume e com eles se dirige a Deus. Porque são palavras de Deus, quem reza os Salmos fala a Deus com as palavras mesmas que Deus nos deu, dirige-se a Ele com as palavras que Ele mesmo nos dá. Assim, rezando os Salmos, aprende-se a rezar. São uma escola de oração.

Algo de análogo acontece quando a criança começa a falar, aprende a expressar as próprias sensações, emoções, necessidades com palavras que não lhe pertencem de modo inato, mas que elas aprendem com seus pais e aqueles que vivem ao seu redor. Aquilo que a criança quer expressar é a sua própria experiência, mas o meio expressivo é dos outros; elas pouco a pouco se apropriam desse meio, as palavras recebidas de seus pais tornam-se as suas palavras e através daquelas palavras aprendem também um modo de pensar e de sentir, acessam todo um mundo de conceitos, e nisso crescem, relacionam-se com a realidade, com os homens e com Deus. A língua dos seus pais torna-se então a sua língua, eles falam com palavras recebidas de outros que são então tornadas as suas palavras. Assim acontece com a oração dos Salmos. Esses nos são dados para que aprendamos a dirigir-nos a Deus, a nos comunicar com Ele, a falar com Ele sobre nós com as suas palavras, a encontrar uma linguagem para o encontro com Deus. E, através daquelas palavras, será possível também conhecer e acolher os critérios do seu agir, aproximar-se do mistério dos seus pensamentos e dos seus caminhos (cf. Is 55,8-9), a fim de crescer sempre mais na fé e no amor. Como as nossas palavras não são somente palavras, nas nos ensinam um modo real e conceitual, assim também essas orações ensinam-nos o coração de Deus, para que não somente possamos falar com Deus, mas possamos aprender quem é Deus e, aprendendo como falar com Ele, aprendamos o ser homem, a ser nós mesmos.

A esse propósito, parece significativo o título que a tradição hebraica deu ao Saltério. Ele chama-se tehillîm, um termo hebraico que quer dizer "louvores", daquela raiz verbal que encontramos na expressão "Halleluyah", isto é, literalmente: "louvado seja o Senhor". Esse livro de orações, portanto, também se tão multiforme e complexo, com os seus diversos gêneros literários e com a sua articulação entre louvor e súplica, é em última análise um livro de louvores, que ensina a dar graças, a celebrar a grandeza do dom de Deus, a reconhecer a beleza das suas obras e a glorificar o seu Nome santo. É essa a resposta mais adequada diante do manifestar-se do Senhor e da experiência da sua bondade. Ensinando-nos a rezar, os Salmos ensinam-nos que também na desolação, na dor, a presença de Deus permanece, é fonte de maravilha e de consolação; pode-se chorar, suplicar, interceder, lamentar-se, mas na consciência de que estamos caminho rumo à luz, onde o louvor poderá ser definitivo. Como ensina-nos o Salmo 36: "Em vós está a fonte da vida, e é na vossa luz que vemos a luz" (36,10).

Mas além do título geral do livro, a tradição hebraica colocou sobre muitos Salmos títulos específicos, atribuindo-os, na grande maioria, ao rei Davi. Figura de notável envergadura humana e teológica, Davi é personagem complexo, que atravessou as mais variadas experiências fundamentais do viver. Jovem pastor do rebanho eterno, passando por alternados e às vezes dramáticos acontecimentos, torna-se rei de Israel, pastor do povo de Deus. Homem de paz, combateu muitas guerras; incansável e tenaz buscador de Deus, traiu o amor, e isso é característico: sempre permaneceu buscador de Deus, ainda se muitas vezes gravemente pecou; humilde penitente, acolheu o perdão divino, também o castigo divino, e aceitou um destino marcado pela dor. Davi assim foi um rei, com todas as suas debilidades, "segundo o coração de Deus" (cf. 1Sam 13,14), isto é, um orante apaixonado, um homem que sabia o que significa dizer suplicar e louvar. A ligação dos Salmos com esse insigne rei de Israel é tão importante porque ele é figura messiânica, Ungido do Senhor, no qual está de algum modo ofuscado o mistério de Cristo.

Igualmente importantes e significativos são o modo e a franqueza com que as palavras dos Salmos são retomadas no Novo Testamento, assumindo e sublinhando aquele valor profético sugerido pela ligação do Saltério com a figura messiânica de Davi. No Senhor Jesus, que na sua vida terrena rezou com os Salmos, esses encontram o seu definitivo cumprimento e revelam o seu sentido mais pleno e profundo. As orações do Saltério, com que se fala a Deus, falam-nos d'Ele, falam-nos do Filho, imagem do Deus invisível (Col 1,15), que nos revelam plenamente o Rosto do Pai. O cristão, portanto, rezando os Salmos, reza ao Pai em Cristo e com Cristo, assumindo esses cantos em uma perspectiva nova, que tem no mistério pascal a sua última chave interpretativa. O horizonte do orante abre-se, assim, a realidades inesperadas, cada Salmo adquire uma luz nova em Cristo e o Saltério pode brilhar em toda a sua infinita riqueza.

Irmãos e irmãs caríssimos, tomemos portanto em mãos esse livro santo, deixemo-nos ensinar por Deus a dirigirmo-nos a Ele, façamos do Saltério um guia que nos auxilie e nos acompanhe cotidianamente no caminho da oração. E peçamos também nós, como os discípulos de Jesus, "Senhor, ensina-nos a rezar" (Lc 11,1), abrindo o coração para acolher a oração do Mestre, no qual todas as nossas orações chegam ao seu cumprimento. Assim, tornados filhos no Filho, poderemos falar com Deus chamando-O "Pai Nosso". Obrigado.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Homilia da Missa em celebração aos sessenta anos de ministério sacerdotal do Papa Bento XVI, uma hora de gratidão!

Amados irmãos e irmãs!           
 
"Non iam servos, sed amicos" - "Já não vos chamo servos, mas amigos" (cf. Jo 15, 15). Passados sessenta anos da minha Ordenação Sacerdotal, sinto ainda ressoar no meu íntimo estas palavras de Jesus, que o nosso grande Arcebispo, o Cardeal Faulhaber, com voz já um pouco fraca, mas firme, dirigiu a nós, novos sacerdotes, no final da cerimônia da Ordenação. Segundo o ordenamento litúrgico daquele tempo, esta proclamação significava então a explícita concessão aos novos sacerdotes do mandato de perdoar os pecados.  "Já não sois servos, mas amigos": eu sabia e sentia que esta não era, naquele momento, apenas uma frase "de cerimônia"; e que era mais do que uma mera citação da Sagrada Escritura. Estava certo disto: neste momento, Ele mesmo, o Senhor, di-la a mim de modo muito pessoal. No Batismo e na Confirmação, Ele já nos atraíra a Si, acolhera-nos na família de Deus. Mas o que estava a acontecer naquele momento ainda era algo mais. Ele chama-me amigo. Acolhe-me no círculo daqueles que receberam a sua palavra no Cenáculo; no círculo daqueles que Ele conhece de um modo muito particular e que chegam assim a conhecê-Lo de modo particular. Concede-me a faculdade, que quase amedronta, de fazer aquilo que só Ele, o Filho de Deus, pode legitimamente dizer e fazer: Eu te perdoo os teus pecados. Ele quer que eu – por seu mandato – possa pronunciar com o seu "Eu" uma palavra que não é meramente palavra mas ação que produz uma mudança no mais íntimo do ser. Sei que, por detrás de tais palavras, está a sua Paixão por nossa causa e em nosso favor. Sei que o perdão tem o seu preço: na sua Paixão, Ele desceu até ao fundo tenebroso e sórdido do nosso pecado. Desceu até à noite da nossa culpa, e só assim esta pode ser transformada. E, através do mandato de perdoar, Ele permite-me lançar um olhar ao abismo do homem e à grandeza do seu padecer por nós, homens, que me deixa intuir a grandeza do seu amor. Diz-me Ele em confidência: "Já não és servo, mas amigo". Ele confia-me as palavras da Consagração na Eucaristia. Ele considera-me capaz de anunciar a sua Palavra, de explicá-la retamente e de a levar aos homens de hoje. Ele entrega-Se a mim. "Já não sois servos, mas amigos": trata-se de uma afirmação que gera uma grande alegria interior mas ao mesmo tempo, na sua grandeza, pode fazer-nos sentir ao longo dos decênios calafrios com todas as experiências da própria fraqueza e da sua bondade inexaurível.

"Já não sois servos, mas amigos": nesta frase está encerrado o programa inteiro de uma vida sacerdotal. O que é verdadeiramente a amizade? Idem velle, idem nolle – querer as mesmas coisas e não querer as mesmas coisas: diziam os antigos. A amizade é uma comunhão do pensar e do querer. O Senhor não se cansa de nos dizer a mesma coisa: "Conheço os meus e os meus conhecem-Me" (cf. Jo 10, 14). O Pastor chama os seus pelo nome (cf. Jo 10, 3). Ele conhece-me por nome. Não sou um ser anônimo qualquer, na infinidade do universo. Conhece-me de modo muito pessoal. E eu? Conheço-O a Ele? A amizade que Ele me dedica pode apenas traduzir-se em que também eu O procure conhecer cada vez melhor; que eu, na Escritura, nos Sacramentos, no encontro da oração, na comunhão dos Santos, nas pessoas que se aproximam de mim mandadas por Ele, procure conhecer sempre mais a Ele próprio. A amizade não é apenas conhecimento; é sobretudo comunhão do querer. Significa que a minha vontade cresce rumo ao "sim" da adesão à d’Ele. De fato, a sua vontade não é uma vontade externa e alheia a mim mesmo, à qual mais ou menos voluntariamente me submeto ou então nem sequer me submeto. Não! Na amizade, a minha vontade, crescendo, une-se à d’Ele: a sua vontade torna-se a minha, e é precisamente assim que me torno de verdade eu mesmo. Além da comunhão de pensamento e de vontade, o Senhor menciona um terceiro e novo elemento: Ele dá a sua vida por nós (cf. Jo 15, 13; 10, 15). Senhor, ajudai-me a conhecer-Vos cada vez melhor! Ajudai-me a identificar-me cada vez mais com a vossa vontade! Ajudai-me a viver a minha existência, não para mim mesmo, mas a vivê-la juntamente convoco para os outros! Ajudai-me a tornar-me sempre mais vosso amigo!

Essa palavra de Jesus sobre a amizade situa-se no contexto do discurso sobre a videira. O Senhor relaciona a imagem da videira com uma tarefa dada aos discípulos: "Eu vos destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça" (Jo 15, 16). A primeira tarefa dada aos discípulos, aos amigos, é pôr-se a caminho – destinei, para que vades –, sair de si mesmos e ir ao encontro dos outros. A par dessa, podemos ouvir também a frase que o Ressuscitado dirige aos seus e que aparece na conclusão do Evangelho de Mateus: "Ide fazer discípulos de todas as nações…" (cf. Mt 28, 19). O Senhor exorta-nos a superar as fronteiras do ambiente onde vivemos e levar ao mundo dos outros o Evangelho, para que permeie tudo e, assim, o mundo se abra ao Reino de Deus. Isto pode trazer-nos à memória que o próprio Deus saiu de Si, abandonou a sua glória, para vir à nossa procura e trazer-nos a sua luz e o seu amor. Queremos seguir Deus que Se põe a caminho, vencendo a preguiça de permanecer cômodos em nós mesmos, para que Ele mesmo possa entrar no mundo.

Depois da palavra sobre o pôr-se a caminho, Jesus continua: dai fruto, um fruto que permaneça! Que fruto espera Ele de nós? Qual é o fruto que permanece? Sabemos que o fruto da videira são as uvas, com as quais depois se prepara o vinho. Por agora detenhamo-nos sobre esta imagem. Para que as uvas possam amadurecer e tornar-se boas, é preciso o sol mas também a chuva, o dia e a noite. Para que deem um vinho de qualidade, precisam de ser pisadas, há que aguardar com paciência a fermentação, tem-se de seguir com cuidadosa atenção os processos de maturação. Características do vinho de qualidade são não só a suavidade, mas também a riqueza das tonalidades, o variado aroma que se desenvolveu nos processos da maturação e da fermentação. E por acaso não constitui já tudo isto uma imagem da vida humana e, de modo muito particular, da nossa vida de sacerdotes? Precisamos do sol e da chuva, da serenidade e da dificuldade, das fases de purificação e de prova mas também dos tempos de caminho radioso com o Evangelho. Num olhar de retrospectiva, podemos agradecer a Deus por ambas as coisas: pelas dificuldades e pelas alegrias, pela horas escuras e pelas horas felizes. Em ambas reconhecemos a presença contínua do seu amor, que incessantemente nos conduz e sustenta.

Agora, porém, devemos interrogar-nos: de que gênero é o fruto que o Senhor espera de nós? O vinho é imagem do amor: este é o verdadeiro fruto que permanece, aquele que Deus quer de nós. Mas não esqueçamos que, no Antigo Testamento, o vinho que se espera das uvas boas é sobretudo imagem da justiça, que se desenvolve numa vida segundo a lei de Deus. E não digamos que esta é uma visão veterotestamentária, já superada. Não! Isto permanece sempre verdadeiro. O autêntico conteúdo da Lei, a sua summa, é o amor a Deus e ao próximo. Este duplo amor, porém, não é qualquer coisa simplesmente doce; traz consigo o peso da paciência, da humildade, da maturação na educação e assimilação da nossa vontade à vontade de Deus, à vontade de Jesus Cristo, o Amigo. Só deste modo, tornando verdadeiro e reto todo o nosso ser, é que o amor se torna também verdadeiro, só assim é um fruto maduro. A sua exigência intrínseca, ou seja, a fidelidade a Cristo e à sua Igreja requer sempre que se realize também no sofrimento. É precisamente assim que cresce a verdadeira alegria. No fundo, a essência do amor, do verdadeiro fruto, corresponde à palavra relativa ao pôr-se a caminho, ao ir: amor significa abandonar-se, dar-se; leva consigo o sinal da cruz. Neste contexto, disse uma vez Gregório Magno: Se tendeis para Deus, tende cuidado que não O alcanceis sozinhos (cf. H Ev 1, 6, 6: PL 76, 1097s). Trata-se de uma advertência que nós, sacerdotes, devemos ter intimamente presente cada dia.

Queridos amigos, talvez me tenha demorado demasiado com a recordação interior dos sessenta anos do meu ministério sacerdotal. Agora é tempo de pensar àquilo que é próprio deste momento.

Na solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, antes de mais nada dirijo a minha mais cordial saudação ao Patriarca Ecumênico Bartolomeu I e à Delegação por ele enviada, cuja aprazível visita na ocasião feliz da festa dos Santos Apóstolos Padroeiros de Roma vivamente agradeço. Saúdo também os Senhores Cardeais, os Irmãos no Episcopado, os Senhores Embaixadores e as autoridades civis, como também os sacerdotes, os colegas da minha Missa Nova, os religiosos e os fiéis leigos. A todos agradeço a presença e a oração.

Aos Arcebispos Metropolitanos nomeados depois da última festa dos grandes Apóstolos, será agora imposto o pálio. Este, que significa? Pode recordar-nos em primeiro lugar o jugo suave de Cristo que nos é colocado aos ombros (cf. Mt 11, 29-30). O jugo de Cristo coincide com a sua amizade. É um jugo de amizade e, consequentemente, um "jugo suave", mas por isso mesmo também um jugo que exige e plasma. É o jugo da sua vontade, que é uma vontade de verdade e de amor. Assim, para nós, é, sobretudo, o jugo de introduzir outros na amizade com Cristo e de estar à disposição dos outros, de cuidarmos deles como Pastores. E assim chegamos a um novo significado do pálio: este é tecido com a lã de cordeiros, que são benzidos na festa de Santa Inês. Deste modo recorda-nos o Pastor que Se tornou, Ele mesmo, Cordeiro por nosso amor. Recorda-nos Cristo que Se pôs a caminho pelos montes e descampados, aonde o seu cordeiro – a humanidade – se extraviara. Recorda-nos como Ele pôs o cordeiro, ou seja, a humanidade – a mim – aos seus ombros, para me trazer de regresso a casa. E assim nos recorda que, como Pastores ao seu serviço, devemos também nós carregar os outros, pô-los por assim dizer aos nossos ombros e levá-los a Cristo. Recorda-nos que podemos ser Pastores do seu rebanho, que continua sempre a ser d’Ele e não se torna nosso. Por fim, o pálio significa também, de modo muito concreto, a comunhão dos Pastores da Igreja com Pedro e com os seus sucessores: significa que devemos ser Pastores para a unidade e na unidade, e que só na unidade, de que Pedro é símbolo, guiamos verdadeiramente para Cristo.

Sessenta anos de ministério sacerdotal! Queridos amigos, talvez me tenha demorado demais nos pormenores. Mas, nesta hora, senti-me impelido a olhar para aquilo que caracterizou estes decênios. Senti-me impelido a dizer-vos – a todos os presbíteros e Bispos, mas também aos fiéis da Igreja – uma palavra de esperança e encorajamento; uma palavra, amadurecida na experiência, sobre o fato que o Senhor é bom. Mas esta é sobretudo uma hora de gratidão: gratidão ao Senhor pela amizade que me concedeu e que deseja conceder a todos nós. Gratidão às pessoas que me formaram e acompanharam. E, subjacente a tudo isto, a oração para que um dia o Senhor na sua bondade nos acolha e faça contemplar a sua glória. Amém.

Arraiá da Gratidão!

Bom dia!
Convidamos você, seus amigos e sua família para o nosso Arraiá!
Venha partilhar conosco esse momento e aproveitar a fogueira para aquecer seu coração com a alegria do Senhor!
Contamos com sua presença!


terça-feira, 28 de junho de 2011

Adoração na Paróquia Santíssimo Sacramento

Bom dia!

Nosso horário de adoração na Paróquia Santíssimo Sacramento, na 906 sul, é de hoje para amanhã, de 03h00 às 06h00.

Venha adorar conosco e agradecer ao Senhor as maravilhas realizadas nesse mês de junho!

Que o Senhor os abençoe!

"A adoração é a primeira atitude do homem que se reconhece criatura diante do seu Criador. Exalta a grandeza do Senhor que nos fez e a onipotência do Salvador que nos liberta do mal" (CIC § 2628)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O dia mais feliz de Joseph Ratzinger!

60 anos de ordenação, redescobrindo a beleza do sacerdócio

No próximo dia 29 de junho, Bento XVI recordará os 60 anos do “momento mais importante da minha vida” - segundo ele mesmo descreve -, sua ordenação sacerdotal, recebida da catedral de Frisinga, perto de Munique.
Ele recebeu o sacramento junto ao seu irmão mais velho, Georg, das mãos do cardeal Michael von Faulhaber, conhecido como grande opositor do nazismo. “Adsum”, “estou aqui”, foram as palavras que pronunciou em latim, diante de Deus e do povo, o jovem Joseph Ratzinger, aos 24 anos.
Nesta quarta-feira, a Igreja universal reviverá esse dia, mas o Papa não quer que seja um momento de exaltação da sua pessoa; ele espera que sirva para promover na Igreja o agradecimento a Deus pelo dom do sacerdócio e para pedir-lhe que suscite novas vocações.
Daquele esplêndido dia de verão, Joseph Ratzinger recorda um detalhe que para outros passou despercebido e que ele compartilha no livro “Minha vida” (Ed. Encuentro, 1997).
“Não se deve ser supersticioso – escreve em suas memórias –, mas, no momento em que o ancião arcebispo impôs suas mãos sobre as minhas, um passarinho se elevou do altar maior da catedral e entoou um breve canto gozoso; para mim, foi como se uma voz do alto me dissesse: 'Está bem assim, você está no caminho justo'.”
Foi nesses dias que Joseph Ratzinger descobriu o que o sacerdote significa para as pessoas.
“No dia da primeira Missa, fomos acolhidos em todos os lugares – também entre pessoas completamente desconhecidas –, com uma cordialidade que até aquele momento eu não poderia ter imaginado”, prossegue o Papa em suas memórias.
“Experimentei, assim, muito diretamente, quão grandes esperanças os homens colocavam em suas relações com o sacerdote, quanto esperavam sua bênção, que vem da força do sacramento. Não se tratava da minha pessoa nem da do meu irmão: o que poderiam significar, por si mesmos, dois irmãos como nós, para tanta gente que encontrávamos? Viam em nós pessoas às quais Cristo havia confiado uma tarefa para levar sua presença entre os homens; assim, justamente porque não éramos nós que estávamos no centro, nasciam tão rapidamente relações de amizade.”
(Re)descoberta do sacerdócio
Esta mesma (re)descoberta do sacerdócio, no âmbito universal, é o objetivo que Bento XVI apresenta ao celebrar seu aniversário de ordenação.
Neste contexto, o prefeito da Congregação para o Clero, cardeal Mauro Piacenza, enviou uma carta aos bispos do mundo para promover 60 horas de adoração eucarística pela santificação dos sacerdotes, pelas novas vocações e por Bento XVI.
No texto, assinado também pelo secretário da Congregação para o Clero, Dom Celso Morga Iruzubieta, explica-se que as horas de adoração eucarística dedicadas a esta intenção podem ser contínuas ou distribuir-se durante o mês de junho, e devem comprometer “especialmente os sacerdotes”.
“O cume deste percurso de oração poderia coincidir com a solenidade do Sagrado Coração de Jesus – dia de santificação sacerdotal – no próximo dia 1º de julho”, acrescenta a carta.
Com esta iniciativa, a Igreja pretende homenagear “o Pontífice com uma extraordinária coroa de orações e de unidade sobrenatural, capaz de mostrar o centro real da nossa vida, do qual surge todo esforço missionário e pastoral, assim como o autêntico rosto da Igreja e dos seus sacerdotes”.
(Jesús Colina), texto retirado do site ZENIT

Música da Semana!

Bom dia!
Que nessa semana o Senhor nos conceda a graça do desapego às coisas que ainda colocamos acima dele em nossas vidas. Que nós decidamos diariamente pelo Senhor e assumamos com ele um compromisso pela vida e pela verdade! Que também deixemos nosso coração se apaixonar pelo Senhor a ponto de perder nossa própria vida para nos encontrarmos com ele!
A paz! 

domingo, 26 de junho de 2011

Jesus é digno do amor maior!

É chegada a hora da missão! Nós, do mesmo modo que os primeiros discípulos de Jesus, tendo celebrado a Páscoa e Pentecostes, recebemos um mandato missionário. Jesus não quer improvisar esse nosso envio. Primeiramente ele nos instrui e nos prepara, nos forma para a importante, a mais importante meta da vida de batizados: oferecer aos contemporâneos o testemunho do Senhor. E há uma promessa para os que o fazem: "Todo aquele, portanto, que se declarar por mim diante dos homens, também eu me declararei por ele diante de meu Pai que está nos Céus" (Mt 10, 32).

O capítulo décimo do evangelho segundo Mateus nos apresenta o Discurso Missionário de Jesus. Em apenas um capítulo encontramos condensada a doutrina de Jesus a respeito da missão. Trata-se de uma realidade a ser vivida no amor aos outros, livre do apego a si mesmo. Ninguém vive como missionário se tem diante dos olhos os interesses pessoais. Ao contrário, os enviados pelo Senhor passam pela escola do despojamento em relação aos bens deste mundo: "Não leveis ouro, nem prata, nem cobre nos vossos cintos, nem alforje para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado". A escola do despojamento gera a confiança em Deus e nos irmãos: "...pois o operário é digno do seu sustento" (vv. 9-10).

E qual mensagem os missionários de Jesus devem anunciar? O próprio Senhor indica: "O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia: o que vos digo aos ouvidos, proclamai-o sobre os telhados" (v. 27). A Igreja - que existe para evangelizar - anuncia ao longo dos tempos a própria mensagem recebida do Mestre. Cada um dos filhos da Igreja, nela instruídos nas verdades do Cristo, é chamada a cooperar na obra da salvação de toda a humanidade.

Somente a partir de tal compreensão, podemos ouvir com razoável serenidade as palavras que Jesus nos dirige no evangelho deste 13° Domingo do Tempo Comum. Ele nos diz: "Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim. Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim" (v. 37). Caso o caminho da Vida nos coloque em uma situação de escolha entre as pessoas que mais amamos e Jesus, devemos permanecer unidos a ele. De fato, se o fizermos, estaremos indicando assim o mesmo caminho da Vida aos que amamos: pai e mão, irmãos, irmãs, esposo ou esposa, amigos e colegas. O amor maior por Jesus garante que nosso grande amor pelos nossos permanecerá sendo benéfico para eles, orientando os relacionamentos por estradas que conduzem às fontes da vida, da verdade e do bem.

Aliás, Jesus nos pede mais: a liberdade em relação à nossa própria vida: "Quem procura conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim vai encontrá-la" (v. 39). Libertos pelo amor a Cristo, tornamo-nos livres para a missão e fonte de benção, de recompensa para todos os que nos acolhem em suas vidas. Eis a garantia do Senhor: "Quem vos recebe a mim recebe"! (v. 40).




Dom Waldemar Passini Dalbello
Administrador Apostólico da Arquidiocese de Brasília
Texto retirado do folheto O Povo de Deus de 26/06/2011

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A Verdadeira Liberdade

O Senhor nos fez livres! Nos fez livres para amar, livres para viver no Amor! Para vivermos felizes no mundo que Ele criou para nós.

Desde muito antes de mim e de você, nossos primeiros pais, Adão e Eva, não souberam usar a liberdade que Deus nos deu. Quando Deus criou o mundo e o que há nele, criou o homem para tudo governar e cuidar. Em meio à criação divina, havia também uma árvore, a árvore do conhecimento do Bem e do Mal, a única árvore da qual o homem não poderia comer do fruto.

Muitos, por não conseguirem olhar para o seu próprio erro, questionam porque Deus criaria uma árvore com frutos proibidos de comer. Muitas respostas existem, para alguns, nenhuma delas será suficiente, para outros é suficiente dizer que só podemos amar plenamente a Deus se formos livres na submissão a Ele.

É o Amor a Deus e a submissão ao Amor de Deus que nos liberta de todas as prisões. Prisões interiores e exteriores, prisões materiais, físicas e espirituais. Quando somos submissos a Deus e nos deixamos por Ele ser amados, somos verdadeiramente LIVRES.

Liberdade que nos concede o dom da presença do próprio Deus em nós, que nos permite ver muito mais do que nossos olhos podem enxergar, ouvir mais do que nossos ouvidos são capazes de ouvir. Liberdade que alarga o nosso coração e nos faz ir além dos nossos limites até tocarmos o céu.

Liberdade interior que nos faz viver a Paz. A Paz de Deus! A Paz que garante que o nosso coração não se perturbe nem se atemorize. (Jo 14, 27)

Deus nos quer livres para que nada do que temos nos prenda ao mundo, mas para que tudo aquilo que somos deseje se prender livremente àquele que É o Princípio e o Fim de Tudo e nesse tudo estamos eu e você.

Que Nosso Senhor esteja contigo e em ti e te traga a Sua Paz. E que com a Sua Paz devolva a verdadeira liberdade ao teu coração.









Tuani Sampaio
Membro da Comunidade Gratidão

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Cantinho de Maria

Hoje, em nosso espaço dedicado à Virgem Santíssima, uma música cheia de gratidão para a Linda Maria!



Tuti é de Taguatinga e concorreu com essa música no Festival de Música e Cia da Pastoral da Música de Brasília

Espaço do Músico


Unção na música

Por mais que tenhamos técnica e tenhamos todos os recursos da ciência musical, se não tivermos unção não cumpriremos a missão que o Senhor nos dá, que é sermos ministros da música.

Encontramos no Segundo Livro das Crônicas, no capítulo 5, versículos 12 a 14, um relato impressionante do que é ministrar a música com poder. Na ocasião os cantores e tocadores preparavam a entrada da Arca de Deus no templo de Jerusalém, recém-constituído:“Todos os cantores levíticos, Asaf, Hemã, Jedutun, com os filhos e irmãos, lá estavam, vestidos de linho, levando címbalos, harpas e cítaras, do lado oriental do altar, junto com cento e vinte sacerdotes que tocavam trombetas. Quando todos unidos se puseram a tocar as trombetas e a cantar, ouvia-se como um único som, louvando e dando graças ao SENHOR. Ao som das trombetas, dos címbalos e dos instrumentos musicais cantou-se em honra do SENHOR: “Sim, ele é bom, eterno é seu amor”. Nesse momento o templo se encheu com a nuvem da glória do SENHOR,e os sacerdotes nem podiam continuar o ato litúrgico por causa da nuvem, pois a glória do SENHOR enchia a casa de Deus.”

Na passagem bíblica é citada três vezes a expressão “neste momento”. Foi exatamente no momento em que os tocadores e cantores se uniram para celebrar o louvor do Senhor que a casa de Deus se encheu com a glória d'Ele. Não foi em outro momento, mas no momento em que a música era executada, com unção, que a glória do Senhor entrou no recinto.

Quando o ministério de música se une com o intuito de ministrar a música para o louvor do Senhor, o poder e a glória do Todo-poderoso enchem os recintos e a música enche os lugares com a presença d'Ele. Se o ministério não se uniu com o objetivo de dar glória a Deus, a música não será ministrada com o poder do alto e não atrairá a glória de Deus. Ministério desunido não enche os lugares com a glória de Deus.É justamente este o papel do ministério de música: encher os lugares com a glória de Deus, atrair a glória do Senhor para os recintos, de modo que as pessoas sejam tocadas e tenham o coração convertido ao Senhor.Não é fácil saber quando o ministério de música está ungido, pois neste momento nossos sentidos se voltam para a glória do Senhor. Porém, é muito fácil verificar quando o ministério não está ungido, pois a música não convence, as pessoas ficam dispersas e desatentas. Quando falta unção na música, os sentidos dos ouvintes se voltam para o conjunto ou para o ministério e não para Deus.Para a música ser ministrada com unção ela precisa primeiro cair no coração de quem a executa e convencê-lo primeiro; é necessário que seja ministrada a música em primeiro lugar para si mesmo. É muito duro verificar que muitas pessoas nem prestam atenção ao que estão cantando, nem se preocupam com o que a letra está dizendo. Cantar sem colocar o coração, sem ministrar para si mesmo, é o que o sino da igrejinha faz: toca, toca, toca chamando o povo para a Santa Missa, mas ele não entra, fica de fora! (Trecho extraído do livro: "Formação espiritual de evangelizadores na música" de Roberto A. Tannus e Neusa A. de O.Tannus).

terça-feira, 21 de junho de 2011

Corpus Christi


Inverno: é preciso aprender a perder para ganhar!

Nem bem chegou o inverno e as amendoeiras de minha casa já forram o chão com as suas folhas secas e avermelhadas. Ela vai perder folha por folha até ficar totalmente vazia, seca e aparentemente morta, somente vão ficar os galhos, o tronco e a raiz. Todo dia, ou varias vezes por dia, temos que varrer as folhas secas da amendoeira. Não posso deixar de notar que ela insiste em dar alguns frutos, que também caem como que pecos. Justamente no inverno ela fica “nua”, vejo em meio ao feio e a sujeira de suas folhas a vontade de renovar-se, de jogar fora o velho, o que já passou o que não me serve mais. O desejo de libertar-se, de experimentar o novo, mesmo sofrendo o frio, mas sem medo de perder.
É necessário e ela não briga contra esse fenômeno natural, pois sabe que é preciso o inverno pra chegar ao verão. Na natureza o inverno é tempo de renovar a seiva, de firmar as raízes, que não se vêem, porque estão escondidas na profundidade da terra. O que ela tem de mais precioso se sujeita a estar enterrado. Inverno é tempo de espera, de podar os excessos, de matar as pragas, de alimentar-se com o que está dentro. Tempo em que as árvores e plantas revelam o belo do feio, a coragem de perder para poder florir e dar frutos depois no seu devido tempo. A natureza exercita a paciência, tempo em que o que cresce é aquilo que não se vê: as raízes.
No inverno também as águias mais velhas procuram o cume da montanha mais alta, para poder se desfazer de suas penas, de suas garras e até de seu bico. O cume da montanha a mantém livre dos predadores, justamente no tempo onde ela não tem nenhuma defesa, e sem o seu bico ela vai viver das reservas de energia que acumulou no verão. Como podemos ver a natureza não é tão cruel como se pensa, a águia precisa passar por tudo isso para sobreviver mais uns trinta anos e poder perpetuar a espécie com águias mais resistentes. Tempo em que os animais perdem a pele, como as cobras, tempo em que os ursos hibernam e dormindo vive de suas gorduras, a natureza foi feita para sofrer mudanças, neste tempo se renovam todas as coisas, para que surja a primavera com os dias claros e coloridos pelas flores, foi preciso passar por dias escuros e frios do inverno. Não acontece exatamente assim na nossa vida?
Perder não é fácil, mudar não é da noite para o dia, é preciso coragem pra encarar os dias frios e secos de nossa vida, dias de dor, de sofrimentos, de incompreensão, onde se manifestam as nossas fraquezas, dias de jogar fora o que é velho, seco e vazio, aquilo que não me serve mais e eu temo em segurar. É preciso aprender com a natureza, ela nos ensina a entender o nosso processo, a nossa mudança, o crescimento, para chegar à maturidade. Tempo de crescer as raízes, de alargar as fronteiras, de saber esperar, de respeitar o processo do outro, de varrer as folhas, de renovar por dento para florir por fora.
Em primeiro lugar é preciso aceitar o inverno, o frio, a chuva, a poda, como um processo natural de crescimento e se preparar para ele. Quem não sabe passar por isso, não conseguirá ver a beleza das cores da primavera, pois nela estão à prova da capacidade de fazer novas todas as coisas. Na natureza só existe uma vez por ano a estação do inverno, em nossas vidas há muitos invernos por ano, mas também a capacidade de ter muitas primaveras e muitos verões. É tempo de crescer, de renovar-se, de abandonar o homem velho, de perder as folhas secas do egoísmo, dos pecados, dos medos, dos ressentimentos, da solidão e do fechamento em si mesmo. A natureza não tem medo do novo, pois ela sobrevive de mudanças.
Bela estação, tempo de se expor como a amendoeira e de elevar-se como a águia. Nós fomos feitos para crescer, para florir e para dar muitos bons frutos, mas não existe maturidade sem crescimento, e o inverno que você possa estar vivendo é tempo de crescer muitas vezes sem que ninguém perceba, que por detrás da dor e do sofrimento da mudança está surgindo uma nova pessoa. Bom inverno para você!
A nossa vida se assemelha muito com as quatro estações do ano, é preciso colher o melhor de cada fase de nossa breve e intensa vida.
O Inverno iniciará às 14h16 do dia 21 de junho de 2011, informação CPTEC-IMPE.


Padre Luizinho
Comunidade Canção Nova