segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Música da Semana!

Boa tarde! 
Ontem celebramos o último domingo do mês missionário, mês em que o Senhor nos formou para sermos seus discípulos!
Desejamos à você nesta semana um coração disponível ao chamado do Senhor! Que aceitando sua verdade e lançando para fora toda hipocrisia, você possa dizer "aonde mandar eu irei, seu amor eu não posso ocultar"!
Que Nossa Senhora, aquela que soube em tudo dar seu sim a Deus, seja sua guia nesta semana!
Que Deus os abençoe!
A paz!

sábado, 29 de outubro de 2011

Catequese do Papa Bento XVI



Queridos irmãos e irmãs, 

(...)
Como cristãos, estamos convencidos de que a contribuição mais preciosa que podemos dar à causa da paz é aquela da oração. Por esse motivo, encontramo-nos hoje, como Igreja de Roma, juntamente com os peregrinos presentes na Urbe, na escuta da Palavra de Deus, para invocar com fé o dom da paz. O Senhor pode iluminar a nossa mente e os nossos corações e guiar-nos para sermos construtores da justiça e da reconciliação nas nossas realidades cotidianas e no mundo.   

No trecho do profeta Zacarias que escutamos há pouco, ressoou um anúncio pleno de esperança e de luz (cf. Zc 9, 10). Deus promete a salvação, convida a "exultar grandemente”, porque essa salvação se está por concretizar. Fala-se de um rei: "Eis que vem a ti o teu rei, justo e vitorioso" (v. 9), mas aquele que é anunciado não é um rei que se apresenta com o poder humano, a força das armas; não é um rei que domina com o poder político e militar; é um rei manso, que reina com humildade e suavidade frente a Deus e aos homens, um rei diferente dos grandes soberanos do mundo: "Ele é simples e vem montado num jumento, no potro de uma jumenta", diz o Profeta (ibidem). Ele manifesta-se montando o animal do povo simples, pobre, em contraste com os carros de guerra dos exércitos dos poderosos da terra. Antes, é um rei que fará desaparecer esses carros, quebrará os arcos de batalha, anunciará a paz das nações (cf. v. 10).        

Mas quem é esse rei de que fala o Profeta Zacarias? Andemos por um momento a Belém e escutemos novamente aquilo que o Anjo diz aos pastores que vigiavam à noite, guardando o próprio rebanho. O Anjo anuncia uma alegria que será de todo o povo, ligada a um pobre sinal: um menino envolto em faixas, colocado em uma manjedoura (cf.Lc 2,8-12). E a multidão celeste canta "Glória a Deus no mais alto dos céus e sobre a terra paz aos homens, que ele ama", aos homens de boa vontade (v. 14). O nascimento daquele menino, que é Jesus, traz um anúncio de paz para todo o mundo. Mas andemos também aos momentos finais da vida de Cristo, quando Ele entra em Jerusalém acolhido por uma multidão em festa. O anúncio do Profeta Zacarias do advento de um rei humilde e manso voltou à mente dos discípulos de Jesus de modo particular após os eventos da paixão, morte e ressurreição, do Mistério Pascal, quando retornaram com os olhos da fé àquele alegre ingresso do mestre na Cidade Santa. Ele monta um jumento, tomado emprestado (cf. Mt 21,2-7): não está sobre uma rica carruagem, não está em um cavalo como os grandes. Não entra em Jerusalém acompanhado de um poderoso exército de carros e cavaleiros. Ele é um rei pobre, o rei daqueles que são os pobres de Deus. No texto grego aparece o termo praeîs, que significa os mansos, os brandos; Jesus é o rei dos anawim, daqueles que têm o coração livre da ânsia do poder e riqueza material, da vontade e da busca de domínio sobre o outro. Jesus é o rei de quantos têm aquela liberdade interior que os torna capazes de superar a ganância, o egoísmo que está no mundo, e sabem que Deus somente é a sua riqueza. Jesus é rei pobre entre os pobres, brando entre aqueles que desejam ser brandos. Deste modo, Ele é o rei da paz, graças ao poder de Deus, que é o poder do bem, o poder do amor. É um rei que fará desaparecer os cavalos de batalha, que quebrará os arcos de guerra; um rei que realiza a paz sobre a Cruz, conjugando a terra e o céu e lançando uma ponte fraterna entre todos os homens. A Cruz é o novo arco da paz, sinal e instrumento de reconciliação, de perdão, de compreensão, sinal de que o amor é mais forte do que toda a violência e opressão, mais forte do que a morte: o mal se vence com o bem, com o amor.             

É esse o novo reino de paz em que Cristo é o rei; e é um reino que se estende por toda a terra. O Profeta Zacarias anuncia esse rei manso, pacífico, e diz: dominará "de mar a mar e desde o rio até as extremidades da terra" (Zc9,10). O reino que Cristo inaugura tem dimensões universais. O horizonte deste rei pobre, brando, não é aquele de um território, de um Estado, mas são os confins do mundo; para além de toda a barreira de raça, língua, cultura, Ele cria comunhão, cria unidade. E onde vemos realizar-se no hoje este anúncio? Na grande rede das comunidades eucarísticas que se estende sobre toda a terra ressurge a luminosa profecia de Zacarias. É um grande mosaico de comunidades, nas quais se torna presente o sacrifício de amor deste rei manso e pacífico; é o grande mosaico que constitui o "Reino de paz" de Jesus, de mar a mar e até os confins do mundo; é uma multidão de "ilhas da paz", que irradiam paz. Em todos os lugares, em cada realidade, cultura, das grandes cidades, com os seus palácios, até as pequenas cidades com suas humildes moradias, das poderosas catedrais às pequenas capelas, Ele vem, torna-se presente; e ao entrar em comunhão com Ele, também os homens são unidos entre si em um único corpo, superando divisões, rivalidades, rancores. O Senhor vem na Eucaristia para tolher-nos do nosso individualismo, dos nossos particularismos que excluem os outros, para formar-nos em um só corpo, um só reino de paz em um mundo dividido.    

Mas como podemos construir este reino de paz de que Cristo é o rei?
 O comando que Ele deixa aos seus Apóstolos e, através deles, a todos nós é: "Ide, pois, e fazei discípulos todos os povos [...] Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo" (Mt 28,19). Como Jesus, os mensageiros de paz do seu reino devem colocar-se a caminho, devem responder ao seu convite. Devem andar, mas não com o poder da guerra ou com a força do poder. No trecho do Evangelho que escutamos, Jesus convida setenta e dois discípulos à grande messe que é o mundo, convidando-os a rezar ao Senhor da messe para que não faltem operários na sua messe (cf. Lc 10,1-3); mas não lhes envia com meios poderosos, mas sim "como cordeiros em meio a lobos" (v. 3), sem bolsas, sacos ou sandálias (cf. v. 4). São João Crisóstomo, em uma das suas Homilias, comenta: "Enquanto formos cordeiros, venceremos, e, ainda que sejamos circundados por numerosos lobos, chegaremos a superá-los. Mas, se nos tornarmos lobos, seremos derrotados, porque estaremos privados do auxílio do pastor" (Homilia 33, 1: PG 57, 389).Os cristãos não devem nunca cair na tentação de se tornarem lobos entre os lobos; não é com o poder, com a força, com a violência que o reino de paz de Cristo se estende, mas com o dom de si, com o amor levado ao extremo, também com relação aos inimigos. Jesus não vence o mundo com a força das armas, mas com a força da Cruz, que é a verdadeira garantia da vitória. E isso tem como consequência, para quem deseja ser discípulo do Senhor, seu enviado, o estar pronto também para a paixão e o martírio, a perder a própria vida por Ele, para que, no mundo, triunfem o bem, o amor, a paz. É essa a condição para poder dizer, entrando em cada realidade: "Paz nesta casa" (Lc 10,5).          

Diante da Basílica de São Pedro, encontram-se duas grandes estátuas dos Santos Pedro e Paulo, facilmente identificáveis: São Pedro tem na mão as chaves, São Paulo, por sua vez, tem nas mãos uma espada. Para quem não conhece a história desse último, poderia pensar que se trate de um grande comandante que guiou poderosos exércitos e, com a espada, teria submetido povos e nações, procurando fama e riqueza com o sangue de outros. No entanto, é exatamente o contrário: a espada que tem entre as mãos é o instrumento com o qual Paulo foi condenado à morte, com o qual foi martirizado e derramado o seu sangue. A sua batalha não foi aquela da violência, da guerra, mas aquela do martírio por Cristo. A sua única arma foi exatamente o anúncio de "Jesus Cristo, e Cristo crucificado" (1Cor 2,2). A sua pregação não se baseou "na eloqüência persuasiva da sabedoria; era, antes, uma demonstração do Espírito e do poder divino" (v. 4). Dedicou sua vida a levar a mensagem de reconciliação e de paz do Evangelho, gastando toda a sua energia para fazê-lo ressoar até os confins da terra. E essa foi a sua força: não procurou uma vida tranquila, cômoda, distante das dificuldades, das contrariedades, mas se consumou pelo Evangelho, deu todo a si mesmo, sem reservas, e, assim, tornou-se o grande mensageiro da paz e da reconciliação de Cristo. A espada que São Paulo tem nas mãos também se refere ao poder da verdade, que muitas vezes pode ferir, pode fazer mal; o Apóstolo manteve-se fiel até o fim a esta verdade, a serviu, sofreu por ela, entregou a sua vida por ela. Essa mesma lógica vale também para nós, se desejamos ser portadores do reino de paz anunciado pelo Profeta Zacarias e realizado por Cristo: devemos estar dispostos a pagar pessoalmente, a sofrer em primeira pessoa a incompreensão, a rejeição, a perseguição. Não é a espada do conquistador que constrói a paz, mas a espada do sofredor, de quem sabe dar a própria vida.      

Queridos irmãos e irmãs, como cristãos, desejamos invocar de Deus o dom da paz, desejamos rezar para que Ele nos torne instrumentos da sua paz em um mundo ainda lacerado pelo ódio, por egoísmos, por guerras. Desejamos pedir-Lhe que o encontro de amanhã, em Assis, favoreça o diálogo entre pessoas de diversas pertenças religiosas e leve um raio de luz capaz de iluminar a mente e o coração de todos os homens, para que o rancor dê espaço ao perdão, a divisão à reconciliação, a violência à delicadeza, e, no mundo, reine a paz. Amém.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Adoração na Paróquia Santíssimo Sacramento

Na madrugada de hoje para amanhã (sexta para sábado), nós estaremos em vigília na Paróquia Santíssimo Sacramento, que fica na 606 sul.

Nosso horário é de 03h às 06h.

Venha conosco adorar ao Senhor e agradecê-lo pelo mês missionário!

Esperamos sua presença! Venha ter uma madrugada diferente com Jesus Sacramentado!

Youcat!

34 - O que deve fazer uma pessoa quando descobre Deus?


Quando uma pessoa descobre Deus, tem de O colocar no primeiro lugar de sua vida. Assim começa uma vida nova! Os cristãos conhecem-se por amarem até seus inimigos (222-227, 229).

Descobrir Deus significa saber que Ele me criou  e me quer, que em cada segundo me olha com amor, que abençoa a minha vida e a sustém, que tem nas Duas mãos o mundo e as pessoas, que espera por mim ansiosamente, que me quer preencher e aperfeiçoar, e fazer-me viver Consigo para sempre... enfim, que Ele está presente aqui, comigo. Não basta dizer que sim com a cabeça. Os cristãos tem de assumir o estilo de vida de Jesus.  


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

"Ser" ou "Ter" Coração Gratidão


Hoje me peguei pensando no símbolo da Gratidão e no que ele significa para mim no ser coração Gratidão.

Bem, começa com Jesus no centro. Jesus é o centro. Centro da vida, da Igreja, da minha existência e da minha doação. Ele tem que ser o centro de tudo e em todas as áreas.

Coração azul é um coração mariano. Que nasce também do amor à Maria e que muitas vezes chegou aqui porque foi chamado por ela.


Ser Gratidão é ter um coração mariano que ama Jesus loucamente. Que O adora no colo de Maria, como Maria. Que o ama não pelo que Ele faz ou realiza, mas porque sabe quem Ele é e, porque Ele é, ama-O como merece, adora-O como merece.

É um coração mariano que tem no seu íntimo Jesus, que é íntimo de Jesus, próximo, presença, "chegado" d'Ele. Se sente livre com Jesus, mas sabe quem Ele é e ao mesmo tempo que é íntimo é respeitoso. Não perde nunca a sacralidade nem a intimidade.

É azul porque é revestido pela proteção e aconchego de Maria. É cuidado por ela e sustentado e alimentado pela comunhão Eucarística.

É um coração aberto, aberto para acolher, aberto para receber, para deixar pessoas entrarem para conhecer Jesus, serem amadas e mostrar o quanto é bom ser de Deus.

É aberto porque não se fecha em si. Tem no seu interior a maior beleza. Tem no interior Aquele que contém todo o sabor e por isso é aberto a todos, para todos, cabe todos.

O coração é aberto porque quando se entra se expõe à luz da verdade. a luz de Jesus Eucarístico, e aí todas as trevas saem. Por isso as nossas maldades, pecados e inclinações são expostas, mas saem desse coração que só cabe amor. 

O coração é azul porque também tem um desejo muito ardente para o céu. Anseia, deseja, suspira pelo céu e isso se torna o seu objetivo principal porque sabe que sua Pátria é lá e tem o selo da Eucaristia no seu centro, que de forma inexplicável sabe que só será saciado lá. Daí, coração Gratidão é inquieto... não se contenta, tem que fazer mais, ser mais, buscar mais; ser tudo, ser nada, ser livre! Não se preenche com as coisas do mundo porque já é do céu e traça seu caminho para chegar lá.

É ser Igreja porque tem os dois pilares que só existem na Igreja Católica: Maria e a Eucaristia. Nisso, ama e defende a Igreja, pois sabe que nela se encontra toda a verdade e verdade plena. Ama e é Igreja, quer ser Igreja e não se contenta em não sê-lo plenamente. Defende, luta, ama, ajuda a construir e segue fielmente a Igreja Católica Apostólica Romana.
Tem no coração Jesus que é homem e Deus, se reconhece homem e sabe que Jesus sendo homem conhece a sua fragilidade e sabe o que você passa. Deus, que também te chama à santidade. Assim, você sabe que pode buscar ser santo, já que Ele pede para amarmos como Ele amou.

Ser Gratidão é ter um coração louco, bobo, apaixonado, mas que não aceita qualquer coisa porque sabe que tem a coisa mais pura no seu centro e não pode correr o risco de misturá-la com coisas que não sejam puras. E faz tudo isso não porque seja obrigado, mas porque ama e cuida do seu maior tesouro.

É um coração gratuito que sabe que precisa de muita coisa, mas que quer abrir mão disso para se dar de graça, retribuindo a um amor tão gratuito e imenso de Deus.

É um coração que cabe muitas pessoas, que é aberto para que elas fiquem se quiserem, e que chora se elas se vão, mas não se perde porque seu foco e centro é Jesus. É um coração azul, mariano, porque como Maria acolhe e ama e, mesmo quando é desprezado, não deixa de cumprir sua missão e seu sim diante desse mesmo desprezo dos homens.

Ah, coração Gratidão, pulsa aqui dentro, vem bater em meu peito. Aqui te cabe, mesmo que você pese uma tonelada eu te carrego, eu dou conta. Pula aqui, eu te sustento e, mesmo que eu não dê conta, porque Gratidão tu és grande demais, os outros me ajudarão.

Vem Gratidão, eu te abraço e te abraçando não sei se sou eu que te carrego ou se é você que me carrega com meu peso.

Ah, coração Gratidão, bate aqui em meu peito. A casca é fraca, frágil, mas se tu estiveres aqui saberei que contenho em meu peito toda a fortaleza que preciso, posso ir longe, ser o que Deus sonhou para mim.

Ah, coração Gratidão, bate aqui em meu peito, pois te amo e acho que fui feita para ti.
 


Sâmia Alencar
Membro da Comunidade Gratidão

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Música da Semana!

Bom dia!
Nesta última semana do mês das missões desejamos à você que se coloque a serviço do Pai, sabendo que a maior das missões é o amor a Deus - de todo o coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento - e ao próximo - como a ti mesmo! 
Assim, amando a Deus e ao próximo, você espalhe a Palavra de Deus a todos a seu redor, testemunhando que a verdadeira alegria vem do Senhor e que não vale a pena perder tempo com outras coisas senão com a realização da vontade do Pai em sua vida!
Tenha uma ótima semana e se coloque a disposição do Senhor!
A paz!


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Perfumes de São Pio

O Santo silêncio nos permite ouvir mais claramente a voz de Deus!

Resigna-te a ser neste momento uma pequena abelha. E enquanto esperas ser uma grande abelha, ágil, hábil, capaz de fabricar bom mel, humilha-te com muito amor perante Deus e os homens, pois Deus fala aos que se mantém diante dele humildemente.

Quanto mais se deixares enraizar na humildade, tanto mais íntima será a tua comunicação com Deus.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Barzinho com Jesus

Você não pode perder!!!!!!



Catequese do Papa Bento XVI sobre o salmo 136


Queridos irmãos e irmãs,

hoje, gostaria de meditar convosco um Salmo que resume toda a história de que o Antigo Testamento nos dá testemunho. Trata-se de um grande hino de louvor, que celebra o Senhor nas múltiplas e repetidas manifestações da sua bondade ao longo da história dos homens; é o Salmo 136 – ou 135, segundo a tradição greco-latina.

Solene oração de ação de graças, conhecida como o "Grande Hallel", este Salmo é cantado tradicionalmente no final da ceia pascal judaica e foi, provavelmente, também rezado por Jesus na última Páscoa celebrada com seus discípulos; a isso, parece de fato aludir a anotação dos Evangelistas: "Depois de terem cantado o hino, foram para o Monte das Oliveiras" (Mt 26, 30; Mc 14, 26). O horizonte do louvor ilumina, assim, o difícil caminho para o Gólgota. Todo o Salmo 136 executa-se na forma de ladainha, cantada por repetição antifonal "porque o seu amor é para sempre". Ao longo do poema, são enumeradas as muitas maravilhas de Deus na história humana e as suas intervenções em curso em favor de seu povo; e a cada proclamação da ação salvífica do Senhor responde a antífona com a motivação fundamental do louvor: o amor eterno de Deus, um amor que, de acordo com o termo hebraico utilizado, implica fidelidade, misericórdia, bondade, graça, ternura. É esse o motivo unificador de todo o Salmo, repetido de forma sempre gradual, enquanto mudam as suas manifestações pontuais e paradigmáticos: a criação, a libertação do Êxodo, o dom da terra, a ajuda providente e constante do Senhor com relação a seu povo e toda a criatura.

Após um tríplice convite a dar graças a Deus soberano (vv. 1-3), celebra-se o Senhor como Aquele que faz "grandes maravilhas" (v. 4), a primeira das quais é a criação: os céus, a terra , as estrelas (vv. 5-9). O mundo criado não é um simples cenário em que se insere o agir salvífico de Deus, mas é o início mesmo desse agir maravilhoso. Com a criação, o Senhor se manifesta em toda a sua bondade e beleza, compromete-se com a vida, revelando um desejo pelo bem do qual surge cada um dos outros atos de salvação. E, em nosso Salmo, ecoando o primeiro capítulo doGênesis, o mundo criado é sintetizado em seus principais elementos, com particular ênfase nos astros, no sol, na lua, nas estrelas, criaturas magníficas que governam o dia e a noite. Não se fala aqui da criação do ser humano, mas ele está sempre presente; o sol e a lua existem para ele – para o homem –, para marcar o tempo do homem, colocando-o em relação com o Criador, sobretudo através da indicação dos tempos litúrgicos.

E é exatamente a festa da Páscoa que é evocada logo após, quando, passando pela manifestação de Deus na história, começa com o grande acontecimento da libertação da escravidão egípcia, do Êxodo, traçado em seus elementos mais significativos: a libertação do Egito com a praga dos primogênitos egípcios, a saída do Egito, a passagem do Mar Vermelho, o caminho no deserto até a entrada na Terra Prometida (vv. 10-20). Estamos no momento original na história de Israel. Deus interveio poderosamente para levar o seu povo à liberdade; através de Moisés, seu enviado, impôs-se ao Faraó, revelando-se em toda a sua grandeza, e, finalmente, quebrou a resistência dos egípcios com o terrível flagelo da morte dos primogênitos. Assim, Israel pode deixar o país da escravidão, com o ouro dos seus opressores (cf. Ex 12,35-36), "de cabeça erguida" (Ex 14, 8), regozijando-se no sinal da vitória. Também no Mar Vermelho o Senhor age com misericordioso poder. Frente a um Israel amedrontado por ver os egípcios que os perseguem, a ponto de se arrependerem de terem deixado o Egito (cf. Ex 14,10-12), Deus, como diz o Salmo, "dividiu o Mar Vermelho em duas partes [...],fez passar Israel em seu meio [...] e derrubou o Faraó e seu exército" (vv. 13-15). A imagem do Mar Vermelho "dividido" em dois parece evocar a ideia do mar como um grande monstro que é cortado em dois pedaços e, assim, torna-se inócuo. O poder do Senhor vence a periculosidade das forças da natureza e daquelas militares, colocadas em campo pelos homens: o mar, que parecia barrar o caminho para o povo de Deus, deixa passar Israel a pé enxuto, e, em seguida, fecha-se sobre os egípcios abatidos. "A mão poderosa e braço estendido" do Senhor (cf. Dt 5,15, 7,19, 26,8) mostram-se assim em toda a sua força salvífica: o injusto opressor foi vencido, engolido pelas águas, enquanto o povo de Deus "passa" para continuar sua jornada para a liberdade.

A esse caminho faz, agora, referência o nosso Salmo, recordando com uma frase brevíssima o longo peregrinar de Israel até a terra prometida: "Conduziu seu povo no deserto, porque o seu amor é para sempre" (v. 16). Essas poucas palavras contêm uma experiência de quarenta anos, um tempo decisivo para Israel, que, deixando-se guiar pelo Senhor, aprende a viver na fé, na obediência e na docilidade à lei de Deus. São anos difíceis, marcados pela dureza da vida no deserto, mas também anos felizes, de confiança no Senhor, de confiança filial; é o tempo da "juventude", como o define o profeta Jeremias falando a Israel, em nome do Senhor, com expressões cheias de ternura e nostalgia: "Lembro-me de tua afeição quando eras jovem, de teu amor de noivado, no tempo em que me seguias ao deserto, à terra sem sementeiras" (Jr 2, 2). O Senhor, como o pastor do Salmo 23 que contemplamos em uma catequese, por quarenta anos guiou o seu povo, educou-o e amou-o, conduzindo-o para a terra prometida, vencendo também as resistências e a hostilidade dos povos inimigos que queriam obstruir o caminho da salvação (cf. vv. 17-20).

No desenrolar das "grandes maravilhas" que o nosso Salmo enumera, chega-se assim ao momento do dom conclusivo, no cumprimento da promessa divina feita aos Padres: "Deu a sua terra por herança, porque p seu amor é para sempre; em herança a Israel, seu servo, porque o seu amor é para sempre" (vv. 21-22). Na celebração do amor eterno do Senhor, faz-se agora uma memória do dom da terra, um presente que o povo deve receber sem nunca apossar-se dela, vivendo continuamente em uma atitude de aceitação agradecida e grata. Israel recebe o território em que habitar como "herança", um termo que designa de modo genérico a posse de um bem recebido de outro, um direito de propriedade que, especificamente, faz referência ao patrimônio paterno. Uma das prerrogativas de Deus é a de "dar"; e agora, no final do caminho do Êxodo, Israel, destinatário do dom, como um filho, entra na terra da promessa cumprida. Terminou o tempo da peregrinação sob as tendas, numa vida marcada pela precariedade. Agora, começou o tempo feliz da estabilidade, da alegria de construir as casas, de plantar as vinhas, de viver em segurança (cf. Dt 8,7-13). Mas é também o tempo da tentação idolátrica, da contaminação com os pagãos, da autossuficiência que faz esquecer a Origem do dom. Por isso, o Salmista menciona a humilhação e os inimigos, uma realidade da morte em que o Senhor, mais uma vez, revela-se como Salvador: "Na nossa angústia, recordou-se de nós, porque o seu amor é para sempre; libertou-nos dos nossos adversários, porque o seu amor é para sempre" (vv. 23-24). 

Neste ponto surge a pergunta: como podemos fazer deste Salmo uma oração nossa, como podemos apropriar-nos, para a nossa oração, deste Salmo? Importante é a estrutura do Salmo, no início e no fim: a criação. Voltaremos a este ponto: a criação como grande dom de Deus do qual vivemos, no qual Ele se revela em sua bondade e grandeza. Portanto, ter presente a criação como dom de Deus é um ponto comum para todos nós.Depois segue a história da salvação. Naturalmente, nós podemos dizer: essa libertação do Egito, o tempo do deserto, a entrada na Terra Santa e, em seguida, os outros problemas, que estão muito longe de nós, não são a nossa história.Mas devemos estar atentos à estrutura fundamental desta oração. A estrutura fundamental é que Israel recorda-se da bondade do Senhor. Nessa história, há muitos vales escuros, há muitas passagens de dificuldade e morte, mas Israel recorda-se de que Deus era bom e, então, consegue sobreviver neste vale escuro, neste vale da morte, porque se recorda do Senhor. Israel tem a memória da bondade do Senhor, de seu poder; sua misericórdia é para sempre. E isso é importante também para nós: ter uma memória da bondade do Senhor. A memória torna-se uma força de esperança. A memória nos diz: Deus existe, Deus é bom, eterna é a sua misericórdia. E assim a memória abre, mesmo na escuridão de um dia, de um período, a estrada para o futuro: é luz e estrela que nos guia. Também nós temos uma memória do bem, do amor misericordioso, eterno de Deus. A história de Israel já é uma memória também para nós, como Deus se mostrou e criou seu próprio povo. Depois, Deus se fez homem, um de nós: viveu conosco, sofreu conosco, morreu por nós. Permanece conosco no Sacramento e na Palavra. É uma história, uma memória da bondade de Deus, que nos assegura a sua bondade: o seu amor é eterno. E, depois, também nestes dois mil anos da história da Igreja, existe sempre, de novo, a bondade do Senhor. Após o período obscuro da perseguição nazista e comunista, Deus libertou-nos, mostrou-nos que é bom, que tem força, que a sua misericórdia é para sempre. E, como na história comum, coletiva, está presente esta memória da bondade de Deus, essa ajuda-nos, torna-se uma estrela de esperança, ainda que cada um tenha a sua história pessoal de salvação, e devemos realmente valorizar essa história, ter sempre a memória das grandes coisas que Ele fez na nossa vida, para ter confiança: a sua misericórdia é eterna. E se, hoje, estamos na noite escura, amanhã Ele nos liberta, porque a sua misericórdia é eterna. 

Retornemos ao Salmo, porque, no final, ele retorna à criação. O Senhor – assim diz – "dá alimento a toda a carne, porque o seu amor é para sempre" (v. 25). A oração do Salmo conclui-se com um convite ao louvor: "Dai graças ao Deus dos céus, porque o seu amor é para sempre". O Senhor é Pai bom e providente, que dá herança aos seus filhos e dá a todos o alimento para viver. O Deus que criou os céus e a terra e os grandes luminares celestes, que entra na história humana para trazer a salvação para todos os seus filhos, é o Deus que preenche o universo com a sua presença de bem, cuidando de nossa vida e dando-nos o pão. O poder invisível do Criador e Senhor cantado no Salmo revela-se na pequena visibilidade do pão que nos dá, com o qual nos faz viver. E assim esse pão de cada dia simboliza e sintetiza o amor de Deus como Pai, e abre-nos para o cumprimento do Novo Testamento, aquele "pão da vida", a Eucaristia, que nos acompanha na nossa existência de crentes, antecipando a alegria definitiva do banquete messiânico no céu.

Irmãos e irmãs, o louvor benedicente do Salmo 136 fez-nos reconstituir as etapas mais importantes da história da salvação, até chegar ao mistério pascal, em que a ação salvífica de Deus atinge o seu ápice. Com alegria, celebremos, portanto, o Criador, Salvador e Pai fiel, que "amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16). Na plenitude dos tempos, o Filho de Deus se fez homem para dar a sua vida pela salvação de cada um de nós, e dá-se como pão no mistério eucarístico para fazer-nos entrar na sua aliança, que nos torna filhos. A esse ponto chega a bondade misericordiosa de Deus e a sublimidade do seu "amor para sempre". 

Quero, por isso, concluir esta Catequese fazendo minhas as palavras que São João escreve em sua Primeira Carta e que deveremos sempre manter presentes na nossa oração: "Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato" (I Jo 3, 1). Obrigado.

Youcat!

Estudai o catecismo! 
Este é o desejo do meu coração.
Estudai o catecismo com paixão e perseverança! Para isso, sacrificai tempo! 
Estudai-o no silêncio do vosso quarto, lede-o enquanto casal se estiverdes a namorar, formai grupos de estudo e redes sociais, partilhai-o entre vós na internet!
Tendes que saber em que credes. Tendes de estar enraizados na fé ainda mais profundamente que a geração de vossos pais, para enfrentar os desafios e as tentações deste tempo com força e determinação!

Assim, o Papa Bento XVI nos apresenta o Youcat, o catecismo jovem da Igreja Católica! Em obediência e amor ao Santo Padre partilharemos com você por aqui alguns trechos dessa novidade. E, para começar, você sabe o que é a vida eterna?

A Vida Eterna começa no batismo. Atravessa a morte e não tem fim. [1020]
Quando estamos apaixonados, não queremos que isso termine. "Deus é amor", diz-nos a Primeira carta de São João ( I Jo 4,16). "O amor"como diz a primeira carta de São Paulo aos Coríntios, "nunca termina"  (I Cor 13,8). Deus é eterno, porque Ele é amor; e o amor é eterno, porque é divino. Quando estamos no amor, entramos na infinda presença de Deus (156)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ao doce Jesus


A minha vida está escondida em Ti e eu ainda me perco a me procurar em outros lugares, em outras pessoas.

Desejo aprisionar-Te, Amado Jesus, em meu coração e tê-Lo só para mim, mas em minhas tentativas é o Senhor quem me aprisiona e me faz toda sua.

Minha alma reluta e de Ti, às vezes, tenta escapar, mas já foi tão envolta por Teu Amor incansável que se cansa de contra Ti lutar.

Em minha cruz tento recriá-Lo, em meus pensamentos diminuir suas intenções de amor; em vão. O Senhor é quem me cria, recria, faz e refaz cada vez mais semelhante a Ti.

Tem horas que Te sinto tão próximo, minha alma unida plenamente a Ti, que alegria! E tão logo sinto que se vais que já não O ouço, não O sinto, não O vejo. Quando estás perto estou em mim, quando se afastas, minhas alma desfalece, e pereço em vida.

De repente retornas e se aproxima com todo o Amor, Deus imprevisível que me mantém ansiosa a espera dos seus novos passos em direção a mim.

Sondas os meus pensamentos e a mim És tão insondável. Não me canso de ser surpreendida por teus carinhos, por teu chamado. Teu olhar me acompanha, Teu olhar me apaixona, Teu olhar me seduz, Teu olhar me conduz.

Novo dia, novos passos, novo ritmo. Espero em Ti que tem pressa, pressa por minha resposta, pressa de Gratidão, pressa de intimidade.

Meu caminhar em Ti é seguro, é certo, mesmo que aos outros pareça incerto.

Mesmo que tenhas pressa, Senhor, não se canse de me esperar, eu vou logo, estou chegando, vou Te alcançar. 


Tuani Sampaio
Membro da Comunidade Gratidão

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ano da Fé: Vaticano divulga Carta Apostólica de Bento XVI

O Vaticano divulgou a Carta Apostólica com a qual o Papa Bento XVI proclama o Ano da Fé. O documento, intiulado Porta Fidei - A porta da Fé, foi assinado pelo Pontífice em 11 de outubro, mas foi divulgado na manhã desta segunda-feira, 17.



"A PORTA DA FÉ, que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma", indica o Santo Padre no início do texto.

O Ano da Fé iniciará em 11 de outubro de 2012, no 50º aniversário de abertura do Concílio Vaticano II, e terminará em 24 de novembro de 2013, Solenidade de Cristo Rei do Universo. "Será um momento de graça e de empenho para uma sempre mais plena conversão a Deus, para reforçar a nossa fé n'Ele e para anunciá-Lo com alegria ao homem do nosso tempo", explicou o Papa neste domingo, 16, na Basílica Vaticana.

Bento XVI salienta que atravessar a porta da fé é embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira. "Este caminho tem início com o Batismo, pelo qual podemos dirigir-nos a Deus com o nome de Pai, e está concluído com a passagem através da morte para a vida eterna", indica.

Fonte: Canção Nova

Música da semana!

Bom dia!
Nesta nova semana que se inicia, desejamos que você tenha a certeza do chamado à santidade que Deus faz à você, porque, como escrito na 2ª leitura de ontem: "Sabemos, irmãos amados por Deus, que sois do número dos escolhidos. Porque o nosso evangelho não chegou até vós somente por palavras, mas também mediante a força que é o Espírito Santo; e isso com toda a abundância" (Ts 1, 4-5).
E porque Ele nos envia o Espírito e nos concede ainda tantas graças é que nós devemos dar a Deus o que o pertence, ou seja, nossa própria vida entregue como forma de reconhecimento, de gratidão! Assim, entregando a Deus e não ao mundo os nossos tesouros, cantemos com nossa vida: Viver pra mim é Cristo!
A paz!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Perfumes de São Pio

Pobres e desventuradas daquelas almas que se lançam no turbilhão das preocupações terrenas. Quanto mais amam o mundo, mais se multiplicam suas paixões, se acendem seus desejos, se encontram incapazes de realizar seus projetos. Daí nascem as inquietudes, as impaciências, os impactos terríveis que partem seus corações, os quais não palpitam de caridade e de santo amor.
Oremos por estas almas desgraçadas, miseráveis, e peçamos que Jesus as perdoe e as leve para si mesmo com sua infinita Misericórdia. 

Permaneça sempre e alegremente em paz com tua consciência, pensando que estás a serviço de um Pai infinitamente bom, que tão somente por ternura se abaixa até sua criatura para elevá-la e transformá-la Nele, criador seu. E longe da tristeza, porque esta entra nos corações que estão apegados as coisas do mundo.

Não há de perder o valor se na sua alma existe o contínuo esforço de melhorar, no final, o Senhor a premia fazendo florecer nela, de repente, todas as virtudes, como um jardim florido. 

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Catequese do Papa sobre o salmo 126


Caros irmãos e irmãs,

Nas catequeses precedentes meditamos sobre alguns salmos de lamento e de confiança. Hoje gostaria de refletir convosco sobre um salmo festivo, uma oração que, na alegria, canta as maravilhas de Deus. É o salmo 126, que segundo a numeração greco latina é o 125, o qual celebra as grandes coisas que o Senhor realizou com seu povo e que continuamente realiza com cada fiel.

O salmista, em nome de todo israel, inicia a sua oração recordando a experiência exultante da salvação:

"Quando o Senhor restabeleceu a sorte de Sion, parecia que estávamos sonhando. Então a nossa boca se enche de sorriso, a nossa língua de alegria (v. 1-2a)

O salmo fala de uma "sorte restabelecida", isto é, restituída ao estado original, em toda a sua precedente positividade. Se parte, isto é, de uma situação de sofrimento e de necessidade, à qual Deus responde operando salvação e reconduzindo ao orante a condição de antes, sendo que mais enriquecida e transformada em algo melhor. É isto que acontece com Jó, quando o Senhor lhe dá novamente tudo o que havia perdido, dobrando e enlarguecendo uma benção ainda maior e é isto que experimentou o povo de Israel retornando à pátria depois do exílio babilônico. É exatamente em referência ao fim da deportação em terra estrangeira que vem interpretado este salmo: a expressão "restabelecer a sorte de Sião" é lida e compreendida pela tradição como um fazer retornar os prisioneiros de Sião. De fato, o retorno do exílio é paradigma de toda intervenção divina de salvação porque a queda de Jerusalém e a deportação à Babilônia foram uma experiência devastante para o povo eleito, não somente no âmbito político e social, mas também e sobretudo no âmbito religioso e espiritual.

A perda da terra, o fim da monarquia davídica e a destruição do Templo aparecem como uma não realização das promessas divinas, e o povo da aliança, disperso entre os pagãos, se interroga dolorosamente sobre Deus que parece tê-lo abandonado. Por isto, no final da deportação e do retorno à Pátria, foi experimentado um maravilhoso retorno à fé, à confiança. à comunhão com o Senhor, é um "restabelecimento da sorte" que implica também conversão de coração, perdão, retorno da amizade com Deus, consciência da sua misericórdia e renovada possibilidade de louvá-lo. Se trata de uma experiência de alegria transbordante, de sorrisos e grito de júbilo, experiência esta tão bela que parece até um sonho. As intervenções divinas tem frequentemente formas inesperadas, que vão além daquilo que o homem pode imaginar; eis então a maravilha e a alegria que se exprimem no louvor: "O Senhor fez grandes coisas". É o que dizem as nações e é o que proclama Israel:

"Entre os pagãos se dizia: 'O Senhor fez por eles grandes coisas'.
Sim, o Senhor fez por nós grandes coisas. Ficamos exultantes de alegria! (v 2b-3)

Caros irmãos e irmãs, na nossa oração devemos olhar mais frequentemente, como nas situações da nossa vida, o Senhor nos protegeu, guiou, ajudou e depois disso, louvá-lo por tudo o que Ele fez por nós. Devemos ser mais atentos às coisas boas que o Senhor nos dá. Somos sempre atentos aos problemas, às dificuldades e quase não queremos perceber que existem coisas belas que vêm do Senhor. Esta atenção, que se torna gratidão, é muito importante para nós e nos cria uma memória de bem que nos ajuda também nos momentos de escuridão. Deus cumpre grandes coisas, e quem faz a experiência disto, atento à bondade do Senhor com atenção de coração, é repleto de alegria. Sobre esta citação festiva se conclui a primeira parte do Salmo. Ser salvos e retornar à Pátria do exílio é como retornar à vida: a libertação abre o sorriso, mas juntamente com uma espera de cumprimento que ainda se deseja e se pede. É esta a segunda parte do nosso salmo que diz assim:

"Restabelece-nos Senhor a nossa sorte, como as torrentes no deserto do Sul. Os que semeiam entre lágrimas, recolherão com alegria. Na ida, caminham chorando, os que levam a semente a espargir. Na volta, virão com alegria, quando trouxerem seus feixes" (v 4-6)

Se no início da sua oração, o Salmista celebrava a alegria de uma vez por todas restabelecida pelo Senhor, agora, ao contrário, a pede como se fosse algo a ser realizado. Se aplicamos este Salmo ao retorno do exílio, esta aparente contradição se explicaria com a experiência histórica, feita por Israel, de um retorno difícil e parcial à pátria, que induz o orante a solicitar uma outra intervenção divina para levar à plenitude a restauração do povo.

Mas o salmo vai além de um dado puramente histórico, para abrir-se a uma dimensão mais ampla, de tipo teológica. A experiência consolante da libertação da Babilônia é portanto ainda incompleta, já "realizada", mas não "ainda" marcada pela plenitude definitiva. Assim, enquanto que na alegria se celebra a salvação recebida, a oração se abre à espera da realização plena. Por isto, o Salmo utiliza imagens particulares, que, com as suas complexidades próprias, levam à realidade misteriosa da redenção, na qual se entrelaçam dons recebidos e ainda esperados, vida e morte, alegria sonhadora e lagrimas penosas. A primeira imagem faz referência às vias secas do deserto do sul, que com as chuvas se enchem de água impetuosa que dá novamente vida ao terreno árido e o faz reflorescer. O pedido do Salmista é portanto que o restabelecimento da sorte do povo e o retorno do exílio sejam como aquela água, torrencial e abundante, a qual é capaz de transformar o deserto em uma imenso local de erva verde e de flores.

A segunda imagem transfere das colinas áridas e rochosas do Neghev aos campos que os agricultores cultivavam para tirar o alimento. Para falar de salvação, se faz alusão aqui à experiência que todo ano se renova no mundo agrícola: o momento difícil e desgastante do plantio e a alegria da colheita. O semear que é acompanhado pelas lágrimas, porque se joga aquilo que poderia ainda se torna pão, expondo-se a uma espera plena de incertezas: o agricultor trabalha, prepara o terreno, lança a semente, mas, como ilustra bem a parábola do semeador, não sabe onde esta semente cairá, se os pássaros a comerão, se esta se difundirá, se criará raízes, se tornará uma espiga. Jogar a semente é um gesto de confiança e esperança, é necessário o trabalho do homem, mas depois se deve entrar em uma espera impotente, bem sabendo que muitos fatores serão determinantes para o bom êxito da colheita e que o risco de perda é sempre provável. Mesmo assim, ano após ano, o agricultor repete o seu gesto e joga a sua semente.E quando esta se torna espiga e os campos se enchem de ramos, eis a alegria de quem está diante de um prodígio extraordinário. Jesus conhecia bem esta experiência  e falava disto com os seus: "O reino de Deus é como um homem que lança sua semente sobre o terreno. Dorme, levanta-se de noite ou de dia e a semente brota e cresce, sem ele perceber. (Mar 4,26-27). É o mistério escondido da vida, são as maravilhosas grandes coisas da salvação que o Senhor realiza na história dos homens, os quais os homens não sabem o segredo. A intervenção divina, quando se manifesta em plenitude, mostra uma dimensão imensurável, como as torrentes do Neghev e como o grão nos campos, o qual evoca também uma desproporção típica das coisas de Deus: desproporção entre a fadiga do plantio e a imensa alegria da colheita, entre a ânsia da espera e a serena visão dos campos repletos, entre as pequenas sementes jogadas na terra e os grandes feixes dourados pelo sol. Na colheita, tudo é transformado, o pranto termina, dá  lugar para o grito de alegria exultante.

A tudo isto se refere o Salmista para falar da salvação, da libertação, do restabelecimento da sorte, do retorno do exílio. A deportação à Babilônia, como qualquer outra situação de sofrimento e de crise, com a sua escuridão dolorosa feita de dúvidas e aparente distanciamento de Deus, na realidade, diz o nosso Salmo, é um como um semear. No mistério de Cristo, à luz do novo testamento, a mensagem se faz ainda mais explicita e clara: o fiel que atravessa a escuridão é como o grão caído na terra que morre, mas para dar muito fruto, ou pegando uma outra imagem muito cara para Jesus, é como uma mulher que sofre as dores do parto para chegar à alegria de ter dado à luz uma nova vida.

Queridos irmãos e irmãs, este salmo nos ensina que, na nossa oração, devemos permanecer sempre atentos à esperança e fortificados na fé em Deus. A nossa história, também marcada às vezes pela dor, pelas incertezas, por momentos de crise, é uma história de salvação e de "restabelecimento das sortes". Em Jesus, todo nosso exílio termina, e toda lágrima é enxugada, no mistério da sua cruz, da morte transformada em vida, como grão que se parte na terra e se torna espiga. Também para nós esta descoberta de Jesus Cristo é a grande alegria do Sim de Deus, do restabelecimento da nossa sorte. Mas como aqueles que voltaram da Babilônia cheios de alegria, encontraram a terra empobrecida, devastada, como também a dificuldade do plantio e sofreram chorando não sabendo se realmente no final haveria a colheita, assim também nós, depois da grande descoberta de Jesus Cristo, a nossa vida, a verdade, o caminho, entrando no terreno da fé, na terra da fé, encontramos também às vezes uma vida escura, dura, difícil, um semear com lágrimas, mas seguros que a luz de Cristo, nos doa ao final, realmente uma grande colheita. E devemos aprender isto também nas noites escuras, não esquecer que a luz existe, que Deus está já em meio a nossa vida e que podemos semear com a grande confiança que o Sim de Deus é mais que todos nós. É importante não perder esta recordação da presença de Deus em nossa vida, esta alegria profunda que Deus entrou na nossa vida, libertando-nos: é a gratidão pela descoberta de Jesus cristo, que veio até nós. E esta gratidão se transforma em esperança, é a estrela da esperança que nos dá confiança, é a luz, porque exatamente as dores do semear são início de uma nova vida, da grande e definitiva alegria de Deus.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Dia de Nossa Senhora Aparecida!


Em outubro de 1717, três simples pescadores foram mandados ao rio Paraíba a fim de trazer peixes para o Conde de Assumar que iria passar por Guaratinguetá a caminho da Capitania de Minas Gerais, então pertencente a capitania de São Paulo. Após lançarem a rede várias vezes, sem nenhum resultado, ao chegarem com sua canoas ao Porto de Itaguaçu, um dos pescadores, João Alves,  lançou novamente a rede e tirou das águas o corpo de uma imagem, sem cabeça.  Lançando a rede mais abaixo, outra vez, retirou a cabeça da mesma imagem. Era uma estátua da Imaculada Conceição que ninguém sabe como fora parar ali. Ao continuar a pescaria, não tendo até então apanhado nenhum peixe, dali por diante foi tão copiosa a pescaria que os três pescadores admirados do sucesso, viram na pesca e no encontro da imagem um sinal da proteção do céu,  da Senhora da Conceição, representada naquela imagem de terracota, pequena e escura. Felipe Pedroso recolheu, com respeito, a pequenina imagem, envolveu-a  em um pano e a levou para a casa. Mais tarde, foi levada  para um oratório, no Porto de Itaguaçu, onde começou a devoção a Nossa Senhora da Conceição, que, logo foi chamada, carinhosamente, de Nossa Senhora Aparecida.

Vinte e seis anos mais tarde,  no dia 05 de maio de 1743, Dom Frei João da Cruz, Bispo da Diocese do Rio de Janeiro, que na época abrangia a Capitania de São Paulo e quase toda a de Minas Gerais, assinou em Mariana, antiga vila do Ribeirão do Carmo,  o decreto canônico, erigindo  a Capela de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Dois anos mais tarde, o mesmo Dom Frei João da Cruz, achando-se em Mariana, novamente, em preparativos para a criação da Diocese de Mariana e ciente de já haver sido edificada, no alto do Morro dos Coqueiros, a capela de Aparecida, autorizou por provisão do dia 22 de maio de 1745, a sua bênção litúrgica e o culto divino da mesma. (cf. Oliveira, Oscar. Virgem Maria: Mãe de Deus e Mãe  dos Homens. Mariana: Editora Dom Viçoso, 1968, p. 151).

Quase dois séculos mais tarde, a pequena Capela foi substituída pela atual Matriz Basílica que foi sagrada e inaugurada no dia 08 de setembro de 1909, por Dom Duarte Leopoldo e Silva, Arcebispo de São Paulo.  Com o fluxo de romeiros cada vez mais numeroso, tornou-se necessário a construção de um novo templo, com capacidade para acolher um maior número de romeiros.

No dia 11 de novembro de 1955, com a bênção do senhor Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, Arcebispo de São Paulo, iniciou-se a construção deste grandioso Santuário, projetado pelo arquiteto Benedito Calixto. No dia 04 de julho de 1980, o Papa João Paulo II, em sua 1ª visita ao Brasil, fez a sagração deste magnífico templo, cuja construção  tem sido levada adiante graças a colaboração generosa dos devotos de Nossa Senhora Aparecida e ao zelo pastoral incansável dos missionários redentoristas que, desde 28 de outubro de 1894, a pedido de Dom Lino de Carvalho Deodato, 8º. Bispo de São Paulo,  assumiram o cuidado pastoral do Santuário. 

Hoje, são mais de 10 milhões de devotos de Nossa Senhora Aparecida que visitam este Santuário e,  com a Rede Aparecida de Comunicação, este Santuário, parafraseando o Papa João Paulo II,  “se converteu, não só para os romeiros, mas também, para o Brasil,  em antena permanente da boa nova da salvação.”

Os textos das leituras que acabamos de escutar nos fazem referência ao tema da festa da Padroeira, deste ano: “Senhora Aparecida, reflexo do coração materno de Deus”.

Ester, órfã de pai e mãe, foi eleita esposa do rei Assuero, rei da Pérsia e pela sua beleza, prudência e  sua confiança em Deus, obteve a libertação do povo judeu que tinha sido condenado ao extermínio por um edito real. A tradição cristã viu no papel desempenhado por Ester em favor do seu povo, a prefiguração de Maria, na sua função materna e de advogada nossa diante de Deus. Esta confiança na missão de Maria de defensora do povo  cristão foi expressa na primeira oração mariana, composta no Egito, no século 3º.: “Sob a vossa proteção nós nos refugiamos, ó Santa Mãe de Deus. Não desprezeis nossas súplicas, mas livrai-nos de todos os perigos, Virgem gloriosa e bendita”.  No decorrer dos séculos, Nossa Senhora tem sido sempre invocada pelos cristãos em suas súplicas, sobretudo, nos momentos difíceis. Diante de Cristo, mediador entre Deus e os homens, Maria é a nossa mãe que está continuamente intercedendo por nós seus filhos. Se os santos podem interceder em nosso favor, com maior razão a Virgem Maria, mãe de Deus e nossa mãe!

No evangelho, São João faz referência a um casamento em Caná da Galiléia e destaca, neste episódio, a presença da mãe de Jesus, do próprio Jesus e de seus discípulos.   Durante o banquete o vinho veio a faltar. Quem dá conta da situação de angústia dos noivos é Maria e ela  apenas diz a Jesus: “Eles não têm mais vinho”. A resposta de Jesus parece de indiferença à preocupação de Maria. “Mulher, porque me dizes isso a mim? Minha hora ainda não chegou”. A resposta de Jesus é um semitismo, isto é,  uma maneira normal da época de se dirigir as mulheres,  como vemos  no diálogo com a mulher adúltera; no diálogo com a Samaritana;  e a mesma  expressão é usada também por ele, no Calvário, quando se dirige a Maria ao pé da cruz: “Mulher, eis aí teu Filho.”

A hora de Jesus, no evangelho de João, é a hora de sua glorificação definitiva, de sua volta ao Pai após sua morte e ressurreição, por isso, ele diz que sua hora ainda não chegou. Maria compreende o significado profundo da resposta de Jesus, e sua hora fixada pelo Pai  não será antecipada.  Maria, porém, com plena confiança e esperança de que seu Filho haveria de resolver a situação,  diz aos serventes: “Fazei tudo o que vos disser”. Este primeiro milagre que se realizou, no inicio de sua vida pública, a pedido de Maria, é o anúncio simbólico da hora de Jesus, da manifestação da sua glória e os seus discípulos creram nele.

Maria é o reflexo humano do coração materno de Deus. Por isso, os fiéis recorrem a ela com tanta devoção, pois sentem intuitivamente este amor materno.  Sabem que Maria compreende sua dor e seus desejos, entende suas limitações. Reconhecem em Maria a nossa irmã, que viveu como perfeita discípula de Jesus com esperança e coragem. Reverenciam a Senhora Aparecida como Mãe nossa, que reúne os filhos e filhas debaixo de seu imenso manto. Pois o povo costuma dizer: “em coração de mãe sempre cabe mais um filho”. No cuidado e na ternura de Maria se reflete a bondade de Deus. No seu canto, chamado “Magnificat”, ressoa a voz do Deus que olha com carinho especial para os pobres e injustiçados deste mundo.

Podemos dizer, com certeza: Maria é reflexo do amor de Deus. Ela não é fonte. Por isso, no culto católico, Nossa Senhora não ocupa o lugar de Jesus, que é o único mediador entre Deus e a humanidade, como afirma São Paulo, na primeira epístola a Timóteo. Maria consegue as graças que pedimos, mas é Deus que as concede.

Hoje,  dia da Padroeira e Rainha do Brasil, rogamos à Mãe de Deus, Nossa Senhora da Conceição Aparecida, que cuide de nosso amado e continental país, que foi confiado à sua proteção como Padroeira principal de nossa Nação Brasileira e de sua boa gente. Que a Senhora Aparecida faça crescer em todos nós a fé em Jesus, o compromisso de anunciá-Lo aos nossos irmãos, a consciência cidadã, a responsabilidade de cuidar também dos mais fracos e de proteger o meio ambiente. 

Confiantes, suplicamos à Mãe de Jesus que faça de cada um de nós e das nossas comunidades, reflexo da misericórdia de Deus. Alegres, recorremos à Mãe Aparecida, dizendo: “Maria, reflexo do coração materno de Deus”, rogai por nós. Amém!

Dom Raymundo Damasceno Assis
Cardeal Arcebispo de Aparecida, SP