quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Retiro No Colo de Maria


Por que motivo Jesus foi tentado? Ele realmente foi tentado?





88 - Se Jesus foi verdadeiramente humano então foi verdadeiramente tentado. Em Jesus não temos um redentor "incapaz de se compadecer das nossas fraquezas, ao contrário, Ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, exceto no pecado" (Hb 4, 15)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Quaresma: Momento para descobrir que o amor é possível!




(...) O tempo da Quaresma, eminentemente penitencial, em preparação para a Páscoa, é o propício momento em que todos nós, fiéis batizados, somos convidados a intensificar a vida de oração, penitência e caridade, com realce especial ao jejum e à abstinência. Contudo, só se compreende a Quaresma através do olhar de um Deus que se encarna, morre e ressuscita por amor a cada um de nós. Isto mesmo, Deus mergulha na epopeia e tragédia da vida humana para nos resgatar das correntes do pecado e dar-nos a vida eterna.

A Quaresma está intimamente conectada com o desejo de felicidade e infinito, latentes em cada coração humano. Sem ela não se entende o ser cristão, sem ela não se entendem os mistérios da indigência e da grandeza humana. Constata-se por muitos espaços da vida humana um mar de tristezas e frustações. A depressão, segundo dizem, é o mal de nosso século. Nunca sentimos tanta falta de infinito, e nunca estivemos tão presos ao efêmero, ao passageiro, ao transitório, aquilo que não gera relações humanas, valorizando demasiadamente o virtual e nos esquecendo do real, da dor, das misérias, da pobreza, da violência e das misérias morais que relativizam o belo, o sagrado, gerando a cultura do descartável.

O que impede o coração humano de encontrar a felicidade? Muitas são as respostas, muitos estudos são apresentados diariamente nos meios de comunicação. Buscam-se explicações psicológicas, sociais, econômicas, políticas etc. Mas, são poucos os que chegam ao fundo do problema. A verdadeira e plena felicidade só será alcançada quando passarmos pela via quaresmal, que é o caminho de purificação e penitência que nos liberta, através da graça, dos grilhões do pecado.

O pecado é o maior obstáculo. Infelizmente, estamos imersos numa cultura que o comercializa. O mais triste é que buscando a felicidade, a humanidade parece afundar-se cada vez mais no lodo e morre sufocada pelo veneno do pecado, que destrói almas e sonhos. E é a própria sociedade que promove esse tipo de vida, se questiona dos porquês dessas realidades que contaminam o orbe sem se importar com as condições econômicas ou sociais das pessoas.

A maior alienação é a incapacidade de perceber o quanto o ser humano se quebra quando se entrega ao pecado. Existe uma desintegração espiritual que se manifesta na sociedade e prolifera em estruturas. Ele nasce pessoal e, em proporção com a matéria, gravidade e circunstâncias, gera o mal social.

O reconhecimento de nossas misérias e fraquezas diárias é o primeiro passo para o encontro profundo consigo mesmo e com Deus. O pecado é a desintegração da nossa natureza e aliena nossa vida da realidade eterna a qual todos nós somos chamados. A penitência não é masoquismo, mas reconhecer de modo concreto e visível a nossa indigência e necessidade. Ela nos coloca no caminho do perdão, que é o resgate da unidade perdida pelo mal.

O salmo penitencial 51(50) exclama com beleza poética o drama do pecado e a recuperação do Rei Davi. A primeira coisa que o pecado ataca é nossa consciência, ou seja, a capacidade de perceber e distinguir o mal e o bem. O Rei Davi possui a graça de ter um grande amigo, o profeta Natã. Este, sem medo das consequências e guiado pela força do Espirito Santo, acusa Davi do seu pecado. A paz e a felicidade voltam ao rosto do rei de Israel apenas quando ele reconhece e deseja reparar o mal cometido.

O pecado nos coloca no sono mais profundo e nos impede de encontrar a paz que deve reinar em nossas vidas. Só através da paz, que nasce do encontro arrependido com Cristo misericordioso, poderemos encontrar a felicidade. Os verdadeiros amigos são aqueles que nos ajudam a despertar e a ver a realidade em toda sua complexidade, como fez Natã com Davi. Eles são capazes disso não porque sabem mais ou são mais capacitados, mas, sim, porque nos amam. Como está escrito em Eclesiástico: “O amigo fiel é poderoso refúgio, quem o descobriu, descobriu um tesouro”. (Eclo 6,14).

A crise de felicidade está proporcionalmente relacionada com uma crise de amizade. Poucos encontram verdadeiros amigos. Muitas vezes não sabemos ser bons amigos. Neste clima de preparação para a JMJ RJ, conclamo ao jovem: desperte através do encontro com Cristo, o dom da amizade. Não se pode ser cristão sozinho. Jovem evangeliza jovem. Com razão impacta, positivamente, milhões de pessoas a participação nas Jornadas Mundiais da Juventude, no encontro com Cristo juntamente com o Santo Padre o Papa. Nessas jornadas, os jovens descobrem que a amizade já existe entre eles, pois todos possuem em comum o grande amigo Jesus Cristo, aquele que nunca nos abandona.

Dizem que hoje as pessoas não querem se relacionar, desejam apenas se “conectar”, pois é mais fácil colocar o outro em “off”. O medo em criar laços sólidos brota, em muitos casos, da incerteza do amor. O pecado apaga de nossas vidas a certeza de que é possível amar. A fragmentação de nosso ser, oriunda do pecado, nos impede de confiar no outro.

Assim, neste importante tempo de Quaresma despertemos novamente o desejo de felicidade. Purifiquemos nossas almas do pecado que obstaculiza o encontro com Cristo, amigo capaz de nos guiar com passos seguros. Como o Rei Davi, peçamos a Deus piedade por nossos pecados. Não tenhamos medo de reconhecer nossas transgressões.

Deus conhece nosso ser, ama a verdade e nos ensina a sabedoria. Ele nos dá a felicidade, o júbilo e nos purifica de todas as iniquidades, fazendo-nos “mais brancos do que a neve”. Sobretudo, Deus cria em cada um de nós um coração novo, através da penitência e do perdão sacramental. A via quaresmal bem vivida despertará em nós um espirito firme e devolverá o júbilo da salvação. (cf. Sal 51).

Que nesta Quaresma tenhamos a coragem de fazer uma passagem profunda de purificação do pecado para a graça, no caminho bonito do itinerário do seguimento e discipulado do Redentor!

Dom Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Música da Semana!

Bom dia! 
Desejamos que nesta semana você progrida no conhecimento do Senhor! Que o Espírito Santo te impulsione a conversão e que assim você procure viver a santidade em todos os aspectos da sua vida!
Peça ao Senhor converter teu coração para que a vivência da quaresma seja um tempo de decisões maduras e de fortalecimento. Que a experiência de Deus neste tempo te leve a vencer o fermento da maldade e que, depositando no Senhor todas as suas seguranças, você se prepare para a páscoa!
Que Nossa Senhora, aquela que viveu a santidade, seja teu modelo nesta semana!
A paz!



sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Perfumes de São Pio



"Jesus, que não poupou o seu sangue para a salvação do ser humano, quererá talvez medir os meus pecados para então me perder? Creio que não. Ele, logo e santamente, vingar-se-á, com o seu santo amor, da mais ingrata das suas criaturas."

"É  verdade que Jesus muito frequentemente se esconde, mas não importa; eu procurarei com sua ajuda estar sempre ao seu redor, visto que Ele me assegura que não são abandonos, mas brincadeiras de amor."

"Que Jesus, sol da justiça, resplandeça sempre sobre o seu espírito, envolto nas misteriosas obscuridades da prova, desejada por ele mesmo e diretamente!" 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Catequese do Papa Bento XVI sobre o tempo da quaresma


Queridos irmãos e irmãs,

Nesta catequese gostaria de deter-me brevemente sobre o tempo da Quaresma, que inicia-se hoje com a liturgia da quarta-feira de cinzas. Se trata de um itinerário de quarenta dias que nos conduzirá ao Tríduo Pascal, memória da paixão, morte e ressurreição do Senhor, o coração do mistério da nossa salvação. Nos primeiros séculos de vida da Igreja, este era o tempo no qual aqueles que tinha escutado e acolhido o anúncio de Cristo, iniciavam passo a passo, o caminho de fé e de conversão para chegar ao Sacramento do Batismo. Se tratava de uma aproximação ao Deus vivo e de uma iniciação à fé que deveria cumprir-se gradualmente, mediante uma mudança interior por parte dos catecúmenos, isto é, daqueles que desejavam tornarem-se cristãos e serem incorporados ao Cristo e à Igreja.

Sucessivamente, também os penitentes e depois todos os fiés foram convidados a viver este itinerário de renovação espiritual, para conformar sempre mais a própria existência àquela de Cristo. A participação de toda a comunidade nas diversas passagens do percurso quaresmal sublinha uma dimensão importante da espiritualidade cristã: é a redenção não de alguns, mas de todos graças à morte e ressurreição de Cristo. Portanto, caso fossem aqueles que percorriam um caminho de fé como catecúmenos para receber o Batismo, ou aqueles que estavam distantes de Deus e da comunidade de fé e procuravam a reconciliação, ou mesmo aqueles que viviam a fé em plena comunhão com a Igreja, todos juntos sabiam que o tempo que precede a Páscoa, é um tempo de Metanóia, isto é de mudança interior, do arrependimento, o tempo que identifica a nossa vida humana e toda a nossa história como um processo de conversão e coloca em movimento agora para encontrar o Senhor nos fins dos tempos.

Com uma expressão que se tornou típica na Liturgia, a Igreja denomina o período no qual entramos hoje “Quadragésima”, isto é tempo de quarenta dias e com uma clara referência à Sagrada Escritura, nos introduz assim em um precioso contexto espiritual. Quarenta é de fato, o numero simbólico com o qual o Antigo e o Novo Testamento representam os momentos fortes da experiência de fé do Povo de Israel. È um numero que exprime o tempo de espera, da purificação, do retorno ao Senhor, da consciência que Deus é fiel às suas promessas. Este numero não representa um tempo cronologico exato, uma soma de dias. Indica mais que isso, uma paciente perseverança, uma longa prova, um período suficiente para ver as obras de Deus, um tempo no qual é necessario decidir-se e a assumir as próprias responsabilidades. È um tempo de decisões maduras.

O número quarenta aparece antes de tudo na história de Noé. Este homem justo, que por causa do dilúvio transcorre quarenta dias e quarenta noites na arca, junto à sua família e aos animais que Deus havia dito de leva-los consigo. E espera outros quarenta dias, depois do dilúvio, antes de tocar na terra firme, que foi salva da destruição (Gen 7,4.12;8,6). Depois, a próxima etapa: Moisés fica sobre o Monte Sinai, diante da presença do Senhor, quarenta dias e quarenta noites, para acolher a Lei. Em todo este tempo jejua (Ex 24,18). Quarenta são os anos de viagem do povo hebreu do Egito à Terra prometida, tempo de experimentar a fidelidade de Deus. “Recorda-te de todo o caminho que o Senhor, teu Deus, te fez percorrer nestes quarenta anos. O teu manto não se rasgou pelo seu uso nem os pés se incharam nestes quarenta anos” (Dt 8,2.4). Os anos de paz que Israel experimenta em Juízes são quarenta (Jz 3,11.30), mas transcorrido este tempo, inicia o esquecimento dos dons de Deus e o retorno ao pecado. O profeta Elias leva quarenta dias para atingir o Oreb, o monte onde encontra Deus (I Re 19,8). Quarenta são os dias durante os quais os cidadãos de Nínive fazem penitência para obterem o perdão de Deus. Quarenta também são os anos dos reinos de Saul, de Davi e de Salomão, os três primeiros reis de Israel. Também os Salmos refletem sobre o significado bíblico dos quarenta dias, como por exemplo o Salmo 95, do qual ouvimos o trecho: “Se escutásseis hoje a sua voz! “Nao endureceis o coração como em Meriba, como no dia de Massa no deserto, onde me tentaram os vossos pais: me colocaram à prova, mesmo tendo visto as minhas obras. Por quarenta anos me desgostou aquela geração e eu disse: são um povo de coração transviado, não conhecem as minhas vias” (v 7c-10).

No Novo Testamento, Jesus, antes de iniciar a vida pública, se retira no deserto por quarenta dias, sem comer, nem beber (Mt 4,2), se nutre da Palavra de Deus, que usa como arma para vencer o diabo. As tentações de Jesus fazem referência àquelas que o povo hebraico enfrentou no deserto, mas que não souberam vencer. Quarenta são os dias durante os quais Jesus Ressuscitado instruiu os seus, antes de ascender ao Céu e enviar o Espirito Santo (At 1,3).

Com este recorrente numero de quarenta é descrito um contexto espiritual que permanece atual e valido, e a Igreja, exatamente mediante os dias do período quaresmal, mantém o perdurante valor e os tornam a nós presente a eficácia. A liturgia cristã da Quaresma tem o objetivo de favorecer um caminho de renovação espiritual, à luz desta longa experiência bíblica e sobretudo para aprender a imitar Jesus, que nos quarenta dias transcorridos no deserto ensinou a vencer a tentação com a Palavra de Deus. Os quarenta dias da peregrinação de Israel no deserto apresentam atitudes e situações ambivalentes. De uma parte essas são a estação do primeiro amor com Deus e entre Deus e seu povo, quando Ele falava ao coração, indicando-lhes continuamente a estrada a ser percorrida. Deus havia tomado, por assim dizer, morada em meio a Israel, o precedia dentre de uma nuvem ou uma coluna de fogo, providenciava todos os dias o necessário fazendo descer o maná e fazendo brotar a água da rocha. Portanto, os anos transcorridos por Israel no deserto se podem ver como o tempo da especial eleição de Deus e da adesão à Ele da parte do povo: tempo do primeiro amor. Por outro lado, a Bíblia mostra também uma outra imagem da peregrinação de Israel no deserto: é também o tempo das tentações e dos perigos maiores, quando Israel murmura contra o seu Deus e quer voltar ao paganismo e constroem os próprios idolos, diante da exigência de venerar um Deus mais próximo e tangível. É também um tempo da rebelião contra Deus grande e invisível.

Esta ambivalência, tempo de especial proximidade a Deus – tempo do primeiro amor - , e tempo da tentação – tentação do retorno ao paganismo - , a encontramos em modo surpreendente no caminho terreno de Jesus, naturalmente sem nenhum comprometimento com o pecado. Depois do batismo de penitência do Jordão, no qual assume sobre si o destino do Servo de Deus que renuncia a si mesmo e vive pelos outros e se coloca entre os pecadores para tomar sobre si o pecado do mundo, Jesus se refugia no deserto para estar quarenta dias em profunda união com o Pai, repetindo assim a história de Israel, todas aquelas sequências de quarenta dias ou anos os quais citei. Esta dinâmica é uma constante na vida terrena de Jesus, que procura sempre um momento de solidão para orar ao seu Pai e permanecer em intima comunhão, em intima solidão com Ele, em exclusiva comunhão com Ele, para depois retornar para o meio das pessoas. Mas neste tempo de “deserto” e de encontro especial com o Pai, Jesus se encontra exposto ao perigo e é invadido pela tentação e pela sedução do Maligno, o qual o propõe uma outra via messiânica, longe do projeto de Deus, porque passa através do poder, do sucesso, do dinheiro, do domînio e não através do dom total na cruz. Esta é a alternativa: um messinanismo de poder, de sucesso ou um messianismo de amor, de dom de si.

Esta situação de ambivalência descreve também a condição da Igreja no caminho no "deserto' do mundo e da história. Neste deserto, nós cristãos temos certamente a oportunidade de fazer uma profunda experiência com Deus que faz forte o espirito, confirma a fé, nutre a esperança, anima a caridade; uma experiência que nos faz participantes da vitoria de Cristo sobre o pecado e sobre a morte mediate o sacrificio de amor na cruz. Mas o “deserto" é também o aspecto negativo da realidade que nos circunda: a aridez, a pobreza das palavras de vida e de valores, o secularismo e a cultura materialista, que fecham a pessoa no horizonte mundano do existir diminuindo toda referência à transcedência. É este também o ambiente no qual o céu que está sobre nós é obscuro, porque está coberto pelas nuvens do egoísmo, da incompreessão e do engano. Apesar disso, também para a Igreja de hoje, o tempo do deserto pode transformar-se em tempo de graça, já que temos a certeza que também da rocha mais dura, Deus pode fazer brotar agua vida que mata a sede e restaura.

Queridos irmãos e irmãs, nestes quarenta dias que nos conduzirão à Pascoa podemos encontrar nova coragem para aceitar com paciência e com fé todas as situações de dificuldade, de aflições e de prova, na consciência que das trevas o Senhor faz surgir um dia novo. E se tivermos sido fiéis a Jesus seguindo-o na vida da Cruz, o claro mundo de Deus, o mundo da luz, da verdade e da alegria nos será restabelecido: será a aurora nova criada pelo próprio Deus. Bom caminho quaresmal a todos. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Mensagem do Papa Bento XVI para a quaresma


Irmãos e irmãs!

A Quaresma oferece-nos a oportunidade de refletir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.

Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: "Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras" (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor "com um coração sincero, com a plena segurança da fé" (v. 22), de conservarmos firmemente "a profissão da nossa esperança" (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, "o amor e as boas obras" (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre atual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.

1. «Prestemos atenção»: a responsabilidade pelo irmão.

O primeiro elemento é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objeto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o fato de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo atual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta enc. Populorum progressio, 66).

A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é «bom e faz o bem» (Sal 119/118, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de «anestesia espiritual», que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaixão e a empatia: «O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende» (Prov 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventurança «dos que choram» (Mt 5, 4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança.

O fato de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: a correção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. De forma geral, hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Na Igreja dos primeiros tempos não era assim, como não o é nas comunidades verdadeiramente maduras na fé, nas quais se tem a peito não só a saúde corporal do irmão, mas também a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: «Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber» (Prov 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. Mt 18, 15). O verbo usado para exprimir a correção fraterna – elenchein – é o mesmo que indica a missão profética, própria dos cristãos, de denunciar uma geração que se faz condescendente com o mal (cf. Ef 5, 11). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de «corrigir os que erram». É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto a advertência cristã nunca há-de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (Gl 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. É que «sete vezes cai o justo» (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais retamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós.

2. «Uns aos outros»: o dom da reciprocidade.

O facto de sermos o «guarda» dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de a considerar na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a atual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã! O apóstolo Paulo convida a procurar o que «leva à paz e à edificação mútua» (Rm 14, 19), favorecendo o «próximo no bem, em ordem à construção da comunidade» (Rm 15, 2), sem buscar «o próprio interesse, mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos» (1 Cor 10, 33). Esta recíproca correção e exortação, em espírito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade cristã.

Os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunhão: a nossa existência está ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social. Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que «os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros» (1 Cor 12, 25) – afirma São Paulo –, porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irmãos, do qual é expressão a esmola – típica prática quaresmal, juntamente com a oração e o jejum – radica-se nesta pertença comum. Também com a preocupação concreta pelos mais pobres, pode cada cristão expressar a sua participação no único corpo que é a Igreja. E é também atenção aos outros na reciprocidade saber reconhecer o bem que o Senhor faz neles e agradecer com eles pelos prodígios da graça que Deus, bom e onipotente, continua a realizar nos seus filhos. Quando um cristão vislumbra no outro a ação do Espírito Santo, não pode deixar de se alegrar e dar glória ao Pai celeste (cf. Mt 5, 16).

3. «Para nos estimularmos ao amor e às boas obras»: caminhar juntos na santidade.

Esta afirmação da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1 Cor 12, 31 – 13, 13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efetivo sempre maior, «como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia» (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a própria Igreja cresce e se desenvolve para chegar à plena maturidade de Cristo (cf.Ef 4, 13). É nesta perspectiva dinâmica de crescimento que se situa a nossa exortação a estimular-nos reciprocamente para chegar à plenitude do amor e das boas obras.

Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de «pôr a render os talentos» que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. Lc 12, 21; 1 Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua. Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre atual, para tendermos à «medida alta da vida cristã» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventurança e a santidade de alguns cristãos exemplares, tem como finalidade também suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. São Paulo exorta: «Adiantai-vos uns aos outros na mútua estima» (Rm 12, 10).

Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. Heb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Desejo de ser feliz!



Tenho escutado muitas pessoas dizendo o tanto que querem ser felizes. Escuto também que a busca da felicidade é a justificativa para muitas, se não todas, as nossas ações. De fato, ser feliz é um direito do ser humano e Deus nos criou para sermos felizes. Já que somos filhos de um Pai Bondoso, é natural que Ele deseje a nossa felicidade.

Porém, infelizmente, o conceito de felicidade anda deturpado. Quantas vezes ser feliz significa ter imóveis luxuosos, automóveis de última linha, roupas de marca e a presença em lugares badalados.

Muitos medem a felicidade própria e a alheia de acordo com o número de amigos nas redes sociais. Outros medem conforme o brilho do sorriso e a quantidade de fotografias online. Amigos no mundo virtual estão à distância de um clique, mas, amizade de verdade, na realidade é fruto de doação, de renúncia, de tempo. Sorrisos brilhantes o photoshop dá um jeito e fotografias com máquina digital já não são mais um problema.
Infelizmente, ser feliz hoje para muitos é apenas uma sucessão de euforias.

Quando uma criança ganha um presente que desejava ela fica eufórica. Receber flores deixa qualquer mulher eufórica. Conquista de campeonato de futebol é motivo de euforia para todos os homens.
Sinceramente, você não quer passar a vida inteira apenas vivendo destes rasos momentos de alegria. Não é possível que isso seja suficiente.

Ser feliz vai muito além. Mesmo sem brinquedos, sem flores, sem vitórias. Ser feliz é ter Cristo! Ser feliz é estar em Cristo.

Passei muitos anos da minha vida alegre, vivi muitos momentos de intensa euforia. Mas diante dos meus problemas, perdas e desencontro a alegria ia embora e parecia nunca mais voltar.

Hoje eu não sou apenas alegre. Hoje eu sou feliz! Hoje eu tenho a Jesus.

Ainda vivo meus momentos de euforia, todos nós vivemos. Mas só isso nunca me bastou e continua a não ser suficiente. Ainda passo por situações de perda, por problemas e por desencontro e mesmo sendo dolorosos eu não perco a felicidade. O sorriso pode até sair do rosto, mas a felicidade não sai do coração.
O subjetivo (problemas, perdas, desencontros etc.) não tem força para roubar o que é meu por direito. É o Absoluto quem me concede a verdadeira felicidade.

Sou feliz! Encontrei Aquele que é capaz de me dar esta graça e de defendê-la para que eu nunca a perca. Quem me basta é Deus. Só Ele! Única e exclusivamente.

Eu tive a minha experiência com Ele. Eu O experimento todos os dias! Nos dias nublados o Sol ainda existe para mim. Nas noites escuras tem sempre o Farol a iluminar o Caminho.

Todo mundo merece ser feliz de Verdade! Todo mundo merece Deus! É este o Caminho que Ele nos deseja ver trilhar. Viva a Vida que Deus deseja para você!

Você merece ser feliz e Deus faz de tudo para que isso aconteça. Se ainda não aconteceu é porque você não deu permissão para Ele entrar na sua vida e transformá-la.

Permita-se ser Feliz! Busque a Cristo e deixe Cristo te encontrar!

Tuani Sampaio 
Comunidade Gratidão

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Música da Semana!

Bom dia!
Nessa semana iniciamos o tempo da quaresma, uma oportunidade intensa de conversão e de encontro com Jesus. E, por isso, desejamos à você que abra seu coração a Deus neste tempo!
Abra e deixe que Ele faça o que tem que fazer! Convide Jesus para fazer morada em teu coração e saiba que é Ele mesmo que deseja isso, pois "nos marcou com o seu selo e nos adiantou como sinal o Espírito derramado em nossos corações" (I Cor 1, 22).
Abra, dê a Ele livre acesso e deixe que essa experiência transforme sua vida! 
Que Nossa Senhora, aquela que deu total acesso de seu coração a Deus, seja sua guia neste tempo!
A paz!


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Reportagem especial sobre o álcool e seus efeitos na vida dos jovens

Ele está presente no Carnaval, nas festas de fim de ano, nas confraternizações, na balada, na família... Seu melhor amigo? Não, talvez o seu pior inimigo. Estamos falando do álcool, uma droga lícita que enquadra os jovens no rol das suas principais vítimas. Segundo a OMS, 320 mil jovens morrem todos os anos por causa do álcool. O que nós devemos fazer?



A reportagem é muito interessante, para ler o conteúdo completo é só clicar: http://destrave.cancaonova.com/alcool-na-juventude/

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Catequese do Papa Bento XVI sobre a oração de Jesus na cruz, parte 2


Queridos irmãos e irmãs,

Na nossa escola de oração, na última catequese, falei sobre a oração de Jesus na cruz que foi extraída do Salmo 22: “Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes? Agora gostaria de continuar a meditar sobre a oração de Jesus na cruz, na iminência da morte, gostaria de deter-me hoje sobre a narração que encontramos no Evangelho de São Lucas. O Evangelista nos transmitiu três palavras de Jesus sobre a cruz, duas das quais – a primeira e a terceira – são orações voltadas explicitamente ao Pai. A segunda, ao contrário, é constituída da promessa feita ao chamado bom ladrão, crucificado com Ele; respondendo, de fato, à oração do ladrão, Jesus o assegura: “Em verdade eu te digo: hoje estarás comigo no paraíso” (Luc 23,43). Na narração de Lucas se entrelaçam  sugestivamente as duas orações que Jesus morrendo endereça ao Pai e a acolhida da suplica que a Ele é dirigida pelo pecador arrependido. Jesus invoca o pai e também escuta a oração daquele homem que é geralmente chamado latro poenitens, o ladrão arrependido.

Detenhamos-nos sobre estas três orações de Jesus. A primeira ele a pronuncia depois de ter sido pregado na cruz, enquanto os soldados dividem as suas vestes como triste recompensa pelo serviço deles. Num certo sentido é com este gesto que se conclui o processo da crucificação. Escreve São Lucas: “Quando chegaram ao lugar chamado Gólgota, crucificaram-no e os malfeitores, um à direita e o outro à esquerda. Jesus Dizia: “Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem. Depois, dividindo suas vestes, tiraram a sorte sobre elas” (23,33-34). A primeira oração que Jesus voltada ao Pai é de intercessão: pede o perdão pelo próprios algozes. Com isto, Jesus cumpre pessoalmente aquilo que havia ensinado no discurso da montanha quando disse: “A vós que escutais, eu digo: amais os vossos inimigos, façais o bem àqueles que vos odeiam” (Luc 6,27) e tinha também prometido àqueles que sabiam perdoar: “a vossa recompensa será grande e sareis filhos do Altíssimo” (v.35). Agora, da cruz, Ele não somente perdoa os seus algozes, mas se dirige diretamente ao Pai intercedendo em favor deles.

Essa atitude de Jesus encontra uma imitação comovente na narração do apedrejamento de São Estevão, primeiro mártir. Estevão, de fato, próximo do fim, “ajoelhou-se  e gritou em alta voz: “Senhor, não os condenes por estes pecados”. Dito isto, morreu” (At 7, 60) esta foi a sua ultima palavra. O confronto entre a oração de perdão de Jesus e aquela do primeiro mártir é significativo. São Estevão se volta ao Senhor Ressuscitado e pede que o seu assassinato – um gesto definido claramente com “este pecado” - não seja imposto sobre seus assassinos. Jesus sobre a cruz se volta ao Pai e não somente pede perdão para aqueles que o crucificaram, mas oferece também uma leitura daquilo que está acontecendo. Segundo as suas palavras, de fato, os homens que o crucificaram “não sabem aquilo que fazem” (Lc 23,34). Ele coloca, por assim dizer, a ignorância, o não saber, como motivo do pedido de perdão ao Pai, porque esta ignorância deixa aberta a via em direção à conversão, como acontece nas palavras que o centurião pronunciará diante da morte de Jesus: “Verdadeiramente, este homem era justo” (v. 47), era o filho de Deus. “Permanece uma consolação para todos os tempos e por todos os homens o fato que o Senhor esteja ao lado daqueles que verdadeiramente não sabiam -  os algozes – seja daqueles que sabiam e o haviam condenado, coloca a ignorância como motivo do pedido de perdão -  a vê como a porta que pode abrir-nos à conversão” (Jesus de Nazaré, II, 233).

A segunda palavra de Jesus sobre a cruz trazida por São Lucas é uma palavra de esperança, é a resposta à oração de um dos dois homens crucificados com Ele. O bom ladrão diante de Jesus entra em si mesmo e se arrepende, chega à conclusão de encontrar-se diante do Filho de Deus, que torna visível o rosto de Deus, e o pede: “Jesus, recorda-te de mim quanto entrares no teu reino” (V.42). A resposta do Senhor a esta oração vai bem além do pedido, de fato, diz: “Em verdade eu te digo: hoje estarás comigo no paraíso” (v.43). Jesus é consciente de entrar diretamente na comunhão com o Pai e de reabrir ao homem a via para o paraíso de Deus. Assim através desta resposta dá a firme esperança que a bondade de Deus pode tocar-nos também no último instante da vida e a oração sincera, também depois de uma vida errada, encontra os braços abertos do Pai bom que espera o retorno do filho.

Mas nos voltemos para as ultimas palavras de Jesus que morre. O Evangelista narra: “ Era por volta de meio dia e uma escuridão cobriu toda a terra até as três da tarde, porque o sol parou de brilhar”. O véu do templo se rasgou no meio. Jesus, gritando em alta voz disse: “Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito”. Dito isto, expirou. (vv 44-46). Alguns aspectos dessa narração são diferentes em relação ao quadro oferecido por Marcos e Mateus. As três horas de obscuridade em Marcos não são descritas, enquanto em Mateus são ligadas com uma série de diversos acontecimentos apocalípticos, como o terremoto, a abertura dos sepulcros, os mortos que ressuscitam (Mt 27,51-53). Em Lucas, às três horas de obscuridade tem no escurecimento do sol, mas naquele momento aconteceu a laceração do véu do templo. Deste modo, a narração de Lucas apresenta dois sinais, de qualquer modo, paralelos, no céu e no templo. O céu perde a sua luz, a terra se afunda, enquanto que no templo, local da presença de Deus, se parte o véu que protege o santuário. A morte de Jesus é caracterizada explicitamente como evento cósmico e litúrgico, em particular, marca o início de um novo culto, em um templo não construído por homem, porque é o próprio corpo de Jesus morto e ressuscitado, que reúne os povos e os une no Sacramento do Seu Corpo e do seu sangue.

A oração de Jesus naquele momento de sofrimento - “Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito” - é um forte grito de extrema e total confiança em Deus. Tal oração exprime a plena consciência de não estar abandonado. E quando os pais tempos atrás o haviam manifestado preocupação, Ele havia respondido: “Por que me procurais? Não sabeis que eu devo me preocupar com as coisas de meu Pai?” (Lc 2,49). Do início ao fim, aquilo que determina completamente o sentir de Jesus, a sua palavra, a sua ação, é uma relação única com o Pai. Sobre a cruz, Ele vive plenamente, no amor, esta sua relação filial com Deus, que anima sua oração.

As palavras pronunciadas por Jesus, depois da invocação “Pai”, retomam uma expressão do Salmo 31: “Em tuas mãos confio meu espírito” (Sal 31,6). Estas palavras, portanto, não são uma simples citação, mas manifestam uma decisão firme: Jesus nos entrega ao Pai em um ato total de abandono. Estas palavras são uma oração de confiança, plena de confiança no amor de Deus. A oração de Jesus diante da morte é dramática como é para cada homem, mas, ao mesmo tempo, é invadida por uma calma profunda que nasce da confiança no Pai e pela vontade de entregar-se totalmente a ele. No Getsêmani, quando entrou na luta final e na oração mais intensa e estava para ser entregue nas mãos dos homens (Lc 9,44), a seu suor se tornou como gotas de sangue que caem por terra (Lc 22,44). Mas o seu coração era plenamente obediente à vontade do pai, e por isto “um anjo céu” veio confortá-lo (Lc 22,42-43). Agora, nos últimos instantes, Jesus se volta ao Pai dizendo quais são realmente as mãos as quais Ele entrega toda a sua existência. Antes da partida em direção a Jerusalém, Jesus havia insistido com seus discípulos: “Coloquei sem vossas mentes estas palavras: o Filho do homem está para ser entregue nas mãos dos homens” (Lc 9,44). Agora, que a vida está para deixá-lo, Ele sela na oração a sua ultima decisão: Jesus se deixou entregar nas mãos dos homens, mas é nas mãos do Pai que Ele coloca o seu espírito; assim – como afirma o Evangelista João – tudo é consumado, o supremo ato de amor é levado até o fim, ao limite e além do limite.

Queridos irmãos e irmãs, as palavras de Jesus sobre a cruz nos últimos instantes da sua vida terrena oferecem indicações precisas para a nossa oração, mas a abrem também para uma serena confiança e uma firme esperança. Jesus que pede ao Pai de perdoar aqueles que o estão crucificando, nos convida ao difícil gesto de rezar também por aqueles que nos prejudicaram, sabendo perdoar sempre, afim que a luz de Deus possa iluminar o coração deles, e nos convida a viver, na nossa oração, a mesma atitude de misericórdia e de amor que Deus tem em relação a nós: “perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”, dizemos todos os dias no “Pai Nosso”. Ao mesmo tempo, Jesus, que no momento extremo da morte se confia totalmente nas mãos de Deus Pai, nos comunica a certeza que, por mais que sejam duras as provas, difíceis os problemas, não cairemos mais fora das mãos de Deus, aqueles mãos que nos criaram, nos sustentam e nos acompanham no caminho da existência, guiados por um amor infinito e fiel. 

Obrigado!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Barzinho com Jesus

Preparamos mais um Barzinho com Jesus pra você! Desta vez, na edição carnaval!
Venha se alegrar na presença do Senhor neste sábado, às 21h, em nossa casa!
Chame também seus amigos e sua família!


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Por acaso Deus guia o mundo e minha vida?



49 - Sim, mas de um modo misterioso. Deus conduz tudo ao seu aperfeiçoamento, por caminhos que só Ele conhece. O que Ele criou não cai um instante das suas mãos (302-305).

Deus atua tanto nos grandes fatos da história como nos mais pequenos acontecimentos da nossa vida pessoal; contudo, Ele não belisca a nossa liberdade como se fossemos marionetes dos Seus planos eternos. Em Deus "vivemos, movemo-nos e existimos" (At, 17, 28). Deus está presente em todas as vicissitudes da nossa vida, mesmo nas ocorrências dolorosas e nos supostos acasos, aparentemente sem sentido. Deus também escreve direito pelas linhas tortas da nossa vida. O que Ele nos tira e o que nos dá, as situações em que Ele nos fortalece e as circunstâncias em que nos põe à prova... tudo isso constitui ocasiões e sinais da sua vontade.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Música da Semana!

Bom dia!
Nessa semana desejamos que você se aproxime de Jesus! Chegue perto Dele e peça para que cure suas lepras, que são os pecados que tanto nos afastam da graça. 
Peça para que Ele te toque, porque o coração de Jesus é fonte de compaixão e não deixa que nenhum de seus filhos saia da sua presença sem alcançar a graça.  
Ele quer, só basta que você também queira! Ele, que é puro, é capaz de transformar seu coração e fazer dele também puro. 
Que Nossa Senhora, a mãe do puro coração, interceda por você nesta semana e te ajude a apresentar a Jesus todas as suas lepras.
A paz!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Oração a Nossa Senhora de Lourdes




Ó Virgem puríssima,
Nossa Senhora de Lurdes,
que vos dignastes aparecer a Bernadete,
no lugar solitário de uma gruta,
para nos lembrar que é no sossego
e recolhimento
que Deus nos fala
e nós falamos com Ele,
ajudai-nos a encontrar o sossego
e a paz da alma
que nos ajudarem a conservar-nos
sempre unidos em Deus.
Nossa Senhora da gruta,
dai-me a graça que vos peço
e tanto preciso (pedir a graça).
Nossa Senhora de Lurdes,
rogai por nós.
Amém.              

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Perfumes de São Pio



"Os melhores consolos são aqueles que vem da oração"

"A oração deve ser insistente, porque a insistência demonstra a fé"

"As orações dos santos do céu e das almas justas da terra são o perfume que nunca se perderá"

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Catequese do Papa sobre a oração de Jesus no alto da Cruz

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje gostaria de refletir convosco sobre a oração de Jesus na iminência da morte, detendo-me sobre aquilo que nos refere São Marcos e São Mateus. Os dois Evangelistas retratam a oração de Jesus, que está morrendo, não somente na língua grega, com a qual foi escrita a narração, mas, para a importância destas palavras, também em uma mistura de hebraico e aramaico.

Disto nos foi transmitido não somente o conteúdo, mas também o tom que tal oração teve nos lábios de Jesus: escutamos realmente as palavras de Jesus como eram, ao mesmo tempo, eles nos descreveram a atitude dos presentes diante da crucificação, que não compreenderam - ou não quiseram compreender – esta oração.

Escreve São Marcos, como escutamos: "Ao meio dia, a terra ficou escura até as três da tarde. Às três, Jesus gritou em alta voz: "Eloì, Eloì, lemà sabactàni?", que significa: "Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes?" (15,34). Na estrutura da narração, a oração, o grito de Jesus se levanta no cume das três horas de trevas, que, do meio-dia até as três da tarde, calaram sobre toda a terra.

Estas três horas de escuridão, são, por sua vez, a continuação de um precedente lapso de tempo também de três horas, iniciado com a crucificação de Jesus. O Evangelista Marcos, de fato, nos informa que: "Eram nove horas da manhã quando o crucificaram" (cfr 15,25). Da junção das indicações horárias da narração, as seis horas de Jesus sobre a cruz são articuladas em duas partes cronologicamente equivalentes.

Nas primeiras três horas, das nove ao meio dia, se apresentam insultos dos diversos grupos de pessoas, que mostram o seu ceticismo e afirmam não acreditarem. Escreve São Marcos: "Aqueles que passavam por ele, o insultavam" (15,29); "assim também os sumo-sacerdotes, com os escribas, entre eles escarneciam dele" (15,31); "e também aqueles que estavam crucificados com ele o insultavam" (15,32).

Nas três horas seguintes, do meio dia às três da tarde, o Evangelista fala somente das trevas que caíram sobre a terra, o escuro ocupa sozinho toda a cena sem qualquer referência sobre o movimento dos personagens ou das palavras. Quando Jesus se aproxima sempre mais da morte, existe somente a escuridão que cala sobre toda a terra. Também o cosmo toma parte deste evento: o escuro envolve pessoas e coisas, mas também neste momento de trevas Deus está presente, não abandona.

Na tradição bíblica, o escuro tem um significado ambivalente: é sinal da presença e da ação do mal, mas também de uma misteriosa presença e ação de Deus que é capaz de vencer toda treva. No livro do Êxodo, por exemplo, lemos: "O Senhor disse a Moisés: "Eis, eu estou por vir diante de ti em uma densa nuvem" (19,9); e ainda: "O povo se coloca distante, enquanto Moisés avança em direção à nuvem escura onde estava Deus" (20,21). E nos discursos de Deuteronômio, Moisés narra: "O monte ardia, com o fogo que se levantava até a sumidade do céu, entre trevas, nuvens e obscuridade" (4,11); vós ouvistes a voz em meio as trevas, enquanto o monte era todo em chamas" (5,23).

Na cena da crucificação de Jesus as trevas envolvem a terra e são trevas de morte nas quais o Filho de Deus se imerge para levar a vida, com o seu ato de amor.

Voltando à narração de São Marcos, diante dos insultos das diversas categorias de pessoas, diante do escuro que cala tudo, no momento no qual está diante da morte, Jesus com o grito da sua oração mostra que, junto ao peso do sofrimento e da morte no qual parece que existe um abandono, a ausência de Deus, Ele tem a plena certeza da proximidade do Pai, que aprova este ato supremo de amor, de dom total de Si, apesar de não se ouvir, como em outros momentos, a voz do alto.

Lendo os Evangelhos, se chega à conclusão que em outros momentos importantes da sua existência terrena, Jesus tenha visto associar-se aos sinais da presença do Pai e da aprovação ao seu caminho de amor, também a voz esclarecedora de Deus. Assim, no momento que segue o batismo no Jordão, ao romper dos céus, se ouvia a palavra do Pai: "Tu és meu Filho muito amado: em ti coloquei toda a minha afeição" (Mc 1,11). Na transfiguração, depois, ao sinal da nuvem, se aproximava a palavra: "Este é meu filho muito amado, escutem-no!" (Mc 9,7). Ao invés disso, ao aproximar-se da morte do crucificado, vem o silêncio, não se escuta nenhuma voz, mas o olhar de amor do Pai permanece fixo sobre o dom de amor do Filho.

Mas qual significado da oração de Jesus, naquele grito que é lançado ao Pai: "Meu Deus, Meu Deus, por que abandonantes"? Existe a dúvida da sua missão, da presença do Pai? Nesta oração não existe talvez a consciência exata de ter sido abandonado? As palavras que Jesus dirige ao Pai são o início do Salmo 22, no qual o Salmista manifesta a Deus a tensão entre o se sentir deixado sozinho e a consciência certa da presença de Deus em meio ao seu povo. O Salmista reza: "Meu Deus, grito pela manhã e não respondes; à noite, e não existe trégua para mim. Mesmo assim, Tu és Santo, Tu sentas no trono entre os louvores de Israel" (v. 3-4). O Salmista fala de "grito" para exprimir todo o sofrimento da sua oração diante de Deus aparentemente ausente: no momento da angústia a oração de torna um grito.

E isto acontece também no nosso relacionamento com o Senhor: diante das situações mais difíceis e dolorosas, quando parece que Deus não escuta, não devemos temer de confiar a Ele todo o peso que trazemos no nosso coração, não devemos ter medo de gritar a Ele o nosso sofrimento, devemos estar convencidos que Deus está próximo, também se aparentemente não fala.

Repetindo da cruz as palavras iniciais do Salmo, "Eli, Eli, lemà sabactàni?" - "Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes?" (Mt 27,46), gritando as palavras do Salmo, Jesus reza no momento da última rejeição dos homens, no momento do abandono; reza, entretanto, com o Salmo, na consciência da presença de Deus Pai também nesta hora na qual sente o drama humano da morte.

Mas em nós surge uma pergunta: como é possível que um Deus tão potente não intervenha para livrar o Filho dessa prova terrível? É importante compreender que a oração de Jesus não é um grito de quem vai de encontro ao desespero e à morte e nem mesmo é o grito de quem sabe que foi abandonado. Jesus naquele momento faz seu todo o Salmo 22, o Salmo do povo de Israel que sofre, e deste modo toma sobre si a pena do seu povo, mas também aquela de todos os homens que sofrem pela opressão do mal, e ao mesmo tempo, leva tudo isso ao coração do próprio Deus, na certeza que o seu grito será acolhido na Ressurreição: "o grito no extremo tormento é ao mesmo tempo certeza da resposta divina, certeza da salvação - não somente pelo próprio Jesus, mas por muitos" (Jesus de Nazaré II, 239-240).

Nesta oração de Jesus se unem a extrema confiança e o abandono nas mãos de Deus, também quando Ele parece ausente, também quando Ele parece permanecer em silêncio seguindo um desígnio a nós incompreensível.

No Catecismo da Igreja Católica lemos assim: No amor redentor que sempre o unia ao Pai, Jesus nos assumiu na nossa separação de Deus por causa do pecado ao ponto de poder dizer em nosso nome sobre a cruz: "Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes"?(n.603). O seu é um sofrimento em comunhão conosco e para nós, que deriva do amor e já leva consigo a redenção, a vitória do amor.

As pessoas presentes junto a cruz de Jesus não conseguem entender e pensam que o seu grito seja uma súplica voltada para Elias. Na cena, elas procuram matar a sede dele para prolongar-lhe a vida e verificar se verdadeiramente Elias virá em seu socorro, mas um forte grito põe um fim à vida terrena de Jesus e ao desejo deles.

No momento extremo, Jesus deixa que no seu coração exprima dor, mas deixa brotar, ao mesmo tempo, o sentido da presença do Pai e o consenso ao seu desígnio de salvação para a humanidade. Também nós, nos encontramos sempre e novamente diante do "hoje" do sofrimento, do silêncio de Deus -  o exprimimos tantas vezes na nossa oração -  mas nos encontramos também diante do "hoje" da Ressurreição, da resposta de Deus que tomou sobre si os nosso sofrimentos, para levá-los junto conosco e dar-nos a firme esperança que eles serão vencidos (cfr Encíclica Spe Salvi, 35-40)

Queridos amigos, na oração, levamos a Deus as nossas cruzes cotidianas, na certeza que Ele está presente e nos escuta. O grito de Jesus nos recorda como a na oração devemos superar as barreiras do nosso "eu" e dos nossos problemas e abrir-nos às necessidades e aos sofrimentos dos outros. A oração de Jesus que morre sobre a cruz nos ensine a rezar com amor por tantos irmãos e irmãs que sentem o peso da vida cotidiana, que vivem momentos difíceis, que estão na dor, que não tem uma palavra de conforto; levamos tudo isso ao coração de Deus, para que também esses possam sentir o amor de Deus que não nos abandona nunca. Obrigado!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Lançamento da Logo da JMJ Rio 2013!




Com base no trecho da Palavra do Evangelho de São Mateus, percebe-se a necessidade de expressar uma referência direta à imagem de Jesus e ao sentido do discípulo. Neste episódio, Jesus se encontrou com seus discípulos em uma montanha, após sua ressurreição. Como símbolo da cidade do Rio de Janeiro, o Cristo Redentor também se encontra em uma montanha e é um monumento reconhecido no mundo inteiro. O tema é uma palavra de ordem proclamada pelo próprio Senhor Jesus, e assim a Sua imagem possui destaque no centro do símbolo.

Os elementos do símbolo formam a imagem de um coração. Na fé dos povos o coração assumiu papel central, assim como o Brasil será o centro da juventude na Jornada Mundial. Também designa o homem interno por inteiro, se tornando nesta composição a referência aos discípulos que possuem Jesus em seus corações.

Os braços do Cristo Redentor ultrapassam a figura do coração, como o abraço acolhedor de Deus aos povos e jovens que estarão no Brasil. Representa nossa acolhida, como povo de coração generoso e hospitaleiro.

A parte superior (em verde) foi inspirada nos traços do Pão de Açúcar, símbolo universal da cidade do Rio de Janeiro, e a cruz contida nela reforça o sentido do território brasileiro conhecido por Terra de Santa Cruz. As formas que finalizam a imagem do coração possuem a cor azul, representando o litoral, somada ao verde e amarelo que transmitem a brasilidade das cores da bandeira nacional.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Feminismo, o melhor caminho para as mulheres?

Hoje, nossa postagem é sobre um tema que, apesar de parecer repetitivo, é bem atual. 
O Padre Paulo Ricardo nos alerta sobre o movimento feminista e o que isso tem provocado em nossa geração. Este vídeo vem em confronto a entrevista divulgada hoje na Folha: Nova Ministra da Secretaria das Mulheres defende direito ao aborto. Na entrevista, Eleonora Menicucci afirma que vai defender a liberação do aborto e que "Minha luta pelos direitos reprodutivos e sexuais das mulheres e a minha luta para que nenhuma mulher neste país morra por morte materna só me fortalece". 
É dever do cristão estar atento ao que acontece na sociedade e se posicionar, sempre na defesa pela vida!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Música da Semana!

Bom dia!
Nessa semana convidamos você a aproveitar as oportunidades de se encontrar com o Senhor!
Abra seu coração! O Senhor deixa em nós as suas marcas e o seu toque e, para melhor usufruir desses momentos, fique atento a todo o movimento do céu em sua direção. É desejo Dele falar conosco e nos dar Seu amor; É desejo Dele deixar em nós suas pegadas e sua nos encher com Sua presença!
E, como resposta a todo esse desejo de Deus, desejamos que você O entregue sua humanidade e deixe Ele te transformar naquilo que possa agradá-Lo! Que Adore Jesus com muita intimidade e com todo a gratidão que exista em seu coração, por perceber o desejo Dele por você!
Que Nossa Senhora, aquela que esteve sempre atenta aos toques do Senhor em sua vida, seja sua guia nesta semana!
A paz! 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Catequese sobre a oração de Jesus no Getsêmani


Queridos irmãos e irmãs,

Hoje gostaria de falar sobre a oração de Jesus no Getsêmani, no horto das Oliveiras. O cenário da narração evangélica desta oração é particularmente significativo. Jesus vai ao Monte das Oliveiras, depois da última Ceia, enquanto está rezando com os seus discípulos. Narra o Evangelista Marcos: “Depois de ter cantado o hino saíram em direção ao Monte das Oliveiras” (14,26). Este hino faz alusão provavelmente ao canto de alguns salmos do Hallél com os quais se agradece a Deus pela libertação do povo da escravidão e se pede o auxílio para as dificuldades e as ameaças sempre novas do presente. O percurso até o Getsêmani é composto por expressões de Jesus que torna incumbente o seu destino de morte e anunciam a iminente dispersão dos discípulos.

Chegando ao Monte das Oliveiras,  Jesus naquela noite também se prepara em oração pessoal. Mas desta vez acontece algo novo: Ele parece não querer estar só. Muitas vezes Jesus se retirava à parte da multidão e dos próprios discípulos, se refugiando em lugares desertos (Mar 1,35) ou subindo no monte (Mar 6,46). No Getsêmani, ao contrário, Ele convida Pedro, Tiago e João para ficarem mais próximos. Foram os mesmos discípulos que Ele chamou para estarem com Ele no monte durante a transfiguração (Mar 9,2-13). Esta proximidade dos três durante a oração do Getsêmani é significativa. Também naquela noite Jesus rezará sozinho ao Pai, já que o seu relacionamento com Ele é único e singular: é o relacionamento do Filho Unigênito. Se diria, que sobretudo naquela noite ninguém poderia verdadeiramente aproximar-se do Filho, que se apresenta ao Pai na sua identidade absolutamente única, exclusiva. Jesus, entretanto, mesmo chegando sozinho no ponto no qual se começará a rezar, quer que pelo menos os três discípulos não estejam distantes, estejam em uma relação mais estreita com ele. Se trata de uma proximidade em termos espaciais, um pedido de solidariedade no momento no qual se sente aproximar-se da morte, mas é sobretudo uma proximidade na oração, para exprimir, de algum modo, a sintonia com Ele, no momento em que se aproxima do cumprimento total da vontade do Pai e é um convite para que cada discípulo o siga no caminho da cruz. O Evangelista Marcos narra: “Tomou consigo Pedro, Tiago e João e começou a sentir medo e angústia. Disse-lhes: “A minha alma está triste de morte. Permaneçais aqui e vigiais” (14,33-34).

Na palavra que dirige aos três, Jesus, mais uma vez, se exprime com a linguagem dos Salmos: “A minha alma está triste” (Sal 43,5). A dura determinação até a morte, depois, faz referência a uma situação vivida por muitos dos enviados de Deus no Antigo Testamento, a qual é expressa na oração deles. De fato, seguir a missão que lhes é confiada significa encontrar hostilidade, rejeição e perseguição. Moisés sente em modo dramático a prova que sofre enquanto guia o povo no deserto, e diz a Deus: “Não posso eu sozinho levar o peso de todo este povo; é muito pesado para mim. Se me deve tratar assim, faça-me morrer, se encontrei graça aos teus olhos” (Num 11,14-15). Também para o profeta Elias não é fácil levar adiante o serviço a Deus e ao seu povo. No primeiro livro dos Reis se narra: “Ele viveu no deserto um dia de caminho e andou até sentar-se sobre uma árvore. Com o desejo de morrer, disse: “Agora basta, Senhor! Tome a  minha vida, porque eu não sou melhor que os meus pais”. (19,4)

As palavras de Jesus aos três discípulos que os quer próximos durante a oração no Getsêmani, revelam como ele prova medo e angústia naquela hora e experimenta a ultima profunda solidão exatamente enquanto o desígnio de Deus se está atuando. E em tal medo e angústia de Jesus se recapitula todo o horror do homem diante da própria morte, a certeza da sua inexorabilidade e a percepção do peso do mal que perpassa a nossa vida.

Depois o convite para ficar e vigiar em oração dirigido aos três, Jesus sozinho se dirige ao Pai. O Evangelista Marcos narra que Ele “foi um pouco adiante, caiu por terra e rezou para que, se fosse possível, passasse longe dele aquela hora” (14,35). Jesus cai com o rosto no chão: é uma posição de oração que exprime a obediência à vontade do Pai, o abandonar-se com plena fidelidade nele. É um gesto que se repete no início da celebração da Paixão, na sexta-feira Santa, como também na profissão  monástica e nas ordenações diaconais, presbiterais e episcopais, para exprimir, na oração, também corporalmente, o confiar-se completamente a Deus, o confiar n'Ele. Depois Jesus pede ao Pai que, se fosse possível, passasse longe dele aquela hora. Não é somente o medo e a angústia do homem diante da morte, mas é o envolvimento do Filho de Deus que vê a terrível massa do mal que assumirá sobre si para superá-lo, para privá-lo de poder.

Caros amigos, também nós, na oração, devemos ser capazes de levar diante de Deus as nossas fadigas, sofrimentos de certas situações, de certos dias, o empenho cotidiano de segui-lo, de ser cristãos e também o peso do mal que vemos em nós e ao redor de nós, para que Ele nos dê esperança, nos faça sentir a sua proximidade, nos doe um pouco de luz no caminho da vida.

Jesus continua a sua oração: “Abbá! Pai! Tudo é possível a Ti: afasta de mim este cálice! Mas, que não seja aquilo que quero, mas aquilo que queres” (Mar 14,36). Nesta invocação existem três passagens reveladoras. No inicio temos o dúplice termo com o qual Jesus se dirige a Deus: “Abbá!Pai” (Marc 14,36a). Sabemos bem que a palavra aramaica Abbá é aquela que vinha usada pela criança para dirigir-se ao papai e exprimir, portanto, o relacionamento de Jesus com Deus Pai, um relacionamento de ternura, de afeto, de confiança, de abandono. Na parte central da invocação existe o segundo elemento: a consciência da onipotência do Pai - “tudo é possível a Ti” - que introduz um pedido, no qual, mais uma vez aparece o drama da vontade humana de Jesus diante da morte e do mal: “afasta de mim este cálice!”. Mas existe a certeza na expressão da oração de Jesus que é aquela decisiva, na qual a vontade humana adere plenamente à vontade divina. Jesus, de fato, conclui dizendo com força: “Entretanto, que não seja aquilo que quero, mas aquilo que queres” (Mar 14,36a). Na unidade da pessoa divina do Filho, a vontade humana encontra a sua plena realização no abandono total do “Eu” ao “Teu” do Pai, chamado Abbá. São Máximo, o confessor, afirma que desde o momento da criação do homem e da mulher, a vontade humana é orientada àquela divina e é exatamente no sim a Deus que a vontade humana se torna plenamente livre e encontra sua realização. Infelizmente, por causa do pecado, este “sim” a Deus se transformou em oposição: Adão e Eva pensaram que o “não” a Deus fosse o cume da liberdade, o ser plenamente eles mesmos. Jesus no Monte das Oliveiras reporta a vontade humana ao “sim' pleno a Deus, n'Ele a vontade natural é plenamente integrada na orientação que lhe dá a vontade divina. Jesus vive a sua existência segundo o centro da sua Pessoa: o seu ser Filho de Deus. A sua vontade humana é puxada para dentro do Eu do Filho, que se abandona totalmente ao Pai. Assim Jesus nos diz que somente no conformar a sua vontade àquela divina, o ser humano chega à sua verdadeira altura, se torna “divino”, somente saindo de si, somente no “sim' a Deus, se realiza o desejo de Adão, de todos nós, aquele de ser completamente livres. É isto que Jesus cumpre no Getsêmani: transferindo a vontade humana na vontade divina nasce o verdadeiro homem, e nós somos redimidos.

O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica ensina sinteticamente: “A oração de Jesus durante a sua agonia no Horto do Getsêmani e as suas últimas palavras na cruz revelam a profundidade da sua oração filial: Jesus leva a cumprimento o desígnio de amor do Pai e toma sobre si todas as angústias da humanidade, todos os pedidos e as intercessões da história da salvação. Ele os apresenta ao Pai que os acolhe e atende, além de toda esperança, ressuscitando-o dos mortos” (n.543). Verdadeiramente “em nenhuma outra parte da Sagrada Escritura olhamos tão profundamente dentro do mistério interior de Jesus, como na oração no Monte das Oliveiras” (Jesus de Nazaré, II, 177)

Queridos irmãos e irmãs, todos os dias na oração do Pai Nosso nós pedimos ao Senhor: “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mat 6,10). Reconhecemos, isto é, que existe uma vontade de Deus conosco e para nós, uma vontade de Deus sobre a nossa vida, que deve se tornar cada dia mais uma referência do nosso querer e do nosso ser, reconhecemos ainda que é no “céu” onde se faz a vontade de Deus e que a “terra” se torna céu, local da presença do amor, da bondade, da verdade, da beleza divina, somente se na mesma é realizada a vontade de Deus. Na oração de Jesus ao Pai, naquela noite terrível e estupenda do Getsêmani, a “terra” se torna “céu”; a “terra” da sua vontade humana, tomada pelo medo e pela angústia, foi assumida pela vontade divina, assim que a vontade de Deus se realizou sobre a terra. Isto é importante também na nossa oração: devemos aprender a confiar-nos mais à Providência divina, pedir a Deus a força de sairmos de nós mesmos para renovarmos o nosso “sim”, para repetir-lhe “seja feita a vossa vontade”, para conformar a nossa vontade à sua. É uma oração que devemos fazer cotidianamente, porque nem sempre é fácil confiar-nos à vontade de Deus, repetir o “sim” de Jesus, o “sim” de Maria. As narrações evangélicas do Getsêmani mostram dolorosamente que os três discípulos, escolhidos por Jesus para estarem próximos dele, não foram capazes de vigiar com Ele, de partilhar a sua oração, a sua adesão ao Pai e foram envolvidos pelo sono.

Caros amigos, peçamos ao Senhor para que sejamos capazes de vigiar com Ele na oração, de seguir a vontade de Deus todos os dias também quando se fala de Cruz, de viver uma intimidade sempre maior com o Senhor, de trazer para esta “terra” um pouco do “céu” de Deus. Obrigado.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Uma partilha de desejos!

Hoje é aniversário da Gratidão! Pela graça de Deus nossa querida comunidade completa quatro anos! É dia de alegria, de festa e de render ao Senhor toda a gratidão pelo carisma que Ele nos dá!

E, por isso, gostaria de fazer uma partilha com você que nos conhece, nos visita na internet, e também nos ajuda a sustentar esta obra! Deixo com vocês um e-mail que enviei aos meus irmãos no dia 14 de agosto do ano passado. O e-mail foi escrito após uma oração comunitária e no período que estávamos de mudança para a Paróquia Nossa Senhora do Carmo. Exponho à vocês o que se passava em meu coração para testemunhar a alegria que é responder ao chamado de Deus junto com aqueles que Ele reservou de forma tão especial. 

Segue o e-mail:


Boa tarde!
Um dia desses me deparei com o seguinte poema de Santa Teresinha:


"Meus desejos aos pés de Jesus escondido em sua prisão de amor

Oh! chavezinha que invejo!
Por abrires, cada dia,
A prisão da Eucaristia
Onde mora o Deus de Amor.
Mas posso, ó doce milagre,
Só pelo esforço da fé,
Abrir também o sacrário
E esconder-me aí com o Rei.

Quisera eu no Santuário,
Consumindo-me junto a Deus,
Brilhar sempre com mistério,
Como a lâmpada do lugar Santo.
Oh! prazer! Em mim há chamas:
Ganhar posso, a cada dia,
Muitas almas para Jesus,
Abrasando-as em Seu amor!

A cada aurora te invejo,
Sagrada pedra do altar!
Como na gruta, em Belém,
Em ti nasce o Rei eterno...
Digna-Te ouvir minha prece,
Vem à minh'alma, Senhor...
Longe de ser pedra fria,
Ela é o anseio de Teu Peito!

Corporal, rodeado de anjos,
Quão invejável tua sorte;
Sobre ti, como em suas fraldas,
Vejo Jesus, meu tesouro.
Maria, faz de meu peito
Um corporal puro e belo
Para receber a Hóstia branca
Que esconde o doce Cordeiro.

Pátena santa, eu te invejo,
Pois Jesus em ti repousa,
Que sua grandeza infinita
Possa descer até mim...
Enchendo minha esperança,
Não espera a noite de minha vida:
Ela a mim vem; sua presença
Faz de mim vivo Ostensório.

Eu invejo o feliz cálice
Em que adoro o Sangue divino...
Mas posso, na Santa Missa,
Recolhê-lo a cada dia.
Mais cara é a Jesus minh'alma
Mais cara que os vasos de ouro.
O altar é o novo Calvário
Onde seu Sangue ainda corre...

Jesus, vinha santa e sagrada,
Bem sabes, meu Rei Divino,
Que sou um cacho dourado
Que por Ti vai consumir-se...
No lagar do sofrimento,
Provarei meu amor.
Outro prazer não desejo
Que imolar-me cada dia.

Que alegria! Sou escolhida,
entre os grãos de puro trigo
Que sucumbem por Jesus;
Grande é minha exultação!...
Sou Tua esposa querida,
Amor, vem viver em mim.
Tua beleza conquistou-me,
Vem me transformar em Ti!..."

Que surpresa a minha ao me deparar com essas palavras... Talvez você já conheça tal poema e não seja assim uma grande novidade ao seu coração, mas para o meu, nossa!

Me lembrei da nossa oração comunitária e dos paramentos sobre o altar... Do Regis dizendo que essa era uma inspiração do carisma... Nossa! Que profundidade de oração! Me recordei dos meus desejos ao tocar o corporal, a patena, o cálice e todos os demais paramentos! Me recordei também dos seus, que está lendo esse e-mail. Me lembrei que juntos é que tivemos tais anseios. Em comum oração é que Deus nos deu a graça de por alguns momentos alcançar a espiritualidade da nossa pequena baluarte.

E no meu coração deu vontade de rezar mais com vocês. Me veio a certeza de que unidos podemos alcançar mais tantas graças derramadas do céu como as daquele dia. Existem os dias em que as graças são mais especiais e eu desejo estar com cada um de vocês no dia que o Bom Deus quiser derramá-las sobre sua pequena e tão amada Gratidão.

Não que seja necessário momentos de oração para irmos crescendo em espiritualidade, eu sei que isso acontece todos dias, a cada passo do caminho. Mas é que eu queria fazer uma declaração a cada um de vocês, e esse e-mail é para isso. Declaração de vontade e de desejo. Vontade de ser com vocês e para Deus. Desejo de estar e ser presença. Para que unidos em comum oração possamos a cada dia dar passos e ver nossa linda Gratidão tomar corpo. Tomar corpo em nosso corpo. Porque é nele que ela se faz viva. Do Coração de Deus para o nosso coração. Do Corpo e Sangue do Senhor para o nosso corpo e, assim, para o Corpo da Igreja.

Tenho ainda outros desejos:

Desejo ser dócil e obediente à voz de Deus e a seu chamado. E que façamos isso em unidade, para que saibamos a hora de ir ou voltar do "Egito", a hora de falar ou de silenciar e sempre o modo de agradar ao Senhor.

Desejo de com vocês, a cada dia e em cada escolha e decisão, adorar somente a Deus dizendo a tudo que tem tendência de ser para nós ídolos, Quem como Deus? Eu sei que para você e para mim, ninguém é como Deus. E me alegro tanto em olhar para cada um de vocês dizendo isso. São os meus exemplos. Gratidão por isso.

Desejo de fazer da minha vida um lugar de consolação, carinho, adoração e um verdadeiro ninho de amor para o Nosso Amado Jesus. NOSSO Amado. Eu e você, juntos, nos transformando em um ninho de amor. Cada um com seu espaço e sua forma de ser carinho para Deus, ser motivo de alegria. Olhando a cada dia, quantos dons e quantas graças Ele nos tem dado e, por isso, render a Ele toda a gratidão.

Desejo de aprender a ser santa dentro da minha realidade. E aprender junto com você e estar dentro do mundo sem ser do mundo. A me divertir com estes que Ele me deu de forma tão gratuita. E não somente aprender a me divertir mas a amar de verdade. A me doar a cada um de vocês. Sabendo que minha vida e a sua é um dom e que este dom nos foi dado para que pudéssemos doá-lo, como um presente. E, hoje, vocês são o presente que Deus me dá. Desejo ser de forma semelhante para cada um. Mesmo com meus defeitos, limitações e dificuldades, desejo para vocês ser presente e presença, na certeza de que o Bom Deus nos lapida a cada dia e cuida de nós.

E assim, meus queridos irmãos, vocês, pequenos cálices, corporais, velas, altares. Pequenos não no sentido de diminuir, mas pequenos porque o Senhor nos quer simples como as crianças as quais são reservadas o reino, seguimos com a nova realidade que o Senhor nos prepara. Realidade que será para nós uma surpresa e que virá com dificuldades e com tantas graças. Que, seguros pela dobra do braço da Virgem e tendo a certeza de que Nossa Mãe está conosco e que por isso não é preciso temer a nada, nós possamos seguir, adorando a Jesus, sacramento de amor gratuito do Pai, com muita intimidade e com todo o amor e gratidão que existe em nosso coração.

Amo vocês.

Juntos, cantemos com nossa vida: Tudo que tenho e sou, de graça eu te dou.

Esses foram os meus desejos aos meus irmãos de comunidade, que tanto amo! Essa é uma parte da minha história de vocação. E, para você que lê esse texto, meu desejo é que corresponda a vontade do Senhor na sua vida e que escreva também a sua história junto com Ele! Na certeza de que tudo o que provêm dele é o melhor e que vale a pena dizer sim! 



Amanda Soares
Comunidade Católica Gratidão