segunda-feira, 30 de abril de 2012

Música da Semana!

Bom dia!
Nesta semana desejamos que seu lugar seja nos braços do Senhor!
Que o Espírito Santo te conceda a graça de ouvir a voz do Pastor e de se deixar conduzir por Àquele que dá a vida por você!
E que em seu coração fique a certeza de que Àquele que nada reteve de si te dá a dignidade de ser chamado de filho! E que essa seja a alegria da tua vida: de ser filho no Filho, através do Espírito Santo como forma de agradar ao Pai!
Que Nossa Senhora te leve aos braços do Pastor!
A paz!



sexta-feira, 27 de abril de 2012

IX Jornada Vocacional

Antes que você nascesse Deus já tinha um plano para você! Já descobriu qual é? Não? Então tá chegando a hora!


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Catequese do Papa Bento XVI sobre a Primazia da Oração


Queridos irmãos e irmãs,

Na catequese passada, mostrei que a Igreja, desde o início do seu caminho, teve que enfrentar situações imprevistas, novas questões e emergências às quais procurou dar respostas à luz da fé, deixando-se guiar pelo Espírito Santo. Hoje gostaria de deter-me sobre uma outra situação, sobre um problema sério que a primeira comunidade cristã de Jerusalém teve que enfrentar e resolver, como nos narra São Lucas no capítulo sexto dos Atos dos Apóstolos, a respeito da pastoral da caridade junto às pessoas solitárias e necessitadas de assistência e ajuda. A questão não é secundária para a Igreja e corre-se o risco naquele momento, de criar divisões no interior da Igreja; o número dos discípulos, de fato, vinha aumentando, mas aqueles de lingua grega começavam a lamentar-se contra aqueles de língua hebraica porque as suas viúvas estavam sendo deixadas de lado na distribuição cotidiana (At. 6,1). Diante da urgência que se referia a um aspecto fundamental na vida da comunidade, isto é, a caridade em relação aos mais fracos, aos pobres, aos indefesos, e a justiça, os Apóstolos convocam todo o grupo de discípulos. Neste momento de emergência pastoral, sobressai o discernimento realizado pelos apóstolos. Eles se encontram diante da exigência primária de anunciar a Palavra de Deus segundo o mandato do Senhor, mas - também se esta é uma exigência primária da Igreja - consideram da mesma forma o dever da caridade e da justiça, isto é, o dever de assistir as viúvas, os pobres, de prover com amor diante das situações de necessidade nas quais se encontram irmãos e irmãs, para responder ao mandamento de Jesus: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,,12.17). Portanto, as duas realidades que devem ser vividas na Igreja -  o anúncio da Palavra, a primazia de Deus, e a caridade concreta, a justiça - , estão criando dificuldade e se deve encontrar uma solução, para que ambas possam estar em seus devidos lugares, e sua relação necessária. A reflexão dos Atos dos Apóstolos é muito clara, como ouvimos: "Não é justo que nós deixemos a Palavra de Deus à parte para servir as mesas. Entretanto, irmãos, procureis entre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais confiaremos esta missão. Nós, ao invés disso, nos dedicaremos à oração e ao serviço da Palavra" (At 6,2-4).

Duas coisas aparecem: primeiro, existe a partir daquele momento, na Igreja, um ministério da caridade. A Igreja não deve somente anunciar a Palavra, mas também realizar a Palavra, que é caridade e verdade. E, segundo ponto, esses homens não somente devem gozar de boa reputação, mas devem ser homens repletos do Espírito Santo e de sabedoria, isto é, não podem ser somente organizadores que sabem "fazer", mas devem "fazer" no espírito da fé com a luz de Deus, na sabedoria do coração, e portanto, também a função deles - mesmo que seja prática -  é todavia uma função espiritual. A caridade e a justiça não são somente ações sociais, mas são ações espirituais realizadas na luz do Espírito Santo. Portanto, podemos dizer que essa situação vem enfrentada com grande responsabilidade por parte dos apóstolos, os quais tomam esta decisão: são escolhidos sete homens; os apóstolos rezam para pedir a força do Espírito Santo e depois, impõem as mãos para que se dediquem em modo particular a essa diaconia da caridade. Assim, na vida da Igreja, nos primeiros passos que ela realiza, se reflete, em um certo modo, o que havia acontecido durante a vida pública de Jesus, na casa de Marta e Maria em Betânia. Marta estava bem ligada ao serviço da hospitalidade oferecido a Jesus e aos seus discípulos; Maria, ao contrário, se dedica à escuta da Palavra do Senhor (Luc 10,38-42). Em ambos os casos, não são contrapostos os momentos da oração e da escuta de Deus, e a atividade cotidiana e o serviço da caridade. A expressão de Jesus: "Marta, Marta, tu te preocupas e te agitas com tantas coisas, mas de uma coisa tens necessidade, Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada" (Luc 10,41-42), como também a reflexão dos apóstolos: "Nós nos dedicaremos à oração e ao serviço da Palavra" (At 6,4), mostram a prioridade que devemos dar a Deus. Não gostaria de entrar agora na interpretação desta perícope Marta-Maria. Em todo caso, não vem condenada a atividade pelo próximo, mas vem destacado que ela deve ser penetrada interiormente também pelo espírito de contemplação. Por outro lado, Santo Agostinho diz que essa realidade de Maria é uma visão da nossa situação no céu, portanto, na terra, não podemos nunca tê-la completamente, mas um pouco de antecipação deve estar presente em toda a nossa atividade. Deve estar presente também a contemplação de Deus. Não devemos nos perder no ativismo puro, mas sempre deixarmo-nos penetrar na nossa atividade à luz da Palavra de Deus e assim aprender a verdadeira caridade, o verdadeiro serviço pelo outro, que não tem necessidade de tantas coisas - tem necessidade certamente das coisas necessárias - mas tem necessidade sobretudo do afeto do nosso coração, da luz de Deus.

Santo Ambrósio, comentando o episódio de Marta e Maria, assim exorta os seus fiéis e também nós: "Procuremos ter também nós aquilo que não nos pode ser tirado, dando à palavra de Deus uma grande atenção, não distraída: acontece também às sementes da palavra de serem levadas embora,  semeadas ao longo da estrada. Estimule também tu, como Maria, o desejo do saber: é esta a maior, mais perfeita obra" - E acrescenta ainda: "o cuidado do ministério não desvie o conhecimento da palavra celeste" (Expositio Evangelii secundum Lucam, VII, 85: pl 15, 1720). Os santos, portanto, experimentaram uma profunda unidade de vida de oração e ação, entre o amor total a Deus e o amor aos irmãos. São Bernardo, que é modelo de harmonia entre contemplação e operosidade, no livro De Consideratione, endereçado ao Papa Inocêncio II para oferecer-lhe algumas reflexões a respeito de seu ministério, insiste exatamente sobre a importância do recolhimento interior, da oração para defender-se dos perigos de uma atividade excessiva, qualquer que seja a condição na qual se encontra a tarefa que se está desenvolvendo. São Bernardo afirma que a demasiada ocupação, uma vida frenética, geralmente acabam induzindo o coração a fazer sofrer o espírito.

É uma preciosa retomada para nós hoje, acostumados a valorizar tudo a partir do critério da produtividade e da eficiência. O trecho dos Atos dos Apóstolos nos recorda a importância do trabalho - sem dúvida se é criado um verdadeiro ministério - , do empenho nas atividades cotidianas que são desenvolvidas com responsabilidade e dedicação, mas também a nossa necessidade de Deus, da sua direção, da sua luz que nos dão força e esperança. Sem a oração cotidiana vivida com fidelidade, o nosso fazer se esvazia, perde o sentido profundo, se reduz a um simples ativismo que, no final, nos deixa insatisfeitos. Existe uma bela invocação da tradição cristã para recitar-se antes de toda atividade, a qual diz assim: Actiones nostras, quæsumus, Domine, aspirando præveni et adiuvando prosequere, ut cuncta nostra oratio et operatio a te semper incipiat, et per te coepta finiatur", isto é: "Inspire as nossas ações Senhor, e acompanhe-as com a tua ajuda, para que todo o nosso falar e agir tenha de ti o seu início e o seu cumprimento". Cada passo da nossa vida, toda ação, também na Igreja, deve ser feita diante de Deus, à luz da sua Palavra.

Na catequese da quarta-feira passada eu havia destacado a oração unânime da primeira comunidade cristã diante das provas e como, exatamente na oração, na meditação sobre a Sagrada Escritura ela pode compreender os eventos que estavam acontecendo. Quando a oração é alimentada pela palavra de Deus, podemos ver a realidade com olhos novos, com os olhos da fé e o Senhor, que fala à mente e ao coração, dá nova luz ao caminho em todos os momentos e em todas as situações. Nós cremos na força da Palavra de Deus e da oração. Também a dificuldade que está vivendo a Igreja diante do problema do serviço aos pobres e a questão da caridade, é superada na oração, à luz de Deus, do Espírito Santo. Os apóstolos não se limitam a ratificar a escolha de Estevão e dos outros homens, mas depois de rezar , impõem-lhes as mãos" (At 6,6). O Evangelista recordará novamente estes gestos em ocasião da eleição de Paulo e Barnabé, onde lemos: "depois de ter jejuado e rezado, impuseram-lhes as mãos e os despediram" (At 13,3). Confirma-se de novo que o serviço prático da caridade é um serviço espiritual. Ambas as realidade devem andar juntas.

Com o gesto da imposição das mãos, os Apóstolos conferem um ministério particular a sete homens, para que seja dada a eles a força correspondente. O destaque dado à oração - depois de ter rezado", dizem -  é importante porque evidencia exatamente a dimensão espiritual do gesto; não se trata simplesmente de conferir um encargo como acontece em uma organização social, mas é um evento eclesial no qual o Espirito Santo se apropria de sete homens da Igreja, consagrando-os na Verdade que é Jesus Cristo: é Ele o protagonista silencioso, presente na imposição das mãos para que os eleitos sejam transformados pela sua potência e santificados para enfrentar desafios práticos, os desafios pastorais. E o destaque da oração nos recorda além disso que somente no relacionamento íntimo com Deus cultivado a cada dia nasce a resposta à escolha do Senhor que nos vem confiado cada ministério na Igreja.

Queridos irmãos e irmãs, o problema pastoral que levou os apóstolos a escolher e a impor as mãos sobre sete homens encarregados do serviço da caridade, para dedicarem-se à oração e ao anuncio da Palavra, indica também a nós a primazia da oração e da Palavra de Deus, que, todavia, produz depois também a grande ação pastoral. Para os Pastores, esta é a primeira e mais preciosa forma de serviço em relação ao rebanho a eles confiado. Se os pulmões da oração e da Palavra de Deus não alimentam a respiração da nossa vida espiritual, sofremos o risco de nos sufocarmos em meio às mil coisas de todos os dias: a oração é a respiração da alma e da vida. E existe uma outra preciosa retomada que gostaria de destacar: no relacionamento com Deus, na escuta de sua Palavra, no diálogo com Deus, também quando nos encontramos no silêncio de uma igreja ou de nosso quarto, estamos unidos no Senhor a tantos irmãos e irmãs na fé, como uma junção de instrumentos, que apesar da individualidade de cada um, elevam a Deus uma única grande sinfonia de intercessão, de agradecimento e de louvor. Obrigado.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Clipe Oficial do Bote Fé Brasília!

Boa noite!
O Bote Fé está chegando e para receber a Cruz Peregrina e o Ícone de Nossa Senhora, símbolos da jornada, a Arquidiocese de Brasília preparou uma música oficial! Confira o clipe: 

terça-feira, 24 de abril de 2012

Perdão, Maria Teresa!


- Querida Maria Teresa,

Faz tempo que a gente não se vê, mas estou certa de que se lembra de mim. Quanto a mim, não conseguirei esquecer você enquanto eu viver. Parece que estou vendo o dia em que você nasceu, a primeira vez que a tomei nos meus braços, seu primeiro chorinho.  Também é nítida em minha memória a primeira vez que sua mãe a amamentou depois das horas iniciais de corre-corre dos médicos que, fiéis ao seu juramento, lutaram por sua vida.

Vêm-me à memória cenas da UTI: sua mãozinha segurando o dedo do seu pai, devidamente paramentado de máscara e bata, a rezar por sua sobrevivência; seu pediatra, homem de extraordinária fé, a fazer o curativo em sua cabeça, temeroso de infecções e complicações indesejáveis e perigosas. Era preciso, a todo custo, salvar sua vida!

Toda a comunidade rezou por você, seus pais e irmãos, avós e tios. Foram feitas adorações, rezadas dezenas de rosários, celebradas dezenas de missas. Foram feitos jejuns e penitências. Foi nosso jeito de lutar por sua vida preciosa para todos nós.

Seus pais e avós, com seu comportamento heroico de fé desde sua gestação, revezaram-se na UTI, depois, no apartamento do hospital e, finalmente, em casa. Seus três irmãos não tinham outro assunto a não ser sua chegada iminente.

Em nenhum momento você foi abandonada. Nem por nós, nem por seus médicos e enfermeiros. Você era “a princesinha”. Com alegria e louvor corriam por toda a comunidade as pequenas notícias de sua vida iniciante: “Maria Teresa continua mamando bem”; “Maria Teresa pegou bem a chupeta”; “Maria Teresa urina e defeca normalmente”; “Maria Teresa, além de mamar, está recebendo complemento de leite e suga bem a mamadeira”; “Maria Teresa recebe o cuidado dos irmãozinhos”. Corriam velozes também suas fotos com sua família “coruja”.

Momento especialíssimo foi seu batizado, ainda na UTI. Tive a honra incomparável de ser sua madrinha. Como sabíamos que você poderia não resistir, resolvemos batizá-la momentos após o seu nascimento, como aconteceu com tantos santos. Queríamos você no céu, onde está agora, pois nunca pecou.

Para surpresa geral, especialmente dos médicos, você foi crescendo, engordando, progredindo. Seu bercinho ficava no quarto de seus pais e são muito belas as fotos em que eles a olham com imenso carinho, com o mesmo olhar das fotos dos seus irmãos ainda bebês, inclusive o que nasceu depois de você. É o mesmo olhar, o mesmo amor, a mesma ternura, a mesma esperança.

Poucos dias antes de seus quatro meses de vida, seu pai me ligou. Você não respirava muito bem. Corri para sua casa. Logo em seguida chegou tio Moysés e, minutos depois, seu dedicadíssimo pediatra, Dr. Alberto Lima, que cuidou de você com desvelo incomum. Nunca disse que você não existia. Entendia, como nós, que a essência, criada por Deus, precede a existência, dada por Ele e não o contrário, como pensam os materialistas. Você mamou uma última vez e, em meio às orações e louvores de todos por sua vida que renovara as nossas, você faleceu, nos braços de sua mãe, acariciada por ela, por seu pai e seus irmãos.

Assim como sua vida, foi inesquecível seu velório, na sua comunidade, em meio a orações de louvor. Era nossa forma de dizer que cremos na vida e que sua vida foi muito cara para nós, um grande e inesquecível dom de Deus.

Mas essa carta, Maria Teresa, é para pedir-lhe perdão. Como sabe, o STF acaba de aprovar o aborto de anencéfalos, como você. Tanto a comunidade como seus pais e médico fizemos tudo para evitar isso. Havíamos convivido com você! Havíamos amado você! Havíamos acompanhado seus progressos! Cremos em Jesus Ressuscitado! Cremos na vida! Cremos no valor da vida! Sabemos que ela existe desde o momento da fecundação! Esses são fatos concretos palpáveis! A vida está imensamente acima do que consideramos “saúde” e “perfeição”. Ela é eterna! Saúde e perfeição passam como um sopro. A vida lhes é imensamente superior!

Seus pais foram a Brasília com sua história, sua foto. A Shalom Maná publicou sua história e a ilustrou com a felicidade de sua família. Seus pais e irmãos deram testemunho no Brasil e fora do país. Eu mesma escrevi a parlamentares falando de você, da fé, da beleza da vida. A Igreja do Brasil entrou em oração humilde e suplicante diante do Santíssimo exposto. Mais uma vez, porém, ficou comprovado o sagrado respeito de Deus pela liberdade humana!

Durante a votação de dois dias, sete dos juízes do STF optaram por tirar sumariamente o direito à vida de milhões de crianças como você! Bem que o Cesar Pelluso tentou, com brilhantismo! Em vão. Bebês anencéfalos e com outros tipos de limitações saem caro para o Estado. É mais fácil eliminá-los sob máscaras hipócritas.

Perdão, Teresa. Querida Teresa. Amada Teresa. Inesquecível Maria Teresa. Perdão por terem afirmado que você nunca existiu, que não teve vida, que não era vida! Perdão por ignorarem sua certidão de nascimento, seu nascimento, seu Batismo, suas fotos, a alegria, esperança, união e imensa ternura que nos trouxe. Perdão, querida!

No céu, onde sua vida existe eternamente, onde você vive o Batismo que não lhe foi negado, onde você vê elevada à glória de Deus o amor que deu e recebeu durante a vida, reze por essa nossa Terra da Santa Cruz. Você sabe: primeiro, veio o aborto dos bebês gerados em estupros, agora, os anencéfalos; os outros passos não são difíceis de imaginar: bebês com más formações, seleção de zigotos, risco de vida da mãe, aborto totalmente liberado.

Reze, Teresa, converse com o Menino Jesus e com a Mãe dele, de quem trazemos o nome. Reze por nós! Que, na Terra da Santa Cruz, na Terra da Vera Cruz, a cruz seja usada como símbolo de verdade, de vitória, de amor, de entrega de vida, de disposição amorosa ao sacrifício e não como sentença de morte imputada a inocentes.

Perdão! Reze por nós!

Beijo! Saudades!

Sua Madrinha, Maria Emmir.



Emmir Nogueira
Co-fundadora da Comunidade Shalom

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Música da Semana!

Bom dia!
Nesta semana desejamos que você se encontre com o Senhor da tua história!
Que a presença Dele na Palavra e na Eucaristia faça você ter com Ele um verdadeiro relacionamento! Relacionamento de filho com Jesus Ressuscitado, relacionamento com Jesus que se deixa tocar! Que essa verdade dissipe todas as mentiras que te rodeiam!
Que você não dê mais nenhum passo que não seja na direção da vontade de Deus em sua vida!
Que Maria, aquela que soube sempre caminhar com o Senhor, seja teu modelo nesta semana!
A paz! 


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Catequese do Papa Bento XVI sobre a oração nos Atos dos Apóstolos


Caríssimos irmãos e irmãs,

Depois das grandes festas, retornamos agora às catequeses sobre a oração. Na audiência antes da semana santa, nos detivemos sobre a figura da Beata Virgem Maria, presente no meio dos apóstolos em oração, no momento no qual esperavam a chegada do Espírito Santo. Uma atmosfera orante acompanha os primeiros passos da igreja. O Pentecostes não é um episódio  isolado, uma vez que a presença e a ação do Espírito Santo guiam e animam constantemente o caminho da comunidade cristã.

Nos atos dos apóstolos, de fato, São Lucas, além de narrar a grande efusão que aconteceu no Cenáculo cinquenta dias após a Páscoa (At 2,1-13), se refere a outras intervenções extraordinárias do Espírito Santo, as quais retornam na história da Igreja. E hoje, quero concentrar-me sobre aquele que foi "o pequeno Pentecostes", manifestado no cume de uma fase difícil na vida da Igreja nascente.

Os atos dos apóstolos narram que, após a cura de um paralítico diante do Templo de Jerusalém (At 3,1-10) , Pedro e João foram presos porque anunciavam a Ressurreição de Jesus a todo o povo. (At 3, 11-26). Depois de um processo sumário, foram recolocados em liberdade, chegaram aos seus irmãos e narraram tudo que haviam sofrido por causa do testemunho ligado à pessoa de Jesus, o Ressuscitado. Naquele momento - diz São Lucas - "todos, unânimes ergueram a voz a Deus" (At 4,24). Ali,  São Lucas reporta a mais ampla oração da Igreja que encontramos no Novo testamento, no final da qual, como ouvimos, "o lugar no qual se reuniam tremeu e todos ficaram repletos do Espírito Santo e proclamavam a Palavra de Deus com ardor" (At 4,31).

Antes de considerar essa bela oração, notamos uma atitude de fundo muito importante: diante do perigo, das dificuldades, das ameaças, a primeira comunidade cristã não busca fazer análises de como reagir, encontrar estratégias, como defender-se, quais medidas adotar, mas, diante da prova, se coloca em oração, entra em contato com Deus.

E qual característica tem esta oração? Se trata de uma oração unânime e concorde em toda a comunidade, diante de uma situação de perseguição por causa de Jesus. No original grego São Lucas usa o vocábulo homothumadon - todos juntos, concordes - um termo que aparece em outras partes dos Atos dos Apóstolos para sublinhar esta oração perseverante e concorde (At ,14;2,46). Esta concórdia é elemento fundamental da primeira comunidade cristã e deveria ser sempre fundamental para a Igreja. Não é então somente a oração de Pedro e de João, os quais estavam em perigo, mas de toda a comunidade, porque o que vivem os apóstolos não diz respeito somente a eles, mas a corresponde à vida de toda a igreja. Diante das perseguições sofridas por causa de Jesus, a comunidade não somente não se assusta e não se divide, mas é profundamente unida na oração, como uma só pessoa, para invocar o Senhor. Isto, diria, é o primeiro prodígio que se realiza quando os crentes são colocados à prova por causa da fé deles: a unidade de consolidar, aos invés de ser comprometida, porque é sustentada por uma fração que não vacila. A Igreja não deve temer as perseguições que na sua história foi obrigada a sofrer, mas confiar sempre, como Jesus no Getsêmani, na presença, na ajuda e na força de Deus, invocado na oração.

Façamos um passo sucessivo: o que a comunidade cristã pede a Deus neste momento de provação? Não pede a preservação da vida diante da perseguição, nem que o Senhor se vingue daqueles que encarceraram Pedro e João; mas pede somente que seja concedido a ela de proclamar com toda a força a Palavra de Deus (At 4,29), isto é, reza para não perder a coragem da fé, a coragem de anunciar a fé. Antes, entretanto, busca compreender com profundidade aquilo que aconteceu, busca ler os acontecimentos à luz da fé e o faz exatamente através da Palavra de Deus, que nos faz decifrar a realidade do mundo.

Na oração que eleva ao Senhor, a comunidade parte do recordar e do invocar a grandeza e imensidade de Deus: "Senhor, tu que criaste o céu e a terra, o mar e todas as coisas que neles se encontram" (At 4,24). É a invocação ao Criador: sabemos que tudo vem dele, que tudo está em suas mãos. Esta é a consciência que nos dá certeza e coragem: tudo vem dele, tudo está nas suas mãos. Passa depois a reconhecer como Deus agiu na história - portanto, começa com a criação e continua na história - , como esteve próximo de seu povo mostrando-se um Deus que se interessa pelo homem, que não se retirou, que não abandona o homem, sua criatura; e que vem citado explicitamente no Salmo 2, à luz do qual vem lida a situação de dificuldade que está vivendo naquele momento a Igreja. O Salmo 2 celebra a entronização do Rei de Judá, mas se refere profeticamente à vinda do Messias, contra o qual nada poderão fazer a rebelião, a perseguição e a imposição dos homens: "Porque as nações se agitaram e os povos tramavam coisas vãs? Se elevaram os reis da terra e os principes se aliaram juntos contra o Senhor e contra o seu Cristo" (At 4,25). Isso diz já profeticamente o Salmo sobre o Messias, e é característica em toda a história esta rebelião dos potentes contra a potência de Deus. Exatamente lendo a Sagrada Escritura, que é Palavra de Deus, a comunidade pode dizer a Deus na sua oração: "Verdadeiramente nesta cidade se uniram contra o teu santo servo Jesus, que tu consagraste, para cumprir aquilo que a tua mão e a tua vontade haviam decidido que acontecesse" (At 4,27). Aquilo que aconteceu foi lido à luz de Cristo, que é a chave para compreender também a perseguição; a cruz, que sempre é a chave para a Ressurreição. A oposição em relação a Jesus, a sua Paixão e Morte, são relidas, através do Salmo 2, como atuação do projeto de Deus Pai para a salvação do mundo. E aqui se encontra também o sentido da experiência de perseguição que a primeira comunidade cristã está vivendo; esta primeira comunidade não é uma simples associação, mas uma comunidade que vive em Cristo; portanto, aquilo que acontece a ela faz parte do desígnio de Deus. Como aconteceu com Jesus, também os discípulos encontram oposição, incompreensão, perseguição. Na oração, a meditação sobre a Sagrada Escritura à luz do mistério de Cristo ajuda a ler a realidade presente no núcleo da história da salvação que Deus atua no mundo, sempre a seu modo.

Exatamente por isto, o pedido que a primeira comunidade cristã de Jerusalém formula a Deus na oração não é aquela de ser defendida, de ser poupada da provação, do sofrimento, não é a oração para se obter sucesso, mas somente aquela de poder proclamar com  parresia, isto é com ardor, com liberdade, com coragem, a Palavra de Deus. (At 4,29).

Acrescenta depois o pedido para que este anúncio seja acompanhado pela mão de Deus, para que se realizem curas, sinais e prodígios (At 4,30), isto é, seja visível a bondade de Deus, como força que transforme a realidade, que transforme o coração, a mente, a vida dos homens e leve a novidade radical do Evangelho.

Ao final da oração - destaca São Lucas - "o lugar no qual estavam reunidos tremeu e todos ficaram repletos do Espírito Santo e proclamavam a palavra de Deus com ardor" (At 4,31). O lugar tremeu, isto é, a fé tem a força de transformar a terra e o mundo. O mesmo Espírito que falou por meio do Salmo 2 na oração da Igreja, invade a casa e preenche o coração de todos aqueles que invocaram o Senhor. Este é o fruto da oração que a comunidade cristã eva a Deus: a efusão do Espírito, dom do Ressuscitado que sustenta e guia o anúncio livre e corajoso da Palavra de Deus, que impulsiona os discípulos do Senhor a sair sem medo para levar a boa-nova até os confins da terra.

Também nós, irmãos e irmãs, devemos saber levar os acontecimentos da nossa vida cotidiana para a nossa oração, para procurarmos o significado profundo. E como a primeira comunidade cristã, também nós, deixemo-nos iluminar da Palavra de Deus, através da meditação das Sagradas Escrituras, possamos aprender a ver que Deus está presente na nossa vida, presente também nos momentos difíceis, e que tudo - também as coisas incompreensíveis- faz parte de um superior desígnio do amor no qual a vitória final sobre o mal, o pecado e sobre a morte é verdadeiramente aquela do bem, da graça, da vida, de Deus.

Como para a primeira comunidade cristã, a oração nos ajuda a ler a história pessoal e coletiva na prospectiva mais justa e fiel, aquela de Deus. E também nós queremos renovar o pedido do dom do Espírito Santo, que esquenta o coração e ilumina a mente, para reconhecer como o Senhor realiza as nossas invocações segundo a sua vontade de amor e não segundo as nossas ideias. Guiados pelo Espírito de Jesus, seremos capazes de viver com serenidade, coragem e alegria, cada situação da vida e com São Paulo nos avantajarmos "nas tribulações, sabendo que a tribulação produz paciência, a paciência a virtude provada e a virtude provada na esperança": aquela esperança que não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações por meio do Espírito Santo que nos foi doado" (Rom 5, 3-5). Obrigado.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Regressou Jesus, através da ressurreição, ao estado corporal que tinha em sua vida terrena?



O Senhor ressuscitado deixou-Se tocar pelos discípulos, comeu com eles e mostrou-lhes as feridas da Sua Paixão. No entanto, o Seu corpo já não pertencia mais a este mundo, mas ao âmbito divino do Pai. [645 - 646]

Cristo ressuscitado, que traz as feridas da crucifixão, não está mais ligado ao espaço e ao tempo. Ele pôde passar através das portas trancadas e aparecer aos Seus discípulos em diferentes lugares e numa forma em que eles não O reconheciam imediatamente. A ressurreição de Cristo não foi, portanto, um regresso à vida terrena normal, mas a entrada numa nova forma de ser: "Sabemos que, uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo já não pode morrer; a morte já não tem domínio sobre Ele" (Rom 6,9).

terça-feira, 17 de abril de 2012

Sobre a vida...


“Quando nasceu, estava silenciosa, não chorava”

Sobre a vida... Qual é o tempo para cada um de nós? Como será a nossa vida? De onde ela vem... Pra onde irá... Poderia continuar fazendo perguntas... Perguntas são importantes. Viver é essencial, imprescindível! Calo as minhas perguntas sobre ela.

Mas, pergunto pra mim e para você: Como nós temos vivido? Qual tem sido a qualidade de nossas vidas? Qual sentido temos dado a ela? Vivemos, hoje, olhando o quê lá na frente? Acho que, agora, conseguirei calar as perguntas.

Conto, rapidamente, a história de uma vida breve, porém, única, intensa e marcante. Falo de minha primeira afilhada, a Giovanna, que “viveu” muito pouco (pouco? Mas, que tempo é pouco?); falo como se já tivesse vivido muito (nem quarenta anos eu tenho).

Assisti ao primeiro parto de minha vida – ali, com a Mônica e o Marcelo e toda a equipe médica. Não esperava, jamais, ter que assistir a um, ainda mais nas circunstâncias delicadas... Lá estava eu, o padre-padrinho, para batizar a Giovanna. Quando nasceu, estava silenciosa, não chorava. A mãe, apreensiva perguntava: “E aí, padre André, como ela tá?” Eu não sabia o que dizer... Estava imóvel, quieta... Então, o médico-pediatra colocou uma mangueirinha pelo seu nariz e tirou um líquido e... Graças a Deus, ela chorou e chorou forte. Eu a batizei e, logo em seguida a levaram para a mãe. Era “Sexta-feira Santa”, 25 de março de 2005.

Foram 6h45’ que ela esteve entre nós, o suficiente para marcar as nossas histórias e continuarmos seguindo. Quantas coisas marcantes naquele dia e no outro. Lembro-me da Giovanna, silenciosa e seu bracinho esquerdo meio levantado e o dedinho apontando para o coração – como a dizer, “estou viva, a vida bate aqui dentro”. A mãe, toda costurada, contrariando o bom senso médico, que pediu que demorassem mais um pouco até a próxima anestesia, para poder ver a filha na incubadora... Os batimentos da Giovanna iam diminuindo, então, a mãe tocou na sua mãozinha e falou com ela e o coração acelerou... Naquele dia mesmo ela faleceu. No dia seguinte, “’Sábado de aleluia”, enterrávamos nossa querida. O pai, firme nos seus passos de homem de fé, segurava sozinho o caixão e seguia para o túmulo. Quem ama, segue até o fim. Por causa da Giovanna muita vida foi amadurecida e cresceu. Ela voltou mais cedo para Casa.

Eu, padrinho, quase não consigo sentir saudades dela, mas, pelo que ela marcou a minha vida, minha afilhada sempre me lembra da brevidade da vida e, portanto, da urgência de se viver bem e fazer Céu por onde eu passo. Ainda, ela me lembra que, o tempo que for por aqui, é sempre muito pouco, pois a vida é eterna, “o tempo de Deus é pra sempre”.

Perdoe-me por não cumprir o que falei no início... Mas, o que ou quem você já marcou com a sua vida? Pelo tempo que você já viveu, que marcas você deixou por onde passou? Lembrando nosso amado Padre Léo, que “carimbos” temos espalhado por onde passamos e nas coisas que fazemos, “carimbo de Céu” ou “carimbo das coisas terrenas”? O Léo viveu 45 anos e deixou marcas de Deus que até hoje nos arrastam para o Céu. Sempre é tempo de voltarmos pra Casa, cada dia e um dia para sempre.

Padre André Luna
Comunidade Bethânia


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Música da Semana!

Bom dia!
Nesta semana desejamos que você toque o Senhor! Aproveite a oportunidade que Ele mesmo te concede e o toque com a sua oração e com a sua verdade! Aproveite que o coração dele está aberto para você e peça para que Ele sopre sobre ti o Espírito Santo capaz de lançar fora todo o medo e toda a falta de fé!
O toque e sinta a imensa misericórdia de Deus por você! O toque e se encha da Paz que Ele te oferece! A paz do ressuscitado, aquela que o mundo não tem.
Que Nossa Senhora, a Rainha da Paz, interceda por ti nesta semana e te faça cada vez mais caminhar pela trilha da bem-aventurança!!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A graça "barata" e a graça "cara"


"A graça "barata" é o inimigo mortal da nossa Igreja. Hoje, nós lutamos pela graça cara. [...] Graça barata é anúncio do perdão sem arrependimento, é batismo sem disciplina de comunidade, é Santa Ceia sem confissão dos pecados. é absolvição sem confissão pessoal. Graça barata é graça sem seguimento de Cristo, graça sem cruz, graça sem o Cristo vivo, encarnado. Graça cara é o tesouro escondido no campo, por amor do qual o homem vai e vende tudo o que tem, com alegria; a pérola preciosa, para cuja aquisição o comerciante dá todos os seus bens; o senhorio de Cristo, pelo qual o homem arranca o olho que escandaliza; o chamado de Jesus Cristo, que leva o discípulo a deixar as suas redes e segui-lo. Graça cara é o Evangelho, que se deve sempre procurar de novo; É cara porque nos chama a seguir, é graça porque chama a seguir Jesus Cristo; é cara porque o homem a adquire com o preço da própria vida, é graça porque justamente dessa forma lhe doa a vida; é cara porque condena o pecado. é graça porque justifica o pecador. A graça é cara sobretudo porque custou muito a Deus; custou a Deus a vida do próprio Filho [...]. É graça, sobretudo, porque Deus não considerou muito caro o seu Filho para resgatar a nossa vida, mas entregou-o por nós. Graça cara é a encarnação de Deus"

Dietrich Bonhoeffer, em Sequela, pg. 21-23.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Catequese do Papa Bento XVI sobre o tempo pascal




Depois das celebrações da Páscoa o nosso encontro de hoje é invadidos por uma alegria espiritual, também se o céu está acinzentado, levamos no coração a alegria da Páscoa, a certeza da Ressurreição de Cristo que definitivamente triunfou sobre a morte. Antes de tudo, renovo a cada um de vocês uma cordial saudação pascal: em todas as casas e em todos os corações ressoa o anúncio alegre da Ressurreição de Cristo, que faz renascer a esperança.

Nesta catequese gostaria de mostrar a transformação que a Páscoa de Jesus provocou nos seus discípulos. Partamos da noite do dia da Ressurreição. Os discípulos estão fechados em casa por medo dos judeus (Jo 20,19). O temor aperta o coração e impede de andar ao encontro dos outros, encontro à vida. O mestre não está mais. A recordação da Paixão alimenta a incerteza. Mas Jesus tem no coração os seus e está para cumprir a promessa que havia feito durante a Última Ceia: "Não vos deixarei órfãos, mas virei até vocês (Jo 20,19) e isto diz também a nós, também nos tempos difíceis: "não vos deixarei órfãos".

Esta situação de angústia dos discípulos muda radicalmente com a chegada de Jesus. Ele entra a portas fechadas, está em meio a eles e doa a paz que sustenta: "Paz a vós" (Jo 20,19b). É uma saudação comum que, todavia, ora conquista um significado novo, porque opera uma mudança interior; é uma saudação pascal, que faz superar todo o medo dos discípulos. A paz que Jesus traz é o dom de salvação que Ele havia prometido durante os seus discursos de despedida: "Vos deixo a paz, vos dou a paz. (Jo 14,27). Neste dia da Ressurreição, Ele a doa em plenitude e ela se torna para a comunidade fonte de alegria, certeza de vitória, segurança no apoiar-se em Deus. "Não se turbe o vosso coração, e não tenhais medo" (Jo 14,1) diz também a nós.

Depois desta saudação, Jesus mostra aos discípulos as feridas das mãos e do lado (Jo 20,20), sinais daquilo que aconteceu e jamais será apagado: a sua humanidade gloriosa fica 'ferida'. Este gesto tem o objetivo de confirmar a nova realidade da Ressurreição: O Cristo que agora está entre os seus é uma pessoa real, o mesmo Jesus que três dias antes foi pregado na cruz.

E é assim que, na luz fulgurante da Páscoa, no encontro com o Ressuscitado, os discípulos colhem o sentido salvífico da sua paixão e morte. Então, da tristeza e do medo passam à alegria plena. A tristeza e as feridas se tornam fonte de alegria. A alegria que nasce no coração deles deriva do 'ver o Senhor (Jo 20,20). Ele diz-lhes de novo: "Paz esteja com vocês" (v.21). É evidente agora que não é somente uma saudação. É um dom, o dom que o Ressuscitado quer fazer aos seus amigos, e é ao mesmo tempo uma entrega: esta paz, conquistada por Cristo com seu sangue, é para eles, mas também para todos, e os discípulos deveram levá-la em todo o mundo.


De fato, Ele acrescenta: "Como o Pai enviou-me, também eu vos envio". Jesus ressuscitado retornou entre os seus discípulos para enviá-los. Ele completou a sua obra no mundo, e agora lhes cabe semear nos coração a fé, para que o Pai, conhecido e amado, recolha todos os seus filhos da dispersão. Mas Jesus sabe que nos seus existe ainda muito temor, sempre. Por isso, cumpre o gesto de soprar sobre eles e os regenera no seu Espírito (Jo 20,22); este gesto é o sinal da nova criação.

Com o dom do Espírito Santo que provém de Cristo ressuscitado tem inicio, de fato, um mundo novo. Com o envio em missão dos discípulos, se inaugura o caminho no mundo do povo da nova aliança, povo que crê Nele e na sua obra de salvação, povo que testemunha a verdade da ressurreição. Esta novidade de uma vida que não morre, trazida pela Páscoa, é difundida por toda a parte, para que os espinhos do pecado que ferem o coração do homem, dêem lugar às sementes da graça, da presença de Deus e do seu amor que vencem o pecado e a morte.
   
Queridos amigos, também hoje o Ressuscitado entra nas nossas casas e em nossos corações, apesar de vezes as portas estarem fechadas. Entra doando alegria e paz, vida e esperança, dons dos quais temos necessidade para o nosso renascimento humano e espiritual. Somente Ele pode retirar aquelas pedras de sepulcro que o homem frequentemente coloca sobre os próprios sentimentos, sobre as próprias relações, sobre os próprios comportamentos, pedras que estabelecem a morte: divisões, inimizades, rancores, invejas, divergências, indiferenças.

Somente Ele, o Vivente, pode dar sentido à existência e retoma o caminho a quem é cansado e triste, desesperançoso. É o que experimentaram os dois discípulos que no dia de Páscoa estavam em caminho de Jerusalém a Emaús (Luc 24,13-35). Eles falam de Jesus, mas a face deles está triste (v. 17) exprime as esperanças frustradas, a incerteza e a melancolia. Tinham deixado suas cidades para seguir Jesus com seus amigos, e tinham descoberto uma nova realidade, na qual o perdão e o amor não eram mais somente palavras, mas tocavam concretamente a existência. Jesus de Nazaré tinha tornado tudo novo, tinha transformado a vida deles. Mas agora, Ele estava morto e tudo parecia ter chegado ao fim.

De repente, todavia, não são mais dois, mas três pessoas que caminham. Jesus se aproxima dos dois discípulos e caminha com eles, mas eles são incapazes de reconhecê-lo. Claro, tinham ouvido as vozes sobre a ressurreição, de fato lhes referem: "Algumas mulheres, das nossas vieram a dizer-nos de terem tido uma visão de anjos, os quais afirmam que Ele é vivo (v 22-23)."

Entretanto, tudo isso não foi suficiente para convencê-los, por eles "não haviam visto" (v.24). Então Jesus, com paciência, começando por Moisés e por todos os profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras aquilo que era referente a Ele (v.27). O Ressuscitado explica aos discípulos a Sagrada Escritura, oferecendo a chave de leitura fundamental dela, isto é, Ele mesmo e o seu Mistério Pascal: a Ele as Escrituras rendem testemunho (Jo 5,39-47). O sentido de tudo, da Lei, dos Profetas e dos Salmos, improvisadamente se abre e se torna claro aos olhos deles. Jesus tinha aberto-lhes a mente à inteligência das Escrituras (Luc 24,35).

Logo em seguida, chegaram ao vilarejo, provavelmente à casa de um dos dois. O forasteiro viajante faz como se quisesse andar mais longe (v.28). Também nós sempre de novo devemos dizer ao Senhor com ardo: "Fica conosco". Quando se pôs à mesa com eles, tomou o pão, recitou a benção, o partiu e o deu a eles. (v.30). A repetição dos gestos realizados por Jesus na última Ceia é evidente. "Então se abriram os olhos deles e o reconheceram" (v.31).

A presença de Jesus, antes com as palavras, depois com o gesto do partir o pão, torna possível aos discípulos de reconhecê-lo, e esses podem sentir em modo novo quanto havia já sentido caminhando com Ele: "Ardia o nosso coração enquanto ele conversava conosco ao longo do caminho, quando nos explicava as escrituras? (v.32). Este episódio nos indica dois lugares privilegiados onde podemos encontrar o Ressuscitado que transforma a nossa vida: a escuta da palavra, em comunhão com Cristo, e o partir o Pão; 'dois lugares' profundamente unidos entre eles porque "Palavra e Eucaristia se pertencem tão intimamente ao ponto de não poderem ser compreendidas uma sem a outra: A Palavra de Deus se faz carne sacramental no evento eucarístico" (Exort. Ap. Pós-sinodal Verbum Domini, 54-55).

Depois deste encontro, os dois discípulos partiram para Jerusalém, onde encontraram reunidos os onze e os outros que estavam com eles, os quais diziam: "Verdadeiramente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!" (v 33-34). Em Jerusalém eles escutavam a notícia da ressurreição de Jesus, a por sua vez, narraram a própria experiência, inflamada de amor pelo Ressuscitado, que lhes abriu o coração em uma alegria que não se podia conter. Foram, como diz São Pedro, regenerados em uma experiência viva da ressurreição de Cristo dos mortos (Pt 1,3). Renasce de fato, neles o entusiasmo da fé, o amor pela comunidade, a necessidade de comunicar a boa notícia. O Mestre ressuscitou e com Ele toda a vida ressurge; testemunhar este evento se torna para eles uma enorme necessidade.

Caros amigos, o tempo pascal seja para todos nós uma ocasião propícia para redescobrir com alegria e entusiasmos as fontes da fé, a presença do Ressuscitado entre nós. Trata-se de cumprir o mesmo itinerário que Jesus fez os discípulos de Emaús realizarem, através da redescoberta da Palavra de Deus e da Eucaristia, isto é, andar com o Senhor e deixar abrir os olhos ao verdadeiro sentido da Escritura e à sua presença no partir o pão. O cume deste caminho, assim como hoje, é a Comunhão Eucarística: na Comunhão Jesus nos nutre com o seu Corpo e Seu Sangue, para ser presente na nossa vida, para tornar-nos novos, animados pela potência do Espírito Santo.

Em conclusão, a experiência dos discípulos nos convida a refletir sobre o sentido da Páscoa para nós. Deixemo-nos encontrar por Jesus ressuscitado! Ele, vivo e verdadeiro, é sempre presente em meio a nós; caminha conosco para guiar a nossa vida, para abrir os nossos olhos. Temos confiança no Ressuscitado que tem o poder de dar a vida: a liberta do medo, dá a ela firme esperança, a torna animada por aquilo que doa sentido à existência, o amor de Deus. Obrigado!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Porque não é aceitável o aborto em nenhuma fase do desenvolvimento embrionário?



383 - A vida, concedida por Deus, é uma posse direta; é sagrada desde o primeiro instante e deve ser preservada de qualquer atentado humano. "Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi; antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei" (Jer 1, 5) [2270 - 2274, 2322]

Só Deus é o Senhor da vida e da morte. Nem sequer a "minha" vida me pertence. Cada criança tem direito à vida desde a sua concepção. Desde o início, o nascituro é uma pessoa própria, cujo círculo de direitos ninguém deve violentar, nem o Estado, nem o médico, nem mesmo a mãe. A posição da Igreja não é carente de misericórdia; aliás, ela pretende alertar para os danos que são causados à criança morta, aos pais e a toda a sociedade, e que nunca mais poderão ser reparados. Proteger a vida inocente pertence às mais nobres tarefas do Estado; se ele se furtar a esta missão, destrói ele próprio os alicerces do Estado de direito.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Manifeste-se em favor da vida!

Bom dia!

Hoje e amanhã são dias muito importantes para nós católicos. Dias em que a defesa da vida é a pauta mais importante e um dos assuntos mais comentados.

Para quem ainda não sabe, amanhã o STF irá julgar uma ação que trata da antecipação terapêutica do parto de feto anencéfalo, ou seja, da possibilidade de permissão de aborto de crianças que são geradas com má formação no cérebro. Aqueles que ingressaram com a ação postulam pela prevalência do princípio da dignidade da pessoa humana, afirmando que a gravidez de um feto anencéfalo é semelhante à tortura; pela autonomia da vontade da mulher; pelo direito à saúde, dentre outras afirmações. Na verdade, na petição inicial, que pode ser vista no site do STF, os autores da ação afirmam que a antecipação terapêutica do parto não configura o crime de aborto previsto no Código Penal, afinal, é apenas uma antecipação do sofrimento que de alguma forma a mãe terá que passar, já que afirmam na petição que "o feto não tem potencialidade de vida extra-uterina". Contudo, sabemos que esta não é a finalidade principal pretendida pela ação. O desejo do movimento pró-aborto é que essa seja a primeira porta para a aprovação do aborto em nosso país. 

Sobrepor o princípio da dignidade humana da mulher ao do direito à vida do feto é relativizar muito as coisas. É deixar a porta aberta para os próximos passos em direção da aprovação do aborto em nosso país. 

Ressalte-se que afirmam na petição que "a convivência diuturna com a triste realidade e a lembrança ininterrupta do feto dentro de seu corpo, que nunca poderá se tornar um vivo, podem ser comparadas à tortura psicológica (...) na gestação de feto anencefálico não há vida humana viável em formação. Vale dizer:  não há potencial de vida a ser protegido (...) Com efeito, apenas o feto com capacidade potencial de ser pessoa pode ser sujeito passivo de aborto". Ou seja, afirmam que o anencéfalo não tem vida, mesmo que seus demais órgãos vitais funcionem, que não tem vida, por sua expectativa de sobrevivência fora da barriga da mãe ser pequena. Percebam, com a aprovação dessa tese isso pode ser relativizado às demais doenças, afinal, não se tem vida humana. A questão é, quando começa a vida? O que é capacidade potencial de ser pessoa? O que é potencial de vida? Esses são conceitos abertos, que colocados na mão da indústria do aborto é capaz de gerar muitos estragos.

Isso escrito aqui é apenas um resumo. No site do movimento pró-vida: http://www.promotoresdavida.org.br/ é possível ler muitos artigos e assistir alguns vídeos sobre o tema em questão. Recomendamos esse: 


A Igreja e demais movimentos pró-vida têm se manifestado, e é preciso que você também se manifeste!

A CNBB convocou a Igreja para uma vigília de oração pela vida. Hoje, a partir das 18h, em frente ao STF terá uma manifestação e foi marcado um twitaço com a tag #afavordavida. Se não puder ir na vigília, faça sua própria oração e manifeste-se! Procure conhecer mais sobre o assunto, coloque sua opinião nas redes sociais e converse com seus amigos, nessa questão é preciso se manifestar!




segunda-feira, 9 de abril de 2012

Música da Semana!

Bom dia!
Nesta semana desejamos que você transborde de alegria pascal!
Que cante bem alto o seu glória, pois o Senhor está vivo! E que, ao elevar o seu louvor ao Senhor, a força do ressuscitado faça você vencer suas dificuldades e crer que para Deus nada é impossível!
Que a alegria dessa festa seja verdadeira em sua vida! Ele está vivo e por isso nada em nossa vida é em vão e em nada falta sentido!
Que Maria, aquela que nunca perdeu a esperança, faça que o Senhor seja sua esperança!
A paz do ressuscitado esteja com você!


quarta-feira, 4 de abril de 2012

Cantinho de Maria

"As etapas do caminho de Maria, da casa de Nazaré àquela de Jerusalém, passando pela Cruz onde o Filho a confia ao apóstolo João, são marcadas pela capacidade de manter um perseverante clima de recolhimento, para meditar cada acontecimento no silêncio de seu coração, diante de Deus (cf. Lc 2, 19-51) e na meditação diante de Deus também compreende a vontade de Deus e a capacidade de aceitá-la interiormente". Papa Bento XVI

terça-feira, 3 de abril de 2012

Mensagem do Papa para a Juventude!


Queridos jovens,

Fico feliz em dirigir-me novamente a vocês, em ocasião do XXVII Dia Mundial da Juventude. A recordação do encontro em Madri, em agosto passado, permanece muito presente no meu coração. Foi um extraordinário momento de graça, no qual o Senhor abençoou os jovens presentes, vindos do mundo inteiro. Dou graças a Deus por tantos frutos que fez nascer naqueles dias e que no futuro não deixarão de multiplicar-se para os jovens e para as comunidades as quais pertencem. Agora, estamos já nos orientando para o próximo encontro no Rio de Janeiro, em 2013, que terá como tema “Ide, pois, fazei discípulos entre todas as nações!” (Mt 28, 19).

Este ano, o tema do Dia Mundial da Juventude nos é dado de uma exortação da Carta de São Paulo apóstolo aos Filipenses: “Alegrai-vos sempre no Senhor!” (4,4). A alegria, de fato, é um elemento central da experiência cristã. Também durante cada Jornada Mundial da Juventude fazemos a experiência de uma alegria intensa, a alegria da comunhão, a alegria de ser cristãos, a alegria da fé. Esta é uma das características destes encontros. E vemos a grande força atrativa que essa tem: num mundo muitas vezes marcado pela tristeza e inquietude, é um testemunho importante da beleza e da confiabilidade da fé cristã.

A Igreja tem a vocação de levar ao mundo a alegria, a alegria autêntica e duradoura, aquela que os anjos anunciaram aos pastores de Belém na noite do nascimento de Jesus (cfr Lc 2,10): Deus não só falou, não só realizou prodígios na história da humanidade, mas Deus se fez próximo, fazendo-se um de nós e percorreu todas as etapas da vida do homem.

No difícil contexto atual, tantos jovens em torno a nós têm uma grande necessidade de sentir que a mensagem cristã é uma mensagem de alegria e de esperança! Gostaria de refletir com vocês, então, sobre as estradas para encontrá-la, a fim que possam vivê-la sempre mais em profundidade e que vocês possam ser mensageiros entre aqueles que estão a sua volta.

1. O nosso coração é feito para a alegria
A inspiração à alegria está impressa no intimo do ser humano. Além da satisfação imediata e passageira, o nosso coração busca a alegria profunda, plena e duradoura, que pode dar ‘sabor’ à existência. E aquilo que vale, sobretudo, para vocês, para a juventude é um período de continua descoberta da vida, do mundo, dos outros e de si mesmos. É um tempo de abertura em direção ao futuro, no qual se manifestam os grandes desejos de felicidade, de amizade, de partilha e de verdade, no qual si é movido por ideais e se concebem projetos.

E cada dia são tantas as alegrias simples que o Senhor nos oferece: a alegria de viver, a alegria diante da beleza da natureza, a alegria de um trabalho bem feito, a alegria do serviço, a alegria do amor sincero e puro. E se olhamos com atenção, existem tantos motivos de alegria: os belos momentos de vida familiar, a amizade partilhada, a descoberta das próprias capacidades pessoais e o alcance de bons resultados, o apreço por parte de outros, a possibilidade de expressar-se e de sentir-se capaz, a sensação de ser úteis ao próximo. E depois, a conquista de novos conhecimentos mediante os estudos, a descoberta de novas dimensões por meio de viagens e encontros, a possibilidade de fazer projetos futuros. Mas também a experiência de ler uma obra literária, de admirar um grande trabalho de arte, de escutar e tocar música ou de ver um filme podem produzir em nós verdadeiras alegrias.

Cada dia, porém, nos deparamos também com tantas dificuldades e nos corações existem preocupações para com o futuro, ao ponto que podemos nos perguntar se a alegria plena e duradoura a qual aspiramos não é talvez uma ilusão e uma fuga da realidade. São muitos os jovens que se interrogam: é realmente possível a alegria plena nos dias de hoje? E esta busca percorre várias estradas, algumas das quais se revelam erradas ou pelo menos perigosas. Mas como distinguir as alegrias realmente duradouras dos prazeres imediatos e enganosos? Como encontrar a verdadeira alegria na vida, aquela que dura e não nos abandona também nos momentos difíceis?

2. Deus é a fonte da verdadeira alegria
Na realidade as alegrias autênticas, aquelas pequenas do cotidiano ou aquelas grandes da vida, encontram toda sua origem em Deus, mesmo se não parece à primeira vista, porque Deus é comunhão de amor eterno, é alegria infinita que não permanece fechada em si mesma, mas se expande naqueles que Ele ama e que o amam. Deus nos criou à sua imagem por amor e para derramar sobre nós este Seu amor, para encher-nos com sua presença e sua graça.

Deus quer fazer-nos participantes de sua alegria, divina e eterna, fazendo-nos descobrir que o valor e o sentido profundo da nossa vida está no ser aceito, acolhido e amado por Ele, e não com uma acolhida frágil como pode ser aquela humana, mas com um acolhimento incondicional como é aquela divina: eu sou querido, tenho um lugar no mundo e na história, sou amado pessoalmente por Deus. E se Deus me aceita, me ama e eu me torno seguro, sei de modo claro e certo que é bom que eu seja, que exista.

Este amor infinito de Deus por cada um de nós se manifesta de modo pleno em Jesus Cristo. Nele se encontra a alegria que buscamos. No Evangelho, vemos como os eventos que marcam o início da vida de Jesus são caracterizados pela alegria. Quando o anjo Gabriel anuncia à Virgem Maria que será mãe do Salvador, inicia com esta palavra: “Alegra-te” (Lc 1,28). No nascimento de Jesus, o anjo do Senhor diz aos pastores: “Eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é Cristo Senhor” (Lc 2,11).

E os magos que procuravam o menino, “a aparição daquela estrela se encheram de profunda alegria” (Mt 2,10). O motivo desta alegria é, portanto, a aproximação de Deus, que se fez um de nós. E é isto que queria dizer São Paulo quando escreveu aos cristãos de Filipo: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos! Seja conhecida de todos os homens a vossa bondade. O Senhor está próximo”. (Fil 4,4-5). A primeira causa da nossa alegria é a proximidade do Senhor, que me acolhe e me ama.

E, de fato, do encontro com Jesus nasce sempre uma grande alegria interior. Nos Evangelhos podemos ver isso em muitos episódios. Recordamos a visita de Jesus a Zaqueu, um cobrador de impostos desonesto, um público pecador, ao qual Jesus diz: “é preciso que eu hoje fique em tua casa”. E Zaqueu, diz São Lucas, “recebeu-o alegremente” (Lc 19,5-6). É a alegria do encontro com o Senhor; é o sentir o amor de Deus que pode transformar toda a existência e levar a salvação. E Zaqueu decide mudar de vida e dar a metade de seus bens aos pobres.

Na hora da paixão de Jesus, este amor se manifesta em toda sua força. Nos últimos momentos de sua vida terrena, na ceia com os seus amigos, Ele diz: “Como o pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor... Disse-vos essas coisas para que a minha alegria seja completa” (Jo 15,9.11). Jesus quer introduzir seus discípulos cada um de nós na alegria plena, aquela que Ele partilha com o Pai, porque o amor com o qual o Pai o ama esteja em nós (cfr. Jo 17,26). A alegria cristã é abrir-se a este amor de Deus e pertencer a Ele.

Narram os Evangelhos que Maria Madalena e outras mulheres foram visitar a tumba onde Jesus foi colocado depois de sua morte e receberam de um Anjo o anuncio incrível, aquele de sua ressurreição. Então deixaram rapidamente o sepulcro, escreve o evangelista, “com certo receio, mas ao mesmo tempo com alegria” correram para dar boa notícia aos discípulos. E Jesus veio ao encontro deles e disse: “Salve!” (Mt 28,8-9). É a alegria da salvação que é oferecida a eles: Cristo vive, é Aquele que venceu o mal, o pecado e a morte. Ele está presente em meio a nós como o Ressuscitado, até o fim do mundo (cfr Mt 28,20). O mal não deu a última palavra sobre a nossa vida, mas a fé em Cristo Salvador nos diz que o amor de Deus vence.

Esta alegria profunda é o fruto do Espírito Santo que nos torna filhos de Deus capazes de viver e de provar sua bondade, de voltar-nos a Ele com o termo “Abbà”, Pai (cfr Rm 8,15). A alegria é sinal de sua presença e de sua ação em nós.

3. Conservar no coração a alegria cristã
Neste ponto, nos perguntamos: como receber e conservar este dom da alegria profunda, da alegria espiritual?

Um Salmo nos diz: “Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração” (Sal 37,4). E Jesus explica que “o Reino dos céus é também semelhante a um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, mas o esconde de novo. E, cheio de alegria, vai vende tudo o que tem para comprar aquele campo” (Mt 13,44). Encontrar e conservar a alegria espiritual nasce do encontro com o Senhor, que pede para segui-Lo, para fazer a escolha decisiva de voltar tudo para Ele.

Queridos jovens, não tenhais medo de colocar à disposição toda a vossa vida, dando espaço para Jesus Cristo e seu Evangelho; é a estrada para haver a paz e a verdadeira felicidade no íntimo de nós mesmos, é a estrada para a verdadeira realização de nossa existência de filhos de Deus, criados à Sua imagem e semelhança.

Busquem a alegria no Senhor: a alegria da fé, é reconhecer cada dia sua presença, sua amizade: “O Senhor está próximo!” (Fil 4,5); é colocar nossa confiança Nele, é crescer no conhecimento e no amor Dele. O ‘Ano da fé’, que daqui alguns meses iniciaremos, será para nós ajuda e estímulo. Queridos amigos, aprendam a ver como Deus age em suas vidas, descubram-O escondido no coração dos acontecimentos do seu cotidiano. Creiam que Ele é sempre fiel à aliança que fez convosco no dia do vosso batismo. Saibam que não vos abandonará jamais. Volteis sempre o olhar para Ele. Na Cruz, doou sua vida porque ama cada um de vocês. 

A contemplação de um amor assim grande leva aos nossos corações uma esperança e uma alegria que nada pode abater. Um cristão não pode ser jamais triste porque encontrou Cristo, que deu a vida por ele.

Buscar o Senhor, encontrá-lo na vida, significa também acolher sua Palavra, que é alegria para o coração. O profeta Jeremias escreve: “Vossa palavra constitui minha alegria e as delícias do meu coração” (Jer 15,16). Aprender a ler e meditar a Sagrada Escritura, ali encontra-se uma resposta às perguntas mais profundas de verdade que brotam em vossos corações e em vossas mentes. A palavra de Deus faz descobrir as maravilhas que Deus operou na história do homem e, pleno de alegria, abre-se ao louvor e à adoração: “Cantai ao Senhor... adoremos, de joelhos diante do Senhor que nos fez” (cfr Sal 95,1.6).

De modo particular, a Liturgia é um lugar por excelência no qual se exprime a alegria que a Igreja atinge do Senhor e transmite ao mundo. Cada domingo, na Eucaristia, a comunidade cristã celebra o Mistério central da salvação: a morte e ressurreição de Cristo. È este o momento fundamental para o caminho de cada discípulo do Senhor, no qual se rende presente o seu Sacrifício de amor; é a via na qual encontramos Cristo Ressuscitado, escutamos Sua Palavra, nos nutrimos de seu Corpo e Seu Sangue.

Um Salmo afirma: “Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos!” (Salmo 117, 24). E na noite de Páscoa, a Igreja canta o Exultet, expressão de alegria pela vitória de Jesus Cristo sobre o pecado e a morte: “Exulta o coro dos anjos... Alegra-se a terra inundada de tão grande esplendor... e este templo todo ecoa para as proclamações do povo em festa!”. A alegria cristã nasce da consciência de ser amado por um Deus que se fez homem, que deu Sua vida por nós e venceu o mal e a morte; e é viver de amor para ele. Santa Teresinha do Menino Jesus, jovem carmelita, escreveu: “Jesus, minha alegria é amar-te!” (P. 45, 21 de janeiro de 1897, Op. Compl., pág. 708).

4. A alegria do amor
Queridos amigos, a alegria é intimamente ligada ao amor: são dois frutos inseparáveis do Espírito Santo (cfr Gal 5,23). O amor produz alegria, e a alegria é uma forma de amor. A beata Madre Teresa de Calcutá, fazendo ecoar as palavras de Jesus: “É maior felicidade dar que receber!” (At 20,35), dizia: “A alegria é uma rede de amor para capturar almas. Deus ama quem dá com alegria. E quem dá com alegria dá mais”. E o Servo de Deus Paulo VI escreveu: “Em Deus mesmo tudo é alegria, pois tudo é dom” (Exort. ap. Gaudete in Domino, 9 de maio de 1975).

Pensando aos vários ambientes da vida de vocês, gostaria de dizer-lhes que amar significa constância, fidelidade, ter fé nos empenhos. E este, em primeiro lugar, nas amizades: os nossos amigos esperam que sejamos sinceros, leais, porque o verdadeiro amor é perseverante também e, sobretudo, nas dificuldades. E o mesmo vale para o trabalho, os estudos e as atividades que desempenham. A fidelidade e a perseverança no bem conduzem à alegria, mesmo que ela não seja sempre imediata.

Para entrar na alegria do amor, somos chamados também a ser generosos, a não nos contentarmos em dar o mínimo, mas a empenhar-nos a fundo na vida, com uma atenção especial para com os mais necessitados. O mundo necessita de homens e mulheres competentes e generosos, que se colocam a serviço do bem comum. Empenhem-se nos estudos com seriedade; compartilhem seus talentos e os coloquem desde já a serviço do próximo. Busquem a maneira de contribuir para uma sociedade mais justa e humana, onde vocês estiverem. Que toda sua vida seja guiada pelo espírito do serviço, e não pela busca do poder, do sucesso material e do dinheiro.

A propósito da generosidade, não posso não mencionar uma alegria especial: aquela que se encontra na resposta à vocação de dar toda a vida ao Senhor. Queridos jovens, não tenham medo do chamado de Cristo para a vida religiosa, monástica, missionária ou ao sacerdócio. Estejam certos que Ele enche de alegria aquele que, dedicando a vida nesta perspectiva, responde ao seu envio deixando tudo para permanecer com Ele e dedicar-se de coração inteiramente a serviço dos outros. Do mesmo modo, grande é alegria que Ele reserva ao homem e à mulher que se doa totalmente um ou outro em matrimônio para constituir uma família e tornar-se sinal do amor de Cristo por sua Igreja.

Quero destacar novamente um terceiro elemento para entrar na alegria do amor: fazer crescer em suas vidas e na vida de suas comunidades a comunhão fraterna. Existe uma estreita ligação entre a comunhão e a alegria. Não é por acaso que São Paulo escreve sua exortação no plural: não se dirige a cada um singularmente, mas afirma: “Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fil 4,4). Somente juntos, vivendo a comunhão fraterna, podemos experimentar esta alegria. O livro dos Atos dos Apóstolos descreve assim a primeira comunidade cristã: “Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e simplicidade de coração” (At 2,46).  Empenhem-se vocês também a fim que as comunidades cristãs possam ser lugares privilegiados de partilha, de atenção e de cuidado um com o outro.

5. A alegria da partilha
Queridos amigos, para viver a verdadeira alegria é preciso também identificar com atenção quem está longe. A cultura atual induz muitas vezes a buscar objetivos, realizações e prazeres imediatos, favorecendo mais o inconstante que a perseverança no cansaço e a fidelidade aos empenhos.

As mensagem que vocês recebem impulsionam-lhes a entrar na lógica do consumo, provendo uma felicidade artificial. A experiência ensina que ter não coincide com a alegria: existem tantas pessoas que, mesmo tendo tantos bem materiais em abundância, estão sempre assombradas pelo desespero, pela tristeza e sentem um vazio na vida. Para permanecer na alegria, somos chamados a viver no amor e na verdade, a viver em Deus.

E a vontade de Deus é que nós sejamos felizes. Por isso, nos foram dadas indicações concretas para o nosso caminho: os Mandamentos. Observando-os, nós encontramos a estrada da vida e da felicidade. Mesmo que à primeira vista possa parecer um conjunto de proibições, quase um obstáculo à liberdade, se os meditamos mais atentamente, à luz da Mensagem de Cristo, estes são um conjunto de essenciais e preciosas regras de vida que conduzem a uma existência feliz, realizada segundo o projeto de Deus.

Quantas vezes, ao contrário, constamos que construir a vida ignorando Deus e Sua vontade leva à desilusão, tristeza, sensação de derrota. A experiência do pecado, como a recusa a segui-Lo, como uma ofensa à sua amizade, traz sombra aos nossos corações.

Mas se às vezes o caminho cristão não é fácil e o empenho de fidelidade ao amor do Senhor encontra obstáculos ou registra quedas, Deus, em sua misericórdia, não nos abandona, mas nos oferece sempre a possibilidade de retornar a Ele, de nos reconciliarmos com Ele, de experimentarmos a alegria do Seu amor que perdoa e acolhe novamente. 

Queridos jovens, recorram sempre ao Sacramento da Penitência e da Reconciliação! Este é o Sacramento da alegria reencontrada. Peçam ao Espírito Santo a luz para saber reconhecer seus pecados e a capacidade de pedir perdão a Deus, recebendo este Sacramento com freqüência, serenidade e confiança. O Senhor abre sempre Seus braços a vocês, vos purificará e vos fará entrar em Sua alegria: Haverá alegria no céu mesmo que por um só pecador que se converte (cfr Lc 15,7).

6. A alegria nas provas
Por fim, porém, poderá permanecer em nosso coração a pergunta se realmente é possível viver na alegria mesmo em meio a tantas provas da vida, especialmente as mais dolorosas e misteriosas, se realmente seguir o Senhor, confiar-nos a Ele, temos sempre felicidade.

A resposta pode vir-nos de algumas experiências de jovens como vocês que encontraram justamente em Cristo a luz capaz de dar força e esperança, mesmo em meio às situações mais difíceis. O beato Pier Giorgio Frassati (1901-1925) experimentou tantas provas em sua breve existência, entre elas, uma relacionada à sua vida sentimental, que o feriu de maneira profunda. Justamente esta situação, escreve a sua irmã: “Você me pergunta se estou alegre; e como não poderia ser? A fé me dará sempre força para ser alegre! Todo católico não pode não ser alegre... A finalidade para a qual fomos criados nos mostra que o caminho está repleto de muitos espinhos, mas não um caminho triste: esse é a alegria mesmo em meio às dores” (Carta à irmã Luciana, Torino, 14 de fevereiro de 1925). E o beato João Paulo II, apresentando-o como modelo, dizia dele: “era um jovem de uma alegria contagiante, uma alegria que superava tantas dificuldades de sua vida” (Discurso aos jovens, Torino, 13 de abril de 1980).

Mais próxima a nós, a jovem Chiara Badano (1971-1990), recentemente beatificada, experimentou como a dor pode ser transfigurada pelo amor e ser misteriosamente habitada pela alegria. Aos 18 anos de idade, num momento em que o câncer a fazia particularmente sofrer, Chiara rezou para que o Espírito Santo intercedesse pelos jovens de seu Movimento [Movimento dos Focolares]. Antes de sua cura, pediu a Deus que iluminasse com Seu Espírito todos aqueles jovens, dando a eles a sabedoria e a luz: “Foi mesmo um momento de Deus: sofria muito fisicamente, mas a alma cantava” (Carta de Chiara Lubich, Sassello, 20 de dezembro de 1989). A chave de sua paz e sua alegria era a completa confiança no Senhor e a aceitação também de sua doença como misteriosa expressão de Sua vontade para o seu bem e de todos. Repetia sempre: “Se você quer, Jesus, eu também quero”.

São duas simples testemunham entre tantas que mostraram como o cristão autêntico não é nunca desesperado e triste, mesmo diante das provas mais duras e mostram que a alegria cristã não é uma fuga da realidade, mas uma força sobrenatural para enfrentar e viver as dificuldades cotidianas. Sabemos que Cristo crucificado e ressuscitado está conosco, é o amigo sempre fiel. Quando participamos de seus sofrimentos, participamos também de suas alegrias, Com Ele e Nele, o sofrimento é transformado em amor. E lá se encontra a alegria (cfr Col 1,24).

7. Testemunhas da alegria
Queridos amigos, para concluir, gostaria de exortar-lhes a serem missionários da alegria. Não se pode ser feliz se os outros não são: a alegria, portanto, deve ser compartilhada. Vão e contem aos outros jovens a alegria de vocês por terem encontrado aquele tesouro precioso que é o próprio Jesus. Não podemos guardar para nós a alegria da fé: para que esta possa permanecer conosco, devemos transmiti-la. São João afirma: “O que vimos e ouvimos, isso nós anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco... Estas coisas vos escrevemos, para que o vossa alegria seja plena. (1Jo 1,3-4).

Muitas vezes é descrita uma imagem do cristianismo como de uma proposta de vida que oprime a nossa liberdade, que vai contra nosso desejo de felicidade e de alegria. Mas esta não corresponde à verdade! Os cristãos são homens e mulheres realmente felizes porque sabem que nunca estão sozinhos, mas estão sempre apoiados pelas mãos de Deus! Cabem, sobretudo, a vocês, jovens discípulos de Cristo, mostrar ao mundo que a fé leva a uma felicidade e a uma alegria verdadeira, plena e duradoura. E se o modo de viver dos cristãos parece às vezes cansativo e chato, testemunhem vocês por primeiro a alegria e a felicidade da fé de vocês. O Evangelho é a boa nova que Deus nos ama e que cada um de nós é importante para Ele. Mostrem ao mundo que é mesmo assim!

Sejam, portanto, missionários entusiasmados pela nova evangelização! Levem àqueles que sofrem, àqueles que buscam, a alegria que Jesus quer doar. Levem-na para suas famílias, em suas escolas e universidades, nos lugares de trabalho e nos grupos de amigos, lá onde vivem. Vocês verão que essa é contagiosa. E receberam o cêntuplo: a alegria da salvação para vocês mesmos, a alegria de ver a Misericórdia de Deus operando nos corações.
No dia do seu encontro definitivo com o Senhor, ele poderá lhe dizer: “Servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu Senhor!” (Mt 25,21).

A Virgem Maria vos acompanha neste caminho. Ela acolheu o Senhor dentro de si e anunciou com um canto de louvor e de alegria, o Magnificat: “Minha alma glorifica o Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador” (Lc 1,46-47). Maria respondeu plenamente ao amor de Deus dedicando sua vida a Ele num serviço humilde e total. É chamada de “a causa da nossa alegria”, porque ela nos deu Jesus. Que Ela vos introduza nesta alegria que ninguém vos poderá tirar!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Música da Semana!

Bom dia!
Nesta, que é a Semana das semanas, desejamos à você um encontro verdadeiro com o Senhor! Que o Espírito Santo te conduza a viver uma semana de experiência com Cristo, te levando a penetrar no mistério da Salvação!
Que você se encontre com Jesus na Cruz para também passar pela ressurreição em diversas áreas da sua vida! 
Lance-se à Cruz de Cristo, mistério de amor gratuito aos homens!
Que Maria, aquela que passou pela Cruz com Cristo, seja tua companheira nesta semana!
A paz!