quinta-feira, 31 de maio de 2012

Catequese do Papa Bento XVI sobre as cartas de Paulo, parte 3


Queridos irmãos e irmãs,

Nestas catequeses estamos meditando a oração nas cartas de São Paulo e buscamos ver a oração cristã como um verdadeiro e pessoal encontro com Deus Pai, em Cristo, mediante o Espírito Santo. Hoje, neste encontro, entram em diálogo o “sim” fiel de Deus e o “amém” confiante dos crentes. E gostaria de destacar esta dinâmica, apoiando-me sobre a Segunda Carta aos Coríntios.

São Paulo envia esta apaixonada Carta a uma Igreja que mais de uma vez colocou em discussão seu apostolado, e ele abre o seu coração porque os destinatários são assegurados sobre a fidelidade a Cristo e ao Evangelho.

Esta Segunda Carta aos Coríntios inicia com uma das orações de benção mais altas do Novo Testamento. Soa assim: “Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das Misericórdias, Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as nossas tribulações, para que, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus, possamos consolar os que estão em qualquer angustia!” (2Cor 1,3-4).

Então, Paulo vive em grande tribulação, são muitas as dificuldades e as aflições que teve que atravessar, mas nunca cedeu ao desânimo, sustentado pela graça e pela proximidade com o Senhor Jesus Cristo, pelo qual se tornou apóstolo e testemunha da entrega de toda própria existência em Suas mãos. 

Justamente por isso, Paulo inicia esta Carta com uma oração de benção e de agradecimento a Deus, porque não houve momento algum de sua vida de apóstolo de Cristo no qual tenha sentido menos sustentado pelo Pai misericordioso, pelo Deus de toda consolação. Sofreu terrivelmente, disse ele mesmo nesta Carta, mas em todas aquelas situações, onde parecia não abrir-se outra estrada, recebeu consolação e conforto de Deus.

Para anunciar Cristo, logo também sofreu perseguições, até ser trancado na prisão, mas se sentiu sempre interiormente livre, animado pela presença de Cristo e ansioso para anunciar a palavra de esperança do Evangelho. Da prisão, assim escreve a Timóteo, seu fiel colaborador. Ele da cadeia escreve: “A palavra de Deus, esta não se deixa acorrentar. Pelo que tudo suporta por amor dos escolhidos, para que também eles consigam a salvação em Jesus Cristo, com a glória eterna” (2Tm 2,9b-10).

Em seu sofrimento por Cristo, ele experimenta a consolação de Deus. Escreve: “à medida que em nós crescem os sofrimentos de Cristo, crescem também por Cristo as nossas consolações” (2Cor 1,5).

Na oração de benção que introduz a Segunda Carta aos Coríntios, predomina em seguida, ao lado do tema das aflições, o tema da consolação, que não deve ser interpretado somente como um simples conforto, mas, sobretudo, como encorajamento e exortação para não deixar-se vencer pela tribulação e pela dificuldade.

O convite é para viver cada situação unidos a Cristo, que carrega sobre si todo sofrimento e pecado do mundo para levar luz, esperança e redenção. E assim, Jesus nos torna capazes de consolar aqueles que estão à nossa volta e que se encontram em todo tipo de aflição.

A profunda união com Cristo na oração, a confiança em sua presença, conduzem à disponibilidade de partilhar os sofrimentos e as aflições dos irmãos. Escreve Paulo: “Quem é fraco, que eu não seja fraco? Quem sofre escândalo, que eu não me consuma de dor?” (2Cor 11,29). Estas partilhas não nascem de uma simples benevolência, nem mesmo da generosidade humana ou do espírito de altruísmo, mas surge do consolo do Senhor, do sustento inabalável da “extraordinária potência que vem de Deus e não de nós” (2Cor 4,7).

Queridos irmãos e irmãs, a nossa vida e o nosso caminho cristão são marcados muitas vezes pela dificuldade, incompreensão e sofrimento. Todos nós sabemos. No relacionamento fiel com o Senhor, em nossa oração constante, cotidiana, podemos também nós, concretamente, sentir a consolação que vem de Deus. E isso reforça a nossa fé, pois nos faz experimentar de modo concreto o “sim” de Deus ao homem, a nós, a mim, em Cristo; faz sentir a fidelidade do Seu amor, que chega até a doação de Seu Filho sobre a Cruz.

Afirma São Paulo: “O Filho de Deus, Jesus Cristo, que nós, Silvano, Timóteo e eu, vos temos anunciado não foi ‘sim’ e depois ‘não’, mas sempre foi ‘sim’. Porque todas as promessas de Deus são ‘sim’ em Jesus. Por isso, é por ele que nós dizemos ‘Amém’ à glória de Deus” (2Cor 1,19-20).

O “sim” de Deus não é reduzido pela metade, não está entre o “sim” e o “não”, mas é um simples e seguro “sim”. E a este “sim” nós respondemos com o nosso “sim”, com o nosso “amém” e, assim, estamos seguros no “sim” de Deus.

A fé não é primariamente uma ação humana, mas dom gratuito de Deus, que se enraíza na sua fidelidade, no seu “sim”, que nos faz compreender como viver a nossa existência amando Ele e os irmãos. Toda a história de salvação é um progressivo revelar-se desta fidelidade de Deus, apesar das nossas infidelidades e nossas negações, na certeza de que “os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis”, como declara o Apóstolo na Carta aos Romanos (11,29).

Queridos irmãos e irmãs, o modo de agir de Deus – bem diferente do nosso – nos dá consolação, força e esperança, porque Deus não retira o seu “sim”. Diante dos conflitos nas relações humanas, às vezes também familiares, nós somos levados a perseverar no amor gratuito, que requer empenho e sacrifício. Em vez disso, Deus não se cansa de nós, não se cansa nunca de ter paciência conosco e com sua imensa misericórdia nos precede sempre, vem ao nosso encontro por primeiro, é absolutamente confiável este seu “sim”. Na Cruz, Ele nos mostra a medida do seu amor, que não se calcula, não tem tamanho.

São Paulo, na Carta a Tito escreve: “Mas um dia apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens” (Tit 3,4). E por isso, este “sim” se renova a cada dia “quem nos confirma a nós e a vós em Cristo, e nos consagrou, é Deus. Ele nos marcou com o seu selo e deu aos nossos corações o penhor do Espírito” (2Cor 1,21b-22).

É, de fato, o Espírito Santo que torna constantemente presente e vivo o “sim” de Deus em Jesus Cristo e cria em nosso coração o desejo de segui-lo para entrar totalmente, um dia, no seu amor, quando receberemos uma moradia não construída por mãos humanas nos Céus.

Não existe alguém que não seja alcançado ou convidado a este amor fiel, capaz de esperar, mesmo aqueles que continuamente respondem com o “não” de rejeição ou de coração endurecido. Deus nos espera, nos busca sempre, quer acolher-nos na comunhão consigo para doar a cada um de nós a plenitude de vida, de esperança e de paz.

Sobre o “sim” fiel de Deus, une-se o “amém” da Igreja que ressoa em cada ação da liturgia: “Amém” é a resposta da fé que conclui sempre a nossa oração pessoal e comunitária. E que expressa o nosso “sim” à iniciativa de Deus. Geralmente, respondemos por hábito com o nosso “Amém” na oração, sem compreender seu significado profundo.

Este termo deriva do ‘aman’ que, em hebraico e em aramaico, significa “estabilizar”, “consolidar” e, consequentemente, “estar certo”, “dizer a verdade”. Se olharmos na Sagrada Escritura, vemos que este “amém” é dito no fim dos Salmos de benção e louvor, como por exemplo, no Salmo 41: “Vós, porém, me conservareis incólume, e na vossa presença me poreis para sempre. Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, de eternidade em eternidade! Assim seja! Amém!” (vv. 13-14).

Ou expressa adesão a Deus, no momento em que o povo de Israel retorna cheio de alegria do exílio babilônico e diz o seu “sim”, o seu “amém” a Deus e a sua Lei. No Livro de Neemias se narra que, depois deste retorno, “Esdras abriu o livro (da Lei) à vista do povo todo; ele estava, com efeito, elevado acima da multidão. Quando o escriba abriu o livro, todo povo levantou-se. Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus; ao que todo o povo respondeu levantando as mãos: ‘Amém! Amém!’”(Nee 8,5-6).

Desde o início, portanto, o “amém” da liturgia judaica se tornou o “amém” das primeiras comunidades cristãs. E o livro da liturgia cristã por excelência, o Apocalipse de São João, inicia com o “amém” da Igreja: “Àquele que nos ama, que nos lavou de nossos pecados no seu sangue e que fez de nós um reino de sacerdotes para Deus e seu Pai, glória e poder pelos séculos e séculos! Amém” (Apo 1,5b-6). Assim é no primeiro capítulo do Apocalipse. E o mesmo livro é concluído com a invocação “Amém. Vem, Senhor Jesus!” (Apo 22,21).

Queridos amigos, a oração é o encontro com uma Pessoa viva a se escutar e com quem dialogar; é o encontro com Deus que renova sua fidelidade inabalável, o seu “sim” ao homem, a cada um de nós, para doar-nos a sua consolação em meio às tempestades da vida e nos fazer viver, unidos a Ele, uma existência plena de alegria e bem, que encontrará o seu cumprimento na vida eterna.

Em nossa oração, somos chamados a dizer “sim” a Deus, a responder com este “amém” de adesão, de fidelidade a Ele de toda nossa vida. Esta fidelidade não podemos jamais conquistar com as nossas forças, mas é fruto do nosso empenho cotidiano; essa vem de Deus e é fundada sobre o “sim” de Cristo, que afirma: Meu alimento é fazer a vontade do Pai (cfr João 4,34).

É neste "sim" que devemos entrar, entrar neste “sim” de Cristo, na adesão à vontade de Deus, para conseguir dizer, como São Paulo, que não somos mais nós a viver, mas é o próprio Cristo que vive em nós. Então, o “amém” da nossa oração pessoal e comunitária envolverá e transformará toda a nossa vida, uma vida de consolação de Deus, uma vida imersa no Amor eterno e inabalável. Obrigado.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O que o Espírito Santo faz em minha vida?



120 - O Espírito Santo abre-me a Deus, ensina-me a rezar e ajuda-me a estar disponível para os outros [738-741]

"O silencioso hóspede da alma" - assim chama Santo Agostinho ao Espírito Santo. Quem o quer sentir tem de fazer silêncio. Muito frequentemente este hóspede fala baixinho em nós e conosco, porventura pela voz da nossa consciência ou através de impulsos interiores e exteriores. Ser "templo do Espírito Santo" significa estar de corpo e alma disponível para este hóspede, para Deus em nós. Portanto, o nosso corpo é, em certa medida, a sala de estar de Deus. Quanto mais nos abrimos, dentro de nós ao Espírito Santo, tanto mais Ele se torna o mestre de nossa vida, tanto mais Ele nos concede os seus carismas, também hoje, para a edificação da Igreja. Desta forma, crescem em nós, ao invés das obras da carne, os frutos do Espírito. 290-291, 295-297, 310-311, 517.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Patronos e Intercessores da JMJ Rio2013



Sob o manto da padroeira do Brasil, o guarda Soldado de Cristo, com o coração jovem, em missão e cheio de paz. Assim está a JMJ Rio2013 com a proteção de seus patronos. São eles:

Nossa Senhora da Conceição Aparecida;

São Sebastião;

Santo Antônio de Santana Galvão;

Santa Teresa de Lisieux

Beato João Paulo II.

O lançamento aconteceu na tarde de 27 de maio, no Santuário da Penha. Ao todo são cinco patronos e 13 intercessores.

Patronos - pais espirituais dos jovens

Os patronos são os pais espirituais dos jovens, lhes ensinam, como verdadeiros pais e mestres, os caminhos para santidade. Foram escolhidos por estarem intimamente ligados ao espírito da JMJ Rio 2013. Dentre estes estão também representantes da nação. O tema missionário inspira o pedido por proteção e entusiasmo para enfrentar os desafios da evangelização nos dias atuais. Oração e ação são dimensões inseparáveis dos discípulos-missionários de Jesus Cristo.

Nossa Senhora da Conceição Aparecida, protetora da Igreja e das famílias!

São Sebastião, Soldado e mártir da fé!

Santo Antônio de Santana Galvão, arauto da paz e da caridade!

Santa Teresa de Lisieux, padroeira das missões!

Beato João Paulo II, amigo dos jovens!

Intercessores - um modelo a ser imitado

Os jovens desejam encontrar-se com a verdade que dê sentido a sua existência. Dentre os intercessores escolhidos para a JMJ Rio 2013 estão homens e mulheres que mesmo na juventude souberam escolher a melhor parte em suas vidas: Jesus Cristo. A história de suas vidas inspira-nos a cultivar suas virtudes. O número 13 poderia apontar para o ano da Jornada, mas, além disso, atesta para todos que a santidade na vida concreta é possível. A geração JMJ é convidada a entregar sua vida àquele que concede felicidade e liberdade em abundância.

Santa Rosa de Lima, fiel à vontade de Deus!

Santa Teresa de Los Andes, contemplativa de Cristo!

Beata Laura Vicuña, mártir da pureza!

Beato José de Anchieta, apóstolo do Brasil!

Beata Albertina Berkenbrock, virtuosa nos valores evangélicos!

Beata Chiara Luce Badano, toda entregue a Jesus!

Beata Irmã Dulce, embaixadora da Caridade!

Beato Adílio Daronch, amigo de Cristo!

Beato Pier Giogio Frassati, amor ardente aos pobres e a Igreja!

Beato Isidoro Bakanja, mártir do escapulário!

Beato Ozanam, servidor dos mais pobres!

São Jorge, combatente do Mal!

Santos André Kim e companheiros, mártires da evangelização!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Música da Semana!

Bom dia! 
Nessa semana desejamos que a graça de Pentecostes permaneça nos seus dias!
Que você continue clamando sobre ti o Espírito de Deus! Espírito que é capaz de te transformar, de mudar seus dias e de te fazer santo!
Peça ao Pai o dom do Espírito todos os dias, porque ele é gratuito e atinge todos aqueles que desejam!
Não permita que o Espírito derramado sobre você seja em vão! Mude e deixe-se tocar pelo Espírito de Deus!
Que Nossa Senhora, a esposa do Espírito, esteja com você nesta semana!

 

domingo, 27 de maio de 2012

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Catequese do Papa Bento XVI sobre Paulo, parte 2


Queridos irmãos e irmãs.

Quarta-feira passada mostrei como São Paulo diz que o Espírito Santo é o grande mestre da oração e nos ensina a nos dirigirmos a Deus com os termos afetuosos de filhos, chamando-o de "Abbá, Pai". Assim fez Jesus: também no momento mais dramático da sua vida terrena, Ele não perdeu a confiança no Pai e sempre o invocou com a intimidade do Filho Amado. No Getsêmani, quando sente a angústia da morte, a sua oração é: "Abbá! Pai! Tudo é possível a ti: afasta de mim este cálice! Mas, não se faça aquilo que quero, mas aquilo que queres" (Mc 14,36).

Desde os primeiros passos do seu caminho, a Igreja acolheu esta invocação e a fez própria, sobretudo na oração do Pai Nosso, na qual dizemos todos os dias: "Pai, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu" (Mt 6, 9-10). Nas cartas de São Paulo a encontramos duas vezes. O apóstolo se dirige aos Gálatas com estas palavras: "E pelo fato de serdes filhos de Deus é a prova que Ele mandou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, o qual grita em nós: "Abbá! Pai!" (Gal 4,6). E no centro desse canto ao Espírito que está no capítulo oitavo da carta aos Romanos, São Paulo afirma: "E vós não recebestes um espírito de escravos para cair no medo, mas recebestes o Espírito que vos torna filhos adotivos, por meio do qual gritamos: "Abbá, Pai!" (Rom 8,15). O cristianismo não é uma religião do medo, mas da confiança e do amor do Pai que nos ama. Essas duas grandes afirmações nos falam do envio e do acolhimento dado ao Espírito Santo, o dom do Ressuscitado, que nos torna filhos em Cristo, o Filho Unigênito, e nos coloca em uma relação filial com Deus, relação de profunda confiança, como aquela das crianças; uma relação filial análoga àquela de Jesus, mesmo essa sendo de origem e teor diferentes: Jesus é o Filho eterno de Deus que se fez carne, por outro lado, nós, nos tornamos filhos nele, no tempo, mediante a fé e os Sacramentos do Batismo e do Crisma; graças a esses dois Sacramentos, mergulhamos no Mistério Pascal de Cristo. O Espírito Santo é o dom precioso e necessário que nos torna filhos de Deus, que realiza aquela adoção filial a qual somos chamados, todos os seres humanos, para que, como retrata a benção divina da Carta aos Efésios, Deus, em Cristo, "nos escolheu antes da criação do mundo para sermos santos e imaculados diante dele na caridade, predestinando-nos a sermos para Ele filhos adotivos mediante Jesus Cristo" (Ef 1,4).

Talvez o homem de hoje não perceba a beleza, a grandeza, e a consolação profunda contidas na palavra "pai" com a qual podemos nos dirigir a Deus na oração, por causa da figura paterna que geralmente não é suficientemente presente, ou suficientemente positiva na vida cotidiana, nos tempos de hoje. A essência do pai, o problema de um pai não presente na vida de uma criança é um grande problema do nosso tempo, por isso, se torna difícil entender na sua profundidade o que significa dizer que Deus é Pai para nós. A partir do próprio Jesus, do seu relacionamento filial com Deus, podemos aprender o que significa exatamente o "pai", qual é a verdadeira natureza do Pai que está nos céus. Críticos da religião disseram que falar do "Pai", de Deus, seria uma projeção dos nossos pais ao céu. Mas, é verdade o contrário: no Evangelho, Cristo nos mostra quem é o pai e como é um verdadeiro pai, para que possamos intuir a verdadeira paternidade, aprender também a verdadeira paternidade. Pensemos nas palavras de Jesus no sermão da montanha onde diz: "amais os vossos inimigos e orais por aqueles que vos perseguem, para que sejais filhos do Pai vosso que está nos céus" (Mt 5,44-45). É exatamente no amor de Jesus, o Filho Unigênito - que é ampliado pelo dom de si mesmo na cruz -  que se é revelada a nós a verdadeira natureza do pai: "Ele é Amor, e também nós, na nossa oração de filhos, entramos nesse circuito de amor, amor de Deus que purifica os nossos desejos, as nossas atitudes marcadas pelo fechamento, autossuficiência, do egoísmo típico do homem velho.

Gostaria de concentrar-me sobre a paternidade de Deus, para que possamos fazer com que o nosso coração seja abrasado por esta profunda realidade que Jesus Cristo nos fez conhecer plenamente e para que a nossa oração seja nutrida. Podemos dizer, portanto, que em Deus, o ser Pai tem duas dimensões. Antes de tudo, Deus é nosso Pai, porque é nosso Criador. Cada um de nós, todo homem e toda mulher é um milagre de Deus, é desejado por Ele e é conhecido pessoalmente por Ele. Quando no livro do Gênesis se diz que o ser humano é criado à imagem de Deus (CFR 1,27), se deseja exprimir exatamente esta realidade: Deus é nosso Pai, para Ele não somos anônimos, impessoais, mas temos um nome. E uma palavra nos Salmos, me toca sempre quando a rezo: "As tuas mãos me plasmaram", diz o salmista (Sal 119,73). Cada um de nós, pode dizer, nesta bela imagem da relação pessoal com Deus: "As tuas mãos me plasmaram. Pensaste em mim, me criaste, me quiseste". Mas isso ainda não basta. O Espírito de Cristo nos abre a uma segunda dimensão da paternidade de Deus, além da criação, porque Jesus é o Filho em sentido pleno, consubstancial ao Pai, como professamos no Creio. Se tornando um ser humano como nós, com a encarnação, a morte e a ressurreição, Jesus, por sua vez, nos acolhe na sua humanidade e no próprio ser Filho, assim, também nós podemos entrar na sua específica pertença a Deus. Certamente o nosso ser filhos não tem a plenitude do ser Filho de Jesus: nós devemos nos tornar sempre mais, ao longo do caminho de toda a nossa existência cristã, crescendo no seguimento de Cristo, na comunhão com Ele para entrar sempre mais intimamente na relação de amor com Deus Pai, que sustenta nossa vida. E é essa a realidade fundamental que nos vem aberta quando nos abrimos ao Espírito Santo e Ele nos faz dirigir a Deus dizendo-lhe "Abbá", Pai! Entramos realmente além da criação na adoção com Jesus; estamos realmente unidos em Deus, e filhos em um modo novo, em uma dimensão nova.

Mas gostaria agora de retornar aos dois trechos de São Paulo nos quais estamos considerando a ação do Espírito Santo na nossa oração; também aqui são dois passos que se correspondem, mas contém uma definição diferente. Na carta aos Gálatas, de fato, o apóstolo afirma que o Espírito grita em nós "Abbá!Pai!"; já na carta aos Romanos diz que somos nós a gritar "Abbá!Pai!". E São Paulo quer nos fazer compreender que a oração cristã não é nunca, não acontece nunca em sentido único de nós a Deus, não é somente um "agir nosso", mas é expressão de uma relação recíproca na qual Deus age primeiro: é o Espírito Santo que grita em nós, e nós podemos gritar para que o impulso venha do Espírito Santo. Nós não poderíamos rezar se não fosse inscrito na profundidade do nosso ser o desejo de Deus, o ser filhos de Deus. Desde quando passou a existir, o homo sapiens está sempre à procura de Deus, à procura de falar com Deus, porque Deus inscreveu-se nos nossos corações. Portanto, a primeira iniciativa vem de Deus, e com o Batismo, Ele de novo age em nós, o Espírito Santo age em nós; é o primeiro iniciador da oração para que possamos depois realmente falar com Deus e dizer "Abbá" a Deus. Portanto, a sua presença abre a nossa oração e a nossa vida, abre os horizontes da Trindade e da Igreja.

Além disso, compreendemos - este é um segundo ponto - que a oração do Espírito de Cristo em nós e a nossa nele, não é somente um ato individual, mas um ato de toda a Igreja. No rezar se abre o nosso coração, entramos em comunhão não somente com Deus, mas exatamente com todos os filhos de Deus, para que sejamos uma coisa só. Quando nos dirigimos ao Pai na nossa morada interior, no silêncio e no recolhimento, não estamos nunca sozinhos. Quem fala com Deus não está sozinho. Estamos na grande oração da Igreja, somos parte de uma grande sinfonia que  a comunidade cristã, espalhada em todas as partes da terra e em todos os tempos, eleva a Deus; claro, os músicos e os instrumentos são diferentes -  e isso é um elemento de riqueza - , mas a melodia de louvor é única e em harmonia. Todas as vezes, então, que gritamos e dizemos: "Abbá!Pai!" é a Igreja, toda a comunhão dos homens em oração que sustenta a nossa invocação, e a nossa invocação é a invocação da Igreja. Isso também se reflete na riqueza dos carismas, dos ministérios, das tarefas que realizamos na comunidade. São Paulo escreve aos cristãos de Corinto: "Existem diversos carismas, mas somente um é o Espírito; existem diversos ministérios, mas um só é o Senhor; existem diversas atividades, mas um só é o Deus que age em todos nós" (I Cor 12,4-6). A oração guiada pelo Espírito Santo, que nos faz dizer: "Abbá! Pai" com Cristo e em Cristo, nos insere no único grande mosaico da família de Deus no qual cada um tem um lugar importante e um papel importante, em profunda unidade com o todo.

Uma última reflexão: nós aprendemos a gritar "Abbá, Pai" também com Maria, a Mãe do Filho de Deus. O cumprimento da plenitude dos tempos, do qual fala São Paulo na Carta aos Gálatas (cfr 4,4), acontece no momento do sim de Maria, da sua adesão plena à vontade de Deus: "eis, sou a serva do Senhor" (Lc 1,38).

Queridos irmãos e irmãs, aprendemos a provar na nossa oração a beleza de sermos amigos, filhos de Deus, de poder invocá-lo com a confiança de uma criança que se dirige aos pais que a amam. Abramos a nossa oração à ação do Espírito Santo para que nós gritemos a Deus "Abbá! Pai" e para que a nossa oração transforme, converta constantemente o nosso pensar, o nosso agir para torná-lo sempre mais conforme àquele do Filho Unigênito, Jesus Cristo. Obrigado.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O que significa dizer que Jesus subiu ao Céu?



Com Jesus, um de nós chegou a Deus e permanece lá para sempre. No Seu Filho, Deus está humanamente próximo de nós. Quanto ao mais, Jesus disse no Evangelho segundo São João: "E quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim" (Jo 12, 32) [659-667]

No Novo Testamento, a ascensão de Cristo ao Céu marca o fim de uma especial proximidade do Ressuscitado com seus discípulos, que durou quarenta dias. Ao fim deste tempo, Cristo entra, com todo o Seu humano ser, na glória de Deus. A Sagrada Escritura exprime-o com as metáforas da "nuvem" e do "céu". "O ser humano", diz o Papa Bento XVI, "encontra lugar em Deus". Jesus Cristo está agora com o Pai, de quem um dia virá "para julgar os vivos e os mortos". A ascensão de Jesus ao Céu significa que Ele não está mais visível na Terra, embora esteja presente e disponível".

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Música da Semana!

Boa noite!
Nesta semana, desejamos que você se prepare para Pentecostes!
Que você se abra à manifestação do poder de Deus em sua vida e que a cada dia dessa semana você clame ao Espírito que possa habitar em ti e te transformar em testemunha do Senhor!
Abra teu coração para receber a promessa de Jesus, nosso defensor!
Que Maria, a esposa do Espírito, te ensine a melhor forma de clamar ao Senhor!
A paz!


sexta-feira, 18 de maio de 2012

Novena de Pentecostes

Bom dia! A partir de hoje nós e a Paróquia Nossa Senhora do Carmo de Taguatinga Sul estaremos promovendo a Novena de Pentecostes! Do dia 18 ao dia 27 de Maio, durante as Missas das 19h30, estaremos unidos suplicando ao Senhor que envie sobre nós o Espírito Santo! 
Não perca esta oportunidade!
Esperamos por você!


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Catequese do Papa Bento XVI sobre as cartas de Paulo


Queridos irmãos e irmãs,

Nas últimas catequeses refletimos sobre a oração nos Atos dos Apóstolos. Hoje, gostaria de começar a falar sobre a oração nas cartas de São Paulo, o apóstolo dos gentios. Antes de tudo, queria fazer notar como as suas cartas são introduzidas e terminadas com expressões de oração: no início, agradecimento e louvor e, no final, desejo de que a graça de Deus guie o caminho das comunidades as quais são endereçadas as cartas. Entre a fórmula de abertura: "agradeço o meu Deus por meio de Jesus Cristo" (Rm 1,8), e o desejo final: "a graça do Senhor Jesus esteja com todos vocês" (I Cor. 16,23), se desenvolvem os conteúdos das cartas do Apóstolo. Aquela de São Paulo é uma oração que se manifesta em uma grande riqueza de formas que vão desde o agradecimento à benção, do louvor ao pedido de intercessão, do hino à súplica: uma variedade de expressões que demonstra como a oração envolve e penetra todas as situações da vida, sejam aquelas pessoais, sejam aquelas das comunidade às quais se dirige.

Um primeiro elemento que o apóstolo quer nos fazer compreender é que a oração não deve ser vista como uma simples boa obra feita por nós para Deus, uma ação nossa. É, antes de tudo, um dom, fruto da presença viva, vivificante do Pai e de Jesus Cristo em nós. Na carta aos Romanos, escreve: "Do mesmo modo, o Espírito Santo vem em auxílio à nossa fraqueza: não sabemos, de fato, como rezar em modo conveniente, mas o Espírito mesmo intercede com gemidos inefáveis (8,26). E sabemos como é verdade o que diz o Apóstolo: "Não sabemos como rezar em modo conveniente". Queremos rezar, mas Deus está distante, não temos as palavras, a linguagem para falar com Deus, nem mesmo o pensamento. Podemos somente nos abrir, colocar o nosso tempo à disposição de Deus, esperar que Ele nos ajude a entrar em verdadeiro diálogo. O apóstolo diz: exatamente essa falta de palavras, essa ausência de palavras, e também o desejo de entrar em contato com Deus, é a oração que o Espírito Santo não somente entende, como leva, interpreta diante de Deus. Exatamente essa nossa fraqueza se torna, através do Espírito Santo, verdadeira oração, verdadeiro contato com Deus. O Espírito Santo é quase um intérprete que faz com que Deus entenda aquilo que queremos dizer.

Na oração nós experimentamos, mais que em outras dimensões da existência, a nossa fraqueza, a nossa pobreza, o nosso ser criaturas, porque somos colocados diante da onipotência e da transcendência de Deus. E quanto mais progredimos na escuta e no diálogo com Deus, para que a oração se torne o respiro cotidiano da nossa alma, mais percebemos a dimensão do nosso limite, não somente diante das situações concretas de cada dia mas também em relação ao próprio relacionamento com o Senhor. Cresce então em nós, a necessidade de confiar, de confiarmo-nos sempre mais a Ele; compreendemos que "não sabemos...como rezar de modo conveniente" (Rom 8,26). E é o Espírito Santo que ajuda a nossa incapacidade, ilumina a nossa mente e esquenta o nosso coração, guiando o nosso dirigir-se a Deus. Para São Paulo, a oração é, sobretudo, o agir do Espírito Santo na nossa humanidade, que se encarrega da nossa fraqueza e transforma-nos de homens ligados às realidades materiais em homem espirituais. Na primeira Carta aos Coríntios diz: "Agora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito de Deus para conhecer aquilo que Deus nos deu. Desta, nós falamos, com palavras não sugeridas pela sabedoria humana mas sim, ensinadas pelo Espírito, exprimindo coisas espirituais em termos espirituais" (2,2-12). Com o seu habitar na nossa fragilidade humana, o Espírito Santo nos transforma, intercede por nós, nos conduz às alturas de Deus (Rom 8,26).

Com essa presença do Espírito Santo se realiza a nossa união a Cristo, já que se trata do Espírito do Filho de Deus, no qual nos tornamos filhos. São Paulo fala do Espírito de Cristo (Rom 8,9), não somente do Espírito de Deus. É obvio: se Cristo é o Filho de Deus, o seu Espírito é também Espírito de Deus e assim, se o Espírito de Deus, Espírito de Cristo, se torna já muito próximo a nós no Filho de Deus e no Filho do Homem, o Espírito de Deus se torna também espírito humano e nos toca; podemos entrar na comunhão do Espírito. É como se dissesse que não somente Deus Pai se fez visível: na Encarnação do Filho, mas também o Espírito de Deus se manifesta na vida e na ação de Jesus, de Jesus Cristo, que viveu, foi crucificado, morreu e ressuscitou. O Apóstolo recorda que "ninguém pode dizer "Jesus é o Senhor", se não sob a ação do Espírito Santo" (I Cor 12,3). Portanto, o Espírito orienta o nosso coração a Jesus Cristo de modo que não sejamos mais nós a viver, mas Cristo a viver em nós" (Gal 2,20). Nas suas Catequeses sobre os Sacramentos, refletindo sobre a Eucaristia, Santo Ambrósio afirma: "Quem se inebria do Espírito, está enraizado em Cristo" (5,3.17: PL 16, 450).

E gostaria agora de evidenciar três consequências da nossa vida cristã quando deixamos operar em nós não o Espírito do mundo, mas o Espírito de Cristo como princípio interior de todo o nosso agir.

Antes de tudo, com a oração animada pelo Espírito, somos colocados em condição de abandonar e superar todo medo e escravidão, vivendo a autêntica liberdade dos filhos de Deus. Sem a oração que alimenta cada dia o nosso ser em Cristo, em uma intimidade que cresce progressivamente, nos encontramos na condição descrita por São Paulo na Carta aos Romanos: não fazemos o bem que queremos, mas sim, o mal que não queremos (Rom 7,19). E esta é a expressão de alienação do ser humano, de destruição da nossa liberdade, para as circunstâncias do nosso ser para o pecado original: queremos o bem que não fazemos e fazemos aquilo que não queremos: o mal. O Apóstolo quer fazer entender que não é a nossa vontade a liberar-nos destas condições e nem mesmo a Lei, mas sim, o Espírito Santo. E já que, "onde está o Espírito do Senhor, está a liberdade" (II Cor 3,17), com a oração experimentamos a liberdade doada pelo Espírito: uma liberdade autêntica, que é liberdade  do mal e do pecado, para o bem e para a vida, para Deus. A liberdade do Espírito, continua São Paulo, não se identifica nunca com a libertinagem, nem com a possibilidade de fazer a escolha pelo mal, mas sim, com o fruto do Espírito que é amor, alegria, paz, magnamidade, benevolência, bondade, fidelidade, mansidão e domínio de si" (Gal 5,22). Esta é a verdadeira liberdade: poder realmente seguir o desejo do bem, da verdadeira alegria, da comunhão com Deus e não ser oprimido pelas circunstâncias que nos pedem outras direções.

Uma segunda consequência se verifica na nossa vida quando deixamos agir em nós o Espírito de Cristo, que é quando o relacionamento com o próprio Deus se torna tão profundo ao ponto de não ser corrompido por nenhuma realidade ou situação. Compreendemos então que com a oração não somos liberados das provas ou dos sofrimentos, mas podemos vivê-los em união com Cristo, com os seus sofrimentos, na expectativa de participar também da sua glória (Rom 8,17). Muitas vezes, na nossa oração, pedimos a Deus de sermos liberados do mal físico e espiritual, e o fazemos com grande confiança. Todavia, frequentemente temos a impressão de não sermos ouvidos e então caímos no risco de nos desencorajarmos e de não perseverar. Na realidade, não existe grito humano que não escutado por Deus e exatamente na oração constante e fiel, compreendemos com São Paulo que os sofrimentos do tempo presente não impedem a glória futura que será revelada em nós (Rom 8,18). A oração não nos isenta da prova ou dos sofrimentos mas - diz São Paulo - nós gememos interiormente esperando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo" (Rom 8,26); ele diz que a oração não nos isenta do sofrimento, mas a oração nos permite vivê-lo e enfrentá-lo com uma força nova, com a mesma confiança de Jesus, o qual - segundo a carta aos hebreus - "nos dias da sua vida terrena ofereceu orações e súplicas com fortes gritos e lágrimas, a Deus que podia salvá-lo da morte e, pelo seu pleno abandono, foi ouvido" (5,7). A resposta de Deus Pai ao Filho, aos seus fortes gritos e lágrimas, não foi a libertação dos sofrimentos, da cruz, da morte, mas foi uma realização muito maior, uma resposta muito mais profunda; através da cruz e da morte, Deus respondeu com a ressurreição do Filho, com a nova vida. A oração animada pelo Espírito Santo leva-nos também a viver cada dia o caminho da vida com suas provas e sofrimentos, na plena esperança, na confiança em Deus que responde como respondeu a seu Filho.

E, terceiro, a oração do fiel se abre também às dimensões da humanidade e de toda a criação, tomando a ardente expectativa da criação, colocada em direção à revelação dos filhos de Deus (Rom 8,19). Isso significa que a oração, sustentada pelo Espírito de Cristo que fala no íntimo de nós mesmos, não fica nunca presa em si mesma, não é somente uma oração por mim, mas se abre à divisão dos sofrimentos do nosso tempo, dos outros. Se torna intercessão pelos outros, e assim liberação de mim, canal de esperança para toda a criação, expressão daquele amor de Deus que foi derramado sobre os nosso corações por meio do Espírito que nos foi dado (Rom 5,5). E exatamente esse é um sinal de verdadeira oração, que não se encerra em nós mesmos, mas se abre aos outros e assim me liberta, assim ajuda a redenção do mundo.

Queridos irmãos e irmãs, São Paulo nos ensina que na nossa oração devemos abrir-nos à presença do Espírito Santo, o qual reza em nós com gemidos inexprimíveis, para levar-nos a aderir a Deus com todo o nosso coração e com todo o nosso ser. O Espírito de Cristo se torna a força da nossa oração "fraca", a luz da nossa oração "apagada", o fogo da nossa oração "árida", doando-nos a verdadeira liberdade interior, ensinando-nos a viver enfrentando as provas da existência, na certeza de não estarmos sós, abrindo-nos aos horizontes da humanidade e da criação "que geme e sofre as dores de parto" (Rom 8,22).

Obrigado!


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Não é chocante chamar Maria de "mãe de Deus"?



82 - Não. Quem chama mãe de Deus a Maria confessa que seu Filho é Deus. [495, 509].

Quando os primeiros cristãos discutiam quem era Jesus, o termo theotokos (geradora de Deus) tornou-se sinal de reconhecimento da interpretação fidedigna da Sagrada Escritura: Maria não deu à luz simplesmente um ser humano, que após o nascimento se tivesse "tornado" Deus; o seu Filho era, já no ventre, o verdadeiro Filho de Deus. Esta questão, antes mesmo de ser um assunto mariológico, é novamente um tema relacionado com o fato de Jesus ser simultaneamente verdadeiro homem e verdadeiro Deus.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Música da Semana!

Bom dia!
Nesta semana em que nós recebemos os símbolos da Jornada Mundial da Juventude em nossa cidade, desejamos à você que se deixe entusiasmar pela força redentora e missionária da Cruz!
Que você reconheça nela o sinal concreto do amor de Deus em sua vida e por isso se transforme em uma pessoa nova!
Que você se torne, pela graça do Espírito Santo, discípulo de Cristo! E que também faça discípulos através do seu testemunho, para que todos nós possamos viver o amor e cantemos glória Àquele que nos salvou!
Que Nossa Senhora, a mãe dos discípulos de Cristo, seja tua intercessora nesta semana!
A paz!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Seja adorador!


Além de recebermos Jesus Eucarístico, é preciso adorá-Lo no Santíssimo Sacramento. Seja adorador! Se, por vários motivos, você não puder permanecer por muito tempo em adoração, passe pelo menos cinco minutos por dia diante de Jesus presente no sacrário.

Não somos capazes de imaginar os benefícios que recebemos quando estamos em adoração diante do Santíssimo Sacramento. Nessa hora, estamos diante do Senhor, apesar de não vê-Lo e senti-Lo. Os nossos sentidos não captam, mas Cristo está ali e está nos vendo com olhos humanos, sorrindo ou chorando conosco.

Da mesma forma que nos unimos ao sofrimento de alguém que amamos quando essa pessoa está com problemas ou doente, Jesus une-se a nós. No momento em que estamos diante do Santíssimo Sacramento, Jesus está diante de nós. Não fazemos favor nenhum a Ele em estar na Sua presença, pelo contrário, é Ele quem nos faz um enorme favor. O Senhor, na Eucaristia, deseja ardentemente esse encontro e, como ovelhas machucadas, precisamos nos encontrar com Ele para a nossa cura.

Assim como os raios vieram do ostensório que Clara de Assis apresentou diante daqueles homens, raios do poder de Deus virão e permanecerão sobre nós. Nos poucos minutos que passamos diante do Santíssimo Sacramento, tomamos um banho de luz, de poder, de divindade e voltamos para as nossas atividades, para o nosso serviço, nossa casa, impregnados da presença de Deus.

Se você tem a oportunidade de fazer adoração ao Santíssimo pelo espaço de meia hora, uma hora, ou até ficar em vigília, faça! Isso trará inúmeros benefícios para você e para sua família. Se não pode ficar um longo tempo com Jesus na Eucaristia, procure fazer pequenas visitas. Ao passar por uma igreja, entre, ajoelhe-se e por alguns instantes diga palavras de amor a Nosso Senhor Jesus.

Deus o abençoe!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Catequese do Papa Bento XVI sobre a oração por Pedro na prisão


Queridos irmãos e irmãs!

Hoje gostaria de deter-me sobre o último episódio da vida de São Pedro narrado nos Atos Apóstolos: a sua prisão segundo o querer de Herodes Agripa e a sua libertação pela intervenção prodigiosa do Anjo do Senhor, na vigília do seu processo em Jerusalém (At 12,1-17).

A narração é mais uma vez marcada pela oração da Igreja. São Lucas, de fato, escreve: "Enquanto Pedro estava no cárcere, da Igreja subia incessantemente a Deus uma oração por ele" (At 12,5). E depois de ter miraculosamente deixado o cárcere, em ocasião de sua visita à Casa de Maria, a mãe de João Marcos, se afirma que “muitos estavam reunidos e rezavam” (At 12,12). Entre essas duas situações importantes que ilustram a atitude da comunidade cristã diante do perigo e da perseguição, se fala da detenção e da libertação de Pedro, que compreende toda a noite. A força da oração incessante da Igreja se eleva a Deus e o Senhor escuta e realiza uma libertação impensada e inesperada, enviando seu anjo.

A narração enfatiza os grandes elementos da libertação de Israel da escravidão do Egito - a Páscoa hebraica. Como aconteceu naquele evento fundamental, também aqui, a ação principal é realizada pelo anjo do Senhor que liberta Pedro. E as mesmas ações do apóstolo - ao qual foi pedido que se levantasse às pressas, colocasse o cinto e o cingisse à cintura - remontam aquelas do povo eleito na noite da libertação por intervenção de Deus, quando foi feito o convite para que se comesse às pressas o cordeiro, que estivessem cingidos, com sandálias aos pés, bastão nas mãos, pronto para sair do país (Ex 12,11). Assim Pedro pode exclamar: "Agora sei verdadeiramente que o Senhor mandou seu anjo e me arrancou das mãos de Herodes" (At 12,11). Mas o anjo representa não somente aquele da libertação de Israel do Egito, mas também aquele da Ressurreição de Cristo. Contam, de fato, os Atos dos apóstolos: "Eis que se apresentou um anjo do Senhor e uma luz fulgurante tomou a cela. Ele tocou o lado de Pedro e o despertou" (At 12,7). A luz que preenche a prisão, a ação de despertar o apóstolo, remontam à luz libertadora da Páscoa do Senhor que vence as trevas da noite e do mal. O convite, de fato: "Coloques o manto e segue-me" (At 12,8), faz ressoar no coração, as palavras do chamado inicial de Jesus (Mar 1,17), repetida depois da ressurreição no lago de Tiberíades, onde o Senhor diz por duas vezes a Pedro: "Segue-me" (Jo 21,19.22). É um convite apressado de seguimento: somente saindo de si mesmo para colocar-se em caminho com o Senhor e fazer a sua vontade, se vive a verdadeira liberdade.

Gostaria de destacar também um outro aspecto da atitude de Pedro na prisão; notamos, de fato, que, enquanto a comunidade cristã reza com insistência por ele, Pedro "dormia" (At 12,6). Em uma situação tão crítica e de sério perigo, é uma atitude que pode parecer estranha, mas que, ao ao mesmo tempo, representa tranquilidade e confiança; ele se confia a Deus, sabe que está circundado pela solidariedade e pela oração dos seus e se abandona totalmente nas mãos do Senhor. Assim deve ser a nossa oração: assídua, solidária com os outros, plenamente confiante em Deus que nos conhece no íntimo e cuida de nós ao ponto que - diz Jesus - "até o cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo" (Mat 10, 30-31). Pedro vive a noite na prisão e da libertação do cárcere como um momento que faz parte da sua escolha em seguir o Senhor, o qual vence as trevas da noite e liberta da escravidão das cadeias e do perigo da morte. A sua é uma libertação prodigiosa, marcada por várias passagens descritas acuradamente: guiado pelo Anjo, apesar da vigilância dos guardas, atravessa o primeiro e o segundo posto de guarda, até a porta de ferro que o conduz para a cidade: e a porta se abre sozinha diante deles (At 12,10). Pedro e o Anjo do Senhor cumprem juntos uma parte da estrada, até que, entrando em si mesmo, o Apóstolo se dá conta que o Senhor realmente o libertou e, depois de ter refletido, se direciona à casa de Maria, a mãe de Marcos, onde muitos dos discípulos estão reunidos em oração; mais uma vez a resposta da comunidade diante da dificuldade e do perigo é confiar-se a Deus, intensificar o relacionamento com Ele.

Aqui me parece útil enfatizar uma outra situação não fácil que viveu a comunidade cristã das origens. São Tiago fala sobre isso na sua carta. É uma comunidade em crise, em dificuldade, não tanto por causa das perseguições, mas porque dentro estão presentes ciúmes e contendas. (Tiago 3,14-16). E o Apóstolo se pergunta o porquê daquela situação. Ele encontra dois motivos principais: o primeiro é o deixar-se dominar pelas paixões, pela ditadura do próprio querer, pelo egoísmo (Tiago 4,3); o segundo é a falta de oração - “não pedis” (Tiago 4,2b) – ou a presença de uma oração que não se pode definir como tal - “pedis e não obtenhais, poque pedis mal, para satisfazer as vossas paixões". Essa situação mudaria, segundo São Tiago, se a comunidade falasse unida com Deus, pela continuidade de um diálogo vivo com o Senhor. Um aspecto importante também para nós e nossas comunidades, sejam aquelas pequenas como a família, sejam aquelas mais vastas como a paróquia, a diocese, a Igreja inteira. Me faz refletir que as pessoas rezaram nessa comunidade de São Tiago, mas rezaram mal, somente pelas próprias paixões. Devemos sempre de novo aprender a rezar bem, rezar realmente, orientar-se para Deus e não em direção ao bem próprio.

Já a comunidade que acompanha a prisão de Pedro é uma comunidade que reza verdadeiramente, por toda a noite, unida. E é uma alegria que não se pode conter aquela alegria que invade o coração de todos quando o Apóstolo bate inesperadamente a porta. São a alegria e o estupor diante da ação de Deus que escuta. Assim a Igreja eleva a oração por Pedro, e para a Igreja ele volta para narrar "como o Senhor o havia tirado da prisão" (At 12,17). Naquela Igreja onde ele é colocado como rocha (Mat 16,18), Pedro narra sua Páscoa de libertação: ele experimenta que no seguimento de Jesus está a verdadeira liberdade, se é envolvido por uma luz fulgurante da Ressurreição e por isso, se pode testemunhar até o martírio que o Senhor Ressuscitou e que verdadeiramente mandou o seu anjo que o arrancou das mãos de Herodes (At 12,11). O martírio que sofrerá em Roma o unirá definitivamente a Cristo, que o havia dito: quando fores velho outro te levará para onde não queres ir - para indicar com qual morte ele teria que glorificar a Deus. (Jo 21,18-19).

Queridos irmãos e irmãs, o episódio da libertação de Pedro narrado por Lucas, nos diz que a Igreja, cada um de nós, atravessa a noite da prova, mas é a vigilância incessante da oração que nos sustenta. Também eu, desde o primeiro momento de minha eleição como Sucessor de Pedro, me senti amparado pela vossa oração, pela oração da Igreja, sobretudo nos momentos mais difíceis. Agradeço de coração.

Com a oração constante e confiante, o Senhor nos liberta das cadeias, nos guia para atravessar qualquer que seja a noite de prisão que possa tomar nosso coração, nos dá a serenidade do coração para enfrentar as dificuldades da vida, também a rejeição, a oposição, a perseguição. O episódio de Pedro mostra essa força na oração. E o Apóstolo, mesmo em meio às correntes, se sente tranquilo, na certeza de não estar sozinho: a comunidade está rezando por ele, o Senhor está próximo a ele; e mais ainda: ele sabe que a força de Cristo se manifesta plenamente na fraqueza" (II Cor 12,9). A oração constante e unânime é um precioso instrumento também para superar as provas que podem surgir no caminho da vida, porque é o estar profundamente unidos a Deus que nos permite de estarmos também profundamente unidos aos outros. Obrigado.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Por que razão Maria é virgem?



80 - Deus quis que Jesus Cristo tivesse uma verdadeira mãe humana, reservando a Si próprio a paternidade do Seu Filho, pois desejava estabelecer um novo início que não se devesse às forças humanas, mas só a Ele. {484-504, 508-510}

A virgindade de Maria não é uma noção retirada da mitologia, mas está basicamente ligada à vida de Jesus. Ele nasceu de uma mulher, mas não teve um pai biológico. Jesus Cristo é um novo início, instituído no mundo pelo Alto. No Evangelho segundo São Lucas, Maria pergunta ao anjo Gabriel: "Como se dará isto, se não conheço homem?" (= não dormi com nenhum homem, Lc 1, 34); o anjo respondeu-lhe: "O Espírito Santo virá sobre ti" (Lc 1, 35). Embora tenha havido muitas discussões na Igreja , desde o princípio, por causa da sua crença na virgindade de Maria, ela sempre acreditou que neste caso se tratava de uma virgindade real, e não meramente simbólica.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Bote Fé Brasília! Vem pra cá você também!

Faltam 4 dias para o Bote Fé Brasília! Confira o convite do nosso Arcebispo! Vá até a Esplanada e mostre a força da juventude de Brasília!





segunda-feira, 7 de maio de 2012

Música da Semana!

Bom dia!
Nesta semana desejamos que você permaneça no Senhor! E que assim, dê muitos frutos para que o Pai seja glorificado!
Desejamos que não tenha medo das podas que são necessárias e que em tudo você se abra à vontade do Senhor, que deseja ser íntimo teu e que deseja te ensinar a amar com gestos e não somente com palavras! 
Que você busque o Senhor onde Ele se deixa encontrar, principalmente na Eucaristia e na Palavra, para que assim Ele te forme para o amor, para a liberdade e para a coragem, sinais de quem aceitou o desafio de ser discípulo!
Que Nossa Senhora, aquela que permaneceu no Senhor, te ensine a também permanecer!
A paz!


sábado, 5 de maio de 2012

Intimidade com Maria 2012


Intimidade com Maria, um retiro de formação e espiritualidade mariana. 
Acontecerá nos dias 18, 19 e 20 de Maio, na chácara Santa Cruz.
O valor da inscrição é de R$ 50,00 e esta pode ser feita através do e-mail comunidadegratidao@gmail.com ou na casa da comunidade, que fica na QSD 15, Lote 07 - Taguatinga Sul.
Maiores informações através dos telefones: 84321033, 81415198, 85300277 ou 30424130.


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Catequese do Papa Bento XVI sobre a oração de Santo Estevão


Queridos irmãos e irmãs,

Nas últimas catequeses vimos como, a oração pessoal e a comunitária, a leitura e a meditação da Sagrada Escritura abrem à escuta de Deus que nos fala e infundem luzes para entender o presente. Hoje gostaria de falar do testemunho e da oração do primeiro mártir da Igreja, Santo Estevão, um dos sete escolhidos para o serviço da caridade junto aos necessitados. No momento do seu martírio, narrado nos atos dos apóstolos, se manifesta, mais uma vez, a fecunda relação entre a Palavra de Deus e a oração.

Estevão foi conduzido ao tribunal, diante do Sinédrio, onde foi acusado de ter declarado que “Jesus destruiria este lugar, (o templo), e mudaria os costumes que Moisés havia transmitido” (At 6,14). Durante a sua vida pública, Jesus havia efetivamente preanunciado a destruição do templo de Jerusalém: “Destruais este templo e em três dias eu o farei ressurgir” (Jo 2,19). Todavia, como destaca o evangelista João, “ele falava do templo do seu corpo. Quando, depois, ressuscitou dos mortos, os seus discípulos se recordaram que havia dito aquilo, e acreditaram nas Escrituras e na palavra dita por Jesus” (Jo 2, 21-22).

O discurso de Estevão diante do tribunal, o mais longo dos atos dos apóstolos, se desenvolve exatamente a partir dessa profecia de Jesus, o qual é o novo templo, inaugura o novo culto, e substitui, com a oferta que faz de si mesmo sobre a cruz, os sacrifícios antigos. Estevão quer demonstrar como seja infundada a acusação que lhe foi dirigida de mudar a lei de Moisés e ilustra a sua visão da história da salvação, da aliança entre Deus e o homem. Ele relê então toda a narração bíblica, itinerário contido na Sagrada Escritura, para mostrar que isso conduz ao lugar da presença definitiva de Deus, que é Jesus Cristo, em particular a sua paixão, morte e ressurreição. Nesta prospectiva, Estevão lê também o seu ser discípulo de Jesus, seguindo-o até o martírio. A meditação sobre a Sagrada Escritura lhe permite compreender a sua missão, a sua vida, o seu presente. Nisto ele é guiado pela luz do Espírito Santo, pelo seu relacionamento íntimo com o Senhor, tanto que os membros do Sinédrio viram o seu rosto “como de um anjo” (At 6,15). Tal sinal de assistência divina, faz alusão ao rosto irradiante de Moisés descendo do Monte Sinai após ter encontrado Deus. (Ex 34,29-35; II Cor 3,7-8).

No seu discurso, Estevão parte do chamado de Abraão, peregrino em direção à terra indicada por Deus e que a teve como posse somente em nível de promessa; passa depois a José, vendido pelos irmãos, mas assistido e libertado por Deus, para chegar a Moisés, que se torna instrumento de Deus para libertar o seu povo, mas encontra também e mais vezes a rejeição da sua gente. Nestes eventos narrados pela Sagrada Escritura, diante da qual Estevão demonstra estar em religiosa escuta, emerge sempre Deus, que não se cansa de ir ao encontro do homem apesar de encontrar frequentemente uma obstinada oposição. E isso no passado, no presente e no futuro.

Portanto, em todo o antigo testamento, ele vê a prefiguração da situação vivida pelo próprio Jesus, o Filho de Deus que se fez carne,  que -  como os antigos pais – encontra obstáculos, rejeição, morte. Estevão se refere ainda a Josué, a Davi e a Salomão, que estão relacionados à construção do templo de Jerusalém, e conclui com as palavras do profeta Isaías (66,1-2): “O céu é o meu trono e a terra escabelo dos meus pés. Como casa poderá construir-me, diz o Senhor, a qual será lugar do meu repouso? Não é porventura a minha mão que criou todas estas coisas?” (At 7,49-50). Na sua meditação sobre o agir de Deus na história da salvação, evidenciando a perene tentação de rejeitar Deus e a sua ação, ele afirma que Jesus é o Justo anunciado pelos profetas; nEle Deus mesmo se fez presente em modo único e definitivo: Jesus é o “lugar” do verdadeiro culto. Estevão não nega a importância do templo por um certo tempo, mas sublinha que “Deus não habita em construções feitas pela mão do homem” (At 7,48). O novo e verdadeiro templo no qual Deus habita é seu Filho, que assumiu a carne humana, é a humanidade de Cristo, o Ressuscitado que recolhe os povos e os une no Sacramento do Seu Corpo e do seu Sangue. A expressão a respeito do templo “não construído por mãos de homens”, se encontra também na teologia de São Paulo e na Carta aos Hebreus: o corpo de Jesus, o qual Ele assumiu para sofrer ele mesmo como vítima do sacrifício para expiar os pecados, é o novo templo de Deus, o lugar da presença de Deus vivente; nEle Deus e homem, Deus e o mundo estão realmente em contato: Jesus toma sobre si todo o pecado da humanidade para levá-lo no amor de Deus e para queimá-lo neste amor. Aproximar-se da cruz, entrar em comunhão com Cristo, quer dizer entrar nesta transformação. E isto é entrar em contato com Deus, entrar no verdadeiro templo.

A vida e o discurso de Estevão de repente se interrompem com o apedrejamento, mas exatamente o seu martírio é o cumprimento da sua vida e da sua mensagem: ele se torna uma coisa só com Cristo. Assim a sua meditação sobre o agir de Deus na história, sobre a Palavra Divina que em Jesus encontrou seu pleno cumprimento, se torna uma participação à mesma oração da Cruz. Antes de morrer, de fato exclama: “Senhor Jesus, recebas o meu espírito” (At 7,59), apropriando-se das palavras do Salmo 31 v.6 e revivendo a última expressão de Jesus no Calvário: “Pai, em tuas mãos entrego meu espírito” (Luc 23,46); e enfim, como Jesus, grita em alto e bom som diante daqueles que o estavam apedrejando: “Senhor, perdoa-lhes os pecados” (At 7,60). Notamos que, se de um lado a oração de Estevão retoma aquela de Jesus, diferente é o destinatário, porque a invocação é dirigida ao próprio Senhor, isto é, a Jesus que ele contempla glorificado à direita do Pai: “Eis, contemplo os céus abertos e o Filho do homem que está à direita de Deus” (v.55).

Queridos irmãos e irmãs, o testemunho de São Estevão nos oferece algumas indicações para a nossa oração e para a nossa vida. Podemos nos perguntar: de onde este primeiro mártir cristão trouxe forças para enfrentar os seus perseguidores e chegar à doação de si mesmo? A resposta é simples: do seu relacionamento com Deus, da sua comunhão com Cristo, da meditação sobre a história da salvação, do ver o agir de Deus, que em Jesus Cristo chegou ao cume. Também a nossa oração deve ser sempre nutrida pela escuta da Palavra de Deus, na comunhão com Jesus e sua Igreja.

Um segundo elemento: São Estevão vê  preanunciada, na história do amor entre Deus e o homem, a figura e a missão de Jesus. Ele – o Filho de Deus – é o templo “não feito pela mão do homem” no qual a presença de Deus Pai se fez próxima ao ponto de entrar na nossa carne humana para levar-nos a Deus, para abrir-nos as portas do céu. A nossa oração, então, deve ser a contemplação de Jesus à direita de Deus, de Jesus como Senhor da nossa, da minha existência cotidiana. Nele, sob a guia do Espírito Santo, podemos também nos voltarmos a Deus, realizar um contato real com Deus com a confiança e o abandono dos filhos que se dirigem a um Pai que os ama em modo infinito. Obrigado.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Pode Maria ajudar-nos realmente?



148 - Sim. Desde o início da Igreja tem-se tido a experiência de que Maria ajuda. Milhões de cristãos dão testemunho disso. [967-970].

Enquanto Mãe de Jesus, Maria também é nossa mãe. As boas mães responsabilizam-se sempre pelos filhos. Esta mãe não foge à regra. Já na terra, ela mobilizou-se junto de Jesus pelos outros, como foi o caso das bodas de Caná, em que ela salvou o casal de noivos de uma situação complicada. Na sala do dia de Pentecostes, ela orava com os discípulos. Porque seu amor por nós não acaba, podemos estar certos de que ela se comprometeu por nós nos dois momentos mais importantes da nossa vida: "agora e na gora da nossa morte". 85