quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Catequese do Papa sobre Liturgia


Caros irmãos e irmãs,

Neste mês percorremos um caminho à luz da Palavra de Deus, para aprender a rezar de modo sempre autêntico, olhando para alguma grande figura do Antigo Testamento, dos Salmos, das Cartas de São Paulo e do Apocalipse, mas, sobretudo, olhando para a experiência única e fundamental de Jesus, em sua relação com o Pai Celestial. Na verdade, somente em Cristo o homem é capaz de unir-se a Deus com a profundidade e a intimidade de um filho no conforto de um pai que o ama, somente Nele nós podemos nos voltar com toda a verdade a Deus chamando-O com afeto “Abbá, Pai”. Como os Apóstolos, também nós repetimos nestas semanas e repetimos a Jesus hoje: “Senhor, ensinai-nos a rezar” (Lc 11,1).

Também, para aprender a viver ainda mais intensamente a relação pessoal com Deus, aprendemos a invocar o Espírito Santo, primeiro dom do Ressuscitado aos crentes, porque é Ele que “vem em auxílio à nossa fraqueza: nós não sabemos como rezar de modo conveniente” (Rm 8,26), diz São Paulo, e nós sabemos como ele tem razão.

Neste ponto, depois de uma longa série sobre oração na Escritura, podemos nos perguntar: como posso eu deixar-me formar pelo Espírito Santo e assim tornar-me capaz de entrar na atmosfera de Deus, de rezar com Deus? Qual é esta escola na qual Ele me ensina a rezar, vem em auxílio ao me esforço de voltar-me de modo justo a Deus? A primeira escola para a oração – como nós vimos nestas semanas – é a Palavra de Deus, a Sagrada Escritura. A Sagrada Escritura é um permanente diálogo entre Deus e o homem, um diálogo progressivo no qual Deus se mostra sempre mais próximo, no qual podemos conhecer sempre melhor a sua face, a sua voz, o seu ser; e o homem aprende a aceitar o conhecer Deus, a falar com Deus. Também, nestas semanas, lendo a Sagrada Escritura, buscamos, na Escritura, neste diálogo permanente, aprender como podemos entrar em contato com Deus.

Há agora um outro precioso “espaço”, uma outra preciosa “fonte” para crescer na oração, uma fonte de água viva em estreitíssima relação com a anterior. Refiro-me à liturgia, que é um âmbito privilegiado no qual Deus fala a todos nós, aqui e agora, e atende a nossa resposta.

O que é a liturgia? Se abrirmos o Catecismo da Igreja Católica – subsídio sempre precioso, direi, e imprescindível – podemos ler que originalmente a palavra “liturgia” significa “serviço da parte do povo e em favor do povo” (n. 1069). Se a teologia cristã tomou esta palavra do mundo grego, o fez obviamente pensando no novo Povo de Deus nascido de Cristo que abriu os seus braços na Cruz para unir os homens na paz do único Deus. “Serviço em favor do povo”, um povo que não existe por si só, mas que se formou graças ao Mistério Pascal de Jesus Cristo. De fato, o Povo de Deus não existe por laços de sangue, de território, de nação, mas nasce sempre da obra do Filho de Deus e da comunhão com o Pai, concedida por Ele (Jesus).

O Catecismo indica também que “na tradição cristã (a palavra “liturgia”) quer significar que o Povo de Deus participa da obra de Deus” (n. 1069), porque o povo de Deus como tal existe somente por obra de Deus.

Isso nos fez lembrar do próprio desenvolvimento do Concílio Vaticano II, que iniciou os seus trabalhos, cinquenta anos atrás, com a discussão do esquema sobre a sagrada liturgia, então solenemente aprovado em 4 de dezembro de 1963, o primeiro texto aprovado pelo Concílio. Que o documento sobre a liturgia fosse o primeiro resultado da assembleia conciliar, isso talvez tenha sido considerado por alguns um acaso. Entre tantos projetos, o texto sobre a sagrada liturgia parece ser aquele menos controverso, e, por isso mesmo, capaz de constituir uma espécie de exercício para aprender a metodologia do trabalho conciliar. Mas sem dúvida alguma, isso que à primeira vista pode parecer um acaso, demonstrou-se como a escolha mais certa, também a partir da hierarquia de temas e tarefas mais importantes da Igreja. Iniciando, de fato, com o tema da “liturgia” o Concílio trouxe à luz de modo muito claro o primado de Deus, a sua prioridade absoluta. Primeiro de tudo Deus: este mesmo nos diz a escolha conciliar de partir da liturgia. Onde o olhar sobre Deus não é determinante, todas as outras coisas perdem a sua orientação. O critério fundamental para a liturgia é a sua orientação para Deus, para poder assim participar da sua obra.

Mas podemos nos perguntar: qual é esta obra de Deus à qual somos chamados a participar? A resposta que nos oferece a Constituição conciliar sobre a sagrada liturgia é aparentemente dupla. O número 5 nos indica, de fato, que a obra de Deus são as suas ações históricas que nos levam à salvação, culminada na Morte e Ressurreição de Jesus Cristo; mas no número 7 a mesma Constituição define a própria celebração da liturgia como “obra de Cristo”. Na verdade, esses dois significados são inseparavelmente ligados. Se nos perguntamos quem salva o mundo e o homem, a única resposta é: Jesus de Nazaré, Senhor e Cristo, crucificado e ressuscitado. E onde está presente para nós, para mim hoje o mistério da morte e ressurreição de Cristo, que traz a salvação? A resposta é: na ação de Cristo através da Igreja, na liturgia, em particular no Sacramento da Eucaristia, que torna presente esta oferta do sacrifício do Filho de Deus, que nos resgatou; no Sacramento da Reconciliação, no qual se passa da morte do pecado à vida nova; e nos outros sacramentos que nos santificam (cfr Presbyterorum ordinis, 5). Assim, o Mistério Pascal da Morte e Ressurreição de Cristo é o centro da teologia litúrgica do Concílio.

Vamos dar um passo adiante e perguntar: de que modo se faz possível esta atualização do Mistério Pascal de Cristo? O beato Papa João Paulo II, 25 anos após a Constituição Sacrosanctum Concilium, escreveu: “Para atualizar o seu Mistério Pascal, Cristo está sempre presente na sua Igreja, sobretudo nas ações litúrgicas. A liturgia é, por consequência, o lugar privilegiado do encontro dos cristãos com Deus e com aquele que Ele enviou, Jesus Cristo (cfr Gv 17,3)” (Vicesimus quintus annus, n. 7). Nessa mesma linha, lemos no Catecismo da Igreja Católica assim: “Cada celebração sacramental é um encontro dos filhos de Deus com o seu Pai, em Cristo e no Espírito Santo, e tal encontro se apresenta como um diálogo, através de ações e palavras” (n. 1153). Portanto, a primeira exigência para uma boa celebração litúrgica é a oração, diálogo com Deus, antes de tudo escuta e também resposta. São Bento, em sua “Regra”, falando da oração dos Salmos, indica aos monges: mens concordet voci, “que a mente concorde com a voz”. O Santo ensina que na oração dos Salmos as palavras devem preceder a nossa mente. Geralmente não acontece assim, primeiro devemos pensar e depois, como nós pensamos, isso se converte em palavra. Mas aqui, na liturgia, é o inverso, a palavra precede. Deus nos deu a palavra e a sagrada liturgia nos oferece as palavras; nós devemos entrar no interior das palavras, no seu significado, acolhê-las em nós, colocar-nos em sintonia com estas palavras; assim nos transformamos filhos de Deus, similares a Deus. Como recorda o Sacrosanctum Concilium, para assegurar a plena eficácia da celebração “é necessário que os fiéis se aproximem da sagrada liturgia com reta disposição de espírito, colocando o próprio espírito em consonância com a própria voz e cooperar com a graça divina para não recebê-la em vão” (n. 11). Elemento fundamental, primeiro, do diálogo com Deus na liturgia, é a concordância entre o que dizemos com os lábios e o que trazemos no coração. Entrando nas palavras da grande história da oração nós mesmos estamos conformados com o espírito destas palavras e nos tornamos capazes de falar com Deus.

Nesta linha, gostaria apenas de mencionar um momento que, durante a própria liturgia, nos chama e nos ajuda a encontrar tal concordância, esta conformidade a isso que escutamos, dizemos e fazemos na celebração da liturgia. Refiro-me ao convite que faz o Celebrante primeiro da Oração Eucarística: “Sursum corda”, elevar nossos corações fora do emaranhado de nossas preocupações, nossos desejos, nossos anseios, nossa distração. O nosso coração, o íntimo de nós mesmos, deve abrir-se obediente à Palavra de Deus e recolher-se na oração da Igreja, para receber sua orientação a Deus pelas palavras que escuta e diz. O olhar para o coração deve dirigir-se ao Senhor, que está no meio de nós: é uma disposição fundamental.

Quando vivemos a liturgia com esta atitude básica, o nosso coração é como que retirado da força da gravidade, que o atrai para baixo, e ergue-se interiormente para o alto, para a verdade e para o amor, para Deus. Como recorda o Catecismo da Igreja Católica: “A missão de Cristo e do Espírito Santo que, na Liturgia sacramental da Igreja, anuncia, atualiza e comunica o Mistério da salvação, prossegue no coração que reza. Os Pais da vida espiritual às vezes comparam o coração a um altar” (n. 2655): altare Dei est cor nostrum.

Caros amigos, celebramos e vivemos bem a liturgia somente se permanecemos em atitude de oração, não se queremos “fazer qualquer coisa”, vermos ou agir, mas se voltamos o nosso coração a Deus e estamos em atitude de oração que nos une ao mistério de Cristo e ao seu diálogo de Filho com o Pai. O próprio Deus nos ensina a rezar, afirma São Paulo (cfr Rm 8,26). Ele mesmo nos deu as palavras adequadas para nos dirigirmos a Ele, palavras que encontramos no Livro dos Salmos, nas grandes orações da sagrada liturgia e na própria Celebração eucarística. Rezemos ao Senhor para sermos cada dia mais conscientes, de fato, de que a Liturgia é ação de Deus e do homem; oração que vem do Espírito Santo e de nós mesmos, inteiramente voltada ao Pai, em união com o Filho de Deus feito homem (cfr Catecismo da Igreja Católica, n. 2564). Obrigado.

Música da Semana

Boa noite!
Nessa semana desejamos que você corra ao encontro da vontade de Deus em sua vida!
Abra seu coração ao Espírito Santo e deixe que Ele te faça apaixonar pelas coisas de Deus.
Que assim você queira cada dia mais estar com o Senhor, trabalhar para Ele e ser inteiro daquele que te fez para ser feliz.
Que Maria, aquela que foi inteira de seu Deus, seja tua mestra nessa semana.
A paz!

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Como estar sempre cheio de Deus?


Depende da sede que você tem. Ter Deus é necessário e muito simples. Quem não tem sede do Senhor - e nem mesmo pede ao menos para tê-la - jamais provará da Água da Vida.

E quem tem sede, e sabe que a tem, mas nada faz, continua sedento. Por outro lado, quem tem sede e pede, com total confiança em Deus, em vez de um copo, a vida sacia-o com uma fonte que não cessa de jorrar do próprio interior.

Eis o segredo! É assim que a gente aprende a permanecer em Deus!
Basta pedir agora, neste momento, e continuar pedindo com uma sede que não se acaba.
É um exercício espiritual.

Seu irmão,
Ricardo Sá, Comunidade Canção Nova

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Música da Semana!

Bom dia!
Nesta semana a música escolhida é o Hino Oficial da Jornada Mundial da Juventude, Esperança do Amanhecer!
Desejamos que você saiba que é chamado ao Senhor para ir pelo mundo e fazer discípulos entre todos os povos e que esse chamado é para hoje! Você é capaz de instaurar o reino de Deus aqui na Terra, basta fazer a sua parte.
Peça ao Espírito Santo para te capacitar e te dar a criatividade necessária para evangelizar nas pequenas coisas do cotidiano e assim alcançar muitos corações!
Que Maria, aquela que esteve com os discípulos seja sua companheira!
A paz!

domingo, 16 de setembro de 2012

Homilia do Papa Bento XVI sobre o evangelho de hoje


Amados irmãos e irmãs!

«Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo» (Ef 1, 3). Bendito seja Ele neste dia em que tenho a alegria de me encontrar convosco aqui, no Líbano, para entregar aos Bispos da região a Exortação apostólica pós-sinodal Ecclesia in Medio Oriente. Agradeço cordialmente a Sua Beatitude Béchara Boutros Raï as amáveis palavras de boas-vindas. Saúdo os outros Patriarcas e os Bispos das Igrejas orientais, os Bispos latinos das regiões vizinhas bem como os Cardeais e os Bispos vindos doutros países. Com grande afeto, saúdo a todos vós, queridos irmãos e irmãs do Líbano e também dos países de toda esta amada região do Médio Oriente, que viestes celebrar, com o sucessor de Pedro, Jesus Cristo crucificado, morto e ressuscitado. Dirijo também a minha deferente saudação ao Presidente da República e às Autoridades libanesas, aos Responsáveis e aos membros das outras tradições religiosas que quiseram estar aqui nesta manhã.

Neste domingo em que o Evangelho nos interpela sobre a verdadeira identidade de Jesus, sentimo-nos a caminhar com os discípulos na estrada que leva às aldeias da região de Cesareia de Filipe. "E quem dizeis vós que Eu sou?" (Mc 8, 29): pergunta-lhes Jesus. O momento escolhido para lhes colocar esta questão não é sem significado. Jesus encontra-se num ponto de viragem decisiva da sua vida. Sobe para Jerusalém, para o lugar onde será realizado, através da cruz e ressurreição, o acontecimento central da nossa salvação. É também em Jerusalém que, depois de todos estes acontecimentos, vai nascer a Igreja. E, neste momento decisivo, Jesus começa por perguntar aos seus discípulos: "Quem dizem os homens que Eu sou?" (Mc 8, 27), recebendo deles respostas muito variadas: João Batista, Elias, um profeta… Ainda hoje, como ao longo dos séculos, aqueles que, de diversas maneiras, se cruzaram com Jesus no seu caminho têm a sua resposta a dar. São abordagens que podem ajudar a encontrar o caminho da verdade. Mas as mesmas, embora não sejam necessariamente falsas, são insuficientes, porque não atingem o cerne da identidade de Jesus. Só alguém que aceite seguir pelo seu caminho, viver em comunhão com Ele na comunidade dos discípulos, é que pode ter um verdadeiro conhecimento. Tal é o caso de Pedro, que, desde há algum tempo, vive com Jesus e que agora responde: "Tu és o Messias" (Mc 8, 29). Resposta certa, sem dúvida alguma; mas ainda insuficiente, dado que Jesus sente a necessidade de a especificar. Ele entrevê que as pessoas poderiam servir-se desta resposta para desígnios que não são os seus, para suscitar falsas esperanças temporais sobre Ele. Não se deixa bloquear nos simples atributos do libertador humano que muitos esperam.

Anunciando aos seus discípulos que terá de sofrer, ser condenado à morte e depois ressuscitar, Jesus quer fazer-lhes compreender quem Ele é verdadeiramente. Um Messias sofredor, um Messias servo, e não um libertador político omnipotente. Ele é o Servo obediente à vontade de seu Pai até ao ponto de perder a sua vida. É o que anunciava já o profeta Isaías na primeira leitura. Assim Jesus vai contra o que muitos esperavam d’Ele. A sua afirmação choca e desconcerta. E ouve-se o protesto de Pedro, que O censura, recusando para o seu Mestre o sofrimento e a morte. Jesus mostra-se severo com ele, e faz-lhe compreender que aquele que quiser ser seu discípulo deve aceitar ser servo, como Ele Se fez Servo.

Seguir Jesus significa tomar a própria cruz para O acompanhar pelo seu caminho, um caminho incômodo que não é o do poder nem da glória terrena, mas o que leva necessariamente a renunciar a si mesmo, a perder a sua vida por Cristo e pelo Evangelho, a fim de a salvar. É que nos foi dada a certeza de que este caminho leva à ressurreição, à vida verdadeira e definitiva com Deus. Decidir acompanhar Jesus Cristo que Se fez o Servo de todos exige uma intimidade cada vez maior com Ele, colocando-se atentamente à escuta da sua Palavra, a fim de tirar dela a inspiração para o nosso agir. Ao promulgar o Ano da Fé, que começará em 11 de Outubro próximo, quis que cada fiel pudesse comprometer-se de maneira renovada neste caminho da conversão do coração. Por isso, ao longo deste ano, encorajo-vos vivamente a aprofundar a vossa reflexão sobre a fé para a tornar mais consciente e fortalecer a vossa adesão a Jesus Cristo e ao seu Evangelho.

Irmãos e irmãs, o caminho por onde Jesus nos quer conduzir é um caminho de esperança para todos. A glória de Jesus revela-se no momento em que, na sua humanidade, Ele Se mostra mais frágil, especialmente na encarnação e na cruz. É assim que Deus manifesta o seu amor, fazendo-Se servo, dando-Se a nós. Porventura não é este um mistério extraordinário, por vezes difícil de admitir? O próprio apóstolo Pedro só o compreenderá mais tarde.

Na segunda leitura, São Tiago lembrou-nos como este seguimento de Jesus, para ser autêntico, exija atos concretos: "Pelas obras, te mostrarei a minha fé" (Tg 2, 18). Servir é uma exigência imperativa para a Igreja, de modo que os cristãos são verdadeiros servos à imagem de Jesus. O serviço é um elemento constitutivo da identidade dos discípulos de Cristo (cf. Jo 13, 15-17). A vocação da Igreja e do cristão é servir; e fazê-lo, como o próprio Senhor, gratuitamente e a todos sem distinção. Assim, servir a justiça e a paz, num mundo onde a violência não cessa de alongar o seu rasto de morte e destruição, é uma urgência de modo a comprometer-se em prol duma sociedade fraterna, para edificar a comunhão. Amados irmãos e irmãs, peço ao Senhor de modo particular que conceda a esta região do Médio Oriente servidores da paz e da reconciliação, para que todos possam viver pacífica e dignamente. É um testemunho essencial que os cristãos devem prestar aqui, em colaboração com todas as pessoas de boa vontade. Eu vos convido a todos a trabalhar pela paz; cada qual ao seu nível e no lugar onde se encontra.

Além disso o serviço deve estar no centro da vida da própria comunidade cristã. Todo o ministério, toda a função na Igreja é primariamente um serviço a Deus e aos irmãos. É este espírito que deve animar todos os batizados, uns em relação aos outros, especialmente através dum compromisso efetivo a favor dos mais pobres, dos marginalizados, daqueles que sofrem, para que seja preservada a dignidade inalienável de toda a pessoa.

Queridos irmãos e irmãs que sofreis no corpo ou no coração, o vosso sofrimento não é inútil. Cristo Servo está perto de todos aqueles que sofrem. Está presente junto de vós. Oxalá encontreis no vosso caminho irmãos e irmãs que manifestem concretamente a presença amorosa de Cristo, que não vos pode abandonar. Permanecei cheios de esperança por causa de Cristo!

E vós todos, irmãos e irmãs, que viestes participar nesta celebração, procurai tornar-vos cada vez mais conformes ao Senhor Jesus, Ele que Se fez Servo de todos pela vida do mundo. Deus abençoe o Líbano, abençoe todos os povos desta amada região do Médio Oriente e lhes conceda o dom da sua paz. Amém.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Catequese do Papa Bento XVI sobre a oração no Apocalipse, parte 2


Caros irmãos e irmãs,

Quarta-feira passada falei da oração na primeira parte do Apocalipse, hoje passamos para a segunda parte do livro, e enquanto na primeira parte, a oração é orientada para o interior da vida eclesial, a atenção da segunda parte é voltada ao mundo inteiro; a Igreja, de fato, caminha na história, é sua parte segundo o projeto de Deus. A assembleia que, escutando a mensagem de João apresentada pelo narrador, redescobriu a própria missão de colaborar com o desenvolvimento do Reino de Deus como “sacerdotes de Deus e de Cristo” (Ap 20,6; cfr 1,5; 5,10), e se abre ao mundo dos homens. E aqui emergem dois modos de viver em uma relação dialética entre eles: o primeiro podemos definir como o “sistema de Cristo”, ao qual a assembleia tem o prazer de pertencer, e o segundo é o “sistema terrestre anti-Reino e anti-aliança posto em prática pela influência do Maligno”, o qual, enganando o homem, quer implantar um mundo oposto àquele desejado por Cristo e por Deus (cfr Pontifícia Comissão Bíblica, Bíblia e Moral, raízes do agir cristão, 70). A Assembleia deve então saber ler de forma profunda a história que está vivendo, aprendendo a discernir com a fé os acontecimentos para colaborar, com sua ação, para o desenvolvimento do Reino de Deus. E este exercício de leitura e de discernimento, como também de ação, está ligado à oração.

Primeiro, após o apelo insistente de Cristo que, na primeira parte do Apocalipse, sete vezes disse: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz à Igreja” (cfr Ap 2,7.11.17.29; 3,6.13.22), a assembleia é convidada a subir ao céu para assistir à realidade com os olhos de Deus; e aqui encontramos três símbolos, pontos de referência para a leitura da história: o trono de Deus, o Cordeiro e o livro (cfr Ap 4,1 – 5,14).

O primeiro símbolo é o trono, sobre o qual está sentado um personagem que João não descreve, porque supera qualquer representação humana; pode somente sugerir a beleza e alegria que se prova encontrando-se diante dele. Este personagem misterioso é Deus, Deus onipotente que não permaneceu fechado no seu Céu, mas se fez próximo ao homem, entrando em aliança com ele; Deus que faz sentir na história, de modo misterioso mas real, a sua voz simbolizada pelo relâmpago e pelo trovão. Há vários elementos que aparecem ao redor do trono de Deus, como os 24 anciãos e quatro seres seres viventes, que constantemente louvam o único Senhor da história.

Primeiro símbolo, o trono. Segundo símbolo é o livro, que contém o plano de Deus sobre os acontecimentos e sobre os homens; é fechado hermeticamente por sete selos e ninguém é capaz de lê-lo. Diante dessa incapacidade do homem de analisar o projeto de Deus, João sente uma profunda tristeza que o leva às lágrimas. Mas há um remédio para a perda do homem diante do mistério da história: qualquer um é capaz de abrir o livro e de iluminá-lo.

E aqui aparece o terceiro símbolo: Cristo, o Cordeiro imolado no Sacrifício da Cruz, mas que está em pé, sinal da Ressurreição. É o próprio Cordeiro, o Cristo morto e ressuscitado, que progressivamente abre o selo e revela o plano de Deus, o sentido profundo da história.

O que dizem estes símbolos? Eles nos recordam qual é o caminho para saber ler os fatos da história e da nossa própria vida. Olhando para o Céu, no relacionamento constante com Cristo, abrindo a Ele o nosso coração a nossa mente na oração pessoal e comunitária, nós aprendemos a ver as coisas de um modo novo e a colher o sentido verdadeiro. A oração é como uma janela aberta que nos permite ter o olhar voltado para Deus, não somente para nos recordar a meta para a qual nos dirigimos, mas também para deixar que a vontade de Deus ilumine o nosso caminho terrestre e nos ajude a vivê-lo com intensidade e compromisso.

De que modo o Senhor guia a comunidade cristã a uma leitura mais profunda da história? Primeiro convidando-a a considerar com realismo o presente que estamos vivendo. O Cordeiro abre agora os primeiros quatro selos do livro e a Igreja vê o mundo em que está inserida, um mundo em que existem vários elementos negativos. Existem os males que o homem causa, como a violência, que nasce do desejo de possuir, de prevalecer uns sobre os outros, de modo a atingir para matar (segundo selo); ou a injustiça, porque os homens não respeitam as leis que lhes são dadas (terceiro selo). A estes se unem os males que o homem deve sofrer, como a morte, a fome, a enfermidade (quarto selo). Diante dessa realidade, muitas vezes dramática, a comunidade eclesial é convidada a não perder nunca a esperança, a crer firmemente que a aparente onipotência do Maligno colide com a verdadeira onipotência de Deus. E o primeiro selo que o Cordeiro dissolve contém precisamente esta mensagem. Narra João: “Eu vi: eis um cavalo branco. Com aquele que nele cavalgava tinha um arco; lhe foi dada uma coroa e ele saiu vitorioso para vencer ainda” (Ap 6,2). Na história do homem entrou a força de Deus, que não somente é capaz de equilibrar o mal, mas vencê-lo; a cor branca lembra a Ressurreição: Deus se fez tão próximo para, na escuridão da morte, iluminá-la com o esplendor de sua vida divina; tomou sobre si o mal do mundo para purificá-lo com o fogo do seu amor.

Como crescer nesta leitura cristã da realidade? O Apocalipse nos diz que a oração alimenta em cada um de nós e nas nossas comunidades esta visão de luz e de profunda esperança: nos convida a não nos deixarmos vencer pelo mal, mas a vencer o mal com o bem, a olhar para Cristo Crucificado e Ressuscitado que nos associa à sua vitória. A Igreja vive na história, não se fecha em si mesma, mas enfrenta com coragem o seu caminho em meio à dificuldade e sofrimento, afirmando com força que o mal em definitivo não vence o bem, a escuridão não ofusca o esplendor de Deus. Este é um ponto importante para nós; como cristãos não podemos nunca ser pessimistas; sabemos bem que no caminho da nossa vida encontramos muita violência, mentira, ódio, perseguição, mas isto não nos desencoraja. Sobretudo, a oração nos educa a ver os sinais de Deus, a sua presença e ação nos faz sermos nós mesmos luzes do bem, que espalham a esperança e indicam que a vitória é de Deus.

Esta perspectiva leva a elevar a Deus e ao Cordeiro graças e louvores: os 24 anciãos e os quatro  seres viventes cantam juntos o “canto novo” que celebra a obra de Cristo Cordeiro, o qual faz “novas todas as coisas” (Ap 21, 5). Mas esta renovação é acima de tudo um dom a ser pedido. E aqui encontramos um outro elemento que deve caracterizar a oração: invocar ao Senhor com insistência que o seu Reino venha, que o homem tenha o coração dócil à soberania de Deus, que seja a sua vontade a orientar a nossa vida  e a do mundo. Na visão do Apocalipse esta oração de petição é representada por um particular importante: “os 24 anciãos” e “os quatro seres viventes” têm em mãos, junto à harpa que acompanha o seu canto, “taças de ouro cheias de incenso” (5,8a) que, como é explicado, “são as orações dos santos” (5,8b), daqueles, isso é, que já alcançaram Deus, mas também de todos nós que nos encontramos no caminho. E vejamos que diante do trono de Deus, um anjo tem em mãos um incensário de ouro em que coloca continuamente os grãos de incenso, que são nossas orações, cuja fragrância doce é oferecida junto às orações que  apresentam-se diante de Deus.  (cfr Ap 8,1-4). É um simbolismo que nos diz como todas as nossas orações – com todas as limitações, a fadiga, a pobreza, a aridez, as imperfeições que podem ter – vêm quase purificar e alcançar o coração de Deus. Precisamos certificar, isto é, que não existem orações supérfluas, inúteis; nada está perdido.  E elas são respondidas, mesmo que às vezes de forma misteriosa, porque Deus é amor e misericórdia infinita. O anjo – escreve João – “tomou o incensário, encheu-o do fogo do altar e jogou-o na terra: sendo seguido de trovões, sons, relâmpagos e um terremoto” (Ap 8,5). Esta imagem significa que Deus não é insensível  à nossas súplicas, intervém e faz sentir o seu poder e a sua voz sobre a terra, faz tremer e perturba o sistema do Maligno. Muitas vezes, diante do mal se tem a sensação de não poder fazer nada, mas é a nossa própria oração a primeira resposta e mais eficaz que podemos dar e que faz mais forte o nosso cotidiano empenho em espalhar o bem. O poder de Deus fecunda a nossa fraqueza (cfr Rm 8,26-27).

Permitam-me concluir com algumas palavras sobre diálogo final (cfr Ap 22,6-21). Jesus repete várias vezes: “Eis que venho sem demora” (Ap 22,7.12). Esta afirmação não indica somente a perspectiva futura ao final dos tempos, mas também aquela presente: Jesus vem, coloca sua morada sobre quem acredita Nele e O acolhe. A assembleia, então, guiada pelo Espírito Santo, repete a Jesus o convite a tornar-se cada vez mais perto: “Vem” (Ap 22,17a). E como a noiva (22,17) que aspira ardentemente a plenitude do casamento. Pela terceira vez recorre à invocação: “Amém. Vem, Senhor Jesus” (22,20b); e o leitor conclui com uma expressão que manifesta o sentido dessa presença: “A graça do Senhor Jesus esteja com todos” (22,21).

O Apocalipse, mesmo na complexidade de símbolos, nos envolve numa oração muito rica, pela qual também nós escutamos, elogiamos, agradecemos, contemplamos o Senhor, lhe pedimos perdão. A sua estrutura de grande oração litúrgica comunitária é também um forte chamado a redescobrir o encargo extraordinário e poder transformador que tem a Eucaristia; em particular quero convidar com força a serem fiéis à Santa Missa dominical no Dia do Senhor, o Domingo, verdadeiro centro da semana! A riqueza da oração em Apocalipse nos faz pensar em um diamante, que tem uma fascinante variedade de facetas, mas cuja preciosidade reside na pureza de um único núcleo central. As sugestivas formas de oração que encontramos no Apocalipse fazem brilhar então a preciosidade única e indizível de Jesus Cristo. Obrigada.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Credo, o tesouro da nossa alma!

"Como no dia do nosso batismo, quando toda a nossa vida foi confiada à 'regra da doutrina' (Rm 6, 17)), acolhamos o Símbolo de nossa fé que dá a vida. Recitar com fé o Credo é entrar em comunhão com Deus Pai, Filho e Espírito Santo. E também entrar em comunhão com a Igreja inteira, que nos transmite a fé e no seio da qual cremos: Este Símbolo é selo espiritual, a meditação do nosso coração e o guardião sempre presente; ele é, seguramente, o tesouro da nossa alma (Santo Ambrósio). CIC 197 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Música da Semana!

"Dizei às pessoas deprimidas: “Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar”. Is 35, 4

Nessa semana nosso desejo é te dizer: não tenha medo! Confie em Deus, Senhor incomparável, que tem sempre o melhor para você!
E, nessa vontade que você deposite no Senhor toda a sua confiança, te convidamos para render conosco todo louvor, gratidão e adoração a Deus, que só quer o nosso bem. Convidamos também para que você abra seus lábios para proclamar essa verdade e assim fazer com que mais pessoas conheçam a Deus e experimentem o amor!
Que Nossa Senhora, aquela que viveu e anunciou o amor, seja tua guia!
A paz! 




sábado, 8 de setembro de 2012

Jardim de Teresinha



"É acima de tudo o Evangelho que me ocupa durante as minhas orações; nele encontro tudo o que é necessário para minha pobre alma. Descubro nele sempre novas luzes, sentidos escondidos e misteriosos" Santa Teresinha do Menino Jesus

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Catequese do Papa Bento XVI sobre a oração no livro do Apocalipse




Queridos irmãos e irmãs, hoje, após as férias, retomamos a audiência no Vaticano, continuando a "Escola de oração" que estou vivendo juntamente com vocês nesta Catequese de quarta-feira.

Hoje quero falar sobre a oração no livro do Apocalipse que, como sabem, é o último do Novo Testamento. É um livro difícil, mas que contém uma grande riqueza, coloca-nos em contato com a oração viva e palpitante da assembléia cristã, reunida “no dia do Senhor" (Ap. 1,10): este é o pano de fundo no qual se desenvolve o texto.

Um leitor apresenta à assembléia uma mensagem confiada pelo Senhor ao evangelista João. O leitor e a assembléia constituem, por assim dizer, os dois protagonistas do desenvolvimento do livro. A  eles, desde o início, é dirigida uma saudação festiva: "Bem-aventurado aquele que lê e os que ouvem a palavra dessa profecia" (1,3). Do diálogo constante entre eles, brota uma sinfonia de oração, que  se desenvolve com uma grande variedade de formas até o fim. Ouvindo o leitor que apresenta a mensagem, ouvindo e observando a assembléia que reage, a oração deles tende a se tornar nossa também.

A primeira parte do Apocalipse (1,4-3,22) apresenta, na atitude da assembléia que reza, três fases sucessivas. A primeira (1,4-8) consiste em um diálogo - único caso no Novo Testamento - que ocorre entre a assembléia reunida e o leitor, que lhe dirige uma saudação de bênção: "Graça e paz" (1,4). O leitor prossegue destacando a fonte dessa saudação: ela vem da Trindade: do Pai, do Espírito Santo, de Jesus Cristo, envolvidos juntos no levar adiante o projeto de criação e salvação para a humanidade.

A assembléia escuta e, quando ouve chamar o nome de Jesus Cristo, há como uma explosão de alegria, então responde com entusiasmo, elevando a seguinte oração de louvor: "Àquele que nos ama e nos libertou de nossos pecados com o seu sangue, que fez de nós um reino, sacerdotes para Deus e Pai, a Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém" (1,5b-6). A assembléia, envolta pelo amor de Cristo, se sente liberta da escravidão do pecado e proclama o "Reino" de Jesus Cristo, que pertence totalmente a Ele. Reconhece a grande missão que, através do Batismo, foi confiada a ela, de levar ao mundo a presença de Deus. E conclui essa celebração de ação de graças olhando novamente para Jesus e, com crescente entusiasmo, reconhece n'Ele "a glória e o poder" para salvar a humanidade. O "Amém" final conclui o hino de louvor a Cristo.

Já nestes primeiros quatro versículos contêm uma grande riqueza de informação para nós, diz que a nossa oração deve ser, acima de tudo, escutar Deus, que nos fala. Submersos com tantas palavras, somos pouco acostumados a ouvir, sobretudo nos recolhermos interiormente para estar atento ao que Deus quer nos dizer. Esses versículos ensinam-nos que a nossa oração, muitas vezes apenas de pedidos, deve ser, antes de tudo, de louvor a Deus por seu amor, pelo dom de Jesus Cristo, que nos trouxe força, esperança e salvação.

Uma nova intervenção do leitor, então, convida a assembléia, cativada pelo amor de Cristo, ao compromisso de assimilar sua presença em sua vida. Diz assim: "Eis que vem com as nuvens e todo olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram, e todas as tribos da terra se lamentarão sobre Ele" (1,7a). Depois de subir ao céu em uma "nuvem", símbolo de transcendência (cf. Atos 1:9), Jesus Cristo retornará assim como ascendeu ao céu (cf. Atos 1,11b). Então, todos os povos o reconhecerão e, como exorta São João no quarto Evangelho, "olharão para Aquele que transpassaram" (19,37). Pensarão nos próprios pecados, na causa de Sua crucifixão e, como aqueles que tinham testemunhado tudo isso de forma direta no Calvário, “vão se lamentar" (cf. Lc 23,48) pedir perdão a Ele, para segui-Lo e preparar assim a plena comunhão com Ele, depois de seu retorno final.

A assembléia reflete sobre essa mensagem e diz: "Sim. Amém." (Ap 1,7 b). Exprime com seu "sim" a aceitação plena do que foi comunicado e pede que isso possa de fato se tornar realidade. É a oração da assembléia, que medita sobre o amor de Deus manifestado de forma suprema na Cruz e clama por viver a coerência dos discípulos de Cristo. E a resposta de Deus: "Eu sou o Alfa e o Ômega, Aquele que é, que era e que há de vir, o Todo Poderoso" (1,8). Deus, que se revela como o início e fim da história, aceita e leva a sério o pedido da assembléia. Ele foi, é e será presente e ativo com o seu amor nas relações humanas, no presente, tanto no futuro, como no passado, até chegar o fim dos tempos. Esta é a promessa de Deus e aqui encontramos outro elemento importante: a oração constante desperta em nós um senso de presença do Senhor em nossa vida e na história, uma presença que nos sustenta, nos guia e nos dá uma grande esperança no meio da escuridão de certos acontecimentos humanos. Além disso, cada oração, mesmo aquela feita na solidão mais radical, nunca é um isolar-se e nunca é estéril, mas é a força vital para alimentar uma vida cristã cada vez mais comprometida e coerente.

A segunda fase da oração da assembléia (1,9-22) aprofunda ainda mais o relacionamento com Jesus Cristo: o Senhor se mostra, fala, age, e a comunidade, sempre mais perto Dele, ouve, reage e acolhe. Na mensagem apresentada pelo leitor, São João relata sua experiência pessoal de encontro com Cristo: se encontra na ilha de Patmos, por causa da "palavra de Deus e do testemunho de Jesus" (1,9) e é “o dia do Senhor "  (1,10a), o domingo, dia em que celebramos a Ressurreição. E São João está "tomado pelo Espírito" (1,10a). O Espírito Santo o preenche e o renova, ampliando sua capacidade de acolher Jesus, o qual convida-o a escrever. A oração da assembléia que escuta, gradualmente assume uma atitude contemplativa motivada pelos verbos "ver", "olhar": contemple, tudo o que o leitor propõe, internalize-o e o assuma como seu.

João ouve "uma voz forte como de trombeta" (1,10b), a voz o ordena a enviar uma mensagem "às sete igrejas" (1,11) que se encontram na Ásia Menor e, por meio disso, a todas as igrejas de todos os tempos, juntamente com seus pastores. O termo "voz... de trombeta", tirado do livro do Êxodo (cf. 20,18), recorda a manifestação divina a Moisés no Monte Sinai e indica a voz de Deus que fala do céu, da sua transcendência. Aqui é atribuída a Jesus Cristo, o Ressuscitado, que da glória do Pai fala com a voz de Deus à assembléia em oração.

Virando-se "para ver a voz" (1,12), João vê "sete candelabros de ouro e em meio a eles, algo semelhante ao Filho do homem" (1,12-13), um termo muito familiar a João, que indica o próprio Jesus. Os castiçais de ouro, com suas velas acesas, indicam a Igreja de todos os tempos em postura de oração na Liturgia: Jesus ressuscitado, o "Filho do Homem" se encontra em meio a tudo isso, revestido com as vestes do sumo sacerdote do Antigo Testamento, atua como um mediador junto ao Pai.

Na mensagem simbólica de João, segue uma manifestação visível de Cristo Ressuscitado, com as características próprias de Deus, citadas no Antigo Testamento. Ele fala dos "cabelos... brancos como a lã, como a neve" (1,14), símbolo da eternidade de Deus (cf. Dn 7,9) e da Ressurreição.

Um segundo símbolo é o fogo, que no Antigo Testamento muitas vezes é associado a Deus para mostrar duas propriedades. A primeira é a intensidade de seu amor ciumento, que anima sua aliança com o homem (cf. Dt 4,24). É esta intensidade que se lê nos olhos de Jesus Ressuscitado: "Seus olhos eram como chama de fogo" (Ap 1,14a). A segunda é a capacidade irrestringível de vencer o mal como um "fogo devorador" (Dt 9,3). Assim também "os pés" de Jesus, no caminho por enfrentar e destruir o mal, tem o brilho do "bronze brilhante" (Ap 1,15).

A voz de Jesus Cristo então, "como o som de muitas águas" (1,15c), tem o ruído impressionante "da glória do Deus de Israel" que segue rumo a Jerusalém, mencionado pelo profeta Ezequiel (cf. 43,2). Seguem ainda três elementos simbólicos que mostram o quanto Cristo Ressuscitado está fazendo por sua Igreja: a mantém firme em sua mão direita – uma imagem muito importante: Jesus tem a Igreja em sua mão - fala a Ela com o poder penetrante de uma espada afiada e revela o esplendor de sua divindade: "Seu rosto era como o sol que brilha em todo o seu esplendor" (Ap 1:16). João se sente tão tomado por esta maravilhosa experiência do Ressuscitado, que perde as forças e cai como morto.

Depois desta experiência de revelação, o Apóstolo está à frente do Senhor Jesus que fala com ele, tranquiliza-o, coloca a mão em sua cabeça, revela sua identidade de Crucificado Ressuscitado e lhe confia a missão de transmitir sua mensagem à Igreja (cf. Ap 1,17-18). Algo belo é esse Deus diante daquele que perde as forças e cai como morto. É o amigo da vida, que coloca Sua mão em nossa cabeça. Assim será também para nós: somos amigos de Jesus. Depois da revelação de Deus Ressuscitado, Cristo Ressuscitado, não haverá temor, mas será o encontro com o amigo. A Assembléia também vive com João o momento especial de luz diante do Senhor, unidos. No entanto, é a experiência do encontro diário com Jesus, experimentando a riqueza do contato com o Senhor, que preenche todo o espaço da existência.

Na terceira e última fase da primeira parte do Apocalipse (Ap 2,3), o leitor propõe à assembléia uma mensagem na qual Jesus fala em primeira pessoa. Dirigida às sete igrejas situadas na Ásia Menor, próximo a Éfeso, as palavras de Jesus partem da situação particular de cada igreja, para depois se estender às igrejas de todos os tempos. Jesus entra na realidade de cada igreja, enfatizando luz e sombra, fazendo um apelo urgente: "Convertei-vos" (2,5.16; 3,19c). "Guardai o que tens" (3,11), "praticai as primeiras obras" (2,5); "Sejais zelosos, portanto, e vos convertei" (3,19b)... Esta palavra de Jesus, se ouvida com fé, imediatamente passa a ser eficaz: a Igreja em oração, acolhendo a Palavra de Deus se transforma.

Todas as igrejas precisam colocar-se à escuta do Senhor, abrindo-se ao Espírito, como Jesus pede insistentemente, que repetiu este pedido sete vezes: "Aquele que tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas" (2,7.11.17.29; 3,6.13.22). A assembléia ouve a mensagem recebendo um estímulo para o arrependimento, a conversão, a perseverança no amor, a orientação para o caminho.

Queridos amigos, o livro do Apocalipse nos apresenta uma comunidade reunida em oração, porque é na oração que experimentamos de forma crescente a presença de Jesus conosco e em nós. Quanto mais e melhor rezarmos, com constância e intensidade, mais nos assimilaremos a Ele, e Ele realmente entrará em nossa vida e a guiará, dando-nos alegria e paz. E quanto mais nós conhecermos, amarmos e seguirmos Jesus, mais sentiremos a necessidade de parar e rezar, recebendo d'Ele serenidade, esperança e força em nossas vidas. Obrigado pela atenção.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Eu e minha família serviremos ao Senhor




O tema da 13ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que será realizada em Roma, de 7 a 28 de outubro deste ano, é da maior importância para a vida e a missão da Igreja: “Nova evangelização para a transmissão da fé cristã”.

Lemos no Livro de Josué que o povo hebreu, depois de ter experimentado as maravilhas de Deus durante o Êxodo e a peregrinação para a terra prometida, deixou-se levar pela idolatria, esquecendo o Deus que os havia salvado. Josué, então, reuniu o povo e o colocou diante dessa escolha: “se lhes desagrada servir a Deus, então sirvam aos ídolos!” Era uma provocação, pois todos sabiam que os ídolos nada podiam e eram pura criação humana: “deuses ao gosto do homem”. O próprio Josué, porém, acrescentou: “de todo jeito, eu e minha família serviremos ao Senhor!”

O povo passou a recordar o que Deus já havia feito por ele; em outras palavras, lembrou o patrimônio de sua fé e fez uma espécie de “nova evangelização”, já naqueles tempos! E concluiu: “nem pensar em abandonar a Deus, para servir aos ídolos! Nós também serviremos ao Senhor, porque ele é nosso Deus!” (cf. Js 24, 1-2.15-18). E, assim, todos renovaram sua fé e sua fidelidade a Deus. É onde também nos deve levar o Ano da Fé, que será aberto pelo Papa no dia 11 de outubro.

A Igreja já vem refletindo há algum tempo sobre a necessidade de uma “renovada evangelização”; na Conferência de Aparecida, os bispos da América Latina e do Caribe trataram dessa questão; no Documento de Aparecida se diz, entre outras coisas, que a Igreja não pode ficar parada, apenas conservando e administrando o que já fez e conseguiu; mas que ela precisa ir ao encontro das novas situações, necessidades e desafios, trazidos pelas mudanças sociais e culturais, que não estão mais permeados com o fermento, o sal e a luz do Evangelho de Cristo.

Muitas pessoas deixaram de crer, ou não sabem mais no que creem; ficaram distantes da prática da vida cristã e da participação na vida eclesial, ou abandonaram a fé católica. Por isso, é preciso proporcionar-lhes uma renovada experiência da fé cristã, o que só é possível mediante um renovado encontro pessoal com Deus, por meio de Jesus Cristo, na graça do Espírito Santo. Tudo isso requer uma verdadeira conversão pastoral de toda a Igreja, suas pessoas, organizações e estruturas, para se colocarem em estado permanente de missão e terem novos focos e preocupações em sua ação evangelizadora. Não só o mundo oferece desafios novos à missão da Igreja, mas esta mesma tem necessidades e urgências novas.

Por isso, o foco da próxima Assembleia do Sínodo dos Bispos será a transmissão da fé cristã: o que é preciso fazer, e como, para que a fé cristã não fique diluída no esquecimento e no indiferentismo, mas continue a ser valorizada e transmitida? Que fazer para que os católicos tenham um novo apreço pelo patrimônio da sua fé, herdada dos apóstolos, do testemunho dos mártires e santos, dos missionários, pregadores, teólogos, mestres da fé, místicos, pessoas simples e cultas, que transmitiram essa herança preciosa de geração em geração, antes de nós, e a enriqueceram com sua própria experiência e testemunho?

Um dos agentes determinantes para a transmissão da fé é a família; são os pais que pedem o Batismo para os filhos e lhes dão a iniciação à vida cristã ainda nos primeiríssimos anos de vida; depois os introduzem na comunidade de fé, que é a Igreja, através da paróquia e da Igreja, de forma mais ampla. E continuam a narrar aos filhos as memórias da fé, fazendo conhecer a vida de Jesus e dos primeiros cristãos, dos mártires e santos, grandes testemunhas da fé ao longo da história bimilenar da Igreja Católica; e não deixam de dar seu próprio testemunho de apreço à fé, praticando-a, rezando com os filhos, e diante deles, participando da comunidade de fé. Ou não o fazem. E deixam de transmitir aos filhos a fé...

Talvez esse seja um dos fatores principais da transmissão da fé e da crise de fé que vivemos hoje. De fato, cada batizado, tornado-se um discípulo-missionário de Jesus Cristo, assume também a tarefa de transmitir a fé aos outros, sem retê-la para si, nem, pior ainda, abandonando-a. Seria muito triste passar a vida inteira sem transmitir a fé a alguém, sem ajudar ninguém mais a se encontrar com Deus. Josué deu o bom exemplo: “eu e minha família continuaremos a servir o Senhor!”


Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo (SP)

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Música da Semana!

"Pois, qual é a grande nação  cujos deuses lhe são tão próximos como o Senhor Nosso Deus, sempre que o invocamos? E que nação haverá tão grande que tenha leis e decretos tão justos , como esta lei que hoje vos ponho diante dos olhos?" Dt 4, 6-8

Bom dia!
Nessa semana desejamos que você sinta o cuidado de Deus por você e pelos seus! Que possa com a tua vida proclamar que o Senhor é próximo, é íntimo e que te ama!
Que sinta esse cuidado no seu cotidiano, na oração e, principalmente, na leitura da Palavra de Deus. Nesse mês em que damos destaque à Palavra, desejamos a você um profundo conhecimento da lei do amor que o Senhor deixou para nós. Que a presença do Senhor na Palavra seja para você formação, conhecimento e crescimento. 
Que Jesus, a palavra que dá a vida, seja para você o motivo de seus dias. E que Maria, aquela que se alimentou da Palavra, seja sua guia nesta semana!
A paz!