terça-feira, 26 de março de 2013

quarta-feira, 20 de março de 2013

Homilia do Papa Francisco em razão da Santa Missa de imposição do Pálio e entrega do Anel do Pescador para o inicio do Ministério Petrino do Bispo de Roma





Queridos irmãos e irmãs!

Agradeço ao Senhor por poder celebrar esta Santa Missa de início do ministério petrino na solenidade de São José, esposo da Virgem Maria e patrono da Igreja universal: é uma coincidência densa de significado e é também o onomástico do meu venerado Predecessor: acompanhamo-lo com a oração, cheia de estima e gratidão.

Saúdo, com afeto, os Irmãos Cardeais e Bispos, os sacerdotes, os diáconos, os religiosos e as religiosas e todos os fiéis leigos. Agradeço, pela sua presença, aos Representantes das outras Igrejas e Comunidades eclesiais, bem como aos representantes da comunidade judaica e de outras comunidades religiosas. Dirijo a minha cordial saudação aos Chefes de Estado e de Governo, às Delegações oficiais de tantos países do mundo e ao Corpo Diplomático.

Ouvimos ler, no Evangelho, que «José fez como lhe ordenou o anjo do Senhor e recebeu sua esposa» (Mt 1, 24). Nestas palavras, encerra-se já a missão que Deus confia a José: ser custos, guardião. Guardião de quem? De Maria e de Jesus, mas é uma guarda que depois se alarga à Igreja, como sublinhou o Beato João Paulo II: «São José, assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho jubiloso à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo místico, a Igreja, da qual a Virgem Santíssima é figura e modelo» (Exort. ap. Redemptoris Custos, 1).

Como realiza José esta guarda? Com discrição, com humildade, no silêncio, mas com uma presença constante e uma fidelidade total, mesmo quando não consegue entender. Desde o casamento com Maria até ao episódio de Jesus, aos doze anos, no templo de Jerusalém, acompanha com solicitude e amor cada momento. Permanece ao lado de Maria, sua esposa, tanto nos momentos serenos como nos momentos difíceis da vida, na ida a Belém para o recenseamento e nas horas ansiosas e felizes do parto; no momento dramático da fuga para o Egito e na busca preocupada do filho no templo; e depois na vida quotidiana da casa de Nazaré, na carpintaria onde ensinou o ofício a Jesus.

Como vive José a sua vocação de guardião de Maria, de Jesus, da Igreja? Numa constante atenção a Deus, aberto aos seus sinais, disponível mais ao projeto d’Ele que ao seu. E isto mesmo é o que Deus pede a Davi, como ouvimos na primeira Leitura: Deus não deseja uma casa construída pelo homem, mas quer a fidelidade à sua Palavra, ao seu desígnio; e é o próprio Deus que constrói a casa, mas de pedras vivas marcadas pelo seu Espírito. E José é «guardião», porque sabe ouvir a Deus, deixa-se guiar pela sua vontade e, por isso mesmo, se mostra ainda mais sensível com as pessoas que lhe estão confiadas, sabe ler com realismo os acontecimentos, está atento àquilo que o rodeia, e toma as decisões mais sensatas. Nele, queridos amigos, vemos como se responde à vocação de Deus: com disponibilidade e prontidão; mas vemos também qual é o centro da vocação cristã: Cristo. Guardemos Cristo na nossa vida, para guardar os outros, para guardar a criação!

Entretanto a vocação de guardião não diz respeito apenas a nós, cristãos, mas tem uma dimensão antecedente, que é simplesmente humana e diz respeito a todos: é a de guardar a criação inteira, a beleza da criação, como se diz no livro de Génesis e nos mostrou São Francisco de Assis: é ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos. É guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crianças, dos idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração. É cuidar uns dos outros na família: os esposos guardam-se reciprocamente, depois, como pais, cuidam dos filhos, e, com o passar do tempo, os próprios filhos tornam-se guardiões dos pais. É viver com sinceridade as amizades, que são um mútuo guardar-se na intimidade, no respeito e no bem. Fundamentalmente tudo está confiado à guarda do homem, e é uma responsabilidade que nos diz respeito a todos. Sede guardiões dos dons de Deus!

E quando o homem falha nesta responsabilidade, quando não cuidamos da criação e dos irmãos, então encontra lugar a destruição e o coração fica ressequido. Infelizmente, em cada época da história, existem «Herodes» que tramam desígnios de morte, destroem e deturpam o rosto do homem e da mulher.

Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito económico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos «guardiões» da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas, para «guardar», devemos também cuidar de nós mesmos. Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem. Não devemos ter medo de bondade, ou mesmo de ternura.

A propósito, deixai-me acrescentar mais uma observação: cuidar, guardar requer bondade, requer ser praticado com ternura. Nos Evangelhos, São José aparece como um homem forte, corajoso, trabalhador, mas, no seu íntimo, sobressai uma grande ternura, que não é a virtude dos fracos, antes pelo contrário denota fortaleza de ânimo e capacidade de solicitude, de compaixão, de verdadeira abertura ao outro, de amor. Não devemos ter medo da bondade, da ternura!

Hoje, juntamente com a festa de São José, celebramos o início do ministério do novo Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, que inclui também um poder. É certo que Jesus Cristo deu um poder a Pedro, mas de que poder se trata? À tríplice pergunta de Jesus a Pedro sobre o amor, segue-se o tríplice convite: apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas. Não esqueçamos jamais que o verdadeiro poder é o serviço, e que o próprio Papa, para exercer o poder, deve entrar sempre mais naquele serviço que tem o seu vértice luminoso na Cruz; deve olhar para o serviço humilde, concreto, rico de fé, de São José e, como ele, abrir os braços para guardar todo o Povo de Deus e acolher, com afeto e ternura, a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais fracos, os mais pequeninos, aqueles que Mateus descreve no Juízo final sobre a caridade: quem tem fome, sede, é estrangeiro, está nu, doente, na prisão (cf. Mt 25, 31-46). Apenas aqueles que servem com amor capaz de proteger.

Na segunda Leitura, São Paulo fala de Abraão, que acreditou «com uma esperança, para além do que se podia esperar» (Rm 4, 18). Com uma esperança, para além do que se podia esperar! Também hoje, perante tantos pedaços de céu cinzento, há necessidade de ver a luz da esperança e de darmos nós mesmos esperança. Guardar a criação, cada homem e cada mulher, com um olhar de ternura e amor, é abrir o horizonte da esperança, é abrir um rasgo de luz no meio de tantas nuvens, é levar o calor da esperança! E, para o crente, para nós cristãos, como Abraão, como São José, a esperança que levamos tem o horizonte de Deus que nos foi aberto em Cristo, está fundada sobre a rocha que é Deus.

Guardar Jesus com Maria, guardar a criação inteira, guardar toda a pessoa, especialmente a mais pobre, guardarmo-nos a nós mesmos: eis um serviço que o Bispo de Roma está chamado a cumprir, mas para o qual todos nós estamos chamados, fazendo resplandecer a estrela da esperança: Guardemos com amor aquilo que Deus nos deu!

Peço a intercessão da Virgem Maria, de São José, de São Pedro e São Paulo, de São Francisco, para que o Espírito Santo acompanhe o meu ministério, e, a todos vós, digo: rezai por mim! Amen.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Retiro de Semana Santa


Brasão do Papa Francisco



Explicação do Brasão Miserando Atque Eligendo


O Escudo

Nos traços, essenciais, o Papa Francisco decidiu manter seu brasão anterior, escolhido desde sua consagração episcopal e caracterizado por uma simples linearidade.

O escudo azul é coberto por símbolos da dignidade pontifícia, iguais aqueles de Bento XVI (mitra posicionada entre chaves de ouro e prata entrecruzadas, unidas por um cordão vermelho). No alto, está o emblema da ordem de proveniência do Papa, a Companhia de Jesus: um sol radiante e flamejante carregado com as letras, em vermelho, IHS, monograma de Cristo. A letra H é coberta por uma cruz em ponta e três pregos em preto.

Abaixo encontram-se a estrela e a flor de nardo (cacho de uva). A estrela, de acordo com a antiga tradição araldica, simboliza a Virgem Maria, mãe de Cristo e da Igreja; enquanto a flor de nardo (cacho de uva) indica São José, patrono da Igreja. Na tradição da iconografia hispânica, de fato, São José é representado com um ramo de nardo nas mãos. Colocando no seu escudo tais imagens, o Papa pretendeu exprimir a própria particular devoção à Virgem Santíssima e São José.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Habemus Papam! Artigo de Dom Dirceu Vegini



“Annuntio vobis gaudium magnum: Habemus Papam!”

Nos alegramos muito, porque pela graça e bondade de Deus, e pela força do Espírito Santo, a Igreja tem novamente seu pastor visível.

Santo Padre Francisco, nos regozijamos com vossa eleição, a vontade do Senhor se manifestou e vos escolheu e enviou para conduzir a Barca de Pedro.

“Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,18-19). É o convite e o mandato de Nosso Senhor Jesus Cristo que se repete e é refeito a Sua Santidade, que com amor, zelo e carinho, humildemente aceitou o múnus de pastorear a Igreja Universal.

“O Romano Pontífice, como sucessor de Pedro, é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade quer dos Bispos quer da multidão dos fiéis.” (LG, 23). Pelo amor a Cristo, em nossa vocação de batizados nos unimos à família dos filhos de Deus. Reafirmamos nossa obediência, reverência,solicitude e atenção a tudo aquilo que o Romano Pontífice ensina e exorta, delibera e clarifica em sua infalibilidade.

Que o Espírito Santo o conduza no múnus de ensinar, santificar e governar a Igreja Universal a partir da Cátedra de Pedro. Desde já vos amamos Servo dos Servos de Deus, vos reverenciamos Sumo Pontífice, permanecemos em oração por sua Santidade e contamos com vossas orações. Revela para nós o rosto amoroso e misericordioso do Senhor. Ensinai-nos, como Cristo, a nos colocarmos a serviço.

Papa Francisco, desde já o aguardamos ansiosamente para a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, para nós será uma grande oportunidade de Evangelizar os jovens e de crescer o amor e a fé de todos eles por Jesus Cristo e pela sua Igreja. Acolhemos-vos de braços abertos, tal qual o Cristo Redentor da cidade do Rio de Janeiro e esperamos vosso envio para fazer discípulos todos os povos.

Santíssimo Padre, Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, Doce Cristo na Terra, a Trindade Santa respondeu ao apelo de todos nós, apelo este que foi solenemente entoado pelos cardeais ao ingressarem no conclave: “Veni Creator Spiritus” e nos concedeu um Pontífice para a Sacrossanta Igreja Romana, conte com nosso amor e nossa fidelidade, que possamos todos sob a vossa guia chegar à plena comunhão e participação.

Dom Dirceu Vegini
Bispo de Foz do Iguaçu/PR

 Fonte: CNBB                                                                    
 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Entrevista do Cardeal Dom Braz de Aviz sobre a eleição do Papa Francisco





Cidade do Vaticano (RV) – Um dos membros do Colégio Cardinalício é Dom João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, e arcebispo emérito de Brasília. Ele participou do Conclave e conversou com Cristiane Murray, dizendo-se muito feliz com a escolha de Papa Francisco.

“Nós tivemos estes poucos momentos juntos, ficamos muito felizes que o conclave foi bastante rápido, bem parecido com o que elegeu Bento XVI. Em apenas um dia e meio, conseguimos pensar este perfil, para a Igreja no momento atual. Esta pessoa com a imensa graça de Pedro, de poder ser o ponto de unidade de toda a Igreja e nos conduzir realmente a Cristo, ao Pai e ao Filho, a Trindade Santíssima. Nós pensamos, realmente, em estar disponível àquilo que o Senhor queria dizer para nós. Esta foi uma das notas do Conclave. Não tivemos nenhum momento de acirramento, de tensão interna; tivemos idéias diferentes, sim, momentos de escolha, que fizemos em direções diferentes, mas sempre com o desejo de acertar, e no momento em que o nome do Cardeal Bergoglio começou a vir à tona, nós começamos a sentir que talvez seria o momento para esta escolha, que é nova, mas percebemos também nos cardeais que são aqui da Europa esta sensibilidade, e isto para nós foi muito bonito porque não temos dentro do conclave esta disputa de partes como muitas vezes a imprensa coloca, ou estas tensões de grupos que servem a um ou outro grupo. Há estas diferenças, que temos em nossa Constituição e em nossas convicções, mas há um profundo senso de comunhão, o que permitiu que nós logo logo nos identificássemos com o nome do Papa Francisco. Foi então uma alegria muito grande. Ontem, enquanto o cumprimentávamos ou o abraçávamos, havia este sentimento de alegria profunda: vimos que Deus conduz a Igreja; que Deus tem um lugar no qual onde se manifesta de modo particular, e é ali, no Conclave, quando nós, cardeais, nos abrimos a isto. Foi um clima de muita oração, acompanhados por uma Igreja que rezava – isto nos impressionou muito – vieram notícias de várias partes do mundo de que muitas gente estava rezando. Este é um patrimônio escondido, que ninguém pode medir o patrimônio do conclave. Estamos realmente muito felizes. Ontem, no jantar que fizemos com o Papa na Domus Mariae, uma alegria imensa. Eu penso que será um momento muito belo para a Igreja do Brasil, da América Latina e também para a Igreja de todo o mundo”.

Podemos agora pensar numa Igreja com um olhar latino-americano, mais profético?

“Diria sim, neste momento talvez uma Igreja que vai, como já desejava Bento XVI, na direção de uma simplicidade maior, de uma fraternidade maior, e acho que será justamente na base deste testemunho evangélico que é sobretudo o que conta. Este testemunho do Evangelho, de amor aos pobres, este estar perto como irmãos, uns dos outros, não excluindo ninguém, criando fraternidade. Eu acho que a Igreja deve caminhar muito para isso, e aqui a Cúria romana também. Agora, há uma esperança muito concreta de que isso se acelere muito mais, o que nos deixa muito felizes. Agradeço a todos os que rezaram, de modo particular no Brasil, mas também em todos os outros países, e agradecer também essa Igreja que manifesta nesses momentos tanto da renúncia de Bento 16, como agora na posse de Francisco, a atitude tão profunda de estar perto. Eu via nos olhos de Bento 16, por exemplo, a alegria de ver a Praça que ecoava com ele. Ontem à noite, a mesma coisa com Francisco. Esta é a Igreja de Deus que dá esperança, que faz pensar que Deus está agindo e para nós, isto é uma benção, e que Deus abençoe cada um de vocês que caminharam conosco”.

Fonte: http://www.news.va/pt/news/card-braz-de-aviz-igreja-na-direcao-de-uma-simplic

quarta-feira, 13 de março de 2013

Habemus Papam!




É o cardeal Jorge Bergoglio o novo Papa, escolhido pelos cardeais eleitores para suceder a Bento XVI, que renunciou ao ministério petrino. Francisco foi o nome adotado. É o primeiro Papa latino -americano e não europeu da história.

“Sabeis que o dever do Conclave era dar um bispo a Roma: parece que os meus irmãos cardeais foram buscá-lo quase ao fim do mundo”, disse, na primeira aparição na varanda central da basílica de São Pedro, numa Praça completamente repleta.

O novo Papa surpreendeu os presentes ao pedir “um favor”, antes de dar a sua tradicional bênção neste encontro inicial.

“Peço-vos que rezem ao Senhor para que me abençoe, a oração do povo pedindo a bênção pelo seu bispo. Façamos em silêncio esta oração”, declarou, conseguindo calar a multidão que se encontrava em festa há cerca de uma hora, após a saída do fumo branco da chaminé colocada sobre a Capela Sistina.

A primeira bênção seria, posteriormente, estendida a "todo o mundo, a todos os homens e mulheres de boa vontade".

O Papa começou por desejar uma “boa noite” aos presentes e agradeceu o “acolhimento” da comunidade de Roma. Francisco I começou por propor uma oração pelo Papa emérito, Bento XVI, para que o “Senhor a abençoe”.

A intervenção aludiu depois a um “caminho” que começa, unindo “bispo e povo”, na Igreja de Roma, “aquela que preside na caridade a todas as Igrejas”. “Um caminho de fraternidade, de amor, de confiança entre nós”, precisou. “Rezemos sempre por nós, uns pelos outros, por todo o mundo, para que haja uma grande fraternidade”, acrescentou o novo Papa.

Francisco I deixou votos de “este caminho da Igreja” seja “frutuoso para a evangelização desta tão bela cidade (Roma)”.

O fumo branco saiu hoje da chaminé colocada sobre a Capela Sistina a partir 19h06 locais (menos uma em Lisboa).

O sucessor de Bento XVI, que renunciou ao pontificado, foi eleito no quinto escrutínio da reunião eleitoral iniciada esta terça-feira, à porta fechada, pelas 17h34 (hora de Roma).

Francisco I tem menos dois anos do que Joseph Ratzinger quando este foi eleito em abril de 2005, aos 78 anos. Nasceu em Buenos Aires, na Argentina, a 17 dezembro de 1936, de uma modesta família de origem italiana. Entrou em 1958 na Companhia de Jesus, Foi ordenado padre em 1969. Fez a profissão perpétua em 1973. Foi mestre de noviços, professor de Teologia, Provincial dos Jesuítas da Argentina. Em 1992 foi nomeado por João Paulo II bispo auxiliar de Buenos Aires, de que se tornou arcebispo em 1998. Foi criado cardeal por João Paulo II, em 2001.

A eleição ocorreu à quinta votação, na sequência da primeira que teve lugar ontem, terça-feira, dia do início do Conclave e das quatro votações desta quarta-feira. Ao contrário do que muitos pensavam, tratou-se, também desta vez, de um Conclave breve, apenas com mais uma votação do que aquele que teve lugar há 8 anos e que levou ao pontificado o cardeal alemão Joseph Ratzinger, Bento XVI, para suceder a João Paulo II. Mesma duração também na eleição do cardeal Eugénio Pacelli, Pio XII.

Esperamos ansiosos por nosso novo Papa!

segunda-feira, 11 de março de 2013

Amanhã é o início do Conclave!

Hoje, há um dia do início do conclave, faz um mês que o Papa Bento XVI anunciou sua renúncia!

Que o Senhor permita que nosso coração se encha de esperança na certeza de que é o Espírito quem guia a Igreja!

Rendamos ao Senhor também nossa gratidão pela vida e ministério de nosso Papa Emérito:


sexta-feira, 8 de março de 2013

Rezemos pelo Papa

A data do conclave já está definida! Terça, dia 12 de março.

Agora, rezemos pelo nosso futuro Papa!


"Renúncia foi aula de eclesiologia", nos diz Dom Odilo



Confira a entrevista dada por Dom Odilo Scherer ao jornal da Arquidiocese de São Paulo:


Por e-mail, diretamente de Roma, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, falou com exclusividade ao O SÃO PAULO, sobre suas percepções a respeito dos quase oito anos do pontificado de Bento 16. Dom Odilo, que participará pela primeira vez de um Conclave, também orientou os católicos sobre como viver este tempo tão importante para a vida da Igreja.  

O SÃO PAULO – O que significou o pontificado de Bento 16 para a Igreja e quais foram suas principais contribuições?
Dom Odilo Pedro Scherer – Bento 16 deixa um legado importante para a Igreja e será certamente recordado na história da Igreja como um dos grandes papas teólogos; tanto pelo que escreveu e falou quando já era Sumo Pontífice quanto pelo que escreveu antes disso. Será recordado também pelo seu esforço em ajudar a Igreja a voltar-se para a essência de sua fé e de sua missão. Mostram isso suas encíclicas sobre a esperança e a caridade, as exortações apostólicas sobre a Eucaristia e a Palavra de Deus. Mas será recordado, também, por ter estimulado o clero a buscar a autenticidade na vivência de sua vocação e toda a Igreja, na revalorização de sua fé e no esforço renovado para transmiti-la aos outros. Enfim, a própria renúncia é um gesto que ajudará a Igreja a voltar-se mais para o essencial de sua vida e missão, a partir de um renovado encontro com sua própria razão de ser e existir; um professor de teologia, em Roma, observou: a renúncia foi sua última aula de eclesiologia...
 
O SÃO PAULO – E o que significou a atuação de Bento 16 para a humanidade?
Dom Odilo Scherer – Isso ainda será melhor avaliado com o passar do tempo. De toda forma, continuando a tradição de seus predecessores, Bento 16 manifestou-se sobre todos os assuntos e fatos relevantes deste momento da vida e da história humanas. Sua contribuição para a cultura, a filosofia, a busca da verdade e do bem é extraordinária; como teólogo e humanista, tem largos horizontes e teve sua palavra geralmente acolhida com respeito e consideração; estimulou o mundo a pensar e a ir além das superficialidades de uma cultura consumista e imediatista. Sua encíclica social – Caritas in Veritate – é uma contribuição importante para o discernimento sério sobre as questões que atualmente afligem a humanidade. Estimulou muito, também, o diálogo entre as religiões e as culturas. Teve sempre a preocupação da justiça, da paz e da solidariedade entre os povos.

O SÃO PAULO – Como os católicos devem encarar as críticas e este clima de “denuncismo” que se instaurou na mídia após o anúncio de que o papa iria renunciar?
Dom Odilo Scherer – Com muita serenidade e discernimento. É um fato interessante que, de um momento a outro, todos começaram de novo a falar da Igreja, mesmo sem conhecer bem as questões abordadas. Muita matéria produzida foi sensacionalista ou simplesmente marcada pelo preconceito contra a Igreja, sem o interesse de conhecer ou comunicar a verdade. É sempre importante tentar saber de qual púlpito vem o sermão e perguntar se merecem crédito certas afirmações bombásticas, de efeito retórico (ex. “guerra civil no Vaticano”...), que não se sustentam em fatos, mas em suposições e conjecturas que visam jogar no descrédito a Igreja perante o mundo e perante seus próprios fiéis. É preciso lembrar que cada um deverá prestar contas a Deus pelas afirmações mentirosas e injuriosas ditas contra o próximo ou também a Igreja. Recomendo que não se dê crédito fácil a certas caricaturas que se fazem da Igreja; quem conhece a Igreja e vive dentro dela sofre com o desprezo à Igreja. Infelizmente, as palavras do próprio Papa, proferidas no anúncio do dia 11 de fevereiro sobre sua renúncia, foram deixadas de lado, como sendo não-verdadeiras, para dar largas a todo tipo de suspeitas, especulações e conjecturas sobre os “reais motivos” da renúncia. Alguém nas condições e na autoridade do Papa deveria merecer mais crédito e respeito.
 
O SÃO PAULO - O senhor poderia descrever algum episódio mais pessoal de seus contatos com Bento 16?
Dom Odilo Scherer – Lembro da vigília na Jornada Mundial da Juventude em Madrid, em julho de 2011. Veio um temporal muito forte durante a fala do papa; o vento balançava até a estrutura do palco, onde estavam o papa, os bispos e muitas outras pessoas. Mais de um milhão de jovens estava à frente do Papa, apanhando toda aquela chuva. Os seguranças sugeriram, várias vezes, que ele se retirasse para um lugar mais seguro, mas Bento 16 quis permanecer ali, com os jovens... No final da celebração, parecia que não queria ir embora, preocupado com os jovens... Aproximou-se deles, de maneira muito paternal, e desejou que, apesar de tudo, eles repousassem ao menos um pouquinho... Na manhã seguinte, já debaixo de muito sol, a primeira coisa que fez foi perguntar aos jovens como tinham passado a noite. Achei isso de uma sensibilidade finíssima, que emocionou e cativou o coração dos jovens.
 
O SÃO PAULO - A partir dos momentos reservados que teve com Bento 16, que características o senhor destacaria dele?
Dom Odilo Scherer - Um homem sereno, simples, inteligente, atento ao interlocutor, interessado em ouvir, extremamente gentil e fino no trato com as pessoas. Nunca pude ver nele aquele homem “autoritário” ou “duro”, como  algumas vezes foi descrito; isso não corresponde à verdade. Quando visitou o Brasil, em 2007, fiquei perto do Papa durante alguns dias, na sua estadia em São Paulo. Eu lia os títulos na imprensa e me perguntava: de qual papa estão falando? Não era do papa Bento 16, que eu conheço...
 
O SÃO PAULO - Estamos aguardando a escolha do novo pontífice. A Igreja está “acéfala” até que o próximo papa seja eleito?
Dom Odilo Scherer - Não, a Igreja nunca fica acéfala (“sem cabeça”, ou “sem chefe”) durante o período da vacância, porque o verdadeiro chefe da Igreja é Jesus Cristo glorificado, que nunca abandona o seu corpo, a Igreja. Além disso, durante a sede vacante, o Colégio dos Cardeais responde pela Igreja, segundo as competências que lhe são próprias.
 
O SÃO PAULO - Quais as características que o novo papa deve ter?
Dom Odilo Scherer - O escolhido terá as qualidades que tiver, e não podemos idealizar demais. Nenhum papa é igual a outro. Ele deverá ser dócil às inspirações e à ação do Espírito Santo, inteiramente fiel a Cristo e à própria Igreja. Podemos, humanamente,  desejar que seja uma pessoa muito capaz, cheia de virtudes, preparada do ponto de vista intelectual e teológico, homem de grande fé e vigor espiritual, capaz de liderança e de comunicação, segundo as condições do nosso tempo. Mas também neste caso, precisamos ter a consciência de que ninguém nasce papa, mas aprende a desempenhar essa árdua missão enquanto a exerce.

O SÃO PAULO – Quais são os principais desafios que o próximo papa vai encontrar?
Dom Odilo Scherer - São os desafios de toda a Igreja, que se manifestam em toda parte: a nova evangelização, a transmissão da fé, a perseverança na fé e a operosidade dos filhos da Igreja para a irradiação da luz e da força viva do Evangelho no mundo...  Há os desafios internos da renovação constante da Igreja, para que ela viva no compasso do tempo e da cultura, sem deixar de ser ela mesma; há os desafios externos, representados pela cultura do nosso tempo, muitas vezes, fechada ao Evangelho, senão, contrária a ele. Há os desafios da presença pública da Igreja no mundo, no contexto da política, da economia, da educação, das relações sociais e internacionais. De fato, o Evangelho não é um bem privado da Igreja, mas uma “luz” para o mundo, que não deve ser ocultada, mas irradiada. Enfim, os desafios podem ser muitos, mas não devemos esperar que eles sejam enfrentados pelo papa sozinho, nem sempre em primeira pessoa. A missão e a responsabilidade pela Igreja são compartilhadas, com o papa, por todos os bispos em comunhão com ele. E em cada Igreja local, com os bispos, também os sacerdotes e todos os fiéis assumem essa mesma responsabilidade. A Igreja não depende só do papa.

O SÃO PAULO - Qual deve ser a atitude dos católicos neste tempo de espera para a eleição do novo papa?
Dom Odilo Scherer - Antes de tudo, uma serena fé e confiança na Igreja e na ação do Espírito de Cristo, que não abandona a Igreja. Talvez foi essa a mensagem mais insistente de Bento 16 nesses últimos dias de seu pontificado: não estamos sozinhos; o Senhor não abandona a sua Igreja. Portanto, ninguém desanime, nem se deixe levar pelo pânico. Este é um tempo de espera e de serena esperança. A Igreja não conta apenas com as próprias forças e fragilidades. Ela pode continuar a contar com o seu supremo Pastor, que é o próprio Senhor Jesus. 

quinta-feira, 7 de março de 2013

Quaresma, conversão, Igreja e Renúncia do Papa


A Igreja foi posta, mais uma vez, como espetáculo diante do mundo. Todos os olhos estão voltados para ela e proclama-se, especialmente quando vista de fora, uma grande crise. Aproveita-se a oportunidade para que as muitas bandeiras de uma parcela permissiva da sociedade sejam levantadas. Na cabeça de muitos, vale apostar tudo para ver o que se pode colher, como se a Igreja de Jesus Cristo fosse um balcão de informações turísticas, ou, quem sabe, um parlamento democrático aberto a todos ou as orientações morais viessem a ser decididas pelo voto da maioria. A grande renovação da Igreja, ou acontece a partir da ação do Espírito Santo que atua dentro do coração de cada cristão, com a força da permanente conversão, ou será indevida e mentirosa, pois ela não pode ser infiel ao seu Senhor.

Ser cristão incomoda e muito, começando mesmo por aqueles que desejam professar sua fé com coerência, em tempos nos quais a perseguição se volta furiosa, especialmente contra os católicos. Não estamos mais em época de cristandade! Com certeza os cristãos católicos devem tomar consciência de sua responsabilidade e se decidirem a ser sal, luz e fermento, com qualidade de vida e testemunho, indo além das valiosas e reconhecidas devoções, para serem presenças qualificadas, capazes de transparência da inigualável mensagem evangélica, dispostos a superar os próprios limites e pecados.

Sabemos que o mistério da iniquidade está presente onde quer que existam pessoas humanas. Falta muito para que todos os homens e mulheres, de qualquer religião ou fé, vejam vencidos em si ou na vida social a maldade que se espalha. Também para nós vale o chamado contínuo à conversão, tanto que, nos dias da Quaresma, a Igreja inteira, consciente de que foi resgatada pelo Sangue do Cordeiro imolado, canta em sua oração: “Humildes, ajoelhados na prece que a fé inspira, ao justo Juiz roguemos que abrande o rigor da ira. Ferimos por nossas culpas o vosso infinito amor. A vossa misericórdia  do alto infundi, Senhor. Nós somos, embora frágeis, a obra de vossa mão; a honra do vosso nome a outros não deis, em vão. Senhor, destruí o mal, fazei progredir o bem; possamos louvar-vos sempre, e dar-vos prazer também. Conceda o Deus Uno e Trino, que a terra e o céu sustém, que a graça da penitência dê frutos em nós. Amém” (Hino de Laudes para os Domingos da Quaresma). É bom que o mundo saiba que nos reconhecemos pecadores, suplicamos a misericórdia de Deus, somos continuamente chamados à conversão e nos empenhamos em buscar as formas de vida cristã e as estruturas necessárias ao testemunho autêntico de Jesus Cristo.

No terceiro domingo da Quaresma, a Igreja proclama e medita o Evangelho de São Lucas, no capítulo treze, versículos um a nove. Jesus forma seus discípulos e as pessoas que dele se aproximam. Cabe-lhes estar atentos aos acontecimentos. O primeiro deles é de ordem religiosa no qual alguns galileus são mortos por Pilatos, quando ofereciam sacrifícios. O segundo é um acidente, quando uma torre cai sobre algumas pessoas. É mais ou menos como as notícias novas ou requentadas, que correm pelo mundo afora e também no boca a boca das conversas.

Em nossos dias, pululam acusações de toda ordem contra a Igreja e os católicos. Os fatos negativos tenham sua devida apuração e, quando comprovados, as pessoas sejam devidamente responsabilizadas. Também os desastres públicos são passíveis de verificações e providências cabíveis. No entanto, envolvidos diretamente ou não nos dois tipos de eventos, todos sejam provocados a tirar as lições devidas. Trata-se de perguntar o que Deus quer nos dizer com os fatos.

Jesus propõe a conversão nos dois casos. Se existem cristãos que agem mal, que comecem uma vida nova, transformem sua mentalidade e suas práticas. Se qualquer um de nós se encontra distante dos fatos e responsabilidades, pergunte-se como pode ser melhor e viver melhor, mesmo em áreas totalmente diferentes. Quando na sociedade uma obra desaba, um incêndio se alastra, as ruas estão esburacadas ou os serviços são de baixa qualidade, mesmo quem não tem poder para mudar tudo, pode começar por si mesmo ou perto de sua casa. O lixo que cada um recolhe de forma adequada pode ser uma pequena, mas indispensável ajuda, como também a direção segura e defensiva no trânsito e outras práticas. Vale, como sempre, ouvir Jesus: “Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que qualquer outro galileu, por terem sofrido tal coisa? Digo-vos que não. Mas se vós não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito que morreram quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que qualquer outro morador de Jerusalém? Eu vos digo que não” (Lc 13,2-5). Os frutos da conversão se manifestem em nova mentalidade e novas práticas de vida!

A Igreja tem a alegria de oferecer ao mundo, depois de oito anos de trabalho intenso, o exemplo luminoso  do até agora Papa Bento XVI, que acaba de renunciar. Certamente incomodou muita gente, mas edificou crianças, jovens e adultos, homens e mulheres de todos os quadrantes do mundo. Sua palavra e seu comportamento foram retilíneos, coerentes com o lema escolhido, “colaborador da verdade”, um cristão autêntico, apaixonado pela Verdade, que é Jesus Cristo. É a esta verdade que queremos converter-nos! É a esta verdade que estará a serviço o novo Papa a ser eleito!

Unindo-se às preces de todo o mundo, a Arquidiocese de Belém reza assim: “Senhor Jesus, Pastor eterno, fundastes a Igreja para ser no mundo o Sacramento da Salvação, na perfeita comunhão de amor, e destes a Pedro a tarefa de criar a unidade entre vossos filhos e filhas. Amparai, Senhor, a vossa Igreja que, sustentada pelo vosso Santo Espírito, espera confiante a escolha do Sucessor de Pedro, que nos sustentará na mesma fé que da mesma Igreja recebemos no Batismo. Não permitais, Senhor, que ventos de doutrinas contrárias venham a nos confundir. Sustentai a nossa fé e mandai, sem demora, aquele que conduzirá a Barca da Igreja pelos caminhos da história em nosso tempo, para a honra e glória do vosso nome, vós que sois caminho, verdade e vida. Amém!”

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo Metropolitano de Belém

terça-feira, 5 de março de 2013

Mutirão de Confissões do Setor V (Taguatinga) - ARQUIDIOCESE DE BRASILIA




Segue calendário do mutirão de confissões do Setor V (Taguatinga) da ARQUIDIOCESE DE BRASILIA:

Sempre com início às 20h

Paróquia: SÃO PEDRO E SÃO PAULO: 05/mar

Paróquia: NOSSA SENHORA DO CARMO: 06/mar

Paróquia: PERPÉTUO SOCORRO: 07/mar

Paróquia: SANTA TEREZINHA: 08/mar

Paróquia: SÃO JUDAS: 12/mar

Paróquia: SAGRADA FAMILIA: 13/mar

Paróquia: NOSSA SENHORA DE FÁTIMA: 14/mar

Paróquia: SÃO PEDRO: 15/mar

Paróquia: CRISTO REDENTOR: 20/mar

Paróquia: IMACULADA CONCEIÇÃO: 21/mar

Paróquia: SÃO VICENTE DE PAULO: 22/mar

Não se esqueça: Quaresma é tempo de reconciliação com Deus!

sexta-feira, 1 de março de 2013

Bento XVI: a força de um homem de 85 anos





Milhares de jovens reunidos trazem a imagem real da jovialidade daquele lugar milenar. Olhares que demonstram neste momento a emoção de ver um pai partir. Corações que interrogam sobre “o que fazer?”, “o que dizer?”, “o que será?”. Abraços que traduzem a acolhida recebida em quase oito anos de entrega de vida. Pés que tocam o chão de martírio histórico e tradução do amor que se doa até o fim! Que força de atração tem este homem de 85 anos chamado papa Bento XVI? O que ele tem que o torna polo atrativo de milhares de jovens que lotam audiências, que povoam praças e recintos por onde ele passa? O que este homem do século passado tem a dizer que o faz tão lido e escutado por milhões de jovens mundo afora?

Ele tem palavras que falam o que precisamos ouvir e não o que queremos ouvir. Em um mundo do “politicamente correto” onde se fala o que massageia o ego, ele diz o que enobrece e fortalece a alma. Não são suas palavras mas, sim, a Palavra que faz novas todas as coisas. “Neste momento, há em mim uma grande confiança, porque sei, todos nós sabemos, que a Palavra de verdade do Evangelho é a força da Igreja, é a sua vida”. O jovem de hoje quer a novidade que preenche o coração, e não a novidade que nos tira de nós mesmos!

Bento XVI teve o olhar que mira o eterno e não o passageiro. Assim, não teve medo de apresentar ao jovem o que é o definitivo e dizer que o prazer de uma noite ou a duração de uma balada não sacia a sede de uma alma. Olhar que abre horizontes fechados por uma existência que não foi redimida por um encontro com o Amor Maior! “Deus não fez nunca faltar a toda a Igreja e também a mim o seu consolo, a sua luz, o seu amor”. O jovem quer ser olhado por um olhar que ama e não pelo olhar que acusa!

Em um mundo de aparências e máscaras, o papa não teve medo de mostrar a verdade. Não compactuou com a mentira e soube se posicionar frente ao que não é justo. O jovem sente a necessidade de pais que apontam o caminho e não os pais que usam máscaras para serem aceitos. O coração só se entrega quando sente que aquilo que é proposto é verdadeiro e não falsificado. “Agradeçamos ao Senhor por isto todos os dias, com a oração e com uma vida cristã coerente. Deus nos ama, mas espera que nós também o amemos!” O jovem não quer apenas ser um personagem em uma história mas quer ser protagonista de uma vida.

O papa Bento XVI teve braços que se abriram em acolhida e não se cruzaram por medo. Não vimos em Bento XVI apenas um colega de caminhada, encontramos em Bento XVI um pai que nos abraça em acolhida e que não cruza os braços frente aos nossos erros, mas estende a mão para nos levantar! Encontramos nele um pai e não um “camarada”. “Mas também eu quis bem a todos e a cada um, sem distinções”. A atração deste homem de 85 anos está em sua capacidade de ser pai e não o comparsa de uma vida sem sentido.

E se ainda me perguntam o que ele tem para atrair a tantos jovens como eu, eu digo sem medo: ele não tem nada, ele deu tudo. Ele não tem mas, sim, ele é!

Adriano Gonçalves
Missionário da Comunidade Canção Nova