quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A sujeira que deixamos

Hoje fui ao Taguaparque e me deparei com um "laguinho" que tem perto do estacionamento e não pude ignorar a sua sujeira e mal cheiro.

Contemplando aquela imagem nada atraente, comecei a refletir sobre como a sujeira é capaz de inutilizar um local e, além de inutilizar, torná-lo desagradável de se ver e se cheirar.

Comecei a pensar que o lago não se sujou sozinho, mas que as pessoas, por inúmeros motivos, começaram a despejar ali os seus lixos.

Em meu coração, senti o Espírito Santo me dizer que fazemos assim também na vida das pessoas e que pessoas fazem assim também em nossas vidas.

Muitos chegam perto de nós e despejam seus lixos, sem explicações mas cheios de justificativas. E se não houver alguém para juntar essas sujeiras e proteger o lugar logo, logo, nos tornamos também inúteis e desagradáveis.

Pedi então ao Senhor que viesse em minha vida, em minha história e limpasse minhas sujeiras. Sujeiras que eu fui depositando em cada escolha errada, em cada decisão precipitada, em cada atitude incoerente, em cada gesto mal. Pedi que o Senhor fosse fundo dentro do meu coração e retirasse as sujeiras impregnadas e mal cheirosas do orgulho, da soberba, da inveja, da maldade e do egoísmo.

Pedi ao Senhor que também me limpasse da sujeira que os outros jogaram em mim, quantos que se aproximaram e ainda hoje se aproximam para despejar suas frustrações, suas ignorâncias, suas impaciências e falta de educação.

Existem sujeiras em nós que todos podem ver, todos podem sentir, e existem aquelas bem no fundo, que só o Senhor e nós vemos e sabemos que ali estão.


Pedi para Jesus limpar estas também.


Rezei com isso. Se desejar, reze você também.

Tuani de Castro
Membro da Comunidade Gratidão

Retiro de Adoradores


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Diante de Pedro - o encerramento do Ano da fé




«Adoração! Fala-se pouco de adoração!». Esta consideração, pronunciada pelo Papa Francisco com um tom  de tristeza e preocupação, poderia fazer compreender o sentido de um dos sinais conclusivos do Ano da fé. Para o confirmar,  poderíamos acrescentar outro pensamento do Papa dirigido aos seminaristas e às noviças na conclusão dos dias da sua peregrinação. Deixando de lado também neste caso o texto escrito, disse: «Um dos vossos formadores dizia-me outro dia: évangéliser on le fait à genoux, a evangelização faz-se de joelhos.  Escutai  bem: “a evangelização faz-se de joelhos”. Sede sempre homens e mulheres de oração. Sem a relação constante com Deus a missão torna-se ocupação».

Palavras que são música para os ouvidos de quantos, como eu, cresceu na escola de von Balthasar. O grande teólogo do século passado criticava o movimento de algumas escolas que passaram de uma «teologia feita de joelhos» para uma «teologia escrita abstratamente», e estimulava a recuperação da espiritualidade e da santidade como forma coerente da vida cristã.

A união entre ação e contemplação é um dos pontos principais que a fé exprime e  tem sempre  necessidade de afirmar. É por isso que, para a conclusão do Ano da fé, o Papa Francisco decidiu ir no próximo dia 21 de Novembro a um mosteiro de clausura para um momento de oração. A fé vive principalmente de adoração. De fato, o encontro com Cristo exige que a resposta do crente brote da contemplação do seu Rosto. O dia «pro orantibus» eleva-se como um sinal de que a fé ajuda na busca do essencial.

De resto, diante do mistério no qual cremos a oração é a primeira e mais realista atitude que deveríamos assumir. Contudo, a contemplação não nos afasta dos compromissos e das preocupações diárias, pelo contrário. Ela permite-nos dar sentido e suportar o esforço de cada dia. A alegria que provém daquele encontro não é artificial nem limitada a um momento emotivo, mas condição para olhar em profundidade e compreender pelo que vale a pena viver.

Só uma visão teológica pouco atenta pôde criar o estrabismo entre o amor a Deus, típico de quem reza, e o amor ao próximo, próprio de quem age. Porventura a contemplação do Pai não era para o próprio Jesus um momento propedêutico para realizar a sua ação evangelizadora? Portanto, dar novamente vigor à fé equivale a verificar a reciprocidade entre a contemplação e a ação cristã. A primeira é pressuposto para uma ação evangélica coerente, enquanto esta é a condição necessária para que a contemplação seja genuína.

A vida contemplativa soube conjugar os dois momentos. «Ora et labora» permanece na Igreja como a síntese mais feliz à qual a fé conduz. O mosteiro das Monjas Camáldulas, no Aventino, que o Papa Francisco visitará, apresenta esta dimensão de modo peculiar. A sua abertura à cidade no serviço da lectio divina e do refeitório para os pobres, faz emergir o objetivo ao qual conduz a contemplação: a partilha do que se possui. Com efeito, não é possível contemplar a face de Cristo sem o reconhecer na sua «carne» mais necessitada porque mais sofredora.

Através deste sinal preparamo-nos também para celebrar o epílogo de um ano rico de graça. Ele foi marcado em particular pela profissão de fé que os milhões de peregrinos fizeram diante do túmulo de Pedro.

Neste contexto, um último sinal culminante consiste na exposição pela primeira vez das relíquias que a tradição reconhece como as do Apóstolo que aqui deu a sua vida pelo Senhor. A fé de Pedro, portanto, confirmará mais uma vez que a «Porta» para o encontro com Cristo está sempre aberta e espera para ser atravessada com o mesmo entusiasmo e convicção dos primeiros crentes. Um caminho que os cristãos de hoje sabem que devem perseguir sem trégua, porque são fortalecidos e animados pela contemplação da face de Cristo.
 Rino Fisichella

Fonte: http://www.osservatoreromano.va/portal/dt?JSPTabContainer.setSelected=JSPTabContainer/Detail&last=false=&path=/news/editoriali/2013/257q13-Davanti-a-Pietro-la-chiusura-dell-Anno-dell.xml&locale=pt&utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Seguir meu coração?



Hoje eu rezava e pensava no que escutei: "segue seu coração".

A verdade é que não devemos segui-lo apenas por nossa vontade, devemos seguir se perceber e entender que é vontade de Deus! Muitas vezes queremos seguir as nossas vontades e aí é muito fácil ouvir "segue seu coração". 

Só vale a pena seguir se ele estiver enraizado na vontade de Deus! Não devemos seguir apenas nossas vontades...

Como diz o Evangelho "Se não renunciar tudo o que tem não pode ser meu discípulo" (Cf Lc 14, 25-33). Entendo que seguir o coração é fazer isso:  renunciar a tudo, às nossas vontades, às verdades que criamos, nossos orgulhos, nossas teimosias... É a isso que o Senhor nos chama hoje.

Se é fácil? Acredito que não. Mas é um convite, um chamado. Nós é que decidimos se aceitamos ou não. Só não podemos nos perder pensando que seguir nosso coração é o melhor. O melhor é seguir o que está no coração de Deus!

Como descobrir? Perguntando, vivendo...

Kamila Kaline 
Comunidade Gratidão

sábado, 2 de novembro de 2013

Catequese do Papa Francisco sobre a Comunhão dos Santos



Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de falar de uma realidade muito bela da nossa fé, ou seja, da “comunhão dos santos”. O Catecismo da Igreja Católica nos recorda que com esta expressão se entendem duas realidades: a comunhão nas coisas santas e a comunhão entre as pessoas santas (n. 948). Concentro-me no segundo significado: trata-se de uma verdade entre as mais consoladoras da nossa fé, pois nos recorda que não estamos sozinhos, mas existe uma comunhão de vida entre todos aqueles que pertencem a Cristo. Uma comunhão que nasce da fé; de fato, o termo “santos” refere-se àqueles que acreditam no Senhor Jesus e estão incorporados a Ele na Igreja mediante o Batismo. Por isto, os primeiros cristãos eram chamados também “os santos” (cfr At 9,13.32.41; Rm 8,27; 1 Cor 6,1).

1. O Evangelho de João mostra que, antes da sua Paixão, Jesus rezou ao Pai pela comunhão entre os discípulos, com estas palavras: “Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste” (17, 21). A Igreja, em sua verdade mais profunda, é comunhão com Deus, familiaridade com Deus, comunhão de amor com Cristo e com o Pai no Espírito Santo, que se prolonga em uma comunhão fraterna. Esta relação entre Jesus e o Pai é a “matriz” do vínculo entre nós cristãos: se estamos intimamente inseridos nesta “matriz”, nesta fornalha ardente de amor que é a Trindade, então podemos nos tornar verdadeiramente um só coração e uma só alma entre nós, porque o amor de Deus queima os nossos egoísmos, os nossos preconceitos, as nossas divisões interiores e exteriores. O amor de Deus queima também os nossos pecados

2. Se há este enraizamento na fonte do Amor, que é Deus, então se verifica também o movimento recíproco: dos irmãos a Deus; a experiência da comunhão fraterna me conduz à comunhão com Deus.  Estar unidos entre nós nos leva a estar unidos com Deus, leva-nos a esta ligação com Deus que é o nosso Pai. Este é o segundo aspecto da comunhão dos santos que gostaria de destacar: a nossa fé precisa do apoio dos outros, especialmente nos momentos difíceis. Se nós estamos unidos a fé se torna forte. Quanto é belo apoiar-nos uns aos outros na aventura maravilhosa da fé! Digo isto porque a tendência a se fechar no privado influenciou também o âmbito religioso, de forma que muitas vezes é difícil pedir a ajuda espiritual de quantos partilham conosco a experiência cristã. Quem de todos nós não experimentou inseguranças, perdas e ainda dúvidas no caminho da fé? Todos experimentamos isto, também eu: faz parte do caminho da fé, faz parte da nossa vida. Tudo isso não deve nos surpreender, porque somos seres humanos, marcados por fragilidades e limites; todos somos frágeis, todos temos limites. Todavia, nestes momentos de dificuldade é necessário confiar na ajuda de Deus, mediante a oração filial e, ao mesmo tempo, é importante encontrar a coragem e a humildade de abrir-se aos outros, para pedir ajuda, para pedir para nos darem uma mão. Quantas vezes fizemos isto e então saímos do problema e encontramos Deus uma outra vez! Nesta comunhão – comunhão quer dizer comum-união – somos uma grande família, onde todos os componentes se ajudam e se apoiam entre eles.

3. E chegamos a outro aspecto: a comunhão dos santos vai além da vida terrena, vai além da morte e dura para sempre. Esta união entre nós vai além e continua na outra vida; é uma união espiritual que nasce do Batismo e não vem separada da morte, mas, graças a Cristo ressuscitado, é destinada a encontrar a sua plenitude na vida eterna. Há um vínculo profundo e indissolúvel entre quantos são ainda peregrinos neste mundo – entre nós – e aqueles que atravessaram o limiar da morte para entrar na eternidade. Todos os batizados aqui na terra, as almas do Purgatório e todos os beatos que estão já no Paraíso formam uma só grande família. Esta comunhão entre terra e céu se realiza especialmente na oração de intercessão.

Queridos amigos, temos esta beleza! É uma realidade nossa, de todos, que nos faz irmãos, que nos acompanha no caminho da vida e nos faz encontrar-nos de novo no céu. Sigamos por este caminho com confiança, com alegria. Um cristão deve ser alegre, com a alegria de ter tantos irmãos batizados que caminham com ele; apoiado pela ajuda dos irmãos e das irmãs que fazem esta estrada para ir para o céu; e também com a ajuda dos irmãos e das irmãs que estão no céu e rezam a Jesus por nós. Avante por este caminho com alegria!