domingo, 9 de fevereiro de 2014

Palavra do Pastor


 
Sal da Terra e Luz do Mundo
 
Para falar da presença dos seus discípulos no mundo, Jesus recorre às sugestivas imagens do sal e da luz, cuja importância era bastante conhecida pelas pessoas que o ouviam. O sal, apreciado por dar sabor e preservar os alimentos, e a luz, por iluminar a casa ou o caminho, em meio à noite, ou por aquecer no frio.
A presença do sal nos alimentos ou da luz na escuridão é percebida facilmente, porém, não de modo ostensivo ou fechado. O sal não se mostra como tal nos alimentos, sendo sentido apenas o seu sabor. A luz se espalha pelos ambientes. A presença discreta, mas facilmente perceptível do sal e da luz, expressa como o cristão deve agir no mundo: com vigor e humildade, com o testemunho corajoso e a simplicidade de vida.
O testemunho de São Paulo, recordado na segunda leitura, é um precioso exemplo disso, ao afirmar que o anúncio do Evangelho não depende da “linguagem elevada ou do prestígio da sabedoria humana” (1Cor 2,1). A força e a sabedoria de Deus são manifestadas muitas vezes na pequenez e na fragilidade experimentada pelos discípulos de Cristo, como “demonstração do poder do Espírito”. Não é por si mesmos, mas pela graça de Deus, que os discípulos se tornam “sal da terra” e “luz do mundo”. Eles recebem de Deus o sabor que dá sentido à vida e a luz para iluminar o mundo, isto é, eles somente podem ser luz na medida em que são iluminados; apenas podem dar sabor, na medida em que o receberem de Cristo. Esta perspectiva se expressa também nas palavras conclusivas do Evangelho proclamado: “para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16), afirma Jesus. O testemunho cristão deve levar as pessoas a glorificar a Deus e não ser motivo de vaidade.
 O profeta Isaías anuncia as condições para que a “luz” possa brilhar “como a aurora” ou como “o meio dia”: a vivência da caridade e da misericórdia para com os famintos, os pobres e os peregrinos; a superação da violência e da maldade. O Salmo 111, hoje meditado, afirma que é “feliz o homem caridoso e prestativo” e que “o bem praticado pelo justo permanece para sempre”.
Sal e luz não são apenas para dias de festa, mas necessários à vida cotidiana, a começar da própria casa, assim como, a luz “ilumina os que estão na casa”. Apesar das muitas dificuldades para a vivência cristã em família, sentida por tantas pessoas, ninguém está dispensado de fazer o máximo possível. A chama da fé em Cristo, simbolizada pela vela recebida no Batismo, possa brilhar em casa, no trabalho, na escola e em toda parte, alimentada sempre mais pela oração, pela Palavra e pela Eucaristia.
 
Dom Sérgio da Rocha
Arcebispo de Brasília

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