terça-feira, 18 de março de 2014

Exercício Teologia do Corpo - Cristo, a redenção do Corpo e o Chamado a viver na Pureza.



“[...]4. No Sermão da Montanha, Cristo não convida o homem a voltar ao estado da inocência original, porque a humanidade deixou-a irrevogavelmente atrás de si, mas chama-o a reencontrar — no fundamento dos significados perenes e, por assim dizer, indestrutíveis daquilo que é “humano” — as formas vivas do “homem novo”. De tal modo, lança-se um vínculo, melhor, uma continuidade entre o “princípio” e a perspectiva da Redenção. No ethos da redenção do corpo deverá ser retomado o original ethos da criação. Cristo não muda a Lei, mas confirma o mandamento “Não cometerás adultério”; porém, ao mesmo tempo, conduz a inteligência e o coração dos ouvintes àquela “plenitude da justiça” querida por Deus criador e legislador, que este mandamento encerra em si. Tal plenitude é descoberta: primeiro, com uma interior visão “do coração”; e, depois, com um adequado modo de ser e de operar. A forma do “homem novo” pode derivar deste modo de ser e de operar, na medida em que o ethos da redenção do corpo domina a concupiscência da carne e todo o homem da concupiscência. Cristo indica com clareza que o caminho para chegar lá deve ser caminho de temperança e de domínio dos desejos, isto na raiz mesma, já na esfera puramente interior (“todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a…”). O ethos da redenção contém em todos os âmbitos — e diretamente na esfera da concupiscência da carne — o imperativo do domínio de si, a necessidade de uma imediata continência e de uma habitual temperança.

5. Todavia, a temperança e a continência não significam — se é possível assim dizer — uma suspensão no vácuo: nem no vácuo dos valores nem no vácuo do sujeito. O ethos da redenção realiza-se no domínio de si, mediante a temperança, isto é, na continência dos desejos. Neste comportamento, o coração humano permanece vinculado ao valor, do qual, através do desejo, se teria de outro modo afastado, orientando-se para a pura concupiscência privada de valor ético (como dissemos na precedente análise). No terreno do ethos da redenção, a união com aquele valor, mediante um ato de domínio, é confirmada ou restabelecida com força e firmeza ainda mais profundas. E trata-se aqui do valor do significado esponsal do corpo, do valor de um sinal transparente, mediante o qual o Criador — juntamente com a perene atração recíproca do homem e da mulher através da masculinidade e da feminilidade — escreveu no coração de ambos o dom da comunhão, isto é, a misteriosa realidade da sua imagem e semelhança. De tal valor se trata no ato do domínio de si e da temperança, para que apela Cristo no Sermão da Montanha[...]” (TdC 49)

“Bem aventurados os puros de coração porque verão a Deus”  (Mt 5, 8)

Aprendemos que o pecado feriu o modo como olhamos para os outros. Ainda assim, além de haver em nós um eco da pureza original, há o nosso chamado a viver uma vida no Espírito onde os frutos deste mesmo Espírito falem mais alto que as obras da carne. Você tem consigo lançar esse olhar puro para o seu próximo? A luz da bem aventurança citada, você tem consigo ver Deus no outro?

Também tomamos conhecimento que a Pureza apresenta duas dimensões: a moral e a carismática. A moral é aquela que adquirimos por meio da virtude da temperança e, por isso, exige de nós esforço e exercício. A carismática é aquela adquirida por meio da vida no Espírito. Como tem sido sua luta, seu esforço e suas práticas de ascese para viver uma vida de pureza? Além disso, você tem suplicado a Deus pelo auxílio de Sua graça para viver esse chamado à pureza?


Nessa quaresma, convidamos você a acrescentar às suas devoções uma prática penitencial para auxiliá-lo na vivencia da pureza. Pense em algo – um jejum, uma abstinência, um exercício, uma mudança de postura, etc – e oriente essa oferta para suplicar a Deus que nos ajude a viver uma vida na castidade e na pureza de coração.

Tenham uma ótima semana!

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