sexta-feira, 21 de março de 2014

Exercícios Espirituais de Teologia do Corpo - O Jejum e o Homem Novo

Nesta semana propomos para você uma reflexão sobre a vida em santidade e a busca pelo auto-domínio.
Que o Senhor te proporcione uma ótima quaresma!



Por que hoje em dia se fala tão pouco em jejum e mortificação? Estariam essas práticas em desuso por serem inapropriadas ou estaríamos desinformados da utilidade que esses exercícios penitenciais podem trazer a nossa fé?

O jejum é um freio e uma disciplina no modo como comemos. Também é a abstenção de alimentos por algum período. Já a mortificação é a renuncia dos desejos e um sacrifício físico, mental ou vivencial.

Os dias e tempos penitenciais são todas as sextas do ano e o tempo da quaresma. No entanto, todos devemos ter a mortificação e o jejum presentes em nossas vidas ao longo do ano.
Mas por que essas práticas são recomendadas pela Igreja?

A Santa Igreja nos ensina que o jejum e a mortificação são instrumentos de santificação da alma, controle do corpo e equilíbrio emocional. Colocam o corpo em sintonia com a alma.

Fica evidente, portanto, a íntima relação que essas ferramentas de santidade têm com nosso estudo sobre a Teologia do Corpo. Especialmente nestes dias em que estamos meditando sobre o chamado do homem a viver na pureza e também por estarmos no período da quaresma.

Neste relevo, observa-se a luta do homem velho, inclinado ao pecado pela concupiscência da carne, dos olhos e do orgulho, contra o homem novo, restaurado por Jesus e chamado a uma vida de santidade.

Neste campo de batalha, para que vença o homem novo, devemos torna-lo mais forte. Isso se dá mortificando o homem velho, de tal forma que ele fique reduzido a impotência, para evitar que influencie nossa vida moral e dê seu fruto: o pecado.

 “Cristo indica com clareza que o caminho para chegar ao ‘homem novo’ deve ser o caminho de temperança e de domínio dos desejos”. TdC 49

Na prática, há muitas formas de penitência e todas objetivam revelar nossa superioridade sobre as coisas e nossos desejos. Afinal, só podemos renuncia a uma necessidade do nosso corpo quando somos livres e senhores de nossos impulsos, não escravos.

Para que o homem novo alcance cada vez mais a estatura de Cristo, a mortificação deve abraçar toda natureza humana. Sendo assim, nosso corpo, nossos sentidos e imaginação, nossos pensamentos, juízos e vontade, nossas ações exteriores e, finalmente, nossas relações com os outros.

Das inúmeras maneiras que podemos crescer no autodomínio, poderíamos citar: disciplina no comer, abstinência de algum alimento, vigília, domínio e regularidade do sono, controle do humor, silêncio, paciência, não reclamar da doença, evitar pedir dispensas por motivos pequenos, guardar as críticas e palavras destrutivas, comer o que lhe é oferecido sem reclamar, suportar o frio e o calor, não sonhar acordado, ler e assistir apenas coisas que lhe acrescentem algo positivo, não perder tempo com inutilidades na televisão e na internet, não ser teimoso, preferir ouvir a falar, não interromper quem fala, buscar a simplicidade, obedecer docilmente, aceitar a humilhação, não murmurar, ocupar-se do presente, suportar os defeitos e procurar sempre as qualidades do outro, aproximar-se de quem se tem mais antipatia.

É uma longa lista, e que ainda poderia contar com tantas outras práticas. Em alguns destes exemplos podemos nos sentir acusados, e é justamente aí que se deve empenhar esforço para mortificar o homem velho.

Em geral, precisamos saber negar à natureza o que pede sem necessidade. Os progressos na virtude serão proporcionais à violência que fizermos para que em nós sobressaia o homem novo.
Mediante essas práticas penitenciais, a vontade de Deus poderá ser reconhecida mais facilmente, e raramente será perdida de vista. Façamos a experiência de deixar que o homem novo cresça em nós. Esse é o nosso chamado.


“Já não sou eu quem vivo, mas Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).

Comunidade Católica Gratidão


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