sábado, 19 de abril de 2014

A Teologia do Corpo e o Tríduo Pascal




Ó Deus, pela paixão de nosso Senhor Jesus Cristo destruístes a morte que o primeiro pecado transmitiu a todos. Concedei que nos tornemos semelhantes ao vosso Filho e, assim como trouxemos pela natureza a imagem do homem terreno, possamos trazer pela graça a imagem do homem novo. Por Cristo, nosso Senhor. Oração do dia da Sexta-feira Santa

Estamos vivendo o Tríduo Pascal, momento mais sublime para o cristão. Ele inicia com a celebração da ceia vespertina de quinta até a celebração da ressurreição no domingo. É a solenidade que todo cristão deve viver de forma profunda, pois é atualizado o mistério da nossa salvação.

Estas celebrações estão intimamente ligadas com a Teologia do Corpo. Tal Teologia nos ensina sobre o amor e o que celebramos nesses dias é o amor de Deus pela humanidade. O amor de Deus sobre o homem histórico, pecador, que é cada um de nós.

O corpo é o que torna visível o que não vemos. E ele não somente torna visível, mas nos faz entrar nele, participar dele e experimentá-lo. Com o nosso corpo podemos ter uma profunda experiência com o Senhor na Semana Santa e é a isso que te convidamos.

O corpo é o antídoto da teologia abstrata e mostra que Deus não é apenas uma ideia ou um conceito. Nos mostra que Deus é a eterna união de três pessoas. Que Deus teve um corpo humano em Jesus.

Com seu corpo, Jesus pegou o pão e o vinho e o deu aos seus discípulos como seu Corpo e seu Sangue. Com seu corpo, Jesus lavou os pés dos seus discípulos, ensinando-nos a necessidade do dom de si, de nos darmos uns aos outros no amor e no serviço.

Somos criados para a íntima união com Deus, somos chamados a ser uma só carne com Ele e, na quinta-feira santa, Ele nos deixou a Eucaristia para que não nos esquecêssemos disso. Nos deu ser Corpo, para que nós nos déssemos a Ele, para que o adorássemos, pois assim não nos esquecemos de que somos imagem e semelhança Dele.

Com seu corpo, Jesus se entregou por amor a nós, foi machucado, flagelado, coroado com espinhos, teve seus pés e suas mãos pregados no madeiro da cruz. Em seu corpo, carregou sobre si o peso dos nossos pecados e morreu numa cruz.

Jesus se deu por amos a nós, em expiação dos nossos pecados. Assim, mostrou em sua própria carne que fomos criados para participar da comunhão da Trindade, que fomos criados para o amor.

Apesar de tanto sofrer em seu julgamento, Jesus não deixou de responder sobre sua identidade, dizendo sempre quem era. Fez isso para que também não neguemos nossa identidade de homens e mulheres criados para revelar a comunhão com Deus.

Na sexta-feira santa nós calamos para contemplarmos a paixão do Senhor. Ela nos mostra que fomos comprados por um alto preço e por isso devemos buscar a santidade e fazer resplandecer em nossos corpos o amor de Deus.

O sofrimento de Jesus nesse momento nos comove e enxergamos o peso dos nossos pecados, mas isto não nos deve afastar de Deus. Esta é a oportunidade de lançarmos nossas dores e traumas nas chagas de Jesus. Colocarmos o nosso passado, a nossa história, a nossa sexualidade, o tempo que ficamos longe dele, pois Ele sofreu para comprar a nossa salvação. Sofreu para nos mostrar o quanto somos importantes para o Pai.

É oportunidade de lançar tudo nas chagas de Jesus porque é onde somos curados, restaurados. É tempo de esperar em sua misericórdia, contemplar a nossa redenção, de vivermos em intimidade com o Senhor, aceitando Dele o seu imenso amor.

“Por meio da redenção, cada homem recebeu de Deus praticamente a própria existência e o próprio corpo. Cristo inscreveu no corpo humano – no corpo de cada homem e cada mulher – uma nova dignidade, dado que nEle mesmo o corpo humano foi admitido, juntamente com a alma, à União com a pessoa do Filho-Verbo (TdC 56)

E entendendo o seu profundo amor, é momento de entregar a Ele a nossa sexualidade, para que Ele cure nossas feridas passadas e para que, entendendo o alto preço em que fomos comprados, não entreguemos nossos corpos aos outros em uma vivência desequilibrada da nossa sexualidade. É pelo sangue de Jesus que fomos salvos e este sangue é disponível a nós hoje, e nos dá a oportunidade de buscarmos nele a nossa santidade.

A Teologia do Corpo é o antídoto contra os erros do mundo e são estes erros, os nossos pecados, que feriram de morte Jesus. Então, quando buscamos viver nossa sexualidade conforme o desejo de Deus, temos a oportunidade de dizer ao Senhor que nós entendemos o amor Dele por nós, que sua morte não foi em vão.

Com seu corpo, Jesus ressuscitou conforme as escrituras e abriu para nós a porta do céu e nos preparou um lugar, onde iremos também com nossos corpos.

Com a ressurreição o Senhor traz a nós a esperança, a firme esperança de que todo o sofrimento que temos aqui na Terra terá consolação.

A ressurreição, celebrada na Vigília Pascal e no Domingo da Páscoa, nos mostra o poder da redenção, um poder que destrói o pecado. Ela nos mostra que nossos sofrimentos não são em vão, assim como a morte do Senhor não foi em vão.

Mostra a cada um de nós que podemos viver uma sexualidade redimida, nos dá uma razão para crer no amor. Nos dá uma meta e nos mostra que todas as renúncias em busca da pureza valem a pena.

A ressurreição traz a nós a alegria de sabermos que experimentamos com nossos corpos um Deus que é mais poderoso do que a morte e que ressuscitou para nos mostrar qual o nosso destino final.

A ressurreição nos dá a esperança de vivermos para sempre com Deus, e por isso busca-lo já agora deve ser o sentido da nossa vida.

“Na ressurreição, o corpo voltará à perfeita unidade e harmonia com o espírito: o homem já não experimentará a oposição entre o que nele é espiritual e o que é corpóreo” (TdC 67)

Convidamos você a viver esta esperança: Abra-se à ação da ressurreição em sua vida!

Aproveite este sábado para ainda contemplar a paixão do Nosso Senhor e experimentar do seu amor. Logo mais tarde, celebre o poder de Deus sobre a morte, sobre o pecado e sobre sua história pessoal! 

Grite ao mundo que Ele ressuscitou porque te ama, porque te destinou para estar para sempre em união com Ele!

Comunidade Católica Gratidão

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