sexta-feira, 27 de junho de 2014

Exercícios em Teologia do Corpo: A Virgindade e o Celibato

Continuando os nossos estudos em Teologia do Corpo, deixamos para você um vídeo da Escola da Fé sobre a Virgindade e o Celibato. Fiquem com Deus!


O adorável Coração de Jesus - Papa Pio XII




 Hoje é festa do Sagrado Coração de Jesus! Dia de agradecermos a Jesus por seu coração dado por nós!

Separamos um trecho da Encíclica HAURIETIS AQUAS, do Papa Pio XII para que você mergulhe no mistério do coração amoroso de Jesus:

"(...)O adorável coração de Jesus Cristo pulsa de amor ao mesmo tempo humano e divino desde que a virgem Maria pronunciou aquela palavra magnânima: "Fiat", e o Verbo de Deus, como nota o Apóstolo, "ao entrar no mundo disse: Não quiseste sacrifício nem oferenda, mas me apropriaste um corpo; holocaustos pelo pecado não te agradaram. Então disse: Eis que venho: segundo está escrito de mim no princípio do livro, para cumprir, ó Deus, a tua vontade... Por esta vontade, pois, somos santificados pela oblação do corpo de Cristo feita uma só vez" (Hb 10,5-7.10). De maneira semelhante palpitava de amor o seu coração, em perfeita harmonia com os afetos da sua vontade humana e com o seu amor divino, quando, na casa de Nazaré, ele mantinha aqueles celestiais colóquios com sua dulcíssima Mãe e com seu pai putativo, s. José, a quem obedecia e com quem colaborava no fatigante ofício de carpinteiro. Esse mesmo tríplice amor movia o seu coração nas suas contínuas excursões apostólicas, quando realizava aqueles inúmeros milagres, quando ressuscitava os mortos ou restituía a saúde a toda sorte de enfermos, quando sofria aqueles trabalhos, suportava o suor, a fome e a sede; nas vigílias noturnas passadas em oração a seu Pai amado; e, finalmente, nos discursos que pronunciava e nas parábolas que propunha, especialmente naquelas que tratam da misericórdia, como a da dracma perdida, a da ovelha desgarrada e a do filho pródigo. Nessas palavras e nessas obras, como diz Gregório Magno, manifesta-se o próprio coração de Deus. "Conhece o coração de Deus nas palavras de Deus, para que com mais ardor suspires pelas coisas eternas".(26)

De amor ainda maior pulsava o coração de Jesus Cristo quando da sua boca saíam palavras que inspiravam amor ardente. Assim, para dar algum exemplo, quando, ao ver as turbas cansadas e famintas, ele disse: "Tenho compaixão desta multidão" (Mc 8, 2), e quando, ao avistar Jerusalém, a sua cidade predileta, destinada a uma ruína fatal por causa da sua obstinação no pecado, exclamou: "Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados: quantas vezes eu quis recolher teus filhos, como a galinha recolhe debaixo das asas os seus pintinhos, e não o quiseste!" (Mt 23, 37). O seu coração também palpitou de amor para com seu Pai, e de santa indignação, quando ele viu o comércio sacrílego que se fazia no templo, e verberou os violadores com estas palavras: "Escrito está: minha casa será chamada casa de oração; mas vós fizestes dela uma espelunca de ladrões" (Mt 21, 13).

Pois o seu coração bateu particularmente de amor e de pavor quando ele viu iminente a hora dos seus cruéis padecimentos, e quando experimentando uma repugnância natural às dores e à morte, exclamou: "Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice" (Mt 26,39); palpitou com amor invicto e com suma amargura quando, ao receber o beijo do traidor, dirigiu-lhe aquelas palavras que parecem o convite último do seu coração misericordioso ao amigo que com ânimo ímpio, infiel e obstinado, devia entregá-lo aos seus algozes: "Amigo, a que vieste? Com um beijo entregas o Filho do homem?" (Mt 26, 50; Lc 22, 48); palpitou de compaixão e de amor íntimo quando disse às piedosas mulheres que choravam a sua imerecida condenação ao suplício da cruz: "Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai por vós mesmas e por vossos filhos..., pois, se assim tratam a árvore verde, que se não fará à seca?" (Lc 23, 28.31).

Finalmente, quando o divino Redentor pendia da cruz, sentiu o seu coração arder dos mais vários e veementes afetos, isto é, de afetos de amor ardente, de consternação, de misericórdia, de desejo inflamado, de paz serena; afetos claramente manifestados naquelas palavras: "Pai, perdoa-lhes; porque eles não sabem o que fazem" (Lc 23, 34); "Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?" (Mt 27, 46); "Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso" (Lc 23, 43); "Tenho sede" (Jo 19, 28); "Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito" (Lc 23, 46).(...)

Para ler o restante do documento acesse: http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_15051956_haurietis-aquas_po.html

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Solenidade de Corpus Christi e a Teologia do Corpo




A solenidade de Corpus Christi é uma festa em honra a Jesus Eucarístico. Nela, segundo o código de direito canônico (944), devemos manifestar 'o testemunho público de veneração para com a Santíssima Eucaristia' e 'onde for possível haja procissão pelas vias públicas'. Mas que relação teria o que comemoramos nesse dia com a Teologia do Corpo?

Jesus, para permanecer no meio de nós, quando instituiu Sua presença na Eucaristia, disse: “Isso é o meu corpo que é dado por vós” (Lc 22,19). Um grande mistério de DOAÇÃO E COMUNHÃO, a presença de Jesus em corpo, sangue, alma e divindade.

O corpo de Cristo é “dado por nós e por muitos” para que permaneçamos em comunhão com Ele. Essas duas palavras, doação e comunhão, têm forte ligação também com nossos estudos sobre a teologia do Corpo.

Jesus nos dá Seu Corpo, entrega-se até a morte para que tenhamos vida. É o supremo do dom de si, dom do Amor que é mais forte que a morte e, por isso mesmo, alcança o supremo fruto da salvação. Assim, nos ensina a ofertar nossa vida, nossos corpos, por amor a Deus e aos homens. Somente dando-nos inteiramente é que encontraremos sentindo nessa vida. “Quem perde a sua vida por amor a mim a encontrará.” (Mt 16,25).

Jesus também derrama por nós o Seu Sangue. Derrama cada gota, até a morte, para que tenhamos vida. O sacrifício, a dor e a morte são transformados em ato de doação. Como o grão de trigo que precisa morrer para gerar vida. Essa é a transformação que o dom da Eucaristia nos impele a fazer: morrer para nós mesmos, para nossas paixões, para os nossos egoísmos, e nos transformarmos em sacrifício de amor, em doação para os outros.

A Eucaristia, além de mistério de doação e sacrifício, é alimento para a nossa comunhão. Um alimento comum é absorvido por nosso organismo e torna-se parte de nós. Já o Corpo de Cristo, comungado por nós, transforma-nos Nele mesmo. Somos nós a ser assimilados por Ele nessa comunhão. Essa realidade nos faz lançar um olhar para comunhão de pessoas à qual fomos criados e à qual somos destinados, um com os outros e com Deus.

Porque somos unidos ao Corpo de Cristo, somos um com nossos irmãos. Não é possível estar em comunhão com Cristo sem estar em comunhão com o próximo, que também é parte de Seu Corpo. Por isso, a Eucaristia é dom de comunhão que vence a divisão.

Podemos também remeter essa dimensão da comunhão para nossa unidade de corpo e alma. O dom Eucarístico também é alimento que nutre corpo e alma, fortalecendo o homem em sua integralidade e, por isso, ressaltando a dignidade do corpo. Devemos ainda ressaltar a comunhão entre masculino e feminino, iguais em dignidade, mas complementares na unidade do Corpo de Cristo, a Igreja. Mais uma vez, é a comunhão que vence a divisão.

Neste dia de louvor e gratidão pela presença de Jesus em nosso meio na Eucaristia, somos convidados a oferecer nossa vida a Deus, à Igreja e aos irmãos como um dom de amor.

Comunidade Católica Gratidão

Origem da solenidade de Corpus Christi


Conheça a origem da festa de Corpus Christi:


sexta-feira, 13 de junho de 2014

Exercícios Espirituais - Teologia do Corpo



“Nem todos compreendem esta linguagem, mas apenas aqueles a quem isso é dado. Há eunucos que nasceram assim do seio materno, há os que se tornaram eunucos pela interferência dos homens, e há aqueles que se fizeram eunucos a si mesmos por amor do reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda” (Mt 19, 11-12).

Trecho da catequese n. 79ª - O celibato é renúncia feita por amor – 21/04/1982

“O “Reino dos Céus” é certamente a realização definitiva das aspirações de todos os homens, aos quais dirige Cristo a sua mensagem: é a plenitude do bem, que o coração humano deseja acima dos limites de tudo o que pode ser o seu quinhão na vida terrena; é a máxima plenitude do prêmio para o homem, da parte de Deus. Parece, todavia, que para esclarecer o que é o Reino dos Céus para aqueles que por causa dele escolhem a continência voluntária, tem particular significado a revelação da relação esponsal de Cristo com a Igreja.

Cristo, não há dúvida que pronuncia o seu apelo à continência na perspectiva do “outro mundo”, mas neste apelo põe em relevo tudo aquilo em que se exprime o realismo temporal da decisão para tal continência, decisão ligada com a vontade de participar na obra redentora de Cristo.

Assim, portanto, à luz das respectivas palavras de Cristo referidas por Mateus, emergem, sobretudo, a profundidade e a seriedade da decisão de viver a continência “para o reino”, e encontra expressão o momento da renúncia que tal decisão exige.

Sem dúvida, mediante tudo isto, mediante a seriedade e a profundidade da decisão, mediante a severidade e a responsabilidade que ela comporta, transparece e reluz o amor: o amor como disponibilidade do dom exclusivo de si pelo “reino de Deus”.

Cristo não esconde aos seus discípulos o fato de que a escolha da continência “por amor do Reino dos Céus” é uma renúncia.

É próprio do coração humano aceitar as exigências, até difíceis, em nome do amor por um ideal e, sobretudo, em nome do amor para com a pessoa (o amor, de fato, é por essência orientado para a pessoa). E, portanto, naquele apelo para a continência “por amor do Reino dos Céus”, primeiro os mesmos discípulos e depois toda a Tradição viva da Igreja cedo descobrirão o amor que se refere a Cristo mesmo, como Esposo da Igreja, Esposo das almas, às quais Ele se deu a Si mesmo totalmente, no mistério da sua Páscoa e da Eucaristia.

Deste modo, a continência “por amor do Reino dos Céus”, a opção pela virgindade ou pelo celibato para toda a vida, tornou-se na experiência dos discípulos e dos seguidores de Cristo o ato de uma resposta particular do amor do Esposo Divino, e por conseguinte adquiriu o significado de um ato de amor esponsal: isto é, de um dom esponsal de si, a fim de retribuir de modo particular o amor esponsal do Redentor; um dom de si entendido como renúncia, mas feito sobretudo por amor.”

Meditando sobre o Evangelho e o trecho da catequese acima proposto, percebemos que o celibato por amor ao reino de Deus é um sinal, nesta vida, da nossa vida com Deus no céu. Sabemos que nem todos tem o chamado ao estado de vida do celibato, mas somos todos chamados a renunciarmos a nós mesmos por amor a Deus.


Diante disso, propomos uma reflexão sobre o que nós temos renunciado por amor a Deus. Temos renunciado às nossas imperfeições, aos nossos pecados, às nossas más inclinações? Em nome do amor a Jesus, temos vivido as renuncias da nossa vida cristã? Onde nossa resposta foi negativa e percebemos que ainda não colocamos Jesus em primeiro lugar, façamos um firme propósito de escolhê-Lo.

domingo, 8 de junho de 2014

Homilia do Papa Francisco na solenidade de Pentecostes




Basílica Vaticana
Domingo, 8 de junho de 2014

Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal

“Ficaram todos cheios do Espírito Santo” (At 2, 4).

Falando aos Apóstolos na Última Ceia, Jesus disse que, depois da sua partida deste mundo, enviaria a eles o dom do Pai, isso é, o Espírito Santo (cfr Jo 15, 26). Esta promessa se realiza com poder no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desce sobre os discípulos reunidos no Cenáculo. Aquela efusão, embora extraordinária, não permaneceu única e limitada àquele momento, mas é um evento que se renovou e se renova ainda. Cristo glorificado à direita do Pai continua a realizar a sua promessa, enviando sobre a Igreja o Espírito vivificante, que nos ensina e nos recorda e nos faz falar.

O Espírito Santo nos ensina: é o Mestre interior, nos guia pelo caminho certo, através das situações da vida. Ele nos ensina a estrada, o caminho. Nos primeiros tempos da Igreja, o cristianismo era chamado “o caminho” (cfr At 9, 2) e o próprio Jesus é o Caminho. O Espírito Santo nos ensina a segui-lo, a caminhar seguindo seus passos. Mais que um mestre de doutrina, o Espírito Santo é um mestre de vida. E da vida faz parte certamente também o saber, o conhecer, mas dentro do horizonte mais amplo e harmônico da existência cristã.

O Espírito Santo nos recorda, nos recorda tudo aquilo que Jesus disse. É a memória viva da Igreja. E enquanto nos faz recordar, nos faz entender as palavras do Senhor.

Este recordar no Espírito e graças ao Espírito não se reduz a um fato mnemônico, é um aspecto essencial da presença de Cristo em nós e na sua Igreja. O Espírito de verdade e de caridade nos recorda tudo aquilo que Jesus disse, nos faz entrar sempre mais plenamente no sentido das suas palavras. Todos nós temos esta experiência: um momento, em qualquer situação, há uma ideia e depois uma outra se conecta com um trecho da Escritura… É o Espírito Santo que nos faz fazer este caminho: o caminho da memória viva da Igreja. E isto pede de nós uma resposta: mais a nossa resposta é generosa, mais as palavras de Jesus se tornam em nós vida, se tornam atitudes, escolhas, gestos, testemunho. Em essência, o Espírito nos recorda o mandamento do amor e nos chama a vivê-lo.

Um cristão sem memória não é um verdadeiro cristão: é um cristão pelo meio do caminho, é um homem ou uma mulher prisioneiro do momento, que não sabe fazer tesouro da sua história, não sabe lê-la e vivê-la como história de salvação. Em vez disso, com a ajuda do Espírito Santo, podemos interpretar as inspirações interiores e os acontecimentos da vida à luz das palavras de Jesus. E assim cresce em nós a sabedoria da memória, a sabedoria do coração, que é um dom do Espírito. Que o Espírito Santo reavive em todos nós a memória cristã! E naquele dia, com os Apóstolos, havia uma Mulher da memória, aquela que desde o início meditava sobre todas aquelas coisas no seu coração. Havia Maria, nossa Mãe. Que Ela nos ajude neste caminho da memória.

O Espírito Santo nos ensina, nos recorda e – um outro traço – nos faz falar, com Deus e com os homens. Não há cristãos mudos, mudos de alma; não, não há lugar para isto.
Faz-nos falar com Deus na oração. A oração é um dom que recebemos gratuitamente; é diálogo com Ele no Espírito Santo, que reza em nós e nos permite nos dirigirmos a Deus chamando-O de Pai, Pai, Abbà (cfr Rm 8, 15; Gal 4, 4); e isto não é só um “modo de dizer”, mas é a realidade, nós somos realmente filhos de Deus. “Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8, 14).

Faz-nos falar no ato de fé. Ninguém de nós pode dizer: “Jesus é o Senhor” – ouvimos isso hoje – sem o Espírito Santo. E o Espírito nos faz falar com os homens no diálogo fraterno. Ajuda-nos a falar com os outros reconhecendo neles os irmãos e as irmãs; a falar com amizade, com ternura, com brandura, compreendendo as angústias e as esperanças, as tristezas e as alegrias dos outros.

Mas tem mais: o Espírito Santo nos faz falar também aos homens na profecia, isso é, fazendo-se “canais” humildes e dóceis da Palavra de Deus. A profecia é feita com franqueza, para mostrar abertamente as contradições e as injustiças, mas sempre com brandura e intenção construtiva. Penetrados pelo Espírito de amor, podemos ser sinais e instrumentos de Deus que ama, que serve que dá a vida.

Recapitulando: o Espírito Santo nos ensina o caminho; nos recorda e nos explica as palavras de Jesus; nos faz rezar e dizer ‘Pai’ a Deus, nos faz falar aos homens no diálogo fraterno e nos faz falar na profecia.

O dia de Pentecostes, quando os discípulos “ficaram todos cheios do Espírito Santo”, foi o batismo da Igreja, que nasce “em saída”, “em partida” para anunciar a todos a Boa Notícia. A Mãe Igreja, que parte para servir. Recordemos a outra Mãe, a nossa Mãe que partiu com prontidão, para servir. A Mãe Igreja e a Mãe Maria: todas as duas virgens, todas as duas mães, todas as duas mulheres. Jesus foi peremptório com os apóstolos: não deveriam se afastar de Jerusalém antes que tivessem recebido do alto a força do Espírito Santo (cfr At 1, 4.8). Sem Ele não há missão, não há evangelização. Por isso com toda a Igreja, a nossa Mãe Igreja católica invoquemos: Vem, Santo Espírito!


sexta-feira, 6 de junho de 2014

Testemunho - Teologia do Corpo



A Teologia do Corpo veio como um reluzente tesouro em minha vida, em minha história.

Começo meu testemunho sobre as maravilhas que o Senhor realiza em minha vida através da Teologia do Corpo.

Eu não entendia o sentido da sexualidade e o Senhor veio me revelar o significado esponsal do corpo. Que alegria! Que grande manifestação de amor de Deus por mim! A TdC me revela que ser esponsal é ser capaz de dar amor, e que assim, eu como mulher, constituída de um corpo fui feita para amar. O que vem dar sentido à minha vida, à minha sexualidade, à minha vocação é o amor! Posso contemplar a beleza de ser mulher, constituída de dignidade e que na minha feminilidade não só posso, mas devo manifestar o meu amor pelo outro. Posso compreender hoje que amor não reduz a objeto, mas é total, fiel, livre e fecundo. Amor que faz de si dom para o outro.

E uma das coisas que muito falou ao meu coração, é que sim eu sou inteiramente do Senhor, não só minha alma, meu espírito pertencem a Ele, mas todo o meu ser, constituído e formado segundo o desejo do Pai, como uma a perfeita obra da criação. Que não há uma divisão, mas por completo (corpo e alma) minha adoração é rendida ao Senhor, onde exteriorizo, através do meu corpo o que carrego dentro de mim, em meu coração. Percebi que fui sonhada e desejada desde o princípio e assim também, me fez redescobrir amada, pois meu corpo foi sonhado e desejado, e assim sou templo do Espírito. Que sim, sou reflexo do próprio Deus, pois lá no princípio fui feita a sua imagem e semelhança.

O Senhor vem me mostrar que a vivencia da castidade não é lei, mas sim uma resposta do meu coração ao infinito que tanto anseio. A espera feliz pela realização do dom sacramental que se manifestará no meu estado de vida. Viver a castidade é ser fiel ao meu marido sem ao menos tê-lo. É ser sustentada diariamente pela alegria da espera do que há de vir, alimentada pela Sagrada Eucaristia, pois como diz São Felipe Neri: “Somente a Comunhão pode conservar puro um coração aos vinte anos. Não pode haver castidade sem Eucaristia.” Pois somente a busca constante pelo querer de Deus que pode fazer do meu coração, no auge de minha juventude, viver alegremente a castidade.

Deus vem por meio da TdC curar feridas em meu coração quanto ao amor, que eu tanto quis guardar em mim mesmo, e me faz entender diariamente, que o amor foi colocado em mim para doa-lo, me faz olhar para Cristo e contemplar a maior prova de amor doado e entregue. Um amor que não se conteve nem se limitou, mas doou-se inteiramente por mim e por toda a humanidade.

Ainda sim, com tudo que o Senhor realizou em minha vida durante esse tempo de formação, tenho a graça de concluir minha partilha nas oitavas de Páscoa, tempo que com muita alegria em meu coração, com o  grito de Glória que ainda ressoa dentro de mim, declaro as maravilhas dadas por Cristo a mim pela sua Redenção. A alegria própria de quem no seu próprio corpo pode contemplar a Salvação de Deus. Que foi pela concepção, vida, morte e ressurreição do próprio Deus que se fez homem, pode nos redimir, nós homens feridos pelo pecado inserido ao mundo, e um  Deus tão rico em amor e misericórdia que hoje cumpri suas promessas em minha vida. A alegria de saber que sim, o meu corpo entra pela porta da frente da teologia a partir do momento que Cristo se encarnou e viveu como totalmente homem e totalmente Deus. Percebo que hoje em minha vida, tudo há um novo sentido, e que realmente a Teologia do corpo veio, me curar e me levar a compreender que com meu corpo vivo a redenção trazida por Cristo, dada a mim pela Cruz. Posso gritar, em alta voz, RESSUSCITOU, do abismo da morte me salvou, abrindo para mim a porta, dando-me a esperança do lugar onde também o contemplarei em perfeita união, de meu corpo e alma.

O que poderei retribuir ao Senhor Deus, por tudo aquilo que ele fez em meu favor? Por toda a obra de Salvação de Deus em minha vida, rendo toda minha Gratidão, Àquele que tudo fez em meu favor! E assim concluo minha partilha, bendizendo a Deus não só com palavras, mas contemplando-O com todo o meu corpo, minha alma e meu coração. E assim ser sempre, inteiramente, uma resposta de gratidão a Ele.
Nathália Souza

terça-feira, 3 de junho de 2014

Convite - Manhã de Formação em Teologia do Corpo

"Como é que eu posso viver a minha vida de forma a que esta me traga a verdadeira felicidade?". Essa pergunta muitas vezes invade o nosso coração e, para respondê-la, contamos com nosso querido São João Paulo II: "A revelação cristã conhece dois modos específicos de realizar a vocação da pessoa humana, na sua totalidade, para o amor: o matrimônio e o celibato. Quer um quer outro, na sua respectiva forma própria, são a concretização da verdade mais profunda do homem, o seu 'ser à imagem de Deus'".

Para saber mais sobre a vida de felicidade do Celibato, te convidamos para participar do nosso próximo encontro de formação em Teologia do Corpo.

Tema: O celibato por causa do reino dos céus (As palavras de Cristo, a antecipação da futura ressurreição e o significado esponsal do corpo)
Dia: 07/06, próximo sábado
Horário: 08h30
Local: Rua 12, Chácara 143/1, Casa 05 – Vicente Pires (sede da Comunidade Gratidão)
Inscrições: R$10,00.

“Celibato pelo Reino significa 'o homem ressuscitado, em [quem] o absoluto e eterno significado esponsal do corpo glorificado será revelado em união com o próprio Deus'” (João Paulo II, TdC 75)

Esperamos por você! 



Exercício de Formação em Teologia do Corpo - Texto para reflexão




O dom esponsal de Cristo na cruz

Por Christopher West

Vou refletir aqui sobre o mistério do Corpo de Cristo “entregue por nós” na cruz. Gostaria de falar a partir de um ponto de vista familiar aos místicos de nossa tradição, mas infelizmente não familiar à maioria dos católicos nos bancos das igrejas. É uma ideia que, se a meditarmos em oração, pode nos ajudar a resgatar a santidade do corpo e da união marital. É a ideia da cruz como o “leito nupcial” de Cristo – o lugar onde ele consuma seu amor pela Sua Esposa, a Igreja.

Essa imagem pode fazer levantar algumas sobrancelhas, mas ela não precisa ser causa de escândalo, basta compreendermos corretamente o simbolismo esponsal da Bíblia. Como observa o Catecismo, “Toda a vida cristã traz a marca do amor esponsal de Cristo e da Igreja. Já o Batismo... é um mistério nupcial; é, por assim dizer, o banho das núpcias que precede o banquete de núpcias, a Eucaristia” (CIC 1617). Podemos também relembrar as últimas palavras de amor de Cristo, proferidas da cruz para a Sua Esposa: “Está consumado” (Jo 19,30).

Santo Agostinho escreveu: “Como um noivo, Cristo saiu de seus aposentos... Ele veio para o leito nupcial da cruz, e sendo levantado nela, consumou seu matrimônio. E quando Ele percebeu os suspiros de sua criatura, amorosamente Ele se entregou aos tormentos no lugar de sua Esposa e uniu-se a ela para sempre” (Sobre o Casamento). Santa Matilde, uma mística alemã do século XIII, espelhou a mesma ideia quando escreveu que “o nobre leito nupcial [de Cristo] foi a mesma dura madeira da Cruz, a qual Ele aceitou com maior júbilo e ardor do que um noivo cheio de satisfação".

A primeira vez que ouvi essa ideia da cruz como “leito nupcial” foi através do Bispo Fulton Sheen, em uma palestra gravada que ouvi alguns anos atrás. A voz forte de Sheen ainda ecoa em minha mente: “Vocês sabem o que está acontecendo aos pés da cruz?”, ele perguntou. “Núpcias, é o que está havendo! Núpcias!”. Assim como Agostinho, ele então descreveu a cruz como o “leito nupcial” que Ele aceitou não no prazer, mas na dor, a fim de unir-se para sempre com sua Esposa. O bom bispo continuou explicando que sempre que Jesus chama Maria de “mulher” (tal como ocorreu nas Bodas de Caná e na cruz), Ele está falando como o novo Adão para a nova Eva, o Esposo para a Esposa. Aqui, é claro, as relações estão fora da esfera do sangue. O fato de que a mãe de Cristo é a “mulher”, simbolizando sua Esposa, não precisa nos preocupar. O matrimônio do novo Adão e da nova Eva, consumado na cruz, é místico e virginal. O próprio Catecismo refere-se à essa “mulher” (Maria) como a “Esposa do Cordeiro” (CIC 1138). Contemplar esse simbolismo esponsal nos abre verdadeiros tesouros. Assim como o primeiro Adão foi colocado em um sono profundo e Eva veio de seu lado, assim o novo Adão aceitou o sono da morte e a nova Eva nasceu de seu lado (ver CIC 766). Normalmente isso é figurado artisticamente como uma imagem da “mulher” (Maria) segurando um cálice – ou algumas vezes um largo jarro, reminiscência de Caná – aos pés da cruz, recebendo o fluxo de sangue e água que saíam do lado de Cristo. O sangue e a água, é claro, simbolizam o “banho de núpcias” do Batismo e a “festa nupcial” da Eucaristia.

E ainda há mais coisas aqui! A união mística do novo Adão e da nova Eva já rende frutos sobrenaturais. “Mulher, eis aí teu filho!”. Então, Ele disse para seu discípulo, “Eis aí tua mãe!” (Jo 19,26-27). Podem-se escrever essas palavras de Cristo de outro modo: “Mulher, eis que dás à luz um novo filho”. O sofrimento de Maria aos pés da cruz são suas dores de parto ao dar à luz todos os filhos da Igreja. Aqui o discípulo amado (João) representa toda a descendência “nascida de novo, não de uma semente corruptível, mas incorruptível” (1Pe 1,23), “não do sangue,... mas de Deus” (Jo 1,13).

São Paulo não estava brincando quando descreveu a união dos esposos como um “grande mistério”, que se refere a Cristo e a Igreja (ver Ef 5,31-32). Jesus, abri nossos corações novamente para esse “grande mistério”, revelado através do vosso corpo entregue por nós no “leito nupcial” da cruz. Amém.

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