sexta-feira, 13 de junho de 2014

Exercícios Espirituais - Teologia do Corpo



“Nem todos compreendem esta linguagem, mas apenas aqueles a quem isso é dado. Há eunucos que nasceram assim do seio materno, há os que se tornaram eunucos pela interferência dos homens, e há aqueles que se fizeram eunucos a si mesmos por amor do reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda” (Mt 19, 11-12).

Trecho da catequese n. 79ª - O celibato é renúncia feita por amor – 21/04/1982

“O “Reino dos Céus” é certamente a realização definitiva das aspirações de todos os homens, aos quais dirige Cristo a sua mensagem: é a plenitude do bem, que o coração humano deseja acima dos limites de tudo o que pode ser o seu quinhão na vida terrena; é a máxima plenitude do prêmio para o homem, da parte de Deus. Parece, todavia, que para esclarecer o que é o Reino dos Céus para aqueles que por causa dele escolhem a continência voluntária, tem particular significado a revelação da relação esponsal de Cristo com a Igreja.

Cristo, não há dúvida que pronuncia o seu apelo à continência na perspectiva do “outro mundo”, mas neste apelo põe em relevo tudo aquilo em que se exprime o realismo temporal da decisão para tal continência, decisão ligada com a vontade de participar na obra redentora de Cristo.

Assim, portanto, à luz das respectivas palavras de Cristo referidas por Mateus, emergem, sobretudo, a profundidade e a seriedade da decisão de viver a continência “para o reino”, e encontra expressão o momento da renúncia que tal decisão exige.

Sem dúvida, mediante tudo isto, mediante a seriedade e a profundidade da decisão, mediante a severidade e a responsabilidade que ela comporta, transparece e reluz o amor: o amor como disponibilidade do dom exclusivo de si pelo “reino de Deus”.

Cristo não esconde aos seus discípulos o fato de que a escolha da continência “por amor do Reino dos Céus” é uma renúncia.

É próprio do coração humano aceitar as exigências, até difíceis, em nome do amor por um ideal e, sobretudo, em nome do amor para com a pessoa (o amor, de fato, é por essência orientado para a pessoa). E, portanto, naquele apelo para a continência “por amor do Reino dos Céus”, primeiro os mesmos discípulos e depois toda a Tradição viva da Igreja cedo descobrirão o amor que se refere a Cristo mesmo, como Esposo da Igreja, Esposo das almas, às quais Ele se deu a Si mesmo totalmente, no mistério da sua Páscoa e da Eucaristia.

Deste modo, a continência “por amor do Reino dos Céus”, a opção pela virgindade ou pelo celibato para toda a vida, tornou-se na experiência dos discípulos e dos seguidores de Cristo o ato de uma resposta particular do amor do Esposo Divino, e por conseguinte adquiriu o significado de um ato de amor esponsal: isto é, de um dom esponsal de si, a fim de retribuir de modo particular o amor esponsal do Redentor; um dom de si entendido como renúncia, mas feito sobretudo por amor.”

Meditando sobre o Evangelho e o trecho da catequese acima proposto, percebemos que o celibato por amor ao reino de Deus é um sinal, nesta vida, da nossa vida com Deus no céu. Sabemos que nem todos tem o chamado ao estado de vida do celibato, mas somos todos chamados a renunciarmos a nós mesmos por amor a Deus.


Diante disso, propomos uma reflexão sobre o que nós temos renunciado por amor a Deus. Temos renunciado às nossas imperfeições, aos nossos pecados, às nossas más inclinações? Em nome do amor a Jesus, temos vivido as renuncias da nossa vida cristã? Onde nossa resposta foi negativa e percebemos que ainda não colocamos Jesus em primeiro lugar, façamos um firme propósito de escolhê-Lo.

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