sexta-feira, 25 de julho de 2014

Exercícios Espirituais - A submissão recíproca no temor de Cristo





“Sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo. As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador”. Ef 5

Trecho da Catequese 89: A submissão recíproca "no temor de Cristo".

1. Iniciamos hoje uma análise mais particularizada do trecho da carta aos Efésios 5, 21-33. O Autor, dirigindo-se aos cônjuges, recomenda-lhes que sejam "submissos uns aos outros no temor de Cristo" (5, 21).
Trata-se aqui de uma relação com dupla dimensão ou de duplo grau: recíproco e comunitário. Um precisa e caracteriza o outro. As relações recíprocas do marido e da mulher devem brotar da comum relação de ambos com Cristo. O Autor da carta fala do "temor de Cristo" num sentido análogo a quando fala do "temor de Deus". Neste caso, não se trata de temor ou medo, que é a atitude defensiva diante da ameaça do mal, mas trata-se sobretudo de respeito pela santidade, pelo sacrum; trata-se da pietas, que na linguagem do Antigo Testamento foi expressa ainda com o termo "temor de Deus" (cf. por ex. Sl 103, 11; Pr 1, 7; 23, 17; Sir 1, 11-16). Com efeito, tal pietas, nascida da profunda consciência do mistério de Cristo, deve constituir a base das recíprocas relações entre os cônjuges.
(...).

3. A expressão que abre o nosso trecho de Ef 5, 21-33, do qual nos estamos a aproximar graças à análise do contexto remoto e imediato, tem eloquência muito particular. O Autor fala da mútua submissão dos cônjuges, marido e mulher, e de tal modo faz também compreender como é necessário entender as palavras que escreverá em seguida sobre a submissão da mulher ao marido. Com efeito lemos: "As mulheres sejam submissas aos maridos como ao Senhor" (5, 22). Exprimindo-se assim, o Autor não pretende dizer que o marido é "patrão" da mulher e que o pacto interpessoal próprio do matrimónio é um pacto de domínio do marido sobre a mulher. Exprime, pelo contrário, outro conceito: que a mulher, na sua relação com Cristo — que é para ambos os cônjuges único Senhor — pode e deve encontrar a motivação daquela relação com o marido, que brota da essência mesma do matrimónio e da família. Tal relação, todavia, não é submissão unilateral. O matrimónio, segundo a doutrina da carta aos Efésios, exclui aquela componente do pacto que pesava e, por vezes, não deixa de pesar sobre esta instituição. O marido e a mulher são de fato "submissos um ao outro", estão reciprocamente subordinados. A fonte desta recíproca submissão está na pietas cristã, e a sua expressão é o amor.

4. O Autor da carta sublinha de modo particular este amor, dirigindo-se aos maridos. Escreve de fato: "E vós, maridos, amai as vossas mulheres...", e com este modo de exprimir-se tira qualquer temor que poderia suscitar (dada a sensibilidade contemporânea) a frase precedente: "As mulheres sejam submissas aos maridos". O amor exclui todo o gênero de submissão, pelo qual a mulher se tornasse serva ou escrava do marido, objeto de submissão uni lateral. O amor faz que ao mesmo tempo também o marido seja submisso à mulher, e submisso nisto ao Senhor mesmo, assim como a mulher ao marido. A comunidade ou unidade, que devem constituir por causa do matrimônio, realiza-se através de uma recíproca doação, que é também submissão mútua. Cristo é fonte e ao mesmo tempo modelo daquela submissão que, sendo recíproca "no temor de Cristo", confere à união conjugal um carácter profundo e amadurecido. Múltiplos fatores de natureza psicológica ou de costumes são, nesta fonte e diante deste modelo, de tal maneira transformados que fazem brotar, diria, nova e preciosa "fusão" dos comportamentos e das relações bilaterais.

(...). Com efeito, é certo que, quando o marido e a mulher forem submissos um ao outro "no temor de Cristo", tudo encontrará o justo equilíbrio, isto é tal que há-de corresponder à vocação cristã deles no mistério de Cristo.

6. Diversa é certamente a nossa sensibilidade contemporânea, diversos são também a mentalidade e os costumes e diferente é a posição social da mulher diante do homem.

(...)
7. O Autor do texto aos Efésios, que iniciou a sua carta com magnifica visão do plano eterno de Deus para com a comunidade, não se limita a pôr em relevo só os aspectos tradicionais dos costumes ou os éticos do matrimónio, mas ultrapassa-o âmbito e o ensinamento, e, escrevendo sobre a relação recíproca dos cônjuges, descobre nela a dimensão do mistério mesmo de Cristo, de que ele é anunciador e apóstolo. "As mulheres sejam submissas aos seus maridos como ao Senhor, pois o marido é a cabeça da mulher, como. também Cristo é a Cabeça da Igreja, Seu Corpo, do qual Ele é o Salvador. E como a Igreja está submetida a Cristo, assim também as mulheres se devem submeter em tudo aos seus maridos. Maridos, amai as vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja e por ela se entregou" (5, 22-25). Deste modo, o ensinamento próprio desta parte parenética da carta é, em certo sentido, inserido na realidade mesma do mistério escondido desde a eternidade em Deus e revelado à humanidade em Jesus Cristo. Na carta aos Efésios somos testemunhas, diria, de um particular encontro daquele mistério com a essência mesma da vocação para o matrimónio. Como se deve entender este encontro?

8. No texto da carta aos Efésios ele apresenta-se primeiro que tudo como uma grande analogia. Lemos nele: "As mulheres sejam submissas aos maridos como ao Senhor...":  eis a primeira componente da analogia. "O marido é cabeça da mulher, como também Cristo é cabeça da Igreja...": eis a segunda componente, que forma o, esclarecimento e a motivação da primeira. "E como a Igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres estejam sujeitas aos seus maridos...": a relação de Cristo com a Igreja apresentada precedentemente, é agora expressa como relação da Igreja com Cristo, e nisto está compreendida a componente sucessiva da analogia. Por fim: "Maridos, amai as vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja e por ela Se entregou...": eis a última componente da analogia. O seguimento do texto da carta desenvolve o pensamento fundamental, contido na passagem agora mesmo citada; e o texto completo da carta aos Efésios no cap. cinco (vv. 21-23) está inteiramente dominado pela mesma analogia; isto é: a relação recíproca entre os cônjuges, marido e mulher, é entendida pelos cristãos à imagem da relação entre Cristo e a Igreja.


Diante da leitura da carta aos Efésios e da catequese acima, te convidamos a refletir: O que você pensa quando lê o trecho da carta aos Efésios exposto acima? O que te vem a cabeça quando se lê o termo “submissão da mulher”? Quantas vezes ouvi esse trecho da Escritura e não concordei com o que dizia? Será que entendo e aceito que a verdadeira submissão está no amor? Será que minha relação com o próximo se submete à minha relação com Cristo? Vivo o significado esponsal do meu corpo ou me fecho no egoísmo?

Agora faça uma oração pedindo que o Espírito Santo venha te convencer das verdades inscritas nas Escrituras, que Ele venha te ensinar a maneira de se submeter à Cristo e por isso se submeter ao outro, que Ele derrame sobre você o dom do temor a Deus e assim te leve a doação de si aos outros.


Virgem Maria, rogai por nós!

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