segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Uma gruta ao Inacessível




Rezar com o nascimento de Jesus é contemplar a promessa de salvação que passou e passa pela história da humanidade. Deus, para se fazer presença, não distanciou a história dos homens da salvação dos mesmos, pois esta se revelaria naquela. Basta olhar para a genealogia de Jesus, com gerações marcadas na história, desde Abraão até Ele. Assim, a promessa de salvação se revelou na história e o nascimento de Jesus Cristo se faz presente nela.

Então, a mesma história que aprendemos sobre os faraós do Egito, nos garante a existência de Jesus e a sua marca nela.

O Catecismo da Igreja Católica nos mostra que o “homem que procura a Deus descobre certas ‘vias’ para aceder ao conhecimento de Deus” (CIC, 31). Portanto, hoje, se queremos buscar a Deus podemos encontra-Lo na história humana, a revelação da promessa divina e esta faculdade que possuímos, nos torna capazes de conhecer a existência de um Deus pessoal.

“Mas, para que o homem possa entrar em sua intimidade, Deus quis revelar-se ao homem e dar-lhe a graça de poder acolher esta revelação na fé” (CIC, 35).

Deus quis comunicar sua própria vida divina aos homens. Deus quis que fôssemos capazes de conhecê-Lo, de amá-Lo e de experimentá-Lo. Por esta razão, Ele foi se revelando gradualmente ao homem, preparando-o para acolher “A Revelação”: Ele mesmo, o Verbo encarnado.

Contemplar então o nascimento de Jesus é contemplar também a realização de uma promessa que foi sendo preparada não distante do homem, mas próxima dele.

O Verbo então se fez carne para que assim conhecêssemos o amor de Deus. Assim, compreendo que toda a vida de Jesus é Revelação do Pai: suas palavras, seus gestos e neste tempo em especial, como se deu a sua vinda.

No Natal, toda a Igreja canta:

“Hoje, a Virgem traz ao mundo o Eterno
E a terra oferece uma gruta ao Inacessível
Os anjos e os pastores o louvam
E os magos caminham com a estrela
Pois Vós nascestes por nós, Menino, Deus Eterno”
(Kontakion de Romano, o Melódio)

Assim cantamos, pois sabemos que a vinda do Senhor não se deu em meio aos grandes homens. Ele, mesmo sendo rei, pobre se fez por amor ao homem. Poderíamos então pensar quanta injustiça isto implica, pois afinal, o homem não soube acolher o Deus que quis salvá-lo de suas próprias prisões. Mas não é este o desejo de Deus para nós neste Natal. Ele quer nos ensinar com este mistério da Vida de Cristo, o sentido da verdadeira adoração e salvar aqueles que hoje se sentem como grutas inalcançáveis.

Olho para aquela gruta e tento imaginar como ocorreu a primeira adoração ao Deus que se encontrava exposto. Busco no olhar de Nossa Senhora o que gritava em seu coração ao ver a realização da promessa feita a ela. Ressalto o quanto duvidaram da Verdade que ela carregava em seu ventre. E me formo, ao perceber que mesmo assim ela anunciava o Salvador que viria, não se utilizando de palavras, mas de uma santidade vivida e fundamentada na adoração.

Ao olhar para o filho recém-nascido, Nossa Senhora tinha como instrumento de adoração a contemplação. Esta que passava por sua maternidade e que entoava um magnífico canto ao escutar o choro do Menino Jesus.

Neste Natal, façamos como ela. Busquemos anunciar com a vida o Cristo que em nós habita e que ao se encontrar conosco, se faz presença, acolhe toda a nossa história e nos permite conhecer o Amor.
E em meio a este mundo que não nos acolhe por carregarmos Ele junto de nós, façamos a experiência de nos colocar naquela gruta.

Hoje, se há rejeição dos homens por querermos levar a Verdade a todas as áreas da nossa vida, neste Natal encontramos amparo naquela gruta. Feliz foi ela que, sendo pobre, se tornou morada do Deus Vivo.

Neste ano, retiro todos os falsos luxos de uma vida mundana que carreguei por muito tempo e encontro alegria em me tornar pobre e pequeno para receber o meu Deus que, assim como na história, gradualmente foi me preparando para a realização de uma promessa que Ele me fez: “Eu fui feito por Amor e para o Amor”. Faça você também esta experiência!

Convido a todos que se sentem inalcançáveis pela felicidade que não encontram em lugar nenhum, a realizar-se como aquela gruta, que simples e pobre pôde conhecer o amor de Deus revelado no primeiro choro do Menino Jesus.

Pedro Borges
Comunidade Católica Gratidão

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