terça-feira, 3 de março de 2015

50 Tons de Cinza e a Luz da Verdade



Eu tenho a certeza de que qualquer um que estiver lendo este artigo já viu “50 Tons de Cinza” ao ponto da saturação - uma quantidade inumerável de imagens, citações, estatísticas na página inicial do Facebook – sobre o filme inovador que colocou brinquedos sexuais no alvo de várias lojas (história verídica). No caso de você não ter ouvido falar, trata-se de um conto de um bilionário que busca obsessivamente uma universitária, atraindo-a para o mundo sadomasoquista no qual a dor dela traz a ele prazer sexual. Ele estreia não na noite de Halloween como você imagina, mas no dia dos namorados (Nos Estados Unidos). Sim, 50 Tons de Cinza está sendo “pintado” como uma história de amor. Entretanto, a cor principal nesta palheta ainda é o cinza.

Eu não quero falar mais sobre o filme. Não quero mais habitar neste cinza sombrio para termos o propósito deste texto. Eu quero fazer um sincero apelo a vocês todos, como homens e mulheres. Primeiro, às minhas queridas irmãs, depois aos meus irmãos, sobre qual deve ser a razão que tornou a história tão popular e como, eu espero, um bem maior pode vir disto.


Primeiro as damas:

Eu vejo 50 Tons de Cinza como um negativo distorcido do que todo coração feminino tem realmente sede e para que foi feito: obediência e submissão ao homem. Vamos qualificar esta frase, depois voltemos ao homem. O homem pelo qual as mulheres esperam não é o Christian Grey (ou qualquer outro do tipo), mas Cristo. Não o homem decaído que as domina, mas o elevado que as diviniza.

Aos irmãos:

Eu acredito que 50 Tons de Cinza é tão popular porque nós não amamos verdadeiramente as mulheres como deveríamos. Eu pego o ônus para mim mesmo, assim como todo homem. Infelizmente, é que nós somos os que deixamos as mulheres neste “quarto vermelho de dor”, mas sem sentir verdadeiramente seus corações. É a fraqueza do homem em escutar, realmente escutar.

Nossa recusa em colocar as mulheres em primeiro lugar, para honrar e enfatizar, de sentir profundamente as suas dores interiores e de ofertar carinho a elas tem levado as mulheres a buscar estas extremas torturas em sua sede pelo amor. Em uma frase, é a falha do homem em ser Homem. Amar todas as mulheres assim como Cristo amou a Igreja, entregando-se por ela.

Isto é algo duro de dizer. É uma pílula amarga de engolir, mas acredito que no fim seja um bom remédio. Vamos agora tentar entender cada sexo de forma separada ao olhá-los juntos, assim como era “no princípio”, e esperançosamente conseguiremos colocar alguma luz dourada sobre estas sombras de cinza.

Tem uma dança cósmica que todos nós deveríamos aprender com a nossa criação. Nós ainda podemos escutar alguns trechos da música que nos inspirou quando crianças e pegar a melodia nos momentos mais vulneráveis. A música foi tocada pela primeira vez no Jardim do Éden. Em seguida, ela atingiu um crescer no Calvário. As palavras dessa música são as mesmas “no princípio”, no clímax e ao final: “Este é o meu corpo que será entregue por vós”. E a resposta: “Faça-se e mim segundo a tua vontade”. A primeira frase corresponde ao desenho para a masculinidade, e a segunda para feminilidade.

No Jardim do Éden, quando nos vimos pela primeira vez, nós estávamos nus, mas não sentimos nenhuma vergonha. Olhamos um ao outro com mútuo fascínio sobre as nossas maravilhosas diferenças, em todas as curvas e em todas as fronteiras da nossa complementariedade sexual e vimos que tinha um plano glorioso para a nossa unidade. Ao ver isto, vimos que era muito bom. Quando a música tocou, a mulher a internalizou e convidou o homem para escutar a música dentro do coração dela. O homem sentiu o desejo e ansiava em entregar-se ao misterioso coração da mulher.

Estes primeiros passos da dança foram de iniciativa e acolhimento, ele se ofertando e ela aceitando. Estes passos foram feitos para serem reflexo da Grande Dança, a entrega e o assentimento que pairava tudo sobre eles, sobre os céus e a terra, a terra e os mares, do dia até o anoitecer; toda a criação cantava esta canção também. Até hoje todo ser vivo canta para nós: “Dê, receba, seja feito novo”.

2. Narram os céus a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de suas mãos.
3. O dia ao outro transmite essa mensagem, e uma noite à outra a repete.
4. Não é uma língua nem são palavras, cujo sentido não se perceba,
5. porque por toda a terra se espalha o seu ruído, e até os confins do mundo a sua voz; aí armou Deus para o sol uma tenda.
6. E este, qual esposo que sai do seu tálamo, exulta, como um gigante, a percorrer seu caminho.
(Salmo 18)

A música de amor flui do coração de um Deus Trino que é por si só um mistério de comunhão de amor entre pessoas, de doação e acolhimento, eternamente, no Pai, no Filho e no Espírito Santo. À medida que aprendemos esta música e a cantamos no mundo visível, o amor que fazemos como esposos torna-se carne e preenche a terra. No plano de Deus, este amor humano foi feito para ser imagem daquela brilhante luz vinda do Amor Divino da Santíssima Trindade.

Entra as sombras do cinza...




O que houve com esta música de amor doado? Nós paramos de cantar a Música. As notas foram dobradas, o dom preso, a pessoa se tornou uma ferramenta. A discórdia dissonante de notas ácidas da humanidade é a nossa tentativa de reescrever a Música, transformando-a de uma harmonia a uma cacofonia. De um dueto a um monólogo. O pecado é uma divisão daquilo que Deus havia unido, e é o desejo para si que transforma o contraponto de duas vozes em uma única e dominante lamentação: “Eu não irei servir”.

Queridas irmãs, o propósito de que todo coração feminino tem verdadeiramente sede por ser obediente e submissa a um homem só tem sentido à luz do Deus-Homem, Jesus. Ele é o definitivo noivo que “esvaziou-se a si mesmo, tornando-se escravo” que deu a sua vida para a sua noiva, a Igreja. Se Jesus é de fato “O Homem” então somente a obediência e submissão a Ele irá trazer para a mulher a integridade e a felicidade que ela (e toda a humanidade) verdadeiramente deseja. Em outras palavras, esta obediência e esta submissão são, na verdade, um render-se a doação de amor feita por Cristo. Obedecer significa literalmente abrir os ouvidos, escutar, para receber. Então, venha Senhor Jesus!

Queridos irmãos, o propósito de que o homem deve de fato amar a mulher como ela deseja é na realidade o nosso chamado a modelar nossas vidas à forma do amor crucificado de Cristo. Nós devemos soltar o grito “Este é meu corpo entregue por vós” em nossas vocações. Depois de recebermos o amor D’Ele, nós somos convidados a ser para mulher, um sinal temporário do eterno presente de amor D’Ele.

Eu acredito que o cerne da verdade enterrada nas profundezas pelo fenômeno 50 Tons de Cinza se encontra neste profundo desejo que todos nós, homens e mulheres, temos de se render ao Amor; de ser propriedade, de sermos totalmente ligados pelo amor. O amor do Cristo que se esvaziou de si mesmo é o nosso convite a este amor. Se nós estamos de fato abertos, obedientes a este amor, livremente entregues, então nós nos tornaremos, nas palavras do místico São João Paulo II, “possuídos pelo amado Divino”. Fazendo assim, nós encontraremos não a escravidão, mas sim a liberdade, para Cristo remover as correntes e nos livrar do cativeiro do pecado. Esta verdade pode somente nos libertar!

É ironicamente esta “liberdade” de se render à liberdade de alguém que, nas palavras de São João Paulo II, “liga-se o noivo (marido) a se preocupar com o bem da noiva (esposa); isto obriga-o a desejar esta beleza e ao mesmo tempo senti-la e cuidá-la”. Violência, escravidão e dominação do amado são completamente estranhas ao relacionamento. Elas não têm lugar aqui. Este amor que une é marcado sempre por uma ternura, que como diz o Papa, é a habilidade de sentir “toda a pessoa”, em tudo, mesmo os movimentos mais escondidos da sua alma.

Imagine uma história de amor com esta base. Imagine a claridade que iria dar e as sombras que iria fazer desaparecer. Certamente nenhum Tom de Cinza poderia aguentar isto. Senhor, dê-nos a luz da vossa face sobre nós e seremos todos salvos.


Bill Donaghy 
(começou a trabalhar nas áreas da missão e evangelização na região da Filadélfia em 1999. Através do seu antigo projeto com o Pontificial Mission Societies, ele já esteve à frente de centenas de palestras na espiritualidade da missão com os jovens, partilhando as experiências de seu trabalho missionário no Haiti, El Salvador e na República Dominicana, bem como com os paroquianos e adultos nos Estados Unidos.)
Tradução Nossa  

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