quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A humanidade manifestada nas lágrimas

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O pranto de Jesus por Jerusalém encerra um profundo mistério. O Senhor expulsou demônios, curou doentes, ressuscitou mortos, converteu publicanos e pecadores, mas em Jerusalém tropeçou com a dureza dos seus habitantes. Podemos entrever um pouco do que o seu Coração experimentou quando deparamos atualmente com a resistência de tantos que se fecham à graça, ao chamamento divino. “Por vezes, diante dessas almas adormecidas, dá uma vontade louca de gritar-lhes, de sacudi-las, de fazê-las reagir, para que saiam dessa modorra terrível em que se acham mergulhadas. É tão triste ver como andam, tateando como cegos, sem acertar com o caminho! – Como compreendo esse pranto de Jesus por Jerusalém, como fruto da sua caridade perfeita...”, já dizia São Josemaria Escrivá.

Jesus, perfeito Deus e perfeito homem, sabe amar os seus amigos, os seus íntimos e todos os homens, pelos quais deu a vida. Este amor que revela na sua aflição é a expressão humana e sensível do afeto e da compaixão com que nos vê. E hoje, nestes minutos de oração, podemos contemplar a profundidade e a delicadeza dos seus sentimentos, e compreender como Ele não é indiferente à nossa correspondência a essa amizade e salvação que nos oferece. Quantas vezes se deixa encontrar pelos que o procuram, quantas vezes se faz encontradiço dos que não o procuram!

Não deixemos de manifestar ao Senhor diariamente que somos conscientes desse amor que Ele tem por nós, um amor que está sempre à nossa espera!

Nós, os cristãos, continuamos a obra do Mestre e participamos dos sentimentos do seu Coração misericordioso. Por isso, olhando para Ele, temos de aprender a amar os nossos irmãos: os homens, a sofrer por eles e com eles, compreendendo as suas deficiências, sendo sempre cordiais e estando disponíveis e à espera da menor ocasião para ajudá-los. Quando poderemos dizer que este ou aquele coração se fechou definitivamente à graça, como os habitantes de Jerusalém? E sobretudo alguma vez poderemos dizer que fizemos por essas pessoas tudo o que Jesus fez por Jerusalém? Não nos queixemos da dureza dos corações, ou antes, queixemo-nos ao Senhor para que Ele tenha piedade e abrande esses corações.

E sejamos perseverantes na nossa ação apostólica. Não existe nunca nenhum não definitivo. Não existe “não” para a graça divina, que possa suscitar das próprias pedras filhos de Abraão. Ninguém tem maior amor que aquele que dá a vida pelos seus amigos. Ainda não chegamos a esse grau de imitação de Cristo na sua entrega por Jerusalém, pela salvação de toda a humanidade, mas no desejo de assemelhar-se a Ele no amor ao homem, levando-o a Verdade, e ao reconhecimento que é fonte de toda gratidão.

Peçamos hoje à nossa Mãe Santa Maria que nos dê um coração semelhante ao do seu Filho, que nunca nos deixe permanecer indiferentes perante a sorte dos que estão diariamente em contato conosco e à toda humanidade.

“O homem não pode viver sem amor. Torna-se um ser incompreensível para si próprio e a sua vida fica privada de sentido se não lhe for revelado o amor, se não se encontrar com o amor, se não o experimentar e tornar próprio, se não participar dele vivamente [...]. O homem que queira compreender-se profundamente a si próprio [...] deve – com a sua inquietação, a sua incerteza e mesmo com a sua fraqueza e pecaminosidade, com a sua vida e com a sua morte – aproximar-se de Cristo. Deve, por assim dizer, entrar nEle com tudo o que é em si mesmo, deve «apropriar-se» e assimilar toda a realidade da Encarnação e da Redenção, para encontrar-se a si mesmo." São João Paulo II

Se este processo profundo se desenvolver nele, então esse homem produzirá frutos, não somente de adoração de Deus, mas também de profunda maravilha perante si próprio. Que grande valor deve ter ele aos olhos do Criador, se mereceu ter um tal e tão grande Redentor (Missal Romano, Hino Exsultet da Vigília Pascal), se Deus deu o seu Filho, para que ele, o homem, não pereça, mas tenha a vida eterna(cfr. Jo 3, 16)



Nathália Souza
Comunidade Católica Gratidão

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