sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O que é ideologia de gênero?


Antes de responder o que é "ideologia de gênero", é preciso separar e explicar, em linhas gerais, cada conceito. Atualmente, as palavras "ideologia" e "gênero" fazem parte do nosso vocabulário, ou muitas vezes as escutamos, e não nos damos conta do real significado que elas têm no contexto no qual elas são utilizadas.

Primeiramente, o entendimento utilizado atualmente para a palavra "ideologia", que vem de Karl Marx (1818-1883), é de uma criação de ideias que não guardam relação ou adequação com a realidade. Ou seja, trata-se de uma incoerência ou de um erro de princípios diante da realidade. Por exemplo, estabelecer que a liberdade é a possibilidade de tudo fazer, sem limitações e que a justiça é dar condições estritamente igualitárias às pessoas. Além disso, para que a ideologia sobreviva, é necessário um grupo de pessoas que a defenda e a propague e um sistema educacional incapaz de reconhecer erros de princípios, de desconstruí-los e de estabelecer um ensino baseado na verdade, tanto de princípios como de fatos.

Naturalmente, não há como um princípio ser verdade e mentira ao mesmo tempo. Por isso, uma estratégia utilizada para propagar uma ideologia é a redefinição ou reinterpretação de princípios basilares da vida conforme interesses de um determinado grupo. Portanto, uma "ideologia" é uma criação maléfica, capaz de alterar a própria percepção da realidade das pessoas, transformando-a em uma simulação, na qual tudo pode ser verdade, ou melhor, na qual não existe uma verdade absoluta, nem princípios inegociáveis e imutáveis.

A ideia por trás da teoria de "gênero" é a de que existe um sexo biológico definitivo, mas que todas as pessoas poderiam livremente construir o próprio sexo psicológico ou, em outras palavras, o seu próprio gênero. Essa construção do "gênero" pessoal se daria social ou culturalmente. Ou seja, cada indivíduo teria a total autonomia em escolher seu "gênero", com base na sua própria percepção e na influência da sociedade. A masculinidade e a feminilidade não partiriam mais das diferenças sexuais, mas da socialização: cultura e educação, por exemplo. Assim, a pessoa nasceria "neutra" e, ao longo da sua socialização, escolheria seu "gênero".

E não é só isso! A escolha pessoal de gênero não é definitiva, mas intercambiável: se mudou a percepção pessoal e/ou a influência da sociedade, pode-se variar o gênero quantas vezes quiser.

Certo! Agora junte as duas palavras: "ideologia de gênero"! Ou seja, uma construção de ideias que contradizem a realidade sobre o que é ser homem e ser mulher, definindo as relações entre eles com base em papéis socialmente definidos.
Deixo um convite para um maior aprofundamento: o documento "A Agenda de Gênero", de Dale O’Leary, é facilmente encontrado na internet. Vale a pena ler!

Mas, segundo a ideologia de gênero, existiriam apenas os gêneros "homem" e "mulher"?

Não. Na verdade, a ideologia de gênero desconstrói o conceito de homem e de mulher, afirmando que os fatores biológicos não são os fatores determinantes na definição da identidade da pessoa humana. O "gênero" não depende da respectiva estrutura biológica, mas do processo de socialização pelo qual a pessoa passou e passa.

Por isso, uma vez que os conceitos de homem e de mulher já não fazem sentido, existiria apenas o "gênero" criado livremente por cada pessoa. Ou seja, segundo a ideologia de gênero, existiriam inúmeros ou múltiplos gêneros. Poderiam, então, existir tantos gêneros quanto o número de pessoas. Enfim, cada pessoa é totalmente livre e autônoma para construir sua própria identidade, sem definições de gêneros pré-estabelecidos. 

Inclusive, não havendo "homem" nem "mulher", também não haveria sentido falar em homossexualidade, bissexualidade ou transexualidade, por exemplo, uma vez que eles pressupõem a existência de identidades sexuais determinadas, no caso, homem e mulher.
Portanto, impera aqui o relativismo na identidade pessoal. Repito: essa ideologia passa por cima do fator biológico, tornando-o insignificante e destruindo a ideia de que existe o ser homem e o ser mulher. 

E quais possíveis consequências práticas da ideologia de gênero?

Uma consequência imediata é a de desconstrução da heterossexualidade, ou seja, da concepção de uma realidade pautada exclusivamente no ser homem ou ser mulher, vista por defensores dessa teoria como uma opressão estabelecida ao longo da história, principalmente pelos indivíduos masculinos sobre as mulheres. Os seres humanos seriam, por assim dizer, indivíduos sexualmente polimórficos, ou seja, não haveria uma identidade sexual, mas apenas o "gênero".

Em seguida, ao destruir as identidades masculina e feminina, uma vez implantada essa ideologia juridicamente, teríamos também a destruição da família, já que não mais existiria casamento entre "homem" e "mulher". Com isso, qualquer união teria o mesmo valor.

Assim, quaisquer formas de relacionamento teriam o mesmo valor social e humano. Ou seja, não haveria um relacionamento natural ou antinatural, bom ou ruim. O critério utilizado seria o da total liberdade sexual, estabelecendo um contexto no qual diversas práticas sexuais poderiam ser consentidas.

Os conceitos de "pai", "mãe", "maternidade" e "paternidade" seriam esvaziados e substituídos, pois remetem à masculinidade e à feminilidade.

De que forma estamos sendo expostos à ideologia de gênero?

Posso dizer que de diversas maneiras. Ano passado, tentou-se introduzir a "ideologia de gênero" no Plano Nacional de Educação, contudo não foi incluída. Mais recentemente, novamente tentou-se reintroduzir a "ideologia de gênero" nos planos municipais de educação. Graças a um esforço conjunto de pessoas engajadas na defesa da vida e da família, tanto a primeira tentativa como esta última não prosperaram na maioria das cidades brasileiras.

Veja que relatei tentativas de introdução da ideologia de gênero no âmbito escolar. Pois é, muitas de nossas crianças estão sendo expostas à "ideologia de gênero" sem o conhecimento prévio dos seus pais. Já existe até escola que vem substituindo letras em palavras femininas e masculinas para torná-las "neutras". Por exemplo, a palavra "aluno" é substituída por "alunx". Existem materiais escolares que fazem uma nova interpretação do conceito de família, afirmando que qualquer configuração de pessoas que possuem um laço afetivo forma uma família. Ou seja, "pai, mãe e filhos" seria um conceito ultrapassado e preconceituoso para família. Para ver tais exemplos e muitos outros, basta fazer simples pesquisas na internet por materiais escolares e "ideologia de gênero".

Aos poucos, as comemorações escolares dos dias dos pais e das mães vão sendo taxadas de preconceituosas e, assim, substituídas por comemorações mais amplas, como a do dia da "família". E como a família é constituída de "pai", mãe e filhos", logo serão propostas novas definições jurídicas para "as novas famílias". É possível também perceber a exposição à "ideologia de gênero" quando são normatizados banheiros segregados por gênero nas escolas.

Perceba, então, que as crianças e adolescentes têm sido grandes alvos da exposição à "ideologia de gênero". E isto vem acontecendo mesmo sem a introdução dessa ideologia nos planos educacionais.

São vídeos, novelas, livros, materiais didáticos, projetos de lei e notícias carregados de "ideologia de gênero" que têm penetrado nossas vidas mostrando o "gênero" como algo natural, cientificamente comprovado, verdadeiro e livre de contradições.  E se essa exposição ocorre já na educação infantil, no futuro será ainda mais difícil desconstruir essa ideologia que quer destruir o homem, a mulher e a família. Não podemos cair nessa armadilha. Essa ideologia é contrária à natureza humana.

O que fazer?

Como cristãos católicos, precisamos ser testemunhas da Verdade, única e eterna. Para isso, é necessário o contínuo estudo e conscientização a respeito do tema. A Comunidade Católica Gratidão tem promovido formações sobre “ideologia de gênero” e assuntos correlatos. Estamos à disposição para a formação.

Aos pais, é necessário abraçar a responsabilidade e autonomia na educação de seus filhos. Por isso, é muito importante a vigilância quanto aos materiais didáticos e a constante participação nas atividades escolares, além da educação moral e religiosa desde cedo.

Para todos nós, é importante o acompanhamento dos projetos de lei, na Câmara e no Senado, que dizem respeito à "ideologia de gênero" e a assuntos que trazem a cultura da morte. Claro, dentro da possibilidade pessoal de cada um.

Por fim, deixo as palavras do nosso querido Papa Emérito Bento XVI:

"Se, porém, não há a dualidade de homem e mulher como um dado da criação, então deixa de existir também a família como realidade pré-estabelecida pela criação. E torna-se evidente que, onde Deus é negado, dissolve-se também a dignidade do homem. Quem defende Deus, defende o homem."

ROCHA, Tadeu. O que é Ideologia de Gênero?. Revista Renascidos 
em Pentecostes, nº 65, Pg 16 Brasília, nov/2015


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