sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Microcefalia: "Aborto é um desrespeito às pessoas que apresentam limitações", diz arcebispo


Na tarde desta quinta-feira, a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), atendeu aos jornalistas de veículos seculares e religiosos em coletiva de imprensa para falar sobre assuntos tratados na primeira reunião do ano do Conselho Episcopal Pastoral (Consep), realizada nos dias 03 e 04 deste mês.

Acompanhado pelo arcebispo de Salvador (BA) e vice-presidente, dom Murilo Sebastião Krieger, e pelo bispo auxiliar de Brasília e secretário geral, dom Leonardo Steiner, dom Sergio da Rocha, arcebispo da Arquidiocese de Brasília e Presidente da CNBB, abriu o encontro discorrendo sobre a Campanha da Fraternidade 2017, que terá como tema “Fraternidade e biomas brasileiros e defesa da vida” e o seguinte lema: “Cultivar e guardar a criação”.

“A próxima Campanha tem como campo temático um campo semelhante ao desse ano, mas com uma temática especifica que é o bioma. Nós estivemos colaborando na elaboração do texto-base e a nossa proposta é debater os cuidados da criação, olhando para o bioma brasileiro e olhando a cultura dos povos que estão nesse bioma”, informou o bispo.

O arcebispo lembrou ainda que o lançamento da Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano, que trata sobre saneamento básico, será realizado durante celebração ecumênica na próxima quarta-feira, 10/02, às 20h, na Igreja Evangélica de Confissão Luterana, localizada na 405/406.

Durante a coletiva, também foi apresentada a mensagem pelo Dia Mundial do Enfermo, que será celebrado em 11 de fevereiro.  Em consonância com o Ano da Misericórdia, a presidência pede que, como obra da Misericórdia deste Ano Santo, todos se empenhem em dar atenção aos enfermos; indivíduos que, segundo eles, muitas vezes carregam o peso do preconceito e da discriminação, e pede esforço na criação e manutenção de políticas públicas de saúde para oferecer atendimento digno a quem precisa.

“O autêntico amor para com os enfermos exige que nos comprometamos com a construção de políticas públicas de saúde que atendam dignamente o ser humano em suas necessidades básicas. Diante disso, incentivamos nossas comunidades, pastorais, movimentos e associações a também lutarem pelos direitos dos mais necessitados, principalmente por causa da crise pela qual passa grande parte das instituições de saúde do país”.

Na ocasião, a CNBB também abordou sobre um assunto que tem gerado grande preocupação na comunidade mundial, que é o mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue, do vírus zika e do chicungunya.

Diante da situação de emergência, o arcebispo conclamou toda a Igreja no Brasil a se mobilizar no combate ao mosquito, com ações diversas que devem ser assumidas pelas lideranças paroquiais, de acordo com a necessidade local e, se possível, com parcerias com o poder público.

“O compromisso de cada cidadão é indispensável na tarefa de erradicar este mal que desafia nossas instituições. O princípio de tudo é a educação e a corresponsabilidade. Por isso, exortamos as lideranças de nossas comunidades eclesiais a organizarem ações e a se somarem às iniciativas que visem colocar fim a esta situação”, disse.

O arcebispo pede que nas celebrações, reuniões e encontros paroquiais e Arquidiocesanos sejam dadas orientações claras e objetivas que ajudem as pessoas a tomarem consciência da gravidade da situação e da melhor forma de combater as doenças e seu transmissor.

Quanto ao surto de crianças nascidas com microcefalia, provavelmente ligada à contaminação pelo Vírus Zika, e a pressão de grupos que se organizam para levar a questão ao Supremo Tribunal Federal, dom Sergio lamentou e afirmou que essa ação é um desrespeito ao dom da vida e, principalmente, às pessoas que apresentam limitação em sua condição física e intelectual.

“Dizer que uma criança que está sendo gestada com microcefalia não tem o direito a vida, é dizer não ter o direito a vida quem apresenta limitação de sua saúde física ou intelectual. Nós queremos respeitar e valorizar a vida em qualquer fase, em qualquer situação que ela esteja. Se uma pessoa tem uma limitação, por mais grave que seja, ela não perde a sua dignidade”, concluiu o arcebispo.

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