quarta-feira, 16 de março de 2016

Esconde-Esconde

                       



Lembram-se? Esconde-esconde era uma das brincadeiras mais divertidas da infância! Enquanto alguém contava até 50 (sendo que, depois do 30, contava-se t-1, t-2, t-3…), íamos rápida e silenciosamente nos esconder nos lugares mais secretos e improváveis. No esquema de “cada um por si”, as crianças eram criativas e inovadoras nessa arte de esconder-se. Terminada a contagem, o esperado “CINQUENTA! LÁ VOU EU!” indicava o início de um momento que misturava espera e esperteza. Era preciso espiar o mais discretamente possível para ver se o “pegador” estava se aproximando; todo o silêncio era pouco e a ansiedade dava a sensação de que algo estava por acontecer. Era desafiador!
Uma das regras primordiais consistia em saber o momento certo de se revelar. Eu poderia ser visto, caso não espiasse discretamente ou se fizesse algum barulho; se saísse do meu lugar antes do tempo, o “pegador” poderia chegar ao “piques” antes de mim. Um misto de expectativa, ansiedade e uma saudável convivência preenchiam os espaços do tempo livre que tínhamos.
O que a aurora da nossa vida pode nos ensinar sobre modéstia e relacionamentos amorosos? Vamos lá! Sendo você a garota que está escondida e ele o rapaz que está à sua procura, coloque-se na pele do “pegador” (trocadilho infeliz, esse!) dessa brincadeira. A função dele é buscar os meios de te encontrar, sabendo ele previamente que você está escondida. Ou seja: no caso de você se revelar logo no início, o jogo acaba. É praticamente um w.o… ele não precisou fazer nada. Supondo então, que tudo está dentro da normalidade, ele passa a te buscar nos lugares onde possivelmente você estará e, enquanto te busca, vai descobrindo coisas a seu respeito.
O rapaz se dirige até um lugar escuro, isolado e descobre que você não está lá; é evidente que a prudência é um traço dessa moça. Hum… bom! Mais adiante, tenta ver se estás escondida atrás do carro. Não! Muito óbvio. Essa menina é inteligente. Dá uma olhada ao redor pra ver alguma pista sua e nada. Nem uma espiadinha, nenhum barulho que indique sua localização. O coração do cara acelera enquanto busca te encontrar, imaginando o que você pensa, sente, quais são suas ideias e o que o está levando a te buscar com tamanha alegria.
Mais pistas suas estão sendo reveladas aos poucos. Além de esperta e prudente, essa garota é criativa para se esconder em um lugar que ainda não imaginei; ela possui autodomínio, pois não deixa escapar nenhum som de passos ou uma respiração mais profunda… é segura essa mulher, que não apressa o tempo e permanece onde deve estar para que eu vá ao seu encontro.
As coisas estão clareando, certo? Mas isso não é um jogo ou uma dica de como conquistar aquele gatinho. Não! Estamos falando das características humanas e de como as coisas funcionam entre homem e mulher.
Temos uma natureza que nos compõe e diferencia, e isso diz muito sobre o sentido da nossa vida, o que somos e o que revelamos. Trazendo para o concreto: a natureza masculina pede por desafios e situações que testem suas potencialidades, suas capacidades de superação. Já o feminino, traz na beleza as portas para o significado das coisas, a mulher carrega em si a marca do profundo, da vida, do eterno. Tanto homem como mulher carregam em si o masculino e o feminino, o anima e o animus (Jung), em quantidades proporcionais ao seu sexo.
Assim, a mulher que tem uma necessidade de se expor além dos limites da modéstia, coloca a si mesmo em uma situação de risco e pouco confortável, minando no homem a possibilidade de descobrir quem realmente ela é. Com uma tendência mais voltada para o externo, para a forma e providencialmente com um senso de atração para o corpo feminino, o homem pode se perder nos seus contornos sem ter o incentivo por procurar seu interior.
Quais os caminhos? Sem dúvida um bom autoconhecimento e cura interior te ajudarão a não vestir-se de modo a buscar de qualquer maneira os olhares dos outros. Não precisamos ser desejadas e aprovadas pelo nosso belo corpo… ele deve ser sinal! Deve conduzir para os jardins que tenho cultivado entre risos e lágrimas, com perdas e vitórias; minhas flores e pedras não são território baldio, sem dono. Não é qualquer um que entra e pisa nas plantas ou arruma as pedras da trilha.
Escondida estou, mas não esquecida. Escondida para ser buscada e encontrada por quem merecer adentrar o território sagrado que construí ao longo dos meus anos. Mais: estou guardada em um local onde o acesso não é simples, como numa brincadeira de esconde-esconde. Mas há uma garantia: sei do meu valor e sei que vale a pena! O tesouro aqui de dentro é maior que eu.
"O coração de uma mulher deve ser tão próximo de Deus que um homem precisa persegui-Lo para encontrá-la" - C. S. Lewis



Milena Carbonari Krachevski. http://modestia.teologiadocorpo.com.br/2014/08/05/esconde-esconde/


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