quinta-feira, 24 de março de 2016

O caminho pascal


"A Páscoa era celebrada em casa. Assim também fez Jesus. Mas, depois da refeição, levantou-Se e saiu, transpôs o limite importo pela Lei, porque ultrapassou a torrente do Cedron, a fronteira de Jerusalém. E saiu para a noite. Não temeu o caos, não se escondeu dele, antes penetrou nas suas profundezas, até o confronto com a morte.  <>, como dizemos no Símbolo. [...] O Senhor saiu: é este o sinal da sua força. Ele desceu para a noite de Getsémani, para a noite da Cruz, para a noite do túmulo. Ele desceu porque, no confronto com a morte, é mais forte; porque o seu amor leva o selo do amor de Deus, que tem mais poder do que as forças da destruição. É precisamente nessa saída, no caminho da Paixão, que está o ato de sua vitória; no mistério do Getsémani já está o mistério da alegria pascal. Ele é o mais forte, não há nenhum poder que possa resistir-lhe e nenhum lugar onde Ele não esteja. Ele chama-nos a tentar a caminhada com Ele, porque onde houver fé e amor, aí estará Ele, aí estará a força da paz que supera o nada e a morte. 
No termo da liturgia de Quinta-feira Santa, a Igreja imita a caminhada de Jesus, levando o Santíssimo para fora do tabernáculo para uma capela lateral que, deste modo, representa a solidão do Getsémani, a solidão da angústia mortal de Jesus. Os fiéis oram nessa capela, querem seguir Jesus na hora de sua solidão, para que ela deixe de ser solidão. Esta caminhada de Quinta-feira Santa não deve ser um mero gesto e sinal litúrgico. Ela deve constituir para nós a tarefa de entrar sempre na sua solidão, de procurá-l'O sempre - a Ele, o esquecido, o vilipendiado - no lugar onde está sozinho, onde os homens não querem conhecê-l'O, e estar com Ele."

Trecho do livro "O caminho pascal", de Joseph Ratzinger

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