sexta-feira, 15 de abril de 2016

Da conversão de São Paulo


 A vocação de Saulo foi extraordinária pelo modo como Deus o chamou, mas o efeito que produziu nele é o mesmo que ocasiona o chamamento específico para o apostolado que Deus faz a alguns cristãos para que O sigam mais de perto. Aqueles que recebem esse dom, escolhidos entre o resto dos batizados - que participam da vocação comum à santidade e ao apostolado, ao receber no Batismo o dom da vocação divina - tem em São Paulo um modelo de resposta.

Paulo VI descrevia assim os efeitos que essa vocação específica produz no interior daquele que é chamado: "O apóstolo é (...) uma voz interior inquietante e tranquilizante ao mesmo tempo, uma voz doce e imperiosa, uma voz incômoda e ao mesmo tempo amorosa, uma voz que, coincidindo com circunstâncias imprevistas e com grandes acontecimentos, se converte num determinado momento em nosso destino, inclusivamente profética e quase vitoriosa que no fim faz desaparecer toda a incerteza, toda a timidez e todo o temor e simplifica - até a tornar fácil, desejável e feliz - a resposta do nosso ser, na expressão dessa sílaba que revela o segredo supremo do amor: sim, Senhor, diz-me o que tenho de fazer e eu procurarei fazê-lo, eu o farei. Como São Paulo, derribado as portas de Damasco: que queres que eu faça?

A raiz do apostolado penetra nesta profundidade: o apostolado é vocação, é eleição, é encontro interior com Cristo, é abandono da própria e pessoal autonomia à Sua vontade, à sua presença invisível; é uma certa substituição do nosso pobre coração inquieto, volúvel e por vezes infiel mas ávido de amor, pelo Seu, pelo coração de Cristo que começa a latejar na criatura que escolheu. Então desenvolve-se o segundo ato do drama psicológico do apostolado: necessidade de expandir-se, a necessidade de fazer, a necessidade de dar, a necessidade de falar, a necessidade de transmitir aos outros o próprio tesouro, o próprio fogo (...).


O apostolado converte-se em expansão contínua de uma alma, em exuberância de uma personalidade possuída por Cristo, e animada pelo Seu Espírito; converte-se na necessidade de correr, de trabalhar, de intentar tudo o que é possível para a difusão do Reino de Deus, para a salvação dos outros, de todos"  

Comentários da conversão de São Paulo na Bíblia de Navarra 
(Homilia 13/10/1968)

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