terça-feira, 31 de maio de 2016

Dar-se exclusivamente a Deus


O chamado à santidade é universal e todos os que são batizados devem buscar a perfeição.  Porém, o Espírito Santo concede a alguns um dom específico, uma missão profética de consagrado, ou seja, de fazer um voto com Deus de dedicação e entrega, na qual se oferece em sacrifício de amor o dom total da sua vida com obrigatória observância dos votos de pobreza, obediência e castidade. Nisto se encontra a perfeição da caridade. Importante destacar, segundo São Tomás de Aquino (questão 186, Suma Teológica), tal estado se alcança na vida religiosa ou no episcopado.

Após o Concílio Ecumênico Vaticano II, apareceram novas ou renovadas formas de vida consagrada que nascidas de novos estímulos espirituais e apostólicos são submetidas a análise pela autoridade da Igreja de sua vitalidade com consequente espera de reconhecimento oficial pela Sé Apostólica, a única a quem compete o juízo definitivo. Estas novas formas de vida consagrada, que se vêm juntar às antigas, testemunham a constante atração que a doação total ao Senhor, o ideal da comunidade apostólica, os carismas de fundação continuam a exercer mesmo sobre a geração atual, e são sinal também da complementaridade dos dons do Espírito Santo. Nisto observa-se continuação da unidade com as antigas formas de vida consagrada, graças ao chamamento sempre idêntico a seguir, na busca da perfeita caridade, Jesus virgem, pobre e obediente.

Inicialmente, imitar Cristo, chamado característico da vida consagrada, é segui-Lo mais de perto e fazer d'Ele "o tudo" da sua existência. Na sua vocação, portanto, está incluído o dever de se dedicar totalmente à missão que antes de ser caracterizada pelas obras externas, define-se pelo tornar presente o próprio Cristo no mundo, através do testemunho pessoal. Este é o desafio, a tarefa primária da vida consagrada! Quanto mais se deixa conformar com Cristo, tanto mais O torna presente no mundo e operante para a salvação dos homens.

Ainda, pode-se afirmar que a pessoa consagrada está em missão por força da sua própria consagração, testemunhada segundo o projeto do respectivo Instituto. Quando o carisma de fundação prevê atividades pastorais, o testemunho de vida agregado às obras de apostolado e promoção humana são igualmente necessários: ambos representam Cristo, que é simultaneamente o consagrado à glória do Pai e o enviado ao mundo para a salvação dos irmãos. Além disso, outro elemento que participa na missão de Cristo é a vida fraterna em comunidade, isto indica que a consagração será tanto mais apostólica quanto mais íntima for a sua dedicação ao Senhor Jesus, quanto mais fraterna for a sua forma comunitária de existência e quanto mais ardoroso for o seu empenho na missão específica do Instituto.


Enfim, a vida consagrada deve ser uma fábrica de santidade, cujos produtos devem ser santos no meio do mundo em que cada carisma busque um tríplice encaminhamento: primeiro, encaminhamento para o Pai no desejo de procurar filialmente a sua vontade através de um processo contínuo de conversão, no qual a obediência é fonte de verdadeira liberdade, a castidade exprime a tensão de um coração insatisfeito com todo o amor finito, a pobreza alimenta aquela fome e sede de justiça que Deus prometeu saciar (cf. Mt 5,6). Também, um encaminhamento para o Filho, com quem induzem a cultivar uma íntima e feliz comunhão de vida, na escola do seu serviço generoso a Deus e aos irmãos. E terceiro com igualdade de importância, um encaminhamento para o Espírito Santo, enquanto dispõe a pessoa a deixar-se guiar e sustentar por Ele, tanto no próprio caminho espiritual como na vida de comunhão e na ação apostólica, para viver naquela atitude de serviço que deve inspirar toda a opção de um autêntico cristão.

Comunidade Católica Gratidão

Maria engrandece o Senhor que age nela



Das Homilias de São Beda, o Venerável, presbítero

(Lib. 1,4: CCL 122,25-26.30)                (Séc.VIII)

Maria engrandece o Senhor que age nela

            Minha alma engrandece o Senhor e exulta meu espírito em Deus, meu Salvador (Lc 1,46). Com estas palavras, Maria reconhece, em primeiro lugar, os dons que lhe foram especialmente concedidos; em seguida, enumera os benefícios universais com que Deus favorece continuamente o gênero humano.

            Engrandece o Senhor a alma daquele que consagra todos os sentimentos da sua vida interior ao louvor e ao serviço de Deus; e, pela observância dos mandamentos, revela pensar sempre no poder da majestade divina. Exulta em Deus, seu Salvador, o espírito daquele que se alegra apenas na lembrança de seu Criador, de quem espera a salvação eterna.

            Embora estas palavras se apliquem a todas as almas santas, adquirem contudo a mais plena ressonância ao serem proferidas pela santa Mãe de Deus. Ela, por singular privilégio, amava com perfeito amor espiritual aquele cuja concepção corporal em seu seio era a causa de sua alegria.

            Com toda razão pôde ela exultar em Jesus, seu Salvador, com júbilo singular, mais do que todos os outros santos, porque sabia que o autor da salvação eterna havia de nascer de sua carne por um nascimento temporal; e sendo uma só e mesma pessoa, havia de ser ao mesmo tempo seu Filho e seu Senhor.

            O Poderoso fez em mim maravilhas, e santo é o seu nome! (Lc 1,49). Maria nada atribui a seus méritos, mas reconhece toda a sua grandeza como dom daquele que, sendo por essência poderoso e grande, costuma transformar os seus fiéis,pequenos e fracos, em fortes e grandes.

            Logo acrescentou: E santo é o seu nome! Exorta assim os que a ouviam, ou melhor, ensinava a todos os que viessem a conhecer suas palavras, que pela fé em Deus e pela invocação do seu nome também eles poderiam participar da santidade divina e da verdadeira salvação. É o que diz o Profeta: Então, todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo (Jl 3,5). É precisamente este o nome a que Maria se refere ao dizer: Exulta meu espírito em Deus, meu Salvador.

            Por isso, se introduziu na liturgia da santa Igreja o costume belo e salutar, de cantarem todos, diariamente, este hino na salmodia vespertina. Assim, que o espírito dos fiéis, recordando frequentemente o mistério da encarnação do Senhor, se entregue com generosidade ao serviço divino e, lembrando-se constantemente dos exemplos da Mãe de Deus, se confirme na verdadeira santidade. E pareceu muito oportuno que isto se fizesse na hora das Vésperas, para que nossa mente fatigada e distraída ao longo do dia por pensamentos diversos, encontre o recolhimento e a paz de espírito ao aproximar-se o tempo do repouso.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

A solenidade de Corpus Christi

Procissões que põem em evidência o itinerário do Redentor do mundo no tempo


A solenidade de Corpus Christi nos convida a meditar o caminho de Cristo através da história, uma história escrita desde as origens por Deus e pelo homem. A Eucaristia, sacramento da morte e ressurreição do Senhor, constitui o centro deste itinerário espiritual.

“O mistério da santíssima eucaristia, instituída pelo sumo sacerdote Jesus Cristo, é como o centro da religião cristã.” (Encíclica Mediator Dei, Pio XII, número 59).

“O divino Redentor repete incessantemente o seu insistente convite: ‘Permanecei em mim’ por meio do sacramento da eucaristia, Cristo fica em nós e nós ficamos em Cristo; e como Cristo, permanecendo em nós, vive e opera, assim é necessário que nós, permanecendo em Cristo, por ele vivamos e operemos.” (Encíclica Mediator Dei, Pio XII, número 114).

Há sete séculos a Igreja sentiu a necessidade de estipular uma festa na qual fosse possível expressar de maneira intensa a alegria pela instituição da Eucaristia. Surgiu assim, a solenidade de “Corpus Christi”, caracterizada por grandes procissões, que põem em evidência o itinerário do Redentor do mundo no tempo.

“O sacramento da eucaristia ao mesmo tempo que é viva e admirável imagem da unidade da Igreja” (Encíclica Mystici Corporis, Pio XII, número 82)

A procissão evoca com eloquência o caminho de Cristo solidário com a história dos homens. É o próprio Jesus que caminha conosco, sustentando a nossa esperança.

“Tão sublime Sacramento, adoremos neste altar
Pois o Antigo Testamento deu ao Novo seu lugar
Venha a Fé, por suplemento, os sentidos completar
Ao eterno Pai cantemos e a Jesus, o Salvador
Ao Espírito exaltemos, na Trindade Eterno Amor
Ao Deus Uno e Trino demos a alegria do louvor
Amém!”


Fonte: Aleteia

terça-feira, 24 de maio de 2016

O sacramento do matrimônio


O homem novo têm um novo horizonte de vida: a eternidade. Por isso, aquele sacramento primordial, que é o matrimônio, ganha um novo sentido, passando a expressar, no mundo presente, aquela comunhão definitiva que experimentaremos em Deus. Mas essa comunhão é como que as núpcias de Jesus com a Igreja (Ap 21). O amor conjugal agora olha para Jesus, de quem recebe as graças, mas também de quem recebe o exemplo do que é amar: dar-se totalmente. (Ef 5, 21-33).

Esta é a fecundidade do amor cristão. Não apenas um gerar filhos de pais humanos, mas um gerar filhos para Deus. O amor cristão que, pelo sacramento do matrimônio, recebe uma nova dimensão, está em Cristo e a sua fecundidade, ao mesmo tempo que continua a ser a plenitude da comunhão entre o pai e a mãe, é também a expressão da fecundidade do amor divino que nos prepara uma nova morada onde viveremos em plena comunhão com Ele.

É verdade que esta plenitude nos é prometida para começar a ser gozada já, mas também é certo que passa pela cruz. Não experimentamos a plenitude se não nos dermos totalmente. Esse dom de nós deverá ser radical, como foi em Jesus. Ele disse-nos para O seguirmos pegando na cruz. Se aceitamos a Sua verdade não podemos por limites ou tentarmos com ideias mundanas equilibrar a cruz para não ser um risco demasiado elevado. Nos nossos tempos isto ganha uma urgência especial. A ideia de que a ciência nos torna capazes de dominar tudo e, por isso, torna obsoleta a necessidade de pegar na cruz, está a iludir todos, mesmos os cristãos. É assim que o sexo passa a ser uma coisa que se usa e que a ciência se encarrega de controlar, e é assim que a união entre marido e mulher deixa de ser expressão de uma entrega total e confiante, responsável e não instintiva, para passar a ser vulnerável ao egoísmo e à concupiscência. Quando se recusam as graças de Deus e se prefere agir sem fazer caso à dependência original do homem, quando o homem se considera critério absoluto a partir de uma noção de razão que se arvora em medida de todas as coisas, quando se cede ao hedonismo que só busca o efêmero, a decadência é evidente e dessa maneira nunca haverá verdadeira e estável felicidade. Podemos, agora, evitar os filhos ou fazer filhos em laboratórios, mas, em causa, fica a experiência de uma comunhão fecunda que é a imagem e semelhança de Deus e que é o verdadeiro caminho para que a pessoa humana se realize plenamente.


O Papa Bento XVI disse, no início do seu ministério petrino, para não desconfiarmos de Jesus Cristo. Jesus não nos tira nada da vida mas da-lhe plenitude. A teologia do corpo é isso que nos vem ensinar. Há uma maneira de se viver plenamente como homens, há uma maneira de se ser família que corresponde à verdade humana. Não nos deixemos enganar pela aparente capacidade humana de dominar, porque essa deixará sempre de lado algo que os homens só têm quando se submetem ao Criador e procuram seguir o Seu plano.

Quer saber mais sobre a Teologia do Corpo? Participe de nosso retiro "Criados pelo Amor, redimidos para amar".

Data: 01 a 03 de Julho de 2016
Local: Casa de retiros Domus Mariae

Valor: R$ 130,00 no cartão de débito ou crédito
R$ 120,00 no dinheiro ou transferência bancária

Inscrições pelo link: 
http://goo.gl/forms/XzZWnBvjzp 

Informações: 9390-9700

O Mistério Eucarístico


"Eis aqui o tesouro da Igreja, o coração do mundo, o penhor da meta pela qual, mesmo inconscientemente, suspira todo o homem." (São João Paulo II)
Durante todas as Sextas-feiras do mês de Junho, teremos uma série de formações sobre Liturgia e Eucaristia. A primeira formação tem por tema: "Como haurir os tesouros da Eucaristia no contexto da sociedade contemporânea"
Data: 03/06/2016
Horário: 20h às 22h
Local: Comunidade Gratidão: SMT, conjunto 12, casa 03 - Taguatinga
Palestrante: Diácono Caio Biacchi
Valor do Módulo I: R$10,00

Inscrições pelo link: http://goo.gl/forms/X2ta5GfzxorYi2hQ2
Se você desejar se inscrever já agora para os 4 módulos de formação, pode acessar o link http://goo.gl/forms/zxGyx0StBk 
Neste caso, o valor promocional é de R$30,00.

Seja eu quem for, sou a ti manifesto, Senhor


            Que eu te conheça, ó conhecedor meu! Que eu também te conheça como sou conhecido! Tu, ó força de minha alma, entra dentro dela, ajusta-a a ti, para a teres e possuíres sem mancha nem ruga. Esta é a minha esperança e por isso falo. Nesta esperança, alegro-me quando sensatamente me alegro. Tudo o mais nesta vida tanto menos merece ser chorado quanto mais é chorado, e tanto mais seria de chorar quanto menos é chorado. Eis que amas a verdade, pois quem a faz, chega-se à luz. Quero fazê-la no meu coração, diante de ti, em confissão, com minha pena, diante de muitas testemunhas.
            A ti, Senhor, a cujos olhos está a nu o abismo da consciência humana, que haveria de oculto em mim, mesmo que não quisesse confessá-lo a ti? Eu te esconderia a mim mesmo, e nunca a mim diante de ti. Agora, porém, quando os meus gemidos testemunham que eu me desagrado de mim mesmo, enquanto tu refulges e agradas, és amado e desejado, que eu me envergonhe de mim mesmo, rejeite-me e te escolha! Nem a ti nem a mim seja eu agradável, anão ser por ti.
            Seja eu quem for, sou a ti manifesto e declarei com que proveito o fiz. Não o faço por palavras e vozes corporais, mas com palavras da alma e clamor do pensamento. A tudo o teu ouvido escuta. Quando sou mau, confessá-lo a ti nada mais é do que não o atribuir a mim. Quando sou bom, confessá-lo a ti nada mais é do que não o atribuir a mim. Porque tu, Senhor, abençoas o justo, antes, porém, o justificas quando ímpio. Na verdade minha confissão, ó meu Deus, faz-se diante de ti em silêncio e não em silêncio porque cala-se o ruído, clama o afeto.
            Tu me julgas, Senhor, porque nenhum dos homens conhece o que há no homem a não ser o espírito do homem que nele está. Há, contudo, no homem algo que nem o próprio espírito do homem, que nele está, conhece. Tu, porém, Senhor, conheces tudo dele, pois tu o fizeste. Eu, na verdade, embora diante de ti me despreze e me considere pó e cinza, conheço algo de ti que ignoro de mim.
            É certo que agora vemos como em espelho e obscuramente, ainda não face a face. Por isto enquanto eu peregrino longe de ti, estou mais presente a mim do que a ti e, no entanto, sei que és totalmente impenetrável, ao passo que ignoro a que tentações posso ou não resistir. Mas aí está a esperança, porque és fiel e não permites sermos tentados acima de nossas forças e dás, com a tentação, a força para suportá-la.
            Confessarei aquilo que de mim conheço, confessarei o que desconheço. Porque o que sei de mim, por tua luz o sei; e o que de mim não sei, continuarei a ignorá-lo até que minhas trevas se mudem em meio-dia diante de tua face.

Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo
(Lib. 10,1,1-2,2;5.7: CCL 27,155.158 Séc.V)



quinta-feira, 19 de maio de 2016

Caminhos para entrar na vida eterna



Quereis que vos indique os caminhos da conversão? São numerosos, variados e diferentes, mas todos conduzem ao céu. O primeiro caminho da conversão é a condenação das nossas faltas. «Aviva a tua memória, entremos em juízo; fala para te justificares!» (Is 43,26). É por isso que o profeta observava: «Eu disse: "Confessarei os meus erros ao Senhor"; e Vós perdoastes a culpa do meu pecado» (Sl 31,5). Condena pois, tu próprio, as faltas que cometeste, e tal será suficiente para que o Senhor te atenda. Com efeito, aquele que condena as suas faltas tem a vantagem de recear tornar a cair nelas. [...] 

Há um segundo caminho, não inferior ao referido, que é o de não guardar rancor aos nossos inimigos e dominar a cólera para perdoar as ofensas dos nossos companheiros, porque assim obteremos o perdão das que nós cometemos contra o Mestre; é a segunda maneira de obter a purificação das nossas faltas, «porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós» (Mt 6,14). 

Queres conhecer o terceiro caminho da conversão? É a oração fervorosa e perseverante que fizeres do fundo do coração. [...] O quarto caminho é a esmola, que tem uma força considerável e indizível. [...] Em seguida, a modéstia e a humildade não são meios inferiores para destruir os pecados pela raiz; temos como prova disso o publicano, que não podia proclamar boas acções, mas as substituiu pela oferta da sua humildade, entregando assim o pesado fardo das suas faltas (Lc 18,9s). 

Acabamos de indicar cinco caminhos de conversão. [...] Não fiques pois inativo, mas em cada dia utiliza todos estes caminhos. São caminhos fáceis, e não podes apresentar a tua miséria como desculpa para os não percorreres.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

A grandeza na Liturgia aponta para a Beleza de Deus

Os sinais externos da sagrada Liturgia não são um insulto à pobreza material dos filhos da Igreja, mas um incentivo à piedade dos fiéis


O venerável Papa Pio XII, em sua encíclica sobre a sagrada Liturgia, explicava que "todo o conjunto do culto que a Igreja rende a Deus deve ser interno e externo". Esta realidade decorre da própria constituição humana, ao mesmo tempo física e espiritual, e da vontade do Senhor, que "dispõe que pelo conhecimento das coisas visíveis sejamos atraídos ao amor das invisíveis" [1].
Este ensinamento explica porque os atos litúrgicos da Igreja sempre foram realizados em templos majestosos, com materiais tão nobres e paramentos trabalhados com inúmeros detalhes. Assim é, não porque a Igreja esteja apegada aos bens materiais ou preocupada em entesourar riquezas, mas porque ao Senhor deve ser oferecido sempre o melhor e o mais belo.
Assim pensava São Francisco, o poverello de Assis. Ele passou toda a sua vida como um pobre entre os pobres, mas, quando falava de Jesus eucarístico, condenava o desprezo e o pouco caso com que muitos celebravam os santos mistérios. Em uma carta aos sacerdotes, Francisco pedia a eles que considerassem dentro de si "como são vis os cálices, os corporais e panos em que é sacrificado" muitas vezes nosso Senhor. E insistia: "Onde quer que o Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo for conservado de modo inconveniente ou simplesmente deixado em alguma parte, que o tirem dali para colocá-lo e encerrá-lo num lugar ricamente ordenado"[2].
Na França do século XIX, os lojistas comentavam entre si: "No campo há um pároco magro e mal arranjado, com ares de não ter um centavo no bolso, mas que compra para sua igreja tudo o que há de melhor" [3]. Era São João Maria Vianney, que vivia em pobreza extrema, mas não hesitava em ornar a casa de Deus com o mais nobre e o mais digno. Em 1820, escreveu ao prefeito de Ars: "Desejaria que a entrada da igreja fosse mais atraente. Isso é absolutamente necessário. Se os palácios dos reis são embelezados pela magnificência das entradas, com maior razão as das igrejas devem ser suntuosas" [4].
Toda esta preocupação do Cura d'Ars mostrava um verdadeiro amor a Deus e às almas. Ele encheu a igreja de sua cidade com belíssimas imagens e pinturas, porque, dizia ele, "não raro as imagens nos abalam tão fortemente como as próprias coisas que representam" [5]. O santo francês compreendia mais do que ninguém como não só era possível, mas também salutar, que o material e o terreno apontassem para as realidades celestes.
No entender do cardeal Giovanni Bona, um monge cisterciense do século XVII,
"Se bem que, com efeito, as cerimônias, em si mesmas, não contenham nenhuma perfeição e santidade, são todavia atos externos de religião que, como sinais, estimulam a alma à veneração das coisas sagradas, elevam a mente à realidade sobrenatural, nutrem a piedade, fomentam a caridade, aumentam a fé, robustecem a devoção, instruem os simples, ornam o culto de Deus, conservam a religião e distinguem os verdadeiros dos falsos cristãos e dos heterodoxos." [6]
Percebe-se, deste modo, como pondera mal quem diz que a beleza das igrejas do Vaticano e o esplendor dos vasos e ornamentos sagrados deveriam ser renunciados, como se, com isto, a Igreja estivesse se exibindo indevidamente ou ofendendo os mais pobres.
Quem pensa desta forma ainda não compreendeu o que é verdadeiramente a Liturgia e qual é o seu verdadeiro tesouro. Não entendeu que até os sinais externos das ações litúrgicas, manifestados especialmente na Santa Missa, devem indicar Aquele que é a Beleza. E não pense que, persistindo nesta mentalidade, diverge em um ponto pouco importante da fé da Igreja. Nunca é tarde para recordar o anátema do Concílio de Trento: "Se alguém disser que as cerimônias, as vestimentas e os sinais externos de que a Igreja Católica usa na celebração da Missa são mais incentivos de impiedade do que sinais de piedade — seja anátema" [7].

O Mistério Eucarístico


"Eis aqui o tesouro da Igreja, o coração do mundo, o penhor da meta pela qual, mesmo inconscientemente, suspira todo o homem." (São João Paulo II)
Durante o mês de Junho, você é nosso convidado a participar de uma série de formações sobre Liturgia e Eucaristia.
Data: Às Sextas-feiras: 03/06, 10/06, 17/06 e 24/06
Horário: 20h às 22h
Local: Comunidade Gratidão: SMT, conjunto 12, casa 03 - Taguatinga
A participação nos 4 módulos tem um valor de R$30,00 e as inscrições já podem ser feitas pelo link: http://goo.gl/forms/zxGyx0StBk
Inscrições para os módulos individuais serão abertas posteriormente.
Esperamos por você!
Deus abençoe!

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Nossa Senhora de Fátima e a Teologia do Corpo


Ao receber, na prisão, a visita do homem que atentou contra a sua vida no dia 13 de Maio de 1981, São João Paulo II foi questionado por ele: 'Como você ainda está vivo?" O Santo Padre depois reflete que aquele homem ao vê-lo ali, deve ter se dado conta de estar diante de algo muito importante; deve ter se dado conta de que algo maior o envolvia, algo maior que seu próprio poder, algo maior que o poder da violência, do tiro, da morte... Talvez ele esteja ainda hoje em busca da resposta, mas no coração de São João Paulo II tudo já se explicava: uma mão havia atirado, mas outra mão, a mão da Virgem Maria, havia mudado a direção daquela bala e guardado a vida do seu filho.

E o que isso tem a ver com a Teologia do Corpo? Uma semana antes, seguindo a série de audiências gerais iniciadas em 1979 sobre o amor e a sexualidade humana, o Papa acabara de concluir o primeiro ciclo de suas reflexões sobre o homem histórico, o homem marcado pelo pecado original, e iniciara seus ensinamentos sobre a pureza de coração. Falava do que significa ter um coração puro, um coração sem manchas, um coração imaculado... 

Ainda, na tarde daquele 13 de Maio de 1981, o Papa anunciaria a fundação do que se tornariam depois os braços teológico e pastoral, respectivamente, que espalhariam sua Teologia do Corpo pelo mundo: o "Pontifício Instituto para estudos sobre o casamento e a família" e o "Pontifício Conselho para a família". 
Os tiros impediram aquele anúncio. O atentado interrompeu a série de catequeses sobre a Teologia do Corpo. 

Mas a Virgem de Fátima sabia que ainda havia uma grande missão pela frente, que muitos filhos seus ao redor do mundo precisariam ainda ser alcançados pelas verdades sobre a pessoa, a sexualidade e o amor humano encerradas nas reflexões de João Paulo II. Contra as forças do mundo que pareciam desde então atuar para distorcer a verdade e destruir o homem, a mulher, o matrimônio e a família, triunfou a força do Coração Imaculado da Mãe Santíssima, a quem aquele servo Deus repetidamente dizia o seu 'totus tuus, Mariae"

Primeira Aparição de Nossa Senhora de Fátima


Dia 13 de Maio de 1917.
Lúcia, Francisco e Jacinta estavam brincando num lugar chamado Cova da Iria. De repente, observaram dois clarões como de relâmpagos, e em seguida viram, sobre a copa de uma pequena árvore chamada azinheira, uma Senhora de beleza incomparável.

Era uma Senhora vestida de branco, mais brilhante que o sol, irradiando luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente.

Sua face, indescritivelmente bela, não era nem alegre e nem triste, mas séria, com ar de suave censura. As mãos juntas, como a rezar, apoiadas no peito, e voltadas para cima. Da sua mão direita pendia um Rosário. As vestes pareciam feitas somente de luz. A túnica e o manto eram brancos com bordas douradas, que cobria a cabeça da Virgem Maria e lhe descia até os pés.

Lúcia jamais conseguiu descrever perfeitamente os traços dessa fisionomia tão brilhante. Com voz maternal e suave, Nossa Senhora tranqüiliza as três crianças, dizendo:

Nossa Senhora: “Não tenhais medo. Eu não vos farei mal.”
E Lúcia pergunta:

Lúcia: “Donde é Vossemecê?”

Nossa Senhora: “Sou do Céu!”

Lúcia: “E que é que vossemecê me quer?

Nossa Senhora: “Vim para pedir que venhais aqui seis meses seguidos, sempre no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero. Em seguida, voltarei aqui ainda uma sétima vez.”

Lúcia: “E eu também vou para o Céu?”

Nossa Senhora: “Sim, vais.”

Lúcia: “E a Jacinta?”

Nossa Senhora: “Também”

Lúcia: “E o Francisco?”

Nossa Senhora: “Também. Mas tem que rezar muitos terços”.

Nossa Senhora: “Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser mandar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e de súplica pela conversão dos pecadores?”

Lúcia: “Sim, queremos”

Nossa Senhora: “Tereis muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto”.
Ao pronunciar estas últimas palavras, Nossa Senhora abriu as mãos, e delas saía uma intensa luz.

Os pastorinhos sentiram um impulso que os fez cair de joelhos, e rezaram em silêncio a oração que o Anjo havia lhes ensinado:

As três crianças: “Ó Santíssima Trindade, eu Vos adoro. Meu Deus, meu Deus, eu Vos amo no Santíssimo Sacramento.”

Passados uns momentos, Nossa Senhora acrescentou:

Nossa Senhora: “Rezem o Terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo, e o fim da guerra.”

Em seguida, cercada de luz, começou a elevar-se serenamente, até desaparecer.


sexta-feira, 6 de maio de 2016

Teologia do Corpo


"A redenção é fonte de uma dignidade excelente, que nos convida à integração de nossos desejos em Cristo" (São João Paulo II, TdC 56)

Estão abertas as inscrições para o retiro de Teologia do Corpo "Criados pelo Amor, redimidos para amar".

Participe conosco desta experiência de oração, formação e partilha sobre a visão de Deus acerca da sexualidade humana. 

Data: 01 a 03 de Julho de 2016
Local: Casa de retiros Domus Mariae
Valor: R$ 130,00 no cartão de débito ou crédito
R$ 120,00 no dinheiro ou transferência bancária

Inscrições pelo link: 
http://goo.gl/forms/XzZWnBvjzp 

Informações: 9390-9700

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Santa Missa


Neste Domingo a Igreja celebra a Ascensão do Senhor!

Venha participar da Santa Missa em nossa Casa Missionária. Será as 11h e será celebrada pelo Padre Arnaldo.

Convide seus amigos e familiares.

Compartilhei!

Informações:
- Endereço: SMT Conj. 12 Casa 03


quinta-feira, 5 de maio de 2016

A ascensão do Senhor aumenta a nossa fé


        Assim como na solenidade pascal a ressurreição do Senhor foi para nós motivo de grande júbilo, agora também a sua ascensão aos céus nos enche de imensa alegria. Pois recordamos e celebramos aquele dia em que a humildade da nossa natureza foi exaltada, em Cristo, acima de toda a milícia celeste, sobre todas as hierarquias dos anjos, para além da sublimidade de todas as potestades, e associada ao trono de Deus Pai. Toda a vida cristã se funda e se eleva sobre uma série admirável de ações divinas, pelas quais a graça de Deus nos manifesta sabiamente todos os seus prodígios. De tal modo isto acontece que, embora se trate de mistérios que escapam à capacidade humana de compreensão e que inspiram um profundo temor reverencial, nem assim vacile a fé, esmoreça a esperança ou esfrie a caridade.
        Nisto consiste, efetivamente, o vigor das grandes almas e a luz dos corações fiéis: crer, sem hesitação, naquilo que não se vê com os olhos do corpo, e fixar o desejo onde a vista não pode chegar. Como poderia nascer esta piedade, ou como poderíamos ser justificados pela fé, se a nossa salvação consistisse apenas naquilo que nos é dado ver?
        Na verdade, tudo o que na vida de nosso Redentor era visível passou para os ritos sacramentais; e para que a nossa fé fosse mais firme e autêntica, à visão sucedeu a doutrina, em cuja autoridade se devem apoiar os corações dos que creem, iluminados pela luz celeste.
        Esta fé, aumentada com a ascensão do Senhor e fortalecida com o dom do Espírito Santo, nem os grilhões nem os cárceres nem os exílios nem a fome nem o fogo nem as dilacerações das feras nem os tormentos inventados pela crueldade dos perseguidores jamais puderam atemorizá-la. Em defesa desta fé, através de todo o mundo, homens e mulheres, meninos de tenra idade e moças na flor da juventude combateram até ao derramamento do sangue. Esta fé
expulsou os demônios, afastou as doenças, ressuscitou os mortos.
        Os santos apóstolos, apesar dos milagres contemplados e dos ensinamentos recebidos, ainda se Atemorizavam perante as atrocidades da paixão do Senhor e hesitavam ante a notícia de sua ressurreição. Porém, com a ascensão do Senhor progrediram tanto que tudo quanto antes era motivo de temor, se converteu em motivo de alegria. Toda a contemplação do seu espírito se concentrava na divindade daquele que estava sentado à direita do Pai; agora, sem a presença visível do seu corpo, podiam compreender claramente, com os olhos do espírito, que aquele que ao descer à terra não tinha deixado o Pai, também não abandonou os discípulos ao subir para o céu.
        A partir de então, caríssimos filhos, o Filho do homem deu-se a conhecer de modo mais sagrado e profundo como Filho de Deus. Ao ser acolhido na glória da majestade do Pai começou, de um modo novo e inefável, a estar mais presente no meio de nós pela divindade quando sua humanidade visível se ocultou de nós.
        Por conseguinte, a nossa fé começou a adquirir um maior e progressivo conhecimento da igualdade do Filho com o Pai, e a não mais necessitar da presença palpável da substância corpórea de Cristo, pela qual ele é inferior ao Pai. Pois, subsistindo a natureza do corpo glorificado, a fé dos que creem é atraída para lá, onde o Filho Unigênito, igual ao Pai, poderá ser tocado não mais pela mão carnal, mas pela contemplação do espírito.

Dos Sermões de São Leão Magno, papa
 (Sermo 2deAscensione,1-4: PL 54, 397-399 Séc.V)


quarta-feira, 4 de maio de 2016

Noite Acústica

ATRAÇÃO CONFIRMADA: 
- Huanda Silva

Em nossa Noite Acústica, também contaremos com a presença da Huanda Silva, cantora Católica consagrada a Virgem Maria, que desde dos 8 anos canta na Igreja incentivada por sua mãe à evangelizar pelo canto. Hoje exerce seu ministério de música, e realizando seu primeiro trabalho titulado "Meu bem amado", com canções que nos leva a contemplar o Senhor.

Confira mais seu trabalho:

Adquira seu ingresso em nossa casa missionária, no valor de R$5,00.

Informações: 
Dia: 07/05
Horário: 20h00
Local: SMT Conjunto 12 Casa 03 Taguatinga


Noite Acústica

ATRAÇÃO CONFIRMADA: 
- Lucas Medrado

Na noite acústica contaremos com a presença do Lucas Medrado, músico católico de nossa cidade, que tem feito um belo trabalho de evangelização através da música.

Confira um pouco do seu trabalho no canal do YouTube https://www.youtube.com/user/lucasdanielmedrado

Já confirmou a sua presença?

A noite acústica será neste sábado, a partir das 20hrs. O ingresso custa R$ 5,00 e você poderá adquirir em nossa Casa Missionária.

Convide seus amigos e nos ajude a divulgar!

Informações do evento:
- Endereço: SMT Conj. 12 Casa 03
- Data/Horário: 07 de maio às 20h
- Ingresso: R$ 5,00

Os dias entre a ressurreição e a ascensão do Senhor


        Caríssimos filhos, os dias entre a ressurreição e a ascensão do Senhor não foram passados na ociosidade. Pelo contrário, neles se confirmaram grandes sacramentos, grandes mistérios foram neles revelados.
        No decurso destes dias foi afastado o medo da morte cruel e proclamada a imortalidade não apenas da alma mas também do corpo. Nestes dias, mediante o sopro do Senhor, todos os apóstolos receberam o Espírito Santo; nestes dias foi confiado ao apóstolo Pedro, mais que a todos os outros, o cuidado do rebanho do Senhor, depois de ter recebido as chaves do reino.
        Durante esses dias, o Senhor juntou-se, como um terceiro companheiro, a dois discípulos em viagem, e para dissipar as sombras de nossas dúvidas repreendeu a lentidão de espírito desses homens cheios de medo e pavor. Seus corações, por ele iluminados, receberam a chama da fé; e à medida que o Senhor ia lhes explicando as Escrituras, foram se convertendo de indecisos que eram em ardorosos. E mais: ao partir o pão, quando estavam sentados com ele à mesa, abriram-se-lhes os olhos. Abriram-se os olhos dos dois discípulos, como os dos nossos primeiros pais. Mas quão mais felizes foram os olhos dos dois discípulos ante a glorificação da própria natureza, manifestada em Cristo, do que os olhos de nossos primeiros pais ante a vergonha da própria prevaricação!
        Durante todo esse tempo, caríssimos filhos, passado entre a ressurreição e a ascensão do Senhor, a providência de Deus esforçou-se por ensinar e insinuar não apenas aos olhos mas também aos corações dos seus que a ressurreição do Senhor Jesus Cristo era tão real como o seu nascimento, paixão e morte.
        Os santos apóstolos e todos os discípulos ficaram muito perturbados com a tragédia da cruz e hesitavam em acreditar na ressurreição. De tal modo eles foram fortalecidos pela evidência da verdade que, quando o Senhor subiu aos céus, não experimentaram tristeza alguma, mas, pelo contrário, encheram-se de grande alegria.
        Na verdade, era grande e indizível o motivo de sua alegria: diante daquela santa multidão, contemplavam a natureza humana que subia a uma dignidade superior à de todas as criaturas celestes, ultrapassando até mesmo as hierarquias dos anjos e a altura sublime dos arcanjos. Deste modo, foi recebida junto do eterno Pai, que a associou ao trono de sua glória, depois de tê-la unido na pessoa do Filho à sua própria natureza divina.

Dos Sermões de São Leão Magno, papa
(Sermo 1 de Ascensione, 2-4: PL 54,395-396 Séc. V)


segunda-feira, 2 de maio de 2016

A encarnação do Verbo


        O Verbo de Deus, incorpóreo, incorruptível e imaterial, veio habitar no meio de nós, se bem que antes não estivesse ausente. De fato, nenhuma região do mundo jamais esteve privada de sua presença, porque, pela união com seu Pai, ele estava em todas as coisas e em todo lugar.
        Por amor de nós, veio a este mundo, isto é, mostrou-se a nós de modo sensível. Compadecido da fraqueza do gênero humano, comovido pelo nosso estado de corrupção, não suportando ver-nos dominados pela morte, tomou um corpo semelhante ao nosso. Assim fez para que não perecesse o que fora criado nem se tornasse inútil a obra de seu Pai e sua ao criar o homem. Ele não quis apenas habitar num corpo ou somente tornar-se visível. Se quisesse apenas tornar-se visível, teria certamente assumido um corpo mais excelente; mas assumiu o nosso corpo.
        Construiu no seio da Virgem um templo para si, isto é, um corpo; habitando nele, fê-lo instrumento mediante o qual se daria a conhecer. Assim, pois, assumindo um corpo semelhante ao nosso, e porque toda a humanidade estava sujeita à corrupção da morte, ele, no seu imenso amor por nós, ofereceu-o ao Pai, aceitando morrer por todos os homens. Deste modo, a lei da morte, promulgada contra a humanidade inteira, ficou anulada para aqueles que morrem em comunhão com ele. Tendo ferido o corpo do Senhor, a morte perdeu a possibilidade de fazer mal aos outros homens, seus semelhantes. Além disso, reconduziu o gênero humano da corrupção para a incorruptibilidade, da morte para a vida, fazendo desaparecer a morte – como a palha é consumida pelo fogo – por meio do corpo que assumira e pelo poder da ressurreição. Assumiu, portanto, um corpo mortal, para que esse corpo, unido ao Verbo que está acima de tudo, pudesse morrer por todos. E porque era habitação do Verbo, o corpo assumido tornou-se imortal e, pelo poder da ressurreição, remédio de imortalidade para toda a humanidade.
        Entregando à morte o corpo que tinha assumido, ele o ofereceu como sacrifício e vítima puríssima, libertando assim da morte todos os seus semelhantes; pois o ofereceu em sacrifício por todos.
        O Verbo de Deus, que é superior a todas as coisas, entregando e oferecendo em sacrifício o seu corpo, templo e instrumento da divindade, pagou com a sua morte a dívida que todos tínhamos contraído. Deste modo, o Filho incorruptível de Deus, tornando-se solidário com todos os homens por um corpo semelhante ao seu, tornou a todos participantes da sua imortalidade, a título de justiça com a promessa da imortalidade.
        Por conseguinte, a corrupção da morte já não tem poder algum sobre os homens, por causa do Verbo que por meio do seu corpo habita neles.

Dos Sermões de Santo Atanásio, bispo

(Oratio de incarnatione Verbi, 8-9:PG 25,110-111) (Séc. IV)