quarta-feira, 27 de julho de 2016

Missa de Abertura marca início oficial da JMJ


Da cerimónia presidida pelo Cardeal Stanisław Dziwisz vieram as palavras tão esperadas: “A Jornada Mundial da Juventude, Cracóvia 2016, está aberta!”

Apesar do céu carregado de chuva e os trovões que os cobriam, mais de 200.000 peregrinos encaminharam-se e estabeleceram-se determinados no campo santificado pelo Papa São João Paulo II e abençoada pelo Papa Bento XVI, o Parque Błonia. A alegria generalizada de ali estar naquele momento tornava-os imunes a tudo, a santidade do lugar protegia-os. Porque às 17:30 chegaria por fim a hora que haviam esperado desde 2013: a Cruz da JMJ, entregue por jovens brasileiros no Rio de Janeiro, levada por jovens polacos por toda a Polónia, e sempre seguida pela imagem da Virgem Maria, chegou por fim ao altar da Santa Missa de Abertura da Jornada Mundial da Juventude 2016.

A cerimónia de duas horas foi presidida pelo Cardeal Stanisław Dziwisz, Arcebispo de Cracóvia, que começou por saudar os seus queridos amigos, cari amici, dear friends, chers amis, liebe Freunde, mas que a partir de então se dirigiu a todos “no idioma do Evangelho. É uma língua de amor. É uma língua de fraternidade, solidariedade e paz”. Praticou-se este espírito de união quando, para surpresa dos fiéis, depois de se ler também se cantou o Evangelho, um dos vários ritos da Igreja Oriental integradas na cerimónia, e que se repetirá nas próximas duas grandes missas da Jornada. É um abraço da Polónia aos seus peregrinos vizinhos Ucranianos e Russos, vindos de onde se pratica o rito Bizantino e não o Romano; e é uma descoberta para os restantes sobre quão rica e diversificada é a igreja una de que são parte.


A todos, o Cardeal falou primeiro sobre o caminho que os juntou ali. “Viemos “de todas as nações que há debaixo do céu” ( Act 2,5), como os peregrinos reunidos em Jerusalém no dia de Pentecostes, mas nós somos mais numerosos do que aqueles de dois mil anos atrás. Porque nós trazemos a riqueza dos séculos de evangelização, que se espalhou pelo mundo inteiro”. Agora, em Cracóvia, Jesus vai “fazer perguntas sobre o nosso amor, como no passado Ele perguntou a Simão Pedro. Não evitem a resposta”, desafiou. Porque tal como o Apóstolo, também peregrinos das Jornadas devem fazer com que “o fogo do amor se possa espalhar pelo mundo inteiro e tire o egoísmo, a violência e a injustiça, que na nossa terra se possa espalhar a cultura do bem, do amor, e da paz”.

Para guiar os jovens na sua missão, foram inevitavelmente invocados São João Paulo II e Santa Faustina – “Apóstola da Misericórdia Divina”, cuja mensagem reforça o lema desta Jornada. Mas também foi recordado o italiano Pier Frassati, um jovem beatificado que encheu a curta vida de caridade corajosa e atividade social resoluta e consequente pelos mais pobres.

Os fiéis presentes assimilaram tudo o que lhes foi dado, uns compenetrados em oração profunda – de olhos virados para o céu, ou de olhos fechados, de mãos juntas ou sobre o peito – outros efusivamente expansivos no seu júbilo– rindo, gritando, erguendo bandeiras, e dizendo, pelas câmaras, a quem está longe, que eles estão aqui. Uns escutando, a maioria cantando, músicas célebres como “Jesus Christ you are my life”, após a comunhão, e no fim “Abba Ojcze”, tema da anterior JMJ na Polónia em 1991. Comum a cada jovem, uma só força incontrolável que o transborda mas de que é parte, tal como a multidão a que ele pertence disposta em redor do altar em Błonia É a vivência da fé de todos, que é uma só, que se ouviu em uníssono quando o Cardeal decretou “A Jornada Mundial da Juventude, Cracóvia 2016, está aberta!”. O grito ensurdecedor repetir-se-á até Domingo, e ecoará de então em diante.

André Patrão (krakow2016)

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